Cidades

ATLAS DA VIOLÊNCIA

Mato Grosso do Sul é o estado com maior taxa de violência contra idosos do País

Dentre as violências sofridas pelas pessoas acima de 60 anos estão a física, psicológica, tortura, sexual e negligência

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Mato Grosso do Sul é o estado com a maior taxa de violência cometida contra pessoas idosas do País, segundo aponta o Atlas da Violência, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e divulgado nesta terça-feira (5).

Os dados têm como referência o ano-base de 2021.

Conforme o Atlas, considerando a taxa de notificações de violência interpessoal contra pessoas acima de 60 anos, que inclui violência física, psicológica, tortura, sexual, negligência, entre outras, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Roraima apresentaram as mais altas taxas para o período.

No Estado, a taxa de violência por 100 mil habitantes foi de 245,2 em 2021, muito acima de Roraima, que ocupa a segunda posição com taxa de 130,5.

A taxa também é acima da nacional, que é de 77,2.

Em números absolutos, no ano referência, foram notificadas 942 casos de violência contra idosos, o que dá uma média de 78,5 vítimas por mês.

Considerando os últimos dez anos, de 2011 a 2021, a variação deste tipo de violência foi de 80,8% no Estado. 

No entanto, no comparativo entre 2020 e 2021, houve uma queda nos casos, de -2,9%, passando de 970 para os 942. É o quarto ano consecutivo em que se registra queda no número de notificações. Em 2018 foram 1.041 casos e em 2019 foram 1.108.

O Atlas também traz dados de notificações de lesão autoprovocada de idosos, que se referem às lesões provocadas voluntariamente e tentativas de suicídios.

No período de 10 anos, Mato Grosso do Sul apresenta taxa de 74,2, a segunda menor entre os estados, atrás apenas de Alagoas.

Em números, em 2021 foram registradas notificações de lesões autoprovocadas na população idosa.

Esta é a primeira edição do Atlas da Violência que trouxe uma seção que trata da violência contra idosos.

"O tema ganha destaque porque o Brasil caminha a passos largos no processo de transição demográfica, rumo ao envelhecimento da população. Daí faz-se mister trazer à tona essa questão, que tende a crescer nos próximos anos e décadas e representará mais um grande desafio para governos e sociedade", registra a publicação.

Atlas da violência

A publicação é divulgada anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e tem como base principalmente dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos sob gestão do Ministério da Saúde.

Também são levados em conta os mapeamentos demográficos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Facções criminosas fazem parte da rotina de 4 em cada 10 brasileiros, aponta pesquisa

Em todo o país, cerca de 68 milhões de pessoas reconhecem a presença de grupos organizados ligados ao tráfico ou a milícias em seus bairros

11/05/2026 14h30

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Pesquisa divulgada neste domingo (10)  pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública em parceria com o Datafolha constatou que 4 em cada 10 brasileiros com 16 anos ou mais (41,2%) reconhecem a presença de grupos organizados ligados ao tráfico ou a milícias em seus bairros, cerca de 68 milhões de pessoas em todo o país. 

Conforme o levantamento, o fator crime organizado no bairro de residência amplia a vitimização, interfere nas regras de convivência, altera sociabilidades e restringe a confiança nas instituições [de segurança pública].

Em termos analíticos, isso sugere, segundo o levantamento, que a atuação desses grupos não é percebida como fenômeno excepcional ou restrito a áreas muito específicas, mas como uma experiência socialmente
disseminada, que já integra o horizonte de insegurança de uma parte expressiva da população.

Quanto ao recorte territorial, o levantamento destacou que a percepção da presença desses grupos
é maior em grandes cidades: nas capitais, 55,9% afirmaram haver crime em sues bairros. 

Em linhas gerais, a presença percebida é maior onde há maior densidade urbana, mercados ilícitos mais robustos, disputas territoriais mais intensas e maior capacidade desses grupos de ordenar a vida local. 

Apesar de atuar nos grandes centros, ao longo dos últimos anos, o crime organizado no Brasil
deixou de ser um fenômeno concentrado nas grandes capitais e passou a operar por difusão
territorial, capilarização e interiorização.

"Facções como Comando Vermelho e PCC, que nasceram grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo, expandiram sua atuação para cidades médias e pequenas, valendo-se de"rotas logísticas, alianças com grupos locais, dinâmicas prisionais e inserção em mercados ilícitos e lícitos.", traz o documento. 

Segundo a pesquisa, esse movimento acompanha uma série de transformações nas dinâmicas criminais, que passa pelo processo de nacionalização de ambos os grupos entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2000, a circulação de lideranças pelos presídios federais a partir de 2006, e a ruptura entre os dois grupos entre
2016 e 2017, que acelerou disputas territoriais, gerou a busca por novas rotas para o transporte da droga e reconfigurou a relação das maiores facções com grupos criminosos locais.

MS

Um lavantamento realizado pelo O Globo em agosto de 2025 destacou que Mato Grosso do Sul conta atualmente com pelo menos 10 facções criminosas e ocupa 3ª posição no ranking de estado com maior número de grupos criminosos em atividade. Em nível nacional, o país conta 64 facções espalhadas pelas 27 unidades da federação, com menor ou maior tamanho e influência sobre a sociedade.

Conforme o levantamento, em números de facções, Mato Grosso do Sul está atrás apenas da Bahia e Pernambuco, com 17 e 12 facções, respectivamente. Os dados foram coletados junto a fontes das secretarias de Segurança Pública, Administração Penitenciária e Ministérios Públicos de todos os estados.

Das dez facções em atuação em MS, apenas uma é de origem sul-mato-grossense, sendo a Okaida, enquanto as demais são ramificações e núcleos de grupos que tem como origem outros estados.

Enquanto os dois do Nordeste têm um cenário fragmentado, com muitas facções locais disputando espaço, o território sul-mato-grossense é o maior “importador” de facções de outros estados. Conforme O Globo, a rota do narcotráfico que passa pela fronteira com o Paraguai e a Bolívia estimulou nove das 12 facções interestaduais a criarem núcleos de atuação no Estado. 

As facções criminosas em atuação em Mato Grosso do Sul são:

  • Okaida
  • Primeiro Comando da Capital (PCC)
  • Comando Vermelho (CV)
  • Amigos do Estado (ADE)
  • Bonde do Maluco (BDM)
  • Terceiro Comando Puro (TCP)
  • Primeiro Grupo Catarinense (PGC)
  • Bala na Cara (BNC)
  • Os Manos
  • Cartel do Sul (CDS)

A Okaida aparece na lista como facção local, enquanto as demais são "importadas", sendo o PCC com sede em São Paulo e presença em 25 estados; CV do Rio de Janeiro e presença em 25 estados; ADE de Goiás com núcleos em MS e TO; BNC com sede no RS e núcleo em MS e SC; PGC de Santa Catarina e núcleo em MS e PR; TCP do Rio com núcleos em MS, ES, MG e SP; CDS do Paraná e núcleo em MS e Os Manos, do Rio Grande do Sul com núcleos em MS e SC.

Guerra do tráfico

Apesar da diversidade de grupos criminosos, as duas maiores facções do País, PCC e Comando Vermelho, também são as principais no Estado.

Conforme reportagem do Correio do Estado, a popularização da cocaína e a consequente redução do preço no mercado interno acirrou a guerra para tomar o controle das rotas de tráfico na região de fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai e a Bolívia.

E é por causa desse “mercado aquecido” que as duas maiores facções criminosas do País, Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), têm travado uma guerra sangrenta em Mato Grosso do Sul.

Em alguns casos, a população pode estar se referindo a grupos locais menores, como gangues
envolvidas com o comércio varejista de drogas, cuja atuação é percebida no cotidiano por meio de pontos de venda de drogas e, eventualmente, pela circulação de pessoas armadas.

Em outros, porém, essa resposta pode remeter a contextos de presença mais explícita e estruturada de facções ou milícias, com controle territorial armado mais visível, com a presença de barricadas para impedir a entrada da polícia, imposição de regras sobre horários e circulação e restrição do ir e vir. 

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Privatização

Estado assina contrato da PPP e ampliação do Regional começa em janeiro

A empresa Inova Saúde é a nova responsável pela administração do Hospital Regional após vencer o leilão em dezembro de 2025 quando ofereceu valor de R$ 15,9 milhões

11/05/2026 14h15

Governador do Estado, Eduardo Riedel, assinou o contrato de concessão do HRMS nesta segunda-feira (11)

Governador do Estado, Eduardo Riedel, assinou o contrato de concessão do HRMS nesta segunda-feira (11) FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul assinou nesta segunda-feira (11) a concessão do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul à empresa Inova Saúde, subsidiária da Construcap CCPS Engenharia e Comércio, vencedora do leilão para comandar administrativamente o hospital através de parceria público-privada (PPP). Conforme o contrato, a empresa deve iniciar os serviços em oito meses. 

A cerimônia aconteceu na governadoria e contou com a presença de autoridades como o governador do Estado, Eduardo Riedel (PP), a secretária estadual de parcerias estratégicas, Eliane Detoni, o secretário de Saúde, Maurício Simões e o diretor de operações da Inova Saúde, Dr. Vinícius Batistela. 

De acordo com Riedel, a decisão da privatização do Hospital foi motivada por experiências bem-sucedidas no Brasil e no mundo em gestão de hospitais públicos. O objetivo é oferecer serviço gratuito à população com recursos compatíveis ao orçamento estadual. 

"Este foi o melhor modelo encontrado que envolvesse a ampliação do hospital, a construção, a parte estrutural, física, modernização do hospital, não só do ponto de vista de equimaneto e da sua estrutura, mas do ponto de vista da gestão. Temos muita convicção de que essa mudança traria um resultado muito positivo e impactaria a saúde e no projeto da saúde de todo o estado", afirmou o governador. 

O leião da concessão aconteceu na sede da B3, em São Paulo e teve cinco interessadas. A Construcap ofereceu um deságio de 22% ao valor de referência definido para a contraprestação do Estado, que era de R$ 20,3 milhões, ofertando R$ 15,9 milhões, valor muito inferior ao dos quatro outros concorrentes do leilão.

O plano de implementação será feito em fases progressivas. Em janeiro de 2027, a empresa assume serviços de apoio não assistenciais, como a hotelaria, limpeza, lavanderia, segurança, recepção e infraestrutura de TI. 

Após 20 meses, a Inovar assume a indústria farmacêutica, que é a compra de medicamentos. Um ano depois, a empresa assume a reforma e modernização do chamado "Bloco Velho", passando para as outras áreas após a conclusão, até a consolidação total da operação, com previsão de 56 meses.

"Isso quer dizer que a gente ainda vai conviver com um pedaço de responsabilidade do Estado, e por isso é uma operação assistida, até a operação plena ser consolidada, com parte da PPP. Mas visando sempre o melhor e a melhor eficiência para o cidadão", explicou o Dr. Vinícius Batistela. 

O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é considerado o maior hospital de alta complexidade do Estado, atendendo mais de 1,5 milhão de pacientes por ano. A PPP será responsável por modernizar e expandir os serviços essenciais por um período de 30 anos. 

De acordo com a secretária de governo Eliane Detoni, serão investidos aproximadamente R$ 1 bilhão e mais de R$ 245 milhões anuais em operações. Outras melhorias incluem:

  • construção de dois novos blocos para ampliação da capacidade;
  • modernização da estrutura existente sem a paralisação do atendimento à população;
  • entrega das obras de ampliação até o ano de 2029;
  • finalização de toda a reforma estrutural até o final de 2031, ampliando os leitos para 577;
  • aumento de 96% na capacidade de internação;
  • redução do tempo médio de permanência dos pacientes de 7 para 5 dias;

"O contrato está amparado por uma engenharia financeira inédita. Nós substituímos a conta de garantia tradicional por uma garantia AAA do BID. Essa troca multiplica a segurança do contrato em até 15 vezes e reduz os custos de manutenção em 87%. Na prática, nós liberamos milhões de recursos públicos que ficariam parados para que sejam investidos diretamente em outras políticas sociais tão necessárias", afirmou Detoni. 

PROJETO

A concessão do Hospital Regional recai sobre setores como limpeza, lavanderia, cozinha, jardinagem, portaria, segurança e administração. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e demais profissionais da área continuarão sob responsabilidade do Estado.

A vencedora deverá, no prazo de dois anos, concluir a construção de dois novos blocos que incluam a oferta de Centro de Imagem e Diagnóstico, Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Unidade Coronariana (UCO) com 70 leitos, hemodinâmica, centro cirúrgico, Central de Material Esterilizado e internações com 180 leitos.

E, em até 4 anos, será concluída a reforma do prédio atual, que fará o local passar de 37.000 m², com estrutura de 10 andares, capacidade de 362 leitos e atendimento de 46 especialidades médicas, para 71.000 m² e 577 leitos. E ainda há a ampliação do estacionamento, que passará a oferecer 753 vagas.

 

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