Cidades

PESO NO BOLSO

Tarifaço de terrenos baldios ajuda a explicar chiadeira sobre o IPTU

Até o ano passado, sobre boa parcela deste terrenos, principalmente os da periferia, a alíquota era 1%. Agora, saltou para 3,5%, o que representa alta de 250% no valor final

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Centenas de contribuintes estão enfrentado longa fila diariamente na central de atendimento da prefeitura de Campo Grande em busca de explicações para aumentos que superam os 300% no valor dos carnês do IPTU. E um das principais motivos para este aumento, aplicado sem aviso prévio, é que a prefeitura passou a cobrar a alíquota máxima, de 3,5%, sobre o valor venal dos terrenos baldios (sem construção) que tenham pelo menos três serviços públicos à disposição. 

Até o ano passado, os proprietários de boa parcela destes terrenos pagavam 1% de imposto. Ou seja, se o terreno é avaliado em R$ 100 mil, até 2025 o carnê do IPTU vinha com R$ 1 mil. Agora, veio com a cobrança de R$ 3,5 mil. 

Somente essa mudança já representou aumento de 250% no valor do carnê. E, embora normalmente nos terrenos baldios não exista produção de lixo, a taxa de coleta também incide sobre eles. 

E, se estes terrenos estão na lista dos 45% dos imóveis  que sofreram majoração desta taxa por conta da reclassificação feita este ano, acabaram sofrendo tarifaço duplamente.

Além disso, estes carnês ainda vieram com a correção anual normal, de 5,32%, e perderam a metade do desconto para pagamento à vista. Somando estas quatro possíveis alterações, o reajuste em parte dos imóveis se aproximou dos 400%.

O Correio do Estado procurou a prefeitura de Campo Grande em busca de informações sobre a quantidade de terrenos baldios que sofreram aumento de 250% e o valor a maior que isso pode representar nos cofres municipais, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. 

Porém, na última quarta-feira (8), o secretário de Governo e Relações Institucionais, Ulisses da Silva Rocha, explicou que esta alíquota de 3,5% pode ser aplicada em todos os bairros nos quais existam pelo menos três serviços públicos, como asfalto, escola, posto de saúde, rede de água, coleta de esgoto, iluminação pública ou outros. 

Nestes casos, de acordo com ele, "a prefeitura pode, de acordo com o Código Tributário Municipal o Código Tributário Nacional, cobrar de 1% a 3,5%. E a refeitura aplicou a cobrança de 3,5%, mas sem uma alteração do valor venal do imóvel". Essa alteração, entende ele, foi legal e não necessitava de autorização da Câmara de Vereadores. 

Em bairros antigos e mais bem estruturados, mas com pequeno número de terrenos baldios, já existia a cobrança de 3,5% sobre o valor do terreno. Então, a mudança deste ano foi sentida principalmente nos bairros periféricos e nos quais os serviços públicos chegaram faz menos tempo

MAIS R$ 25 MILHÕES

Ao defender o aumento no valor da taxa de lixo, o secretário informou que anualmente o  serviço custa em torno de R$ 130 milhões, mas a arrecadação chegava a apenas R$ 40 milhões. Com o ajuste aplicado agora, elevando o valor para 45% dos proprietários e reduzindo para 17% deles, o acréscimo na arrecadação deve ser da ordem de R$ 25 milhões, estima o secretário.

"Existe um critério que foi adotado através de um estudo, elaborado pela Secretaria de Fazenda, que a taxa do lixo deve financiar toda a coleta e limpeza pública da cidade. E quando eu não tenho o dinheiro suficiente para fazer frente a esse pagamento dessa despesa, eu tiro dinheiro de outros impostos, de outras receitas da prefeitura para cobrir esse gasto que o município tem com a limpeza pública da cidade e a coleta de lixo", afirmou Ulisses. 

E complementou: "o estudo foi realizado para a gente equilibrar o valor arrecadado com o valor pago para a concessionária (Solurb). Não quer dizer que todo o valor arrecadado com essa correção vai ser suficiente para isso. Isso vai chegar próximo de 50%. Ainda vamos estar em defasagem de mais 50%".

DESCONTO MENOR

Outro ponto de discórdia entre vereadores e autores de ações judiciais que questionam os aumentos no imposto é a queda de 20% para 10% no percentual de desconto para aqueles que pagam à vista. A alteração, conforme estimativas da prefeitura, deve elevar em cerca de R$ 50 milhões a arrecadação anual com o imposto. 

O prazo inicial para este pagamento havia sido definido para esta segunda-feira (12), mas foi prorrogado para o mesmo dia de fevereiro. Mas, tanto uma comissão de vereadores quanto ao menos duas ações judiciais tentam recuperar este desconto de 20%.  De acordo com Ulisses Rocha, na maior parte das capitais o desconto é de apenas 3% ou 5%. 

Esta alteração de data deve provocar baque significativo no caixa municipal neste começo de ano. Em janeiro do ano passado, por exemplo, o IPTU rendeu R$ 286 milhões, conforme dados oficiais divulgados no diário oficial. Nos meses seguintes entravam, em média, cerca de  R$ 29 milhões, exceto em períodos de refis, quano ocorre elevação.

Por ano, a arrecadação chega à casa dos R$ 650 milhões, o que é menos de 60% daquilo que é lançado nos carnês. No ano passado, o valor estimado chegou a quase R$ 1,2 bilhão.


 

MATO GROSSO DO SUL

Alvo de operação, Sisep está sem comando há 42 dias

Pasta responsável por obras e tapa-buracos segue sem secretário nomeado desde a saída de Marcelo Miglioli; nesta terça-feira (12), operação do Gaeco e Gecoc cumpriu mandados dentro da secretaria

12/05/2026 11h00

Secretaria de Infraestrutura de Campo Grande foi alvo de mandados do MPMS enquanto segue sem titular oficialmente nomeado

Secretaria de Infraestrutura de Campo Grande foi alvo de mandados do MPMS enquanto segue sem titular oficialmente nomeado Marcelo Victor

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A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), alvo da operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada na manhã desta terça-feira (12) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), está sem comando oficial há 42 dias em Campo Grande.

A pasta responsável pelos serviços de tapa-buracos, manutenção viária e obras de infraestrutura da Capital segue sem secretário oficialmente nomeado desde a exoneração de Marcelo Miglioli, publicada no Diário Oficial do Município em 1º de abril.

Apesar disso, no dia 30 de abril, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou que estava “satisfeita” com o trabalho desempenhado pelo então secretário-adjunto Paulo Eduardo Cançado Soares, que passou a responder interinamente pela Sisep após a saída de Miglioli.

Na ocasião, durante evento de anúncio de cerca de R$ 343 milhões em obras de asfalto para 36 bairros da Capital, Adriane indicou que a nomeação oficial de Paulo Cançado ocorreria “nos próximos dias”.

“Ele já tá lá, deu tudo certo. Está dando tudo certo, graças a Deus”, afirmou a prefeita à época.

Entretanto, até esta terça-feira (12), a nomeação oficial ainda não havia sido publicada no Diário Oficial do Município.

A saída de Marcelo Miglioli ocorreu após o ex-secretário anunciar que permaneceria à disposição do Partido Progressistas (PP) para atuar nas eleições gerais deste ano.

Operação dentro da Sisep

Sem titular oficialmente definido, a Sisep se tornou um dos alvos da operação “Buraco Sem Fim”, conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público da Capital.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em Campo Grande.

Conforme divulgado pelo Ministério Público, a investigação apura a existência de uma organização criminosa suspeita de fraudar sistematicamente contratos de manutenção de vias públicas por meio da manipulação de medições e realização de pagamentos indevidos.

Segundo o MPMS, os pagamentos públicos não correspondiam aos serviços efetivamente executados, permitindo suposto desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito dos investigados, além de impactar diretamente na qualidade das vias públicas municipais.

Durante as diligências, investigadores encontraram pelo menos R$ 429 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados aos alvos da operação.

Em um dos endereços, pertencente a um servidor investigado, foram apreendidos R$ 186 mil em espécie. Em outro imóvel, os agentes localizaram mais R$ 233 mil em notas de real.

O MPMS aponta ainda que a empresa investigada acumulou, entre 2018 e 2025, contratos e aditivos que somam R$ 113,7 milhões junto ao poder público municipal.

Entre os alvos da operação está o ex-secretário municipal de Obras, Rudi Fiorese, que atualmente preside a Agesul, do Governo do Estado. Policiais estiveram no apartamento dele, localizado na Rua das Garças, região central de Campo Grande.

Outro investigado preso, conforme informações iniciais, é o engenheiro Mehdi Talayeh, superintendente da Sisep e servidor que já havia sido citado na primeira fase da operação Cascalhos de Areia, deflagrada em 2023.

Investigadores também estiveram na residência do engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, apontado como um dos responsáveis pelos serviços de tapa-buracos na Capital. No imóvel, localizado na região do Tiradentes, foram apreendidos documentos, dinheiro e um veículo oficial da Sisep.

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"Buraco Sem Fim"

Após escândalos, MS demite Rudi Fiorese do comando da Agesul

Rudi Fiorese atua junto ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, pelo menos, desde abril de 2023 e operação investiga esquema de desvio de recursos da manutenção de ruas

12/05/2026 10h45

"O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe", cita a Seilog em posicionamento. Arquivo/Correio do Estado/Bruno Henrique

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Após a prisão nesta terça-feira (12), por suposto envolvimento em esquema de desvio de recursos da manutenção de ruas em Campo Grande, o então chefe da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul, Rudi Fiorese, foi demitido do comando da Agesul. 

Engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ainda em 1983, Fiorese carrega em seu nome a experiência de uma atuação junto às áreas de infraestrutura rodoviária, urbana e saneamento básico. 

Rudi Fiorese atua junto ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul pelo menos desde abril de 2023, passando pela na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), com os cargos de assessor do secretário, até diretor-executivo e de Infraestrutura Rodoviária da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).

Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística esclareceu que, segundo a Seilog, a operação apura contratos referentes ao município de Campo Grande, portanto o órgão em questão não seria alvo da investigação. 

"O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe", cita a Seilog em posicionamento.

Em complemento, a Secretaria se diz comprometida com a "lisura" e "transparência" na administração pública e que acompanha agora o desenrolar da investigação já optando pela demissão de Rudi Fiorese do comando da Agesul. 

"A Seilog, comprometida com lisura e transparência na administração pública,  acompanha o desenrolar da investigação, e já tomou as providências necessárias, com exoneração do servidor", conclui o texto. 

Biografia

Com especialização em Tecnologia do Gás Natural pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal (Uniderp), o agora ex-secretário dedicou boa parte da atuação de sua carreira nas áreas de infraestrutura rodoviária, urbana e saneamento básico. 

No período entre 2017 até 2023 ele atuou como secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, responsável ali pela coordenação das obras de pavimentação e recapeamento a serem executadas, mas também sobre a implantação de corredores exclusivos para o transporte coletivo; construção de escolas; unidades de saúde e a gestão dos serviços de limpeza urbana e resíduos sólidos.

Já no âmbito privado a experiência acumula-se da atuação em empresas de engenharia e concessões rodoviárias, onde foi inclusive gestor de engenharia na MSVia, a concessionária que administra a BR-163, além do trabalho em funções técnicas e gerenciais em algumas "gigantes" do setor, como Engepar, Cobel, Mendes Júnior e MAPE S/A.

Fiorese foi ativo na execução e coordenação de importantes obras de infraestrutura rodoviária e urbana não somente no Mato Grosso do Sul, já que acumula mais de quatro décadas em sua carreira profissional. 

Rudi Fiorese, que desde fevereiro deste ano comanda a Agesul, ainda traz experiência técnica e administrativa no planejamento, execução e controle de grandes empreendimentos de infraestrutura, sendo peça-chave no desenvolvimento logístico e econômico do Estado. 

Entenda

Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (12), o Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS) desdobrou uma nova ofensiva contra suposta corrupção na secretaria de obras da Capital. 

Batizada de "Buraco Sem Fim", através dessa operação os promotores do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) encontraram R$429 mil em dinheiro localizado em dois dos endereços durante o cumprimento de sete mandados de prisão e 10 mandados de busca. 

"Durante o cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$429 mil. Só no endereço de um servidor, havia R$186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$233 mil, também em notas de Real", informou, em nota, o Ministério Público. 

Essa operação mira uma empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025, "contratos e aditivos que somam o montante de R$113.702.491,02".

Em complemento, é dito que a investigação constatou a existência de "uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas" na Cidade Morena, através inclusive da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos. 

Entre os sete presos nesta terça-feira está o ex-secretário municipal de obras, Rudi Fioresi, que estava à frente da Agesul, mas além dele também foi preso o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos. 

Outro detido que teve o nome divulgado é Mehdi Talayeh, o engenheiro que ocupa cargo de chefia na secretaria de obras e era apontado como provável substituto de Marcelo Miglioli, que deixou o comando da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) no começo de abril. 
**(Colaboraram Neri Kaspary e João Pedro Flores)

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