Os irmãos narcotraficantes de Mundo Novo Adib e Nasser Kadri tentaram escapar da prisão recorrendo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não conseguiram. Os dois foram alvo da Operação Ferrari, da Polícia Federal, em junho 2015 e desde então estão foragidos.
Outras 22 pessoas também são investigadas pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. As denúncias contra eles foram feitas pelo Ministério Público Federal do Paraná e tramitam na 14ª Vara Federal de Curitiba.
Adib e Nasser têm mandado de prisão preventiva expedido contra ambos. Eles recorreram ao STJ para tentarem se livrar do risco de irem para trás das grades, caso sejam encontrados no Brasil. A defesa apresentou habeas corpus que foi analisado pela 6ª Turma do STJ, que negou, por unanimidade, o HC.
Os advogados alegaram falta de fundamentação no decreto de prisão preventiva, além de que os irmãos têm residência fixa, ocupação lícita e são primários. A primeira instância a negar o pedido foi o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e agora, o Superior Tribunal de Justiça.
O ministro relator do HC foi Rogerio Schietti Cruz, que apontou que o juiz de 1ª instância tinha indícios suficientes para decretar a prisão.
“Verifico que se mostram suficientes as razões invocadas na instância de origem para embasar a ordem de prisão dos ora recorrentes, porquanto contextualizaram, em dados concretos dos autos, a necessidade cautelar de segregação”, afirmou o ministro em seu relatório.
ENVOLVIMENTO COM CRIMES
Adib e Nasser Kadri são investigados por pertencerem a grupo criminoso que fornecia cocaína para 15 cidades do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Bahia e Sergipe.
A droga era importada do Peru e da Bolívia e era levada para Salto del Guairá, no Paraguai. Ali é divisa com Mundo Novo, onde funcionava a base de Adib e Nasser.
Em 2007, os irmãos foram alvo da PF que apurava o contrabando de agrotóxicos, armas e drogas. A operação na época chamou-se Zaqueu. Foi apurado que duas propriedades rurais de Adib e Nasser serviam para passagem dos ilícitos.
A investigação indicou uma espécie de entreposto em fazenda fica em Japorã e em chácara localizada em Mundo Novo. Os dois foram presos nessa operação.
RIQUEZA
O patrimônio dos criminosos investigados na Operação Ferrari ultrapassa os R$ 40 milhões. A PF identificou que os envolvidos vivam vida de luxo e andavam em carros importados, moravam em condomínios de alto padrão e tinham até embarcações caras.
Somente com essa investigação, foram sequestrados 20 imóveis, bloqueados 30 contas correntes e apreendidos mais de 100 veículos.

