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Ministério da Defesa reforça ações do Projeto Rondon no Estado

Ministério da Defesa reforça ações do Projeto Rondon no Estado

DANIELLA ARRUDA

30/01/2011 - 13h48
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Matéria publicada na edição de hoje do Jornal Correio do Estado

Mato Grosso do Sul será um dos nove Estados a receber neste ano o Projeto Rondon, iniciativa que leva professores e universitários voluntários para diferentes regiões brasileiras, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes e aproximar os estudantes da realidade do País. Ao todo, oito municípios do Estado serão beneficiados com ações nas áreas de saúde, educação, cultura, direitos humanos e meio ambiente no mês de julho, época em que será desenvolvida a segunda etapa do projeto no País.

Conforme a programação do Projeto Rondon, será desenvolvida em Mato Grosso do Sul a Operação Arara Azul, abrangendo os municípios de Anastácio, Bodoquena, Caracol, Corumbá, Guia Lopes da Laguna, Ladário, Miranda e Porto Murtinho. Para três desses municípios — Corumbá, Porto Murtinho e Ladário —, esta será a segunda experiência da comunidade local com os rondonistas, como são conhecidos os participantes do projeto. As instituições de ensino superior selecionadas para desenvolver o Projeto Arara-Azul estão em processo de seleção e só deverão ser divulgadas pela coordenação do Projeto Rondon em março.

No caso de Porto Murtinho, segundo o prefeito do município, Nelson Cintra, os professores e universitários virão para conhecer a realidade de uma cidade de fronteira (neste caso, com o Paraguai) e com uma população de 15,3 mil habitantes (conforme o último censo do IBGE), que mesmo pequena, apresenta muitos problemas. Durante a última edição do projeto, realizada em julho do ano passado, as ações priorizaram a área da saúde; para este ano, o planejamento é ainda mais amplo, com trabalhos também no setor educacional, direitos humanos e cultura, esta última atendendo a solicitação da própria administração municipal, como forma de obter apoio para o aprimoramento de projetos culturais que já são desenvolvidos na cidade.

“Uma operação dessas é sempre bem-vinda, porque além de trazer benefícios para nossa cidade, os universitários se capacitarão para ser o futuro do nosso país, exercendo a função de médicos, educadores, advogados e também agentes do meio cultural”, avaliou.

Já para o prefeito de Miranda, Neder Vedovato, a expectativa é a melhor possível com a vinda dos rondonistas para o município, que tem uma população de 25,6 mil habitantes. “Temos uma comunidade indígena muito grande aqui (são quatro áreas indígenas, Cachoeirinha, Lalima, Moreira e Passarinho), então acreditamos que o Projeto Rondon vai reverter em benefícios para a nossa cidade. Estamos agora aguardando o detalhamento do projeto”, comentou.

Voluntários ajudam comunidades em troca de experiência

Coordenado pelo Ministério da Defesa, o Projeto Rondon é uma iniciativa de integração social que envolve a participação voluntária de estudantes universitários, na busca de soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes, ampliem o bem-estar da população e possibilitem a aproximação desses estudantes com a realidade do País, além de contribuir, também, para o desenvolvimento das comunidades assistidas.
O Projeto Rondon é realizado em estreita parceria entre diversos Ministérios e o apoio das Forças Armadas, que proporcionam o suporte logístico e a segurança necessários às operações. Conta, ainda, com a colaboração dos governos estaduais, das prefeituras municipais, da União Nacional dos Estudantes (UNE), de organizações não-governamentais e de organizações da sociedade civil. As atividades realizadas pelos rondonistas, como são conhecidos os integrantes do projeto, concentram-se nas áreas de comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção e trabalho.

Origem

A idéia de levar a juventude universitária a conhecer a realidade deste país continental, multicultural e multirracial e, especialmente, de proporcionar aos estudantes universitários a oportunidade de contribuir para o desenvolvimento social e econômico do País surgiu em 1966, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, durante a realização de um trabalho de sociologia intitulado O Militar e a Sociedade Brasileira.

A iniciativa concretizou-se no ano seguinte, em 11 de julho de 1967, quando 30 estudantes e dois professores  partiram do Rio de Janeiro para o Território de Rondônia, a bordo de uma aeronave C-47 cedida pelo então Ministério do Interior. Era a Operação Zero, como ficou conhecida a primeira operação do Projeto Rondon, que tinha por objetivo levar os estudantes a tomar contato com o interior da Amazônia, sentir o Brasil e trabalhar em benefício das comunidades carentes daquela região. A equipe permaneceu na área por 28 dias, realizando trabalhos de levantamento, pesquisa e assistência médica. Surgia assim o slogan “Integrar para não entregar” e a sugestão de nomear a expedição de Projeto Rondon, inspirado no trabalho do militar e humanista Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

No ano seguinte, o programa foi expandido para outras áreas da Amazônia e para o Mato Grosso, transformando-se posteriormente na Fundação Projeto Rondon, que levou ações de cidadania e desenvolvimento para comunidades carentes da região Norte até 1989, envolvendo cerca de 350 mil universitários. Após 16 anos desativado, o programa foi retomado em 19 de janeiro de 2005, em Tabatinga (AM).

As ações do projeto são orientadas pelo Comitê de Orientação e Supervisão, criado por Decreto Presidencial de 14 de janeiro de 2005. O COS, como é conhecido, é constituído por representantes dos Ministérios da Defesa, que o preside, do Desenvolvimento Agrário, Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Educação, Esporte, Integração Nacional, Meio Ambiente, Saúde e da Secretaria-Geral da Presidência da República.

 

 

Mato Grosso do Sul recebe estudantes em julho

A primeira etapa da edição 2011 do Projeto Rondon começou neste mês nos Estados do Pará, Piauí, Tocantins, envolvendo a participação de 1.600 estudantes e professores de diversas partes do País. Dez municípios paraenses e outros 10 do Tocantins vêm sendo atendidos pela operação Carajás e Zabelê (PI), com encerramento previsto respectivamente para hoje e amanhã, recebendo projetos ligados aos direitos humanos, cultura, educação, saúde, comunidade, meio ambiente e produção e trabalho em um total de cinco municípios. Outros 800 rondonistas participam da Operação Rio do Siris, em Sergipe, e operação Seridó, no Rio Grande do Norte. A previsão é que as ações sejam concluídas em 7 de fevereiro.
Já a segunda etapa do Projeto Rondon será desenvolvida entre 8 de julho e 1º de agosto, nos Estados do Amazonas (Operação Peixe-Boi), Amapá (Operação Oiapoque), Mato Grosso (Operação Tuiuiú) e Mato Grosso do Sul (Operação Arara Azul), envolvendo 1.220 estudantes e professores de vários estabelecimentos do País em 53 municípios desses Estados. As instituições de ensino superior inscritas devem encaminhar documentação e propostas de trabalho até 25 de fevereiro e a relação das selecionadas para participar das operações em julho será conhecida no dia 19 de março. (DA)

 

História

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mimoso, no estado do Mato Grosso, no dia 5 de maio de 1865. Filho de Cândido Mariano da Silva e Claudina de Freitas Evangelista da Silva, perdeu os pais muito cedo e foi criado em Cuiabá pelo tio, de quem herdou e incorporou o sobrenome “Rondon”.

Tornou-se professor primário aos 16 anos mas optou pela carreira militar, servindo como soldado no 2º Regimento de Artilharia a Cavalo, e ingressando dois anos depois na Escola Militar da Praia Vermelha. Em 1886 entrou para a Escola Superior de Guerra, onde assumiu um papel ativo no movimento pela proclamação da República. Fez o curso do Estado Maior de 1ª Classe e foi promovido a alferes (atual “aspirante-aoficial”). Graduou-se como bacharel em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais e participou dos movimentos abolicionista e republicano por volta de 1890. Em 1889, Rondon participou da construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá, assumindo a chefia do distrito telegráfico de Mato Grosso, e foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892. Entre 1900 e 1906 dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras do Paraguai e da Bolívia.

Começou a construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, em 1907, sua obra mais importante. A comissão do Marechal foi a primeira a alcançar a região amazônica. Nesta mesma época estava sendo feita a ferrovia Madeira-Mamoré, que junto com a telegráfica de Rondon ajudaram a ocupar a região do atual estado de Rondônia. Rondon fez levantamentos cartográficos, topográficos, zoológicos, botânicos, etnográficos e lingüísticos da região percorrida nos trabalhos de construção das linhas telegráficas. Por sua contribuição ao conhecimento científico, recebeu várias homenagens e muitas condecorações de instituições científicas do Brasil e do exterior.  

Foi convidado pelo governo brasileiro para ser o primeiro diretor do Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPI), criado em 1910. Incansável defensor dos povos indígenas do Brasil ficou famosa a sua frase: “Morrer, se preciso for; matar, nunca.”

Entre 1919 e 1925, foi diretor de Engenharia do Exército e, após sucessivas promoções, chegou a general-de-divisão. Em 1930, solicitou sua passagem para a reserva do Exército. Nos anos 40 virou presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), cargo em que permaneceu por vários anos. Em 1955, o Congresso Nacional conferiu-lhe a patente de marechal. E no ano seguinte, o então estado de Guaporé, passou a ser chamado de Rondônia em homenagem ao seu desbravador. Faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, com quase 93 anos.

ATENDIMENTO

Servidores do Detran-MS podem entrar em greve a partir de quarta

Sindicato da categoria diz que, caso não houver proposta na reunião de amanhã, agências da entidade no Estado podem amanhecer fechadas no dia seguinte

27/04/2026 08h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Em estado de greve desde o dia 25 de março, os servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) esperarão até amanhã por uma proposta por parte da diretoria da entidade. Caso ela não venha, eles prometem paralisar as atividades por tempo indeterminado em todas as agências do departamento.

A categoria alega sete motivos para a possível greve a partir de segunda-feira: reestruturação da carreira; reconhecimento da carreira como segurança viária; reconhecimento de todos os servidores como agentes de trânsito; valorização salarial; oito promoções atrasadas; direito pelo tempo de serviço perdido durante a pandemia; e concurso público.

Ainda segundo o sindicato, a categoria não tem um concurso público há mais de 10 anos, por causa disso, eles reclamam de sobrecarga de trabalho e também do que eles chamaram de terceirização de algumas atividades.

Os servidores fizeram uma paralisação no dia 1º de abril e projetaram a possível greve para o dia 6, porém, a diretoria do Detran-MS pediu que a categoria esperasse até o dia 28 para que a autarquia pudesse tentar apresentar alguma proposta.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Detran-MS (Sindetran-MS), Bruno Alves, a categoria está disposta a uma paralisação caso nenhuma alternativa seja apresentada durante a reunião de amanhã.

“Nós mantemos o indicativo de greve e a possibilidade de paralisação. A existência da reunião não era o condicionante para a gente estabelecer isso ou não. Nós precisamos de resultado. Não basta uma reunião, porque de reunião em reunião a gente já está guardando aí há uns quatro anos. E nós deixamos isso muito claro ao governo, que se não tiver proposta para a categoria, se não tivermos resultado, no dia 29 o Estado inteiro pode amanhecer em greve”, afirmou Alves.

“Nós esperamos que a greve não seja necessária, porque é o último recurso, traz transtornos à sociedade. A gente sabe como uma greve começa, mas não sabe como termina. Entretanto, o servidor está disposto a enfrentar uma greve contra um governo forte, caso ele não traga solução para a nossa crise”, completou o presidente do sindicato.

Alves ainda afirmou que ele tem consciência de que nem todas as reivindicações podem ser atendidas, principalmente em relação ao reajuste salarial, já que em ano eleitoral a administração tem um prazo legal para conceder aumento para seus servidores, e esse prazo encerrou no dia 7.

“Nós já tivemos algumas conversas nesse meio do caminho, as nossas pautas estão na mesa, o Detran-MS tem consciência e ele [o governo] vai ter que nos apresentar aquilo que é possível de ser feito. E dentro daquilo que ele nos apresentar, vai ser na terça-feira, ele vai dizer se nós teremos greve ou não”, afirma.

Sindicato espalhou faixas cobrando a diretoria do Detran-MS em frente à sede de Campo Grande - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

DIGITALIZAÇÃO

Entre as reivindicações da categoria, uma das reclamações feitas pelos servidores é a digitalização dos serviços do Detran-MS, um motivo de orgulho para a administração da entidade.

De acordo com o Sindetran-MS, o processo vem sendo feito “sem a segurança necessária, o que teria facilitado fraudes e o uso indevido do nome do Detran-MS”. Servidores também relatam falhas frequentes nos sistemas.

No entanto, a diretoria do Detran-MS vê a digitalização com muito entusiasmo. No dia da paralisação, a autarquia afirmou à reportagem que, apesar do protesto, os usuários não ficaram desassistidos com a falta dos servidores, justamente por conta das medidas implantadas para ampliar o atendimento digital.

“Referência nacional na digitalização dos serviços, o Detran de Mato Grosso do Sul destaca que os canais digitais estão à inteira disposição da sociedade. São eles: portal de serviços – www.meudetran.ms.gov.br; aplicativo Meu Detran-MS (disponível na PlayStore e na Apple Store); e Glória – assistente virtual do Detran-MS – WhatsApp (67) 3368-0500”, divulgou o Detran-MS.

*Saiba

O Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) tem só em Campo Grande 11 agências, além de mais de 80 pontos espalhados pelos demais municípios do Estado.

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Ultima Ratio

Alvo da PF, advogado da JBS recebia valores acima do mercado

Especialistas afirmam que os R$ 20 milhões pagos a Rodrigo Pimentel superam com folga os padrões da advocacia em MS

27/04/2026 08h00

Advogado Rodrigo Pimentel, cujo escritório recebeu R$ 20 milhões da JBS em menos de um ano

Advogado Rodrigo Pimentel, cujo escritório recebeu R$ 20 milhões da JBS em menos de um ano Arquivo/Divulgação

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O pagamento de R$ 20 milhões em honorários advocatícios ao escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados pela JBS S.A., um dos gigantes mundiais da produção de proteína animal, chama atenção pelo alto valor, muito acima dos praticados no mercado de Mato Grosso do Sul.

A maioria dos advogados consultados pelo Correio do Estado, alguns preferiram manter seus nomes em reserva, afirma que os valores recebidos pelo escritório de Rodrigo Pimentel, que foi indiciado por corrupção passiva na Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal (PF), ao atingir a casa das dezenas de milhões de reais, deixam muito para trás até mesmo alguns grandes escritórios do estado de Mato Grosso do Sul com clientes importantes e alto faturamento.

A vultosidade dos valores chama ainda mais atenção no mercado pelo fato de as transferências verificadas da JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel terem ocorrido em período inferior a 12 meses, entre dezembro de 2022 e agosto de 2023.

No intervalo, o gigante mundial da proteína animal transferiu R$ 20.857.199,71, indica o relatório final de um dos inquéritos que compõem a Operação Ultima Ratio.

Um advogado, proprietário de uma das maiores bancas do Estado e com atuação consolidada na advocacia local, disse ao Correio do Estado, sob condição de anonimato, que é muito difícil identificar os serviços prestados pelo escritório Pimentel & Mochi e, mais ainda, verificar o valor deles.

“Para se ter honorários de R$ 20,8 milhões em menos de um ano, seria preciso uma causa ou mais causas, no contencioso ou no consultivo, de mais de R$ 200 milhões pelo menos”, comentou.

Outro advogado, cuja banca também se destaca em Mato Grosso do Sul e em ações em cortes superiores, comentou os altos honorários de Pimentel citados no relatório da PF e defendeu a necessidade de investigar a origem deles.

“Um trabalho ser remunerado por milhões, em tese, não é errado, trata-se de livre negociação privada, mas valores milionários podem levantar suspeitas, que devem e podem ser investigadas”, disse o advogado.

O advogado André Borges, que também lidera uma das maiores bancas de Mato Grosso do Sul e atua em casos de grande repercussão, comentou os mais de R$ 20 milhões pagos pela JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel em menos de um ano.

“Consultoria jurídica pode ser dos mais variados tipos, importância e valores. Honorários remuneram o trabalho e contam com respaldo legal. Normalmente, são ajustados livremente. O mercado jurídico do nosso estado não é dos maiores, raramente gerando milhões em honorários, mas há clientes com problemas grandes, e com riqueza maior ainda, que podem pagar milhões”, analisou.

Pagamentos milionários

Os pagamentos feitos pela JBS ao escritório de Rodrigo Pimentel ocorreram entre 2 de dezembro de 2022, quando foram transferidos R$ 6 milhões, e 31 de agosto de 2023, quando a JBS fez o único dos seis pagamentos via Pix, no valor de R$ 1.266.975,00.

Em 31 de janeiro de 2023, a JBS pagou mais R$ 3.974.956,05, em 27 de março, outros R$ 1.638.018,66, em 12 de maio, mais R$ 5.631.000,00 e, em 1º de junho de 2023, mais R$ 2.346.250,00.

O delegado da Polícia Federal Marcos André Araújo Damato afirmou, ao relatar o primeiro dos inquéritos da Operação Ultima Ratio, que Rodrigo Pimentel pode ter recebido ainda mais da empresa.

“Como a quebra de sigilo bancário foi determinada até o mês de setembro de 2023, os pagamentos podem ter prosseguido”.

Fac-símile

Trecho do relatório da Polícia Federal em que os relatórios de inteligência financeira do Coaf mostram os valores recebidos pelo escritório de Rodrigo Pimentel pela JBA S.A.

Advogado Rodrigo Pimentel, cujo escritório recebeu R$ 20 milhões da JBS em menos de um ano

Patrimônio

Para o delegado, apesar de explicar sua relação com a JBS, Rodrigo Pimentel não conseguiu justificar o recebimento de aproximadamente R$ 20 milhões da multinacional, conforme números obtidos pela PF por meio de quebras de sigilo e de relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

“A respeito dos recebimentos acima [ele comenta os créditos da JBS na conta do escritório], Rodrigo Pimentel manifestou-se por escrito [...], contudo, não apresenta explicações sobre sua relação com a JBS que justifique o recebimento de cerca de R$ 20 milhões, limitando-se a dizer que são serviços advocatícios”, explicou o delegado.

Para a PF, o escritório de Rodrigo Pimentel afirmou que a divulgação do volume financeiro recebido da JBS “não foi vinculado a qualquer atividade minimamente descrita como ilícita”.

Na sequência, sustenta que a publicidade dos valores recebidos por Rodrigo da JBS macula sua imagem.

“Essa situação, de forma irreparável, macula a reputação do requerente, que, contratado, prestou os serviços advocatícios, emitiu as notas fiscais e pagou os correspondentes tributos”, afirmou Pimentel, em nota enviada à Polícia Federal.

Na investigação, o delegado Marcos André Araújo Damato ainda verificou um aumento patrimonial difícil de ser explicado.
Pimentel declarou crescimento significativo em seus rendimentos anuais: de R$ 52.500,00, em 2017, para R$ 3.310.068,00, em 2018 (aumento de mais de 62 vezes), e para R$ 9.226.989,95, em 2022 (aumento de mais de 174 vezes em 6 anos), o que foi considerado fora da normalidade.

Em nota, a JBS informou que “o escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados já atuou em diversas ações da empresa relacionadas a inúmeros temas e recebeu honorários por isso, como qualquer outro escritório que atue em defesa da JBS”.

Indiciamento

A Polícia Federal indiciou Rodrigo Pimentel por corrupção passiva no âmbito da Operação Ultima Ratio. Segundo a investigação, em 20 de junho de 2018, a empresa dele, a Ipê Assessoria Consultoria, recebeu R$ 275 mil da advogada Emmanuelle Alves Ferreira da Silva.

Emmanuelle é esposa do ex-juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior, aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça em 2022, após investigações por suposta venda de sentenças, corrupção e lavagem de dinheiro.

No mesmo dia da transferência para a empresa de Rodrigo, ela recebeu mais de R$ 5 milhões por meio de guia de levantamento expedida por ordem dos magistrados Paulo Afonso e Julio Roberto Siqueira Cardoso, em recursos apontados como oriundos de fraude judicial contra um aposentado.

De acordo com o relatório final da PF, as justificativas apresentadas por Rodrigo Pimentel para o recebimento dos R$ 275 mil foram consideradas falsas. A investigação sustenta ainda que ele e o advogado Fábio Leandro teriam intermediado a venda de decisões judiciais.

Além disso, a PF identificou que Rodrigo e sua esposa firmaram, dois dias antes da transferência bancária, contrato com Emmanuelle para aquisição de um terreno avaliado em R$ 1 milhão, mas negociado por R$ 400 mil.

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