Cidades

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Incra quer criar quilombo em área urbana da região norte da Capital

Proprietários de 25 imóveis já foram notificados para contestar a demarcação

LUANA RODRIGUES

02/07/2018 - 07h00
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Vinte e cinco imóveis de empresas, igreja e até órgão público podem ser removidos de 21,59 hectares da Comunidade Negra Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, a Tia Eva, no Jardim Seminário, em Campo Grande. Edital da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Mato Grosso do Sul, publicado na edição de sexta-feira (29) do Diário Oficial do Estado, dá prazo de 90 dias para que os proprietários contestem relatório técnico que define a área como quilombola.

O edital trata da regularização fundiária da comunidade e notifica os donos dos 25 imóveis sobre o processo administrativo aberto na autarquia para definir a ocupação da área, que seria irregular, já que o terreno consta em relatório técnico de identificação, realizado em 2012. 

O documento ainda revela que o processo de regularização aberto para delimitação da área é de 2007, o que mostra que, há pelo menos 11 anos, a comunidade espera a delimitação da área e a posse total da terra.

“Para nós, é uma conquista, mas na realidade estamos conquistando aquilo que é nosso. Temos cerca de 200 famílias de descendentes que ainda não têm terreno, são herdeiros. E nós temos pressa, porque isso já se arrasta há anos e nada”, conta o presidente da Associação de Descendentes de Tia Eva, Eurides Antonio da Silva, conhecido como Bolinho.

No entanto, apesar do edital publicado e de estar correndo o prazo de 90 dias para que os proprietários contestem ou não a demarcação, ele não acredita que haverá tanta celeridade. “Hoje mesmo [sexta-feira, 29], estive no Incra e eles não tinham nem combustível para distribuir as notificações, mas nós esperamos que saia logo a determinação final”, defende.

Segundo o presidente, a associação tenta firmar um acordo com a Agência de Habitação de MS (Agehab) com o objetivo de ceder a área na comunidade para construção de moradias populares, mas isto ainda está sendo conversado. “Eles querem construir 200 apartamentos. Nós fizemos a proposta de que eles construíssem 200 e cedessem 100 para descendentes”, explicou.

Conforme o Incra, os notificados têm prazo de 90 dias para apresentar contestações ao relatório técnico. “Eles devem procurar o Incra para saber se têm direito à indenização, têm que comprovar que são proprietários legítimos da área citada”, informou a assessoria de imprensa do órgão.

Só depois desse prazo é que será feito estudo para determinar valores de possíveis indenizações. “Depois do prazo, será feito um estudo que vai indicar o valor do metro quadrado na região, o que definirá o valor das indenizações. Não há uma estimativa de prazo para o fim do processo [a retirada dos ocupantes], pois depende de etapas”.

coxim

Foragido por descumprir medidas protetivas é encontrado morto no Rio Taquari

Homem fugiu de policiais que cumpriam mandado na terça-feira e corpo foi encontrado boiando nesta quinta

18/06/2026 18h29

Corpo foi encontrado em rio na zona rural de Coxim

Corpo foi encontrado em rio na zona rural de Coxim Foto: Divulgação / Polícia Civil

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Maycon Douglas Gama de Freitas, de 32 anos de idade, foi encontrado morto no rio, na zona rural de Coxim, nesta quinta-feira (18). Ele era considerado foragido desde o dia 3 de junho, por descumprimento de medidas protetivas de urgência no contexto de violência doméstica.

De acordo com a Polícia Civil, contra Freitas havia dois mandados de prisão preventiva, em razão da reiteração criminosa e do descumprimento das medidas protetivas.

Na última segunda-feira (15) os policiais receberam informações de que ele estaria escondido em uma chácara localizada nas proximidades da região conhecida como "Tapete Verde", a cerca de 40 quilômetros da área urbana de Coxim.

Equipes realizaram diligências no local, porém o suspeito não foi localizado.

Nova tentativa de captura foi realizada na terça-feira (16), quando policiais voltaram ao local após novas informações indicarem que o foragido permanecia na propriedade.

Por volta das 6h30, o homem foi visualizado, mas fugiu em direção à mata, às margens do rio, ao avistar os policiais. Após alguns minutos de perseguição, ele conseguiu escapar.

Outras equipes foram mobilizadas para reforçar as buscas, com a utilização também de um drone, mas o foragido não foi encontrado.

Nesta quinta-feira , a Polícia Civil foi novamente acionada, desta vez por pessoas que avistaram um corpo boiando no rio, em região que fica a aproximadamente 10 quilômetros do último local onde o foragido havia sido visto.

Policiais, acompanhados por equipe da Perícia Criminal, estiveram no local e realizaram os primeiros levantamentos.

Familiares compareceram ao local e reconheceram o corpo como sendo do homem que era procurado pela Justiça.

O corpo foi encaminhado para exame necroscópico, que irá determinar a causa da morte.

CONE SUL

Tensão entre fazendeiros e indígenas reforça efetivo da Força Nacional em MS

MPI solicitou a ampliação do efetivo da FN e o MJSP autorizou a medida

18/06/2026 18h10

Força Nacional em MS

Força Nacional em MS Arquivo - Correio do Estado

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Há anos em conflito agrário, Mato Grosso do Sul vive mais um episódio de tensão no campo entre fazendeiros x indígenas.

Em cinco dias, duas fazendas foram invadidas por indígenas no Estado:

  • São Sebastião, no dia 13 de junho, em Sidrolândia
  • Limão Verde, na data de 17 de junho em Amambai

Com isso, a Força Nacional reforçou seu efetivo no Cone Sul de MS, abrangido pelos municípios de Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, Japorã, Juti, Mundo Novo e Naviraí.

O agravamento da situação no campo levou o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) a realizar uma reunião de emergência, nesta quinta-feira (18), em Brasília, com representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, do Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para acalmar a situação na área rural.

Após a reunião, o MPI solicitou a ampliação do efetivo e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) autorizou a medida.

O comando da Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) confirmou o deslocamento de uma equipe adicional. Equipes da Funai também foram designadas para acompanhar o caso in loco, prestando assistência direta aos indígenas detidos.

FAZENDA SÃO SEBASTIÃO

Fazenda São Sebastião/Terra Indígena Buriti (17,2 mil hectares) foi invadida por indígenas da Aldeia Buriti, em 13 de junho de 2026, na área rural de Sidrolândia, a 90 quilômetros de Campo Grande.

O grupo ateou fogo, derrubou árvores, instalou barricadas – para atrapalhar a chegada da polícia –, roubou maquinários, insumos agrícolas, cavalos e gado, fez ameaças de morte, rendeu com arma de fogo e manteve em cárcere os proprietários/funcionários da fazenda.

A sede foi destruída e a atividade rural foi comprometida. Com isso, o proprietário arca com prejuízos incalculáveis e a propriedade terá que ser reconstruída do zero, afirmou o presidente da FAMASUL, Marcelo Bertoni, sem falar os valores do prejuízo.

FAZENDA LIMOEIRO

Fazenda Limoeiro foi invadida por indígenas Guarani-Kaiowá, nesta quarta-feira (17), em Amambai, município localizado a 354 quilômetros de Campo Grande.

O território foi incendiado e teve objetos depredados. Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram mobilizados para a ocorrência.

A área é reivindicada pelos indígenas como parte do território tradicional Tekoha Kaa’Jari.

De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas, nesta quinta-feira (18), a 2ª Vara Federal de Ponta Porã determinou a expedição de Mandato Probatório em favor dos ocupantes da Fazendo Limoeiro, mas esclareceu que a "decisão possui natureza exclusivamente preventiva, destinada à preservação da posse atualmente exercida pelo autor e à prevenção de novos atos de turbação ou esbulho, não constituindo autorização para remoção compulsória de pessoas eventualmente presentes na área, providência que dependerá de específica apreciação judicial".

O órgão também frisou que “nenhuma ação policial deverá ser adotada na propriedade sem decisão judicial prévia que a fundamente e sem que a operação seja acompanhada da Funai, Ministério Público Federal e da Polícia Federal, sob pena de responsabilização funcional dos agentes envolvidos”.

O MPI mantém o monitoramento contínuo da área por meio de seus órgãos competentes e está realizando articulações para consolidar Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) para a atuação das forças de segurança em territórios e com povos indígenas.

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