Cidades

MATO GROSSO DO SUL

Mesmo com PPP, Sanesul mantém investimento em esgoto para 'não impactar tarifa'

Governador e diretor-presidente da Sanesul dizem que parceria-público-privada não inibe investimentos públicos e defendem "papel do Estado"

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Questionado na manhã desta segunda-feira (22) em evento de apresentação de estudo do Instituto Trata Brasil, o Governador por Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, defendeu que o Estado ainda mantém investimentos em obras de esgotamento sanitário por parte da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), mesmo com uma Parceria Público-Privada para essa finalidade, para não impactar na tarifa da população. 

Sob o comando do ex-governador Reinaldo Azambuja, ainda em 2021, MS transferiu os serviços de esgotamento sanitário dos 68 municípios onde a Sanesul atua para a empresa Ambiental MS Pantanal.

Porém, à exemplo dos quase R$ 25 milhões (de uma fatia municipal de R$42 milhões) para atender esgotamento sanitário de Ribas do Rio Pardo, como bem acompanhou o Correio do Estado, a dita PPP não mostrou-se um motivo para que os recursos do Estado fossem poupados de serem empregados para esse mesmo fim. 

Nas palavras do governador de Mato Grosso do Sul, "o objetivo é atender o maior número de pessoas com saneamento" e, enquanto sócios da Sanesul, aponta uma obrigação de entregar também o saneamento para comunidades menores. 

"'Ah, mas por que não foi colocado na PPP e ela fez esse investimento?'...porque senão vai impactar na tarifa de todo mundo de uma maneira muito maior. Porque o custo do que ela tem que fazer e o que ela vai receber de um contingente pequeno de pessoas dá esse descasamento", afirmou Eduardo Riedel. 

Entenda

Criada pelo grupo Aegea, a PPP com a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Ambiental MS Pantanal foi firmada após a após a companhia  vencer o leilão, em contrato assinado à época (2022) pelo então diretor-presidente da Sanesul, Walter Carneiro Júnior, e pelo CEO da Aegea, Radamés Casseb. 

Com duração de três décadas, a companhia teria a obrigação de investir R$3,8 bilhões de capital privado em sistemas de coleta e tratamento de esgoto nas 68 cidades atendidas pela Sanesul, quando a cobertura ainda girava em torno de 46% em Mato Grosso do Sul, tudo com o objetivo de atingir a universalização até 2031.

Ainda que fosse a única desse tipo, em pacotão de R$176 milhões de investimentos para obras de ampliação e modernização de sistemas de armazenamento de água em 16 municípios, os cerca de 25 milhões em obras de esgotamento sanitário, de quase R$42 mi para Ribas do Rio Pardo anunciados em meados de maio deste ano, revelam uma ótica contrária. 

Sobre esse caso específico, ainda no último mês, o diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio da Silva, havia destacado a peculiaridade de Ribas do Rio Pardo, que teria dobrado o número de moradores e consequentemente reduzido pela metade a cobertura de esgoto. 

Hoje, Marcílio indicou que os investimentos em obras de esgoto por parte da Sanesul trata-se de uma questão de fazer conta e de "oportunidade". Ele lembrou que Ribas tinha 85% de cobertura quando feita a PPP e antes de dobrar o tamanho da população local e reforçou que tal investimento não estava inicialmente previsto na parceria público-privada. 

"Esse investimento não estava inicialmente previsto no escopo. Então, se a PPP fizesse, a Sanesul ia ter que indenizá-la. Surgiu a oportunidade, é um financiamento que a gente estava pleiteando faz tempo, ele saiu, a gente resolveu optar, porque a PPP já está com obra em 35 municípios, e ainda temos capacidade, praticamente estamos terminando as obras de esgoto, e aí no cômputo [cálculo] das coisas nossas é indiferente. 

O que interessa é que a cobertura vai ser feita, a obra vai estar pronta, não impacta em nada a nossa capacidade de investimento. A capacidade nossa de financiamento, de endividamento ainda é muito baixa, ao contrário do que falam... por isso a gente tem capacidade de conter aí esses investimentos. Foi simplesmente uma opção. Em vez de deixar isso com a PPP, a gente tinha a possibilidade de financiamento e resolvemos fazer. Só isso"

Segundo fala do próprio diretor-presidente da Agesul no último mês, a capacidade de investir da empresa gira entre cem e 120 milhões de reais, com os financiamentos externos sendo "essenciais" para complementar um valor que atinge a casa dos R$250 milhões anuais. 

Eduardo Riedel ainda completa o assunto dizendo ser necessário compreender a "lógica econômico-financeira do projeto", e que o MS não irá deixar de cumprir o que ele encara como compromissos do Estado. 

"E aquele onde não dá viabilidade, ali é com a gente, esse é o papel do Estado. Fazer chegar tanto saneamento quanto água. Ribas que dobrou de tamanho e  não estava previsto: vai reequilibrar o contrato, fazer o PPP, investir e sobrecarregar a tarifa para o restante do contribuinte [questiona o governador]? Se a nossa companhia e o Estado têm condição, vamos fazer esse investimento", conclui.  

 

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Rescaldo

Quase 48 horas após temporal, Prefeitura ainda remove árvores das ruas de Campo Grande

Equipes estão mobilizadas nas sete regiões da Capital para desobstruir vias, retirar destroços e reparar pontos afetados pela tempestade

12/09/2026 18h00

Paulo Ribas

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Quase 48 horas após o temporal que atingiu Campo Grande na quinta-feira (10), árvores e galhos derrubados pelo vento ainda ocupam trechos de algumas vias da Capital. Neste sábado (12), a Prefeitura mantém equipes mobilizadas nas sete regiões da cidade para retirar as estruturas, liberar ruas e atender outros pontos afetados pela tempestade.

Em levantamento realizado pelo Correio do Estado neste sábado, uma árvore ainda ocupava aproximadamente metade da pista da Avenida Euler de Azevedo, perto da Rua 13 de Maio. Na Rua Filinto Müller, galhos de grande porte permaneciam sobre parte da via. Na região central, galhos já cortados também continuavam acumulados em um trecho da Rua 13 de Maio.

Segundo a Prefeitura, as equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) atuam principalmente na retirada de árvores e galhos, limpeza, remoção de destroços e manutenção da iluminação pública, incluindo a substituição de luminárias.

Mais de 100 ocorrências

O temporal provocou mais de 100 registros de árvores caídas, além de quedas de postes, vias interditadas, danos em estruturas e interrupções no fornecimento de energia. A dimensão dos estragos levou a Prefeitura a decretar situação de emergência por 180 dias. O Decreto nº 16.735, publicado em edição extra do Diogrande neste sábado, prevê a mobilização dos órgãos municipais para ações de resposta e recuperação dos pontos atingidos.

O decreto também determina um levantamento detalhado dos danos provocados pela tempestade, incluindo impactos na infraestrutura urbana, arborização, iluminação pública, vias, unidades municipais e prejuízos decorrentes da falta de energia.

A força-tarefa municipal começou ainda na noite de quinta-feira e chegou a contar com 20 equipes concentradas principalmente na liberação de vias bloqueadas por árvores e galhos. Além da Sisep, participam das ações órgãos como Defesa Civil, Agetran, Guarda Civil Metropolitana e SAS, com apoio de Corpo de Bombeiros, Energisa e Solurb.

Operação Antidotum

Santa Casa diz que atendimento seguirá normal após operação que prendeu seis

Conselho de Administração se reuniu após a Operação e declarou solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos pelas medidas cautelares

12/09/2026 17h30

02 0826 0003 Fachada Santa Casa GO

02 0826 0003 Fachada Santa Casa GO Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande afirmou neste sábado (12) que os atendimentos no hospital seguem normalmente e não serão interrompidos após a Operação Antidotum, deflagrada na sexta-feira (11) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Em nova nota, o Conselho de Administração declarou solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos pelas medidas cautelares e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos pela Justiça. A manifestação ocorreu após reunião extraordinária realizada na sexta-feira.

A operação investiga supostas fraudes em contratos da Santa Casa e da Santa Casa Saúde, com prejuízo estimado inicialmente em R$ 4,9 milhões. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Entre os presos está a presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, além de outros integrantes da administração e pessoas ligadas às empresas investigadas.

Segundo o MPMS, um dos contratos investigados envolve a digitalização de prontuários, enquanto outro núcleo apura pagamentos feitos pela Santa Casa Saúde a empresas relacionadas ao mesmo grupo econômico.

Relembre o Caso

A crise que culminou na Operação Antidotum ganhou força em 29 de julho, quando médicos da Santa Casa suspenderam cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais em meio à crise financeira enfrentada pelo hospital. Em agosto, denúncias sobre possíveis irregularidades em contratos da instituição passaram a ser acompanhadas pelo Ministério Público. Na última sexta-feira, o MP deflagrou a operação.

Santa Casa já havia se manifestado

Logo após a operação, na sexta-feira, a Santa Casa informou que estava colaborando com as autoridades e aguardava acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações.

Na ocasião, a instituição também afirmou que os atendimentos à população seguiriam normalmente. Um dia depois, a nova nota reforçou a continuidade dos serviços e acrescentou a manifestação de solidariedade do Conselho de Administração aos integrantes da diretoria.

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