Cidades

com tornozeleira

Lobista investigado na Última Ratio por compra de decisões judiciais tem prisão revogada

Zanin considerou excesso de prazo no andamento da investigação e que prisão pode ter contribuído para piora do estado de saúde do lobista, que está em estado esquelético

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin revogou a prisão preventiva do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, suspeito de comprar decisões e corromper assessores do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Andreson também foi alvo da operação Ultima Ratio, desencadeada em outubro de 2024, desvendou um amplo esquema de venda de sentenças judiciais, corrupção, lavagem de dinheiro e extorsão envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), advogados e empresários. 

O lobista é apontado como um dos personagens centrais do esquema, suspeito de cooptar servidores do Judiciário em troca da obtenção de informações dos tribunais de diversas instâncias.

A decisão de Zanin é referente a Operação Sisammes, deflagrada um mês depois da Última Ratio, no Mato Grosso (MT). O lobista foi preso na ocasião, conseguiu prisão domiciliar entre julho e novembro de 2025, mas retornou à prisão por suspeita de ter fraudado atestados de saúde.

A Polícia Federal apresentou em fevereiro uma conclusão parcial, mas ainda não houve denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Zanin entendeu que houve excesso de prazo no andamento da investigação da Operação Sisamnes e disse que as provas colhidas até o momento “não desoneram o Estado da obrigação de concluir o inquérito em prazo razoável”.

Além disso, o ministro afirma que a prisão pode ter contribuído para a piora no estado de saúde de Andreson, que estaria em estado esquelético.

Ele autorizou a soltura com a imposição de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com os demais investigados, recolhimento domiciliar no período noturno,  proibição de ingressar no STJ e de acessar os sistemas processuais da Corte.

Andreson deve ser solto ainda nesta sexta-feira.

Patrimônio milionário

Conforme reportagem do Correio do Estado, o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves acumulou um patrimônio de R$ 113 milhões somente em caminhões, carros e aeronaves. 

As informações foram produzidas em um relatório da PF enviado ao ministro Cristiano Zanin em agosto de 2025.

O suspeito de operar um esquema de venda de decisões nos tribunais de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e no Superior Tribunal de Justiça é dono de 396 veículos e quatro aeronaves. 

A frota de veículos pertence à empresa Florais Transporte, que é suspeita de ser usada por Andreson para lavagem de dinheiro e pagamentos de propina.

A empresa tem apenas 48 funcionários e, segundo a Polícia Federal, não teria capacidade para operar toda a frota que possui. As informações foram levantadas pela PF na investigação sobre o esquema venda de decisões judiciais.

A Florais Transporte é a empresa que fez repasses significativos ao advogado Felix Jayme, apontado como um dos principais envolvidos no esquema de venda de sentenças judiciais no TJMS, segundo a investigação da Polícia Federal durante a operação Ultima Ratio.

O lobista também é dono da Florais Taxi Aéreo, que tem uma frota de quatro aeronaves no valor de R$ 16 milhões. A PF apontou indícios de irregularidades na operação da empresa, como a suspeita de que ela não é usada para aluguel de serviços de táxi aéreo.

Uma das hipóteses que constavam no relatório era de que o lobista emprestava as aeronaves para o uso de autoridades do Judiciário, dentro de seu esquema de venda de decisões.

Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

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A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

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Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

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