O corregedor-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, delegado Clever José Fante Esteves, revogou parcialmente o afastamento compulsório do investigador de Polícia Judiciária Augusto Torres Galvão Florindo, preso no fim de novembro do ano passado durante operação da Polícia Federal.
A decisão foi publicada na edição desta terça-feira (11) do Diário Oficial do Estado e cumpre determinação da 5ª Vara Federal de Campo Grande, que revogou a prisão preventiva do servidor e impôs medidas cautelares.
Conforme o texto, Augusto deverá exercer exclusivamente funções internas de natureza administrativa ou cartorária, durante o expediente regular da Polícia Civil, ficando proibido de desempenhar atividades típicas de investigação ou repressão policial. Ele também está impedido de participar de diligências externas e de integrar escalas de plantão.
A decisão judicial determinou ainda o recolhimento de distintivos, itens de indumentária com símbolos da Polícia Civil e da carteira funcional do investigador. Também foi suspensa a autorização para posse e porte de arma de fogo, seja funcional ou particular, além da autorização para atuar como instrutor de armamento e tiro.
O policial, que é servidor efetivo da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), estava lotado na Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Com a revogação parcial do afastamento, a administração superior da Polícia Civil deverá adequar o servidor à unidade compatível com as restrições impostas, até o trânsito em julgado da ação penal ou nova determinação da Justiça.
A medida passa a valer a partir da data da publicação.
Relembre
Divulgado inicialmente pela Polícia Federal sem identificação do policial, o caso de recebimento de propina foi registrado na última sexta-feira (28 de novembro), situação em que a PF abordou Augusto Torres Galvão Florindo no momento em que recebia aproximadamente R$160 mil.
A propina seria paga porque, supostamente, o policial seria encarregado de facilitar as atividades de criminosos contrabandistas em território sul-mato-grossense.
Além de Augusto, os agentes federais também prenderam um ex-guarda municipal, identificado como Marcelo Raimundo da Silva, com um longo histórico de atividades ligadas ao contrabando, que fazia a entrega do dinheiro para o colega da ativa
Essas prisões somente aconteceram após a PF receber uma denúncia anônima, dizendo que uma mulher sacaria grande quantidade de dinheiro para pagar propina a um policial, por conta de um crime envolvendo contrabando e o possível favorecimento.
Munidos da informação, as pesquisas foram feitas e revelaram o volume de registros criminais de contrabando e descaminho em desfavor da pessoa indicada pelo autor da denúncia anônima.
Cabe destacar que as prisões reacenderam um alerta de uma preocupação antiga nas forças de segurança de Mato Grosso do Sul, a atuação de servidores envolvidos com contrabandistas na faixa de fronteira.
Como bem acompanha o Correio do Estado, o próprio secretário de Justiça e Segurança Pública, delegado Antônio Carlos Videira, admitiu ontem (1°) que o caso não é isolado, com procedimentos internos antigos na Corregedoria da Polícia Civil com o intuito de apurar possíveis desvios de conduta ligados a crimes fronteiriços.
*Colaborou Leo Ribeiro*
Reprodução/Secom/CGNotícias
Dados: Cadastro Imobiliário Municipal - Arquivo/Correio do Estado

