Cidades

Covid-19

Jornalista perde família para o Covid-19 e redação revive luto

Subeditora do Correio do Estado perdeu pais e irmão para o coronavírus. Em fevereiro redação já havia perdido o repórter fotográfico, Valdenir Rezende

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Exaustos da cobertura diária do estrago que coronavírus tem feito no mundo, mas sem opção, profissionais da comunicação tem sofrido o luto dentro das próprias redações. Na última semana, a jornalista e subeditora do Correio do Estado, perdeu os pais e o único irmão para a doença.

No final de fevereiro a redação já vivia o luto do repórter fotográfico, Valdenir Rezende que também perdeu a vida para o vírus. 

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Profissional da área por décadas e referência no fotojornalismo sul-mato-grossense, Valdenir, de apenas 55 anos ficou internado por 35 dias na Unimed, mas foi vencido pela doença em 28 de fevereiro. Ele deixou dois filhos, que seguem a profissão do pai, no mesmo veículo.

Na última semana, a doença que não escolhe profissão, cor, classe ou crença, voltou a dar as caras na redação. Subeditora de economia, Súzan Benites perdeu a mãe, Roseneide Nara, o único irmão, Rafael Benites e o pai, Atanacildo Nara, seu “Tanaka“.

"Este lar era feito de quatro colunas que sustentavam um teto. Em uma semana, três colunas foram arrancadas sem nenhum aviso prévio. Eu me pergunto: como uma única coluna vai sustentar este teto?"

"Não existe lição, compreensão ou justificativa para um sofrimento tão grande. Há 15 dias, eu tinha um lar de muito amor, parceria, cumplicidade, planos, projetos, e hoje eu tenho nada. A única certeza que eu tenho é que fomos muito felizes juntos e seremos nós quatro para toda a eternidade", escreveu Suzan, em sua página no Facebook.

Assim como os pais, ela também teve Covid. Seu Tanaka apresentou os primeiros sintomas no final de fevereiro, mas só realizou o teste três dias depois, dia 1° de março junto com o filho Rafael Benites de 34 anos. 

O resultado dos dois deu positivo, então a jornalista, a mãe e o namorado também jornalista Bruno Nascimento, de 34 anos, decidiram fazer o teste que deu o mesmo resultado. “Estamos há um ano saindo apenas para trabalhar e ir ao mercado, ninguém entrava aqui além do Bruno, até agora não sei onde pegamos esse vírus, foi tudo muito rápido“, revelou. 

Súzan Benites perdeu a mãe, no último dia 12. Três dias depois, morreu o único irmão, Rafael Benites. Na madrugada deste sábado (20), ela despediu-se do pai, Atanacildo Nara. 

“Eu ficava me perguntando como ia contar ao meu irmão que a mãe havia falecido e ai recebi a notícia que ele também tinha ido, foi um choque, o boletim dele estava normal“, contou. 

“Eu pedi para o meu pai não me deixar, que eu estava sozinha e só tinha ele, mas o médico me disse que ele estava sofrendo, então eu falei que ele podia ir em paz encontrar nossa família que eu ia ficar bem, poucas horas depois o telefone tocou, mas hoje estou feliz que pude me despedir dele“.

Há uma semana Suzan já não sente mais os sintomas da doença, sentindo apenas o cansaço, sequela recorrente em pacientes covid. 

O namorado Bruno teve alta neste domingo (21) após 11 dias internado com a doença. “Minha grande alegria no dia de hoje. Meu amor Bruno teve alta hoje graças a Deus. Com ele aqui tudo fica menos pesado“. 

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SELVÍRIA (MS)

A pedido de ex-governador, MP investiga danos ambientais em plantio de eucalipto

Plantação de eucalipto, destinada à produção de celulose, estaria provocando possíveis impactos ambientais negativos à fauna, flora e recursos hídricos em Selvíria, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Mutum e Pontal do Fala

08/07/2026 17h00

Plantação de eucalipto

Plantação de eucalipto Paulo Ribas

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Plantação de eucalipto entrou na mira do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

O MPMS, por meio da comarca de Três Lagoas (MS), instaurou Inquérito Civil para investigar a monocultura de eucalipto em Selvíria, município localizado no leste de Mato Grosso do Sul, a 400 quilômetros de Campo Grande.

De acordo com o documento, a plantação de eucalipto, destinada à produção de celulose, estaria provocando possíveis impactos ambientais negativos à fauna, flora e recursos hídricos (sumiço de nascentes) na região, compreendida por Selvíria, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Mutum e Pontal do Fala.

O parecer também traz potenciais impactos decorrentes da fragmentação da paisagem, da ausência de corredores ecológicos e da necessidade de verificação da regularidade ambiental dos empreendimentos.

A investigação foi solicitada pelo ex-governador e deputado estadual, José Orcírio Miranda, mais conhecido como Zeca do PT, em 12 de dezembro de 2025.

Plantação de eucalipto

Consultorias ambientais pedem a apuração dos supostos impactos ambientais e recuperação da área, com ações de mediação, fiscalização, preservação, compensação ambiental e implementação de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e proteção dos recursos naturais.

Com isso, o Ministério Público transformou a notícia de fato em inquérito civil, com objetivo de apurar possível dano ambiental decorrente de plantação de eucalipto destinada à produção de celulose, no leste de Mato Grosso do Sul.

Confira o trecho redigido publicado no Diário Oficial do MPMS:

Plantação de eucaliptoEscreva a legenda aqui

Dados do MapBiomas apontam que, em 2024, na região Centro-Leste de MS, a silvicultura equivalia a 893.320 hectares, a pastagem 4.961.905 hectares e a vegetação nativa 1.468.165 hectares.

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Mutirão

EMHA fiscaliza casas da antiga Comunidade Mandela em Campo Grande

Fiscalização alcança cinco loteamentos que receberam famílias após anos de ocupação, incêndio devastador e longa espera por moradia definitiva em Campo Grande

08/07/2026 16h49

Foto: Divulgação

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A Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (EMHA) realiza nesta quarta-feira (8) um mutirão de notificações nas áreas destinadas ao reassentamento das famílias da antiga Comunidade Mandela, em Campo Grande.

A ação ocorrerá simultaneamente nos loteamentos José Tavares, Talismã, Oscar Salazar e Iguatemi I e II, onde vivem famílias contempladas pelos programas habitacionais implantados após um dos episódios mais marcantes da crise habitacional da Capital.

O objetivo da fiscalização é identificar imóveis desocupados, notificar mutuários inadimplentes e orientar os beneficiários sobre a proibição da venda, aluguel, cessão ou qualquer outra forma de negociação das unidades habitacionais destinadas por programas de interesse social.

De acordo com a EMHA, a iniciativa integra o trabalho permanente de acompanhamento dos empreendimentos habitacionais para garantir que as moradias continuem cumprindo sua função social e permaneçam ocupadas pelas famílias que efetivamente foram contempladas pelos programas públicos.

Durante a operação, as equipes também irão verificar se os beneficiários permanecem residindo nos imóveis e se estão cumprindo as cláusulas previstas nos contratos firmados com o município.

Caso sejam constatadas irregularidades, poderão ser instaurados procedimentos administrativos que, em situações específicas previstas na legislação e nos contratos, podem resultar na retomada da unidade habitacional pelo poder público.

Vale ressaltar que os imóveis financiados ou concedidos por programas de habitação popular não podem ser comercializados nem utilizados para fins diferentes daqueles previstos nas regras do benefício, sob pena de sanções administrativas.

Uma comunidade marcada pela luta por moradia

A antiga Comunidade Mandela se tornou um dos maiores símbolos do déficit habitacional de Campo Grande.

Durante anos, centenas de famílias viveram em barracos improvisados, construídos em uma área ocupada irregularmente na região norte da Capital, enfrentando diariamente a falta de infraestrutura, saneamento básico, drenagem, energia elétrica regular e segurança jurídica sobre o local onde moravam.

Apesar das dificuldades, a comunidade também ficou conhecida pela mobilização constante dos moradores em busca do direito à moradia digna.

Ao longo dos anos, famílias participaram de reuniões, negociações com o poder público e reivindicações para conseguir uma solução definitiva para o assentamento.

A situação ganhou contornos ainda mais dramáticos em dezembro de 2023, quando um incêndio de grandes proporções destruiu mais de 80 barracos da comunidade.

As chamas se espalharam rapidamente e atingiram cerca de 187 famílias, que perderam casas, móveis, documentos e praticamente todos os seus pertences.

Na ocasião, moradores relataram que o fogo começou por volta das 11h20 e tentaram conter as chamas utilizando baldes e mangueiras, mas não conseguiram impedir que o incêndio consumisse grande parte da favela.

Equipes do Corpo de Bombeiros mobilizaram quatro viaturas, além de uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Caminhões-pipa também foram enviados para reforçar o combate ao fogo em meio ao forte calor registrado naquele dia.

As causas do incêndio nunca foram oficialmente confirmadas, mas uma das hipóteses levantadas durante as primeiras apurações foi a de um curto-circuito.

Reassentamento trouxe esperança às famílias

Pouco mais de sete meses após a tragédia, teve início a entrega dos contratos das novas moradias destinadas às famílias atingidas pelo incêndio. O Jardim Talismã foi um dos primeiros loteamentos a receber os beneficiários.

Na época, as primeiras unidades habitacionais começaram a ser entregues enquanto outras permaneciam em construção. O processo marcou o início de uma nova etapa para dezenas de famílias que aguardavam havia anos por uma moradia regularizada.

O reassentamento foi posteriormente ampliado para outros empreendimentos, incluindo os loteamentos José Tavares, Oscar Salazar e Iguatemi I e II, formando o conjunto de áreas que hoje recebe o acompanhamento permanente da EMHA.

Fiscalização busca preservar política habitacional

O objetivo das visitas não é apenas identificar irregularidades, mas preservar uma política pública construída para atender famílias em situação de vulnerabilidade social.

A ocupação efetiva das moradias, o cumprimento dos contratos e o combate à comercialização irregular são considerados fundamentais para garantir que os imóveis continuem atendendo quem realmente necessita.

O mutirão desta quarta-feira terá como ponto de concentração o loteamento Iguatemi II, no cruzamento da Rua Pacajús com a Rua Júlio Baís, a partir das 13h30, enquanto equipes atuarão simultaneamente nos demais empreendimentos destinados às famílias da antiga Comunidade Mandela.

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