Cidades

PRISÃO

Defensoria pede soltura de pais acusados de matar filha de 3 meses

Documento ressalta que laudo apontou broncoaspiração como causa da morte da bebê e pede revogação da prisão preventiva do casal

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A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul pediu à Justiça nesta terça-feira (21) a revogação da prisão preventiva de Thiago de Oliveira Alves e Ashley Alves Godoy, presos desde o dia 20 de junho após a morte da filha do casal, Ayla Godoy de Oliveira, de apenas três meses, em Campo Grande. No pedido, a defesa sustenta que novos elementos produzidos durante a investigação afastam os fundamentos que justificaram a prisão e requerem, caso a liberdade não seja concedida, a substituição da medida por outras cautelares. 

Na petição, eles afirmam que a prisão preventiva foi decretada em um momento inicial das investigações, quando ainda havia suspeita de homicídio doloso. Segundo a defesa, o cenário mudou após a conclusão dos laudos periciais e das manifestações do Ministério Público. 

O principal argumento apresentado é o resultad do exame necroscópico da bebê. Conforme o pedido, o laudo e a certidão de óbito apontaram que Ayla morreu em decorrência de asfixia por broncoaspiração, o que, segundo a defesa, confirma a versão apresentada pelos pais desde o início das investigações de que a criança se engasgou após ser amamentada. 

Também é destacado que foram os próprios genitores que levaram afilha ao hospital em busca de atendimento médico. 

A Defensoria também cita uma manifestação da 19ª Promotoria de Justiça, responsável pelos casos do Tribunal do Júri. Conforme o documento, foi concluído que não existem elementos suficientes para atribuir aos investigados a prática de crime doloso contra a vida e causou conflito negativo de atribuição, defendendo que o processo seja analisado por uma vara criminal comum. 

Ainda de acordo com a manifestação citada, as lesões encontradas no corpo da bebê não foram apontadas como causa ou concausa da morte. O órgão também teria entendido que não há indícios de que os pais tenham provocado deliberadamente a broncoaspiração, assumido o risco de produzir o resultado ou retardado o socorro prestado à criança. 

Com base nesses elementos, a Defensoria afirma que deixaram de existir os requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal para justificar a prisão preventiva. O pedido ressalta que Thiago e Ashley são primários, possuem residência fixa, não tentaram fugir e permaneceram à disposição das autoridades desde o início da investigação. 

Eles ainda argumentam que a gravidade do caso, por si só, não é suficiente para justificar a manutenção da prisão. Segundo o dcumento, a custódia cautelar deve estar amparada em fatos concretos que demonstrem risco à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, circunstâncias que, na avaliação da Defensoria, não estão presentes neste caso.

Caso a revogação não seja acolhida, a Defensoria pede que a prisão seja substituída por medidas cautelares, como comparecimento periódico em juízo, proibição de ausentar-se da comarca e outras restrições previstas na legislação processual penal. 

Relembre o caso

Thiago e Ashley foram presos em flagrante no dia 20 de junho após a filha do casal dar entrada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul em parada cardiorrespiratória. Conforme o auto de prisão, além do quadro compatível com broncoaspiração, médicos identificaram hematomas e outras lesões pelo corpo da bebê, além da suspeita de fraturas em costelas, circunstâncias que motivaram a atuação da Polícia Militar e a condução dos pais à delegacia.

Na ocasião, ambos negaram qualquer agressão contra a filha e disseram desconhecer a origem das lesões. Mesmo assim, a Polícia Civil ratificou a prisão em flagrante pelo crime de maus-tratos qualificado e representou pela prisão preventiva, posteriormente decretada pela Justiça durante audiência de custódia.

Agora, caberá ao juízo responsável pelo processo analisar o pedido apresentado pela Defensoria e decidir se o casal responderá às investigações em liberdade ou permanecerá preso.

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Políticas Públicas

Prefeitura de Campo Grande cria observatório para mapear violência contra mulheres

Estrutura vai reunir dados inéditos sobre feminicídio, renda, saúde e desigualdade para orientar ações da Prefeitura e identificar bairros com maior vulnerabilidade.

22/07/2026 16h47

Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande

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Campo Grande passará a contar com um sistema permanente para monitorar a realidade das mulheres e direcionar políticas públicas com base em indicadores oficiais.

A prefeita Adriane Lopes regulamentou a criação do Observatório Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (OMPM), estrutura que ficará responsável por reunir, produzir e analisar informações sobre violência de gênero, saúde, autonomia econômica, educação e participação feminina.

A proposta é permitir que a administração municipal identifique áreas de maior vulnerabilidade e planeje ações específicas para cada região da cidade, utilizando indicadores oficiais para orientar a formulação e a avaliação das políticas públicas voltadas às mulheres.

A iniciativa representa uma mudança na forma como o município pretende formular políticas voltadas às mulheres.

Em vez de atuar apenas com demandas já consolidadas, o observatório terá como missão transformar dados em inteligência para a gestão pública, produzindo diagnósticos periódicos sobre a situação feminina em Campo Grande.

Entre as atribuições previstas no decreto estão o levantamento e a sistematização de informações, a elaboração de indicadores quantitativos e qualitativos, a publicação de boletins técnicos bimestrais e o monitoramento contínuo das políticas públicas destinadas às mulheres.

O trabalho também deverá subsidiar a elaboração e a atualização do Plano Municipal de Políticas para as Mulheres.

Outro ponto considerado estratégico é o mapeamento das regiões com maior incidência de violações de direitos.

A partir desses levantamentos, a Prefeitura pretende direcionar programas e investimentos para locais onde os índices de violência, vulnerabilidade social ou desigualdade forem mais elevados.

Na prática, o observatório funcionará como um centro permanente de pesquisa e produção de conhecimento dentro da administração municipal.

O decreto prevê que a estrutura poderá estabelecer parcerias com universidades, órgãos estaduais e federais, instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil para ampliar a coleta e a análise de dados.

Além da produção de estatísticas, caberá ao órgão elaborar relatórios técnicos, acompanhar a efetividade das políticas públicas existentes e sugerir novas ações para enfrentar problemas identificados ao longo das pesquisas.

Dez áreas serão monitoradas

Os estudos produzidos pelo observatório serão organizados em dez eixos temáticos considerados prioritários pela administração municipal.

Entre eles estão:

  • enfrentamento à violência contra a mulher;
  • saúde integral;
  • autonomia econômica, trabalho e renda;
  • educação e capacitação;
  • participação política;
  • direitos humanos;
  • assistência social;
  • cultura, esporte e lazer;
  • comunicação;
  • sustentabilidade e meio ambiente.

A expectativa é que o cruzamento dessas informações permita compreender não apenas os índices de violência, mas também fatores sociais e econômicos que influenciam a qualidade de vida das mulheres em diferentes regiões da Capital.

Boletins periódicos

O decreto estabelece que o Observatório Municipal deverá divulgar boletins técnicos periódicos com indicadores atualizados. Os documentos servirão como base para decisões administrativas, planejamento de programas públicos e avaliação da eficácia das ações desenvolvidas pelo município.

A Comissão Gestora responsável pelo observatório será composta por até cinco integrantes, vinculados à Secretaria Executiva da Mulher. O grupo poderá realizar visitas técnicas, audiências públicas, reuniões com comunidades e pesquisas de campo para ampliar a qualidade das informações coletadas.

Outro aspecto previsto na regulamentação é que todo o tratamento dos dados deverá observar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a Lei de Acesso à Informação (LAI), garantindo segurança jurídica e proteção das informações utilizadas nas pesquisas.

Nova estratégia

Ao institucionalizar o Observatório Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, a Prefeitura busca criar uma ferramenta permanente para orientar decisões com base em evidências, permitindo que futuras ações voltadas ao enfrentamento da violência, à geração de renda, à saúde e à promoção da igualdade de gênero sejam planejadas a partir de dados oficiais, e não apenas da demanda espontânea dos serviços públicos.

A medida entrou em vigor com a publicação do decreto no Diário Oficial desta quarta-feira (22).

Cenário preocupante

A implantação do observatório ocorre em um cenário em que Campo Grande concentra o maior número de casos de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul.

Conforme o Dossiê Mulher Campo-Grandense, lançado pela Secretaria Executiva da Mulher (SEMU) e publicado no Diário Oficial do Município, mostra que a Capital registrou 9,2 mil boletins de ocorrência de violência contra a mulher em 2025, uma média superior a 25 registros por dia.

O levantamento também aponta que os atendimentos na Casa da Mulher Brasileira ultrapassaram milhares de casos ao longo do ano, com pico em março, período marcado pela repercussão do feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte.

Em 2026, Mato Grosso do Sul já contabiliza 15 feminicídios até 19 de julho, reforçando a necessidade de políticas públicas baseadas em dados para identificar áreas de maior vulnerabilidade e direcionar ações de prevenção e proteção às mulheres.

Tráfico?

Laudo da PF não encontra cocaína na "maior apreensão da história" em MS e MT

Exames laboratoriais descartam a presença de cocaína nas amostras analisadas e colocam em xeque a versão da maior apreensão de droga do País, realizada pela Receita Federal, com apoio da Bolívia e dos EUA

22/07/2026 15h29

Operação Timber Shield foi realizada no mês passado, em Corumbá e Cáceres

Operação Timber Shield foi realizada no mês passado, em Corumbá e Cáceres Divulgação

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O que era para ter sido a maior apreensão de cocaína da história do Brasil, pode não se confirmar. É o que indica laudo da Perícia Criminal da Polícia Federal, sobre a Operação Timber Shield, realizada em Corumbá (MS) e Cáceres (MT), em 21 de junho. 

Ao todo foi apreendida uma carga de 260 toneladas de cocaína nas alfândegas de Corumbá e Cáceres no domingo, 21 de junho. A apreensão teria ocorrido no contexto de uma força-tarefa composta por Receita Federal, Exército Brasileiro, Polícia Federal, e com cooperação dos Estados Unidos e da Aduana da Bolívia. 

A estimativa na época é de que a a droga, supostamente impregnada em toras de madeira, pesasse entre 20 e 50 toneladas. Os responsáveis pela apreensão chegaram a falar em cocaína líquida ou diluída no composto orgânico. 

O conteúdo do laudo foi revelado na tarde desta quarta-feira (22) pelo jornal O Estado de São Paulo. A Receita Federal foi instada a se manifestar, mas ainda não o fez, segundo o Estadão. 

O laudo foi produzido pela Polícia Federal de Mato Grosso do Sul e concluído no dia 17. O número é 27589/26, e é ilustrado com fotos do material minunciosamente examinado. 

“Todos os testes e exames instrumentais descritos resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de madeira encaminhadas a exame pericial”, diz o documento.

O trabalho dos peritos criminais federais começou dois dias após a blitz que reteve um comboio de oito carretas com toras de aroeira procedente da Bolívia. Quatro carretas foram parados em Cáceres, Mato Grosso, e outros quatro em Corumbá (MS). Inicialmente, eles submeteram a reagentes químicos três fragmentos sólidos de madeira comercial, secos, com formato irregular e características anatômicas macroscópicas semelhantes - cor, textura e linhas de crescimento.

Os retalhos de aroeira foram encaminhados como amostras da carga de madeira que estava no semirreboque acoplado a um dos caminhões. A suspeita era de uma possível contaminação de cocaína ou de outras substâncias proscritas, impregnadas no interior ou aplicada em forma líquida na superfície da madeira.

Estratégias do tráfico

A ocultação de cocaína constitui uma estratégia histórica e recorrente das organizações criminosas para burlar a fiscalização policial. Segundo o relatório Oropesa (Manual Internacional de Investigação e Controle Químico Antinarcóticos de La Paz), citado no laudo, as técnicas de mascaramento evoluíram a ponto de mitigar a eficácia de cães farejadores e de testes reagentes colorimétricos preliminares.

Relatórios da Europol (Agência da União Europeia para a Cooperação) indicam essa tendência ao descreverem a adulteração e a inserção da substância em alimentos, plásticos e produtos têxteis. No âmbito da perícia químico-forense, as matrizes mais frequentemente submetidas a exame englobam artefatos têxteis e vestuários (com impregnação do entorpecente entre as fibras de algodão), suportes resinosos (como borrachas e matrizes de polivinilpirrolidona - PVP) e suportes celulósicos (papel).

O laudo pericial destaca que os fragmentos de madeira foram observados atentamente, buscando-se verificar suas principais características naturais e indícios macroscópicos que pudessem indicar a adsorção de substâncias em seu interior ou em sua superfície.

Com relação à suspeita de que a madeira continha substância entorpecente no interior de suas fibras, os peritos anotaram que a aroeira é amplamente conhecida como uma das mais resistentes para a construção de cercas, currais e estruturas comumente usadas em zonas rurais.

Suas principais características são a alta durabilidade e a grande resistência a ataques de brocas, fungos e cupins.

Possui extrema densidade, altíssima dureza e é considerada quase imune ao apodrecimento, mesmo quando fica em contato direto e constante com a terra úmida.

As peças de aroeira (palanques e postes), devido à sua densidade, possuem alta resistência à absorção de umidade, o que torna o material pouco elegível para o uso como matriz de absorção de solução contendo cocaína, argumentam os peritos.

Os exames foram realizados no laboratório de Química Forense do Setor Técnico-Científico e no laboratório do Instituto de Análises Laboratoriais Forense (IALF) da Coordenadoria Geral de Perícias para análises instrumentais complementares.

Após a primeira etapa dos testes, os peritos da PF se deslocaram, entre 30 de junho e 3 de julho, a Corumbá para acompanhar a movimentação da carga e realizar exames adicionais via a coleta de novas amostras para envio ao Instituto Nacional de Criminalística.

Os caminhões com a aroeira encontravam-se no Porto Seco dos Armazéns Gerais Alfandegados de Mato Grosso do Sul (Agesa), localizado no Anel Viário de Corumbá.

A inspeção foi efetuada em campo com auxílio de cães farejadores, treinados pela Marinha/3.º Batalhão de Operações Ribeirinhas. Também foram mobilizados soldados da 18.ª Brigada de Infantaria do Pantanal para movimentação da carga e do 3.º Grupamento Bombeiro Militar, para operação de motoserras e coleta de amostras da madeira.

No dia 2 de julho, no final da manhã e início do período da tarde, foi realizada a descarga das toras e troncos. Ali, os técnicos recolheram nove amostras, sendo cinco de pó de madeira (serragem) e quatro de madeira cortada (lascas).

Os cães farejadores não indicaram a presença de material entorpecente. Foram, então, selecionadas algumas peças, de forma aleatória, e com o auxílio de motoserras e furadeiras a equipe recolheu outras nove amostras. Os peritos usaram um espectrômetro com laser de comprimento de onda e teste de Scott - exame químico diretamente sobre o pó de madeira e em pontos diversos dos fragmentos sob análise.

Alíquotas das amostras de serragem foram submetidas a testes preliminares de constatação no próprio local.

“Os exames realizados nas amostras recebidas e coletadas resultaram negativos para a presença da substância cocaína ou de outras substâncias consideradas entorpecentes”, afirma o laudo.

O restante das porções foi lacrado em envelope de segurança para envio ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília.

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