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Lagos e lagoas de Campo Grande estão abandonados e sofrem com assoreamento

Empresa desiste de executar projeto que previa construção de decks e playground na Lagoa Itatiaia e local segue degradado

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Lagos e lagoas de Campo Grande, alguns com projetos de revitalização, estão abandonados e em processo de assoreamento. Sem avanço nas melhorias, as propostas seguem no papel. 

Um exemplo é a Lagoa Itatiaia, no Bairro Tiradentes. Em junho do ano passado foi aberta licitação para contratação de empresa para tocar obras que trariam melhorias para o local.

A licitação foi publicada no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) e previa a revitalização de toda área ao redor da lagoa, com calçamento e construção de três decks, com objetivo de preservar a mata ciliar e evitar que os visitantes pisem na vegetação. Também haveria uma passarela colorida, em formato de peixe, ao redor dos locais arborizados.

Conforme informações da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisesp), a estimativa era de que fosse investido R$ 1.259.875,45 nas obras.

Porém, apesar do anúncio da revitalização, a equipe do Correio do Estado esteve presente no local e constatou que, um ano depois, nada foi construído no local.

A empresa ganhadora da licitação, Flávio Macedo e Cia. Ltda., desistiu do empreendimento, e a segunda colocada na disputa, a Tascon Engenharia Ltda., que poderia assumir o projeto, informou ao Correio do Estado que também não tem interesse na obra.

“Foi informado à Sisep que a Tascon não vai assumir a obra, tendo em vista o atual quadro de obras ativo da empresa, bem como o período da tabela Sinapi dos serviços”, disse Luan de Freitas,
diretor da Tascon.

A Sisep confirmou as desistências e afirmou que trabalha em uma nova licitação para a realização das melhorias.

“A obra foi licitada, entretanto, posteriormente, as empresas vencedores desistiram da execução da obra. No momento está sendo preparada uma nova licitação”, disse a secretaria, em nota. 
Comerciantes da região relataram à reportagem que, por enquanto, a única limpeza realizada nos arredores da lagoa é a coleta de lixo.

“Em questão de limpeza, manutenção, poda de árvore, são excelentes, mas, para visitantes, crianças e moradores frequentarem a Lagoa, falta muita coisa, iluminação à noite, banheiro público, questão de infraestrutura”, disse a comerciante Antônia Mara Barbosa, de 50 anos.

Natural de Bela Vista, Antônia abriu há seis meses um comércio próximo à Lagoa Itatiaia, para vender pastel e caldo de cana, e contou que a única melhoria recente no local foi na questão da segurança.

“Neste mês, abriram novamente um ponto de atendimento da Guarda Municipal e deu uma melhorada, porque aqui, à noite, ficavam muitos usuários de drogas”, acrescentou a comerciante.

Uma visitante, que estava passeando com a família no local, aproveitando a tarde para pescar, disse ao Correio do Estado o que poderia ser melhorado na Lagoa Itatiaia.

“O local é lindo, e para a gente é melhor pescar aqui próximo ao Centro do que em um local fora da cidade. Aqui falta mais peixes, uma estrutura para acesso à lagoa, uma ponte. Ultimamente o povo tem medo de vir aqui por parecer abandonado”, declarou Sílvia Santos de Araújo, de 53 anos.

LAGOA RICA

Petição on-line quer pedir a retomada de projeto que transformaria uma lagoa próxima à BR-262, na saída para Três Lagoas, em praia artificial, investindo em infraestrutura para criar um balneário municipal em Campo Grande.

O presidente da Associação de Moradores do Jardim Ouro Preto, Márcio do Carmo Vieira Lima, e o presidente do Bairro Santo Eugênio, André Paulino, uniram-se para elaborar um projeto, em 2019, sugerindo melhorias no espaço da Lagoa Rica à Prefeitura de Campo Grande, que desapropriou a área em 2010.

“O interesse no tema surgiu em uma conversa com o amigo André Paulino, de como nossa cidade tem sol o ano inteiro e não tem nenhum balneário municipal. O André disse que tinha a Lagoa Rica, eu não conhecia, mas, após a conversa, fomos até o local, onde ficamos na porteira, pois estava trancado, aí resolvemos buscar, juntos, na prefeitura, informações de como o projeto poderia ser retomado”, afirmou Márcio Lima.

Conforme o Decreto nº 11.120, de 12 de fevereiro de 2010, a área de 100 hectares do loteamento Lagoa Rica foi desapropriada pela Prefeitura de Campo Grande e tornou-se de utilidade pública na época em que o prefeito era o atual senador Nelson Trad Filho (PSD). 

A desapropriação se deu para que no local fosse implantado uma praia artificial, no entanto, o projeto, avaliado inicialmente em R$ 20 milhões, que previa estrutura para banho, 1,1 mil metros de calçadão em torno da lagoa, piscinas, espaço para implantação de um clube, quadras para prática de esportes e para receber grandes eventos, ficou apenas no papel.

Márcio Lima vê com preocupação um possível abandono e interdição da Lagoa Rica, já que o local poderia ser aproveitado como um ponto turístico pela cidade.

“Meu interesse é valorizar o que temos e disponibilizar um local público para que os moradores possam usufruir com suas famílias. Não temos ideia de como se encontra o local hoje, as condições e a viabilidade. Lá era uma grande oportunidade para a cidade de um novo local turístico”, declarou Márcio.

Na edição de 21 de janeiro de 2020 do Diogrande foi publicada pela Secretaria Municipal de Finanças e Planejamento uma série de vetos a projetos, alegando que poderiam causar conflitos jurídicos e dúvidas na execução orçamentária.

Entre os projetos no documento consta a execução da “Praia Morena no Balneário Lagoa Rica”, com valor de emenda de R$ 500 mil.

O reportagem do Correio do Estado procurou a prefeitura da Capital para questionar sobre a situação da Lagoa Rica, mas não teve retorno.

LAGO DO AMOR

Outro local que se encontra abandonado é o Lago do Amor. Conforme noticiado pelo Correio do Estado em março deste ano, estudos do Laboratório de Hidrologia, Erosão e Sedimentos (Heros), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e da Hidrosed Engenharia apontam que o assoreamento do local pode levar à morte do atrativo.

Segundo os levantamentos, se for mantido o ritmo de crescimento do volume de sedimentos que chegam ao reservatório, que de 2008 a 2022 foi de cerca de 88 mil m³, o processo de assoreamento no Lago do Amor estará completo em 15 anos. 

O acúmulo de sedimentos no lago, além de significar uma possível morte dele, também aumenta o impacto das chuvas na região, com maior ocorrência de enchentes, já que o Lago do Amor não é mais capaz de comportar a grande quantidade de água das precipitações. 

A reportagem procurou a UFMS para questionar sobre a situação do Lago do Amor, mas não houve resposta. 

NAÇÕES INDÍGENAS

A última grande contenção de erosões em cartões-postais em Campo Grande ocorreu quando prefeitura e governo do Estado se uniram para conter o assoreamento dos dois lagos localizados no Parque das Nações Indígenas. A obra começou em 2019 e teve R$ 8 milhões de investimento.

SAIBA

O Balneário Lagoa Rica foi criado na década de 1960 e se tornou muito popular por sua areia branca e paisagem esplendorosa. Hoje, encontra-se praticamente abandonado. Em 2011, um adolescente de 16 anos morreu afogado na Lagoa Rica, ocasionando a interdição do local, já que não foi apresentado alvará da prefeitura que autorizava seu funcionamento como balneário.

Falso Roubo

Polícia descobre falso esquema de roubo de veículos em Campo Grande

Vendedor registrava boletins falsos para acionar a polícia e reaver automóveis negociados sem pagamento integral, aponta Defurv

19/05/2026 17h42

Vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes.

Vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes. Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), identificou uma série de falsas comunicações de crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores em Campo Grande.

Segundo as investigações, um vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes.

As apurações começaram após o registro de um boletim de ocorrência na madrugada do dia 15 de maio. Na ocasião, o vendedor identificado pelas iniciais D.W.V.Q., de 27 anos, afirmou ter sido vítima de um roubo à mão armada envolvendo uma picape Fiat Strada branca durante uma negociação de venda do veículo.

No entanto, durante as diligências, policiais civis encontraram inconsistências relevantes no relato apresentado pelo comunicante.

Conforme a Defurv, o histórico do investigado e a existência de outras ocorrências semelhantes registradas recentemente em seu nome levantaram suspeitas sobre a veracidade das denúncias.

Ao aprofundar as investigações, os policiais identificaram que, em um curto intervalo de tempo, o suspeito havia registrado pelo menos quatro boletins de ocorrência relacionados a supostos crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores.

Segundo a Polícia Civil, as ocorrências não tinham relação com roubos ou furtos efetivamente praticados, mas sim com conflitos decorrentes de negociações informais de compra e venda de veículos.

Confrontado com as informações levantadas pela equipe policial, o investigado admitiu que os registros não correspondiam à realidade e confessou ter utilizado os boletins como forma de inserir restrições criminais nos sistemas policiais para facilitar a localização e apreensão dos veículos.

De acordo com o depoimento prestado, após entregar voluntariamente os automóveis aos compradores e enfrentar dificuldades para receber os valores combinados, ele passou a registrar falsas ocorrências para que os veículos fossem recuperados pelas forças de segurança pública.

No caso da Fiat Strada, o vendedor afirmou que o veículo havia sido negociado por cerca de R$ 45 mil, restando uma dívida aproximada de R$ 15 mil. Após uma discussão relacionada ao pagamento pendente, ele resolveu procurar a polícia e comunicar falsamente o roubo do automóvel.

Outro caso investigado envolve um veículo Hyundai i30. Conforme admitido pelo investigado, ele registrou inicialmente uma falsa ocorrência de furto após uma negociação frustrada envolvendo dívida de aproximadamente R$ 6 mil.

Dias depois, voltou a comunicar falsamente uma apropriação indébita relacionada ao mesmo carro, novamente tentando recuperá-lo por meio da atuação policial.

As investigações também identificaram o registro falso de apropriação indébita envolvendo uma motocicleta Honda CG 160 Fan, após divergências financeiras relacionadas à venda do veículo e saldo pendente de cerca de R$ 3,5 mil.

Além das falsas comunicações, a Polícia Civil informou que o investigado possui histórico de registros relacionados a crimes patrimoniais, negociações envolvendo veículos, apropriação indébita, estelionato, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e antecedentes ligados à violência doméstica.

Diante dos fatos apurados, foram instaurados Termos Circunstanciados de Ocorrência pela suposta prática do crime de falsa comunicação de crime, previsto no artigo 340 do Código Penal, cuja pena pode variar de detenção de um a seis meses ou multa.

Alerta

A Defurv alertou que falsas comunicações de crimes provocam desperdício de recursos públicos e comprometem diretamente o trabalho das forças de segurança pública.

Segundo a especializada, cada ocorrência falsa mobiliza equipes policiais, viaturas, sistemas de inteligência, análises de imagens, diligências externas e procedimentos operacionais que deixam de ser direcionados para investigações de furtos e roubos reais de veículos.

A Polícia Civil também destacou que esse tipo de conduta prejudica os dados estatísticos da criminalidade, aumenta a sobrecarga das unidades policiais e impacta diretamente vítimas reais de organizações criminosas especializadas em furto, receptação e adulteração de veículos.

Por fim, a corporação reforçou que conflitos envolvendo negociações particulares, inadimplência contratual e cobranças financeiras devem ser resolvidos pelas vias cíveis e judiciais adequadas, sem utilização indevida da estrutura policial como mecanismo de cobrança ou recuperação patrimonial privada.

CAMPO GRANDE

Vigilância Sanitária de MS autua clínica em que paciente morreu após hemodiálise

Pacientes passaram mal e um morreu após procedimento na Clínica DaVita

19/05/2026 17h40

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustração

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustração DIVULGAÇÃO

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Vigilância Sanitária, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), autuou a Clínica DaVita, localizada na rua 13 de maio, bairro São Francisco, em Campo Grande, por possíveis irregularidades.

Pacientes teriam passado mal e outro morreu, após procedimento de hemodiálise realizado no local, neste ano.

A clínica é particular, mas também recebe pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), via convênio com o Estado.

Conforme apurado pela reportagem, agentes da Vigilância Sanitária compareceram na clínica, flagraram irregularidades e autuaram o local. Em seguida, foi instaurado um processo sanitário para apuração dos fatos.

“A SES (Secretaria de Estado de Saúde) confirma que o serviço foi autuado e que será instaurado processo sanitário para apuração dos fatos, conforme previsto na legislação vigente. A SES reforça que acompanha a situação por meio das áreas técnicas competentes e que todas as medidas administrativas e sanitárias cabíveis serão adotadas”, informou a pasta de Saúde por meio de nota enviada ao Correio do Estado.

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustraçãoNota enviada ao Correio do Estado, na tarde desta terça-feira (19)

O relatório de autuação foi enviado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que deve apurar o fato e solicitar documentos e esclarecimentos à clínica sobre condições sanitárias e protocolos de biossegurança.

O Correio do Estado entrou em contato com a Clínica DaVita por meio de ligação, e-mail e WhatsApp para saber sua versão, mas, até o fechamento desta reportagem, não foi respondido. O espaço segue aberto para resposta.

A Vigilância Sanitária realiza visitas periódicas em clínicas de MS para fiscalizar condições sanitárias e padrões de biossegurança.

O órgão atua como agente essencial na proteção da saúde pública, atuando na prevenção de riscos decorrentes de produtos, serviços e ambientes. Além de fiscalizar e regular, integra esforços entre estados e municípios, promovendo políticas de saúde baseadas em metas e acompanhamento contínuo.

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