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MS reduz feminicídios em 30%; queda é atribuída a novos protocolos

Para delegado-geral da Polícia Civil, Lupércio Degerone Lúcio, celeridade no processamento de ocorrências tem evitado escalada no ciclo de violência doméstica que culmina no feminicídio

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A incidência de feminicídios em Mato Grosso do Sul neste ano teve uma queda de quase 30%, indicam os números da Polícia Civil. A redução da quantidade de assassinatos de mulheres em que a violência doméstica está diretamente vinculada à motivação do crime também está ligada aos novos protocolos de atendimento às mulheres vítimas de violência implementados pelo poder público estadual, conforme análise dos números feita pelo delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS), Lupércio Degerone Lúcio.

Nos primeiros seis meses de 2025, Mato Grosso do Sul teve um total de 18 feminicídios, enquanto, nos primeiros seis meses deste ano, foram ao todo 13 feminicídios, queda de 27% no total de ocorrências dessa natureza.

Em todo o ano passado, foram registrados 39 feminicídios no Estado, e a expectativa é de que a redução se consolide.

Para o delegado-geral, o desejável é que o Estado, que já foi líder na incidência desse tipo penal, reduza esse tipo de ocorrência a zero.

“O que mudou é que há prioridade total na investigação das notícias-crime de violência doméstica”, explica Lupércio Degerone. “Reduziu muito o período em que um BO [boletim de ocorrência] fica parado em uma delegacia. Agora temos agilidade, atendimento quase imediato no processamento da ocorrência”, afirma o delegado-geral.

“Se antes um BO demorava de oito a 30 dias para ser processado, agora é rápido. Chega o boletim, e a medida protetiva contra o agressor já é lançada pelo Poder Judiciário. Assim, o autor é intimado mais rapidamente”, relata Lupércio Degerone.

Segundo o delegado-geral, essa agilidade é um grande fator de dissuasão dos agressores de violência doméstica, que estão em um ciclo de escalada da violência, sobretudo por causa da celeridade na intimação.

“Ele [o autor] se demove da ideia de matar a vítima mais rapidamente”, destaca.

Lupércio Degerone explica ao Correio do Estado que quase a totalidade das ocorrências de violência doméstica é processada atualmente em MS. 

“No ano passado, 100% das ocorrências foram deliberadas. Neste ano, estamos com aproximadamente 92% de deliberação”, relata. 

Segundo ele, até o fim do ano, a taxa de 100% deve ser novamente atingida, em razão de fatores como o fluxo das ocorrências e a celeridade dos protocolos.

“Não existe parâmetro como o nosso em nível nacional”, comenta.

O delegado-geral lembra, contudo, que as estatísticas de anos anteriores, em que Mato Grosso do Sul aparecia na liderança da incidência de feminicídios, e tragédias que tiveram forte repercussão, como o assassinato da jornalista Vanessa Ricarte pelo ex-noivo, em fevereiro de 2025, influenciaram a implantação de protocolos mais céleres para lidar com as ocorrências, na busca por um atendimento mais humanizado.

“Nas estatísticas, os resultados de medidas como essas demoram a aparecer, e eles estão sendo colhidos agora”, comenta Lupércio.

“É importante lembrar que a nossa proposta de lidar com o feminicídio, impedindo subnotificações – como ainda ocorre em outras unidades da Federação – e reforçando a implementação das salas lilás contribui para a redução que já estamos verificando”, analisa.

MORTES

O último caso confirmado de feminicídio em Mato Grosso do Sul ocorreu no fim de semana. A idosa Maria do Carmo, de 66 anos, foi encontrada morta pelos vizinhos e pelo filho, na manhã de domingo, em uma chácara localizada na zona rural de Naviraí.

Ela foi morta por um rapaz com quem possivelmente mantinha um relacionamento. Este foi o 13° feminicídio deste ano no Estado.

De acordo com o boletim de ocorrência, os vizinhos ouviram um barulho, por volta das 23h30min de sábado, de um homem chegando de motocicleta na casa de Maria. Em seguida, escutaram que ambos começaram a discutir.

Em determinado momento, os vizinhos ouviram o indivíduo chutar o portão lateral da residência. Em seguida, mandaram uma mensagem no celular de Maria para saber se estava tudo bem, mas ela não respondeu.

Apenas na manhã de domingo é que os vizinhos foram até a residência e encontraram ela morta, caída no chão, com uma poça de sangue ao redor do corpo, e comunicaram os familiares por telefone.

Um outro caso que aconteceu na segunda-feira é investigado como possível feminicídio. Maria José de Oliveira Beserra, de 71 anos, foi morta a facadas.

A morte ocorreu na casa da vítima, localizada na Rua Benvindo Fogaça, na cidade de Ribas do Rio Pardo.
Maria José de Oliveira foi encontrada já sem vida pelas equipes da Polícia Militar, com diversos ferimentos pelo corpo e caída no chão ao lado da sua cama.

A mulher morava sozinha e era conhecida no município. Agora a polícia investiga se o caso também se trata de feminicídio, que seria o 14º do Estado no ano.

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violência contra a mulher

TJMS e CNJ elaboram carta de propostas para ampliar proteção às mulheres

Documento consolida deliberações e recomendações construídas durante dois dias de debates na 20ª Jornada Lei Maria da Penha

28/08/2026 18h56

Encerramento do evento contou com a presença do presidente do STF e CNJ, Edson Fachin

Encerramento do evento contou com a presença do presidente do STF e CNJ, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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A 20ª Jornada Lei Maria da Penha, realizada nesta quinta (27) e sexta-feira (28) no Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), terminou com a elaboraçao de uma carta que consolida as propostas construídas durante as oficinas e debates realizados ao longo do evento. O encerramento contou com a participaçao do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luiz Edson Fachin.

Entre as principais deliberações elencadas na carta está a proposta para que o CNJ fomente o fortalecimento e a expansão do Programa Brasil Lilás em todo o País, promovendo o compartilhamento de boas práticas entre os tribunais e ampliando ações educativas voltadas à prevenção da violência contra mulheres e meninas, com abordagem interseccional e atenção às questões de gênero, raça e etnia.

Também foram aprovadas sugestões para ampliar a inclusão de conteúdos relacionados aos direitos das mulheres e à igualdade de gênero nos currículos da educação básica, promover a integração eletrônica das medidas protetivas de urgência por meio da Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br), aperfeiçoar ferramentas como o Fonar Eletrônico e fortalecer a capacitação de magistrados, servidores, oficiais de justiça e equipes multidisciplinares que atuam em casos envolvendo violência doméstica e familiar.

O documento também destaca a necessidade de aprofundar o enfrentamento à litigância abusiva, à violência processual e institucional praticadas contra mulheres e meninas.

São propostas ainda medidas para aprimorar a produção de dados estatísticos, fortalecer as Coordenadorias Estaduais da Mulher, aperfeiçoar o acompanhamento das medidas protetivas e ampliar o acesso à Justiça para mulheres em situação de vulnerabilidade.

A carta traz recomendações voltadas a populações indígenas, quilombolas, migrantes, mulheres com deficiência e moradoras de regiões de difícil acesso, além do fortalecimento dos Pontos de Inclusão Digital como instrumento permanente de acesso aos serviços do Judiciário.

O documento destaca o compromisso do Poder Judiciário com as diretrizes estabelecidas pela Lei Maria da Penha, pelas resoluções do CNJ e pelos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para a promoção dos direitos das mulheres e o enfrentamento das diversas formas de violência de gênero.

O objetivo com a aprovação da carta é garantir maior efetividade às políticas de prevenção e enfrentamento da violência contra mulheres e meninas.

Além de Fachin, a solenidade de encerramento da 20ª Jornada Lei Maria da Penha contou com a participação da conselheira do CNJ e presidente da Comissão Permanente de Políticas de Prevenção às Vítimas de Violência, Testemunhas e de Vulneráveis, Jaceguara Dantas, e do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Dorival Renato Pavan.

Em sua manifestação no encerramento, o ministro Luiz Edson Fachin ressaltou que, embora a Lei Maria da Penha tenha promovido profundas transformações jurídicas e culturais no Brasil ao longo dos últimos 20 anos, o enfrentamento à violência contra as mulheres ainda exige atenção permanente e atuação efetiva do Estado.

Confira a íntegra da Carta da 20ª Jornada Lei Maria da Penha:

Jornada lei maria da penha

Em MS, Fachin cobra ação do Estado para evitar violência e morte de mulheres

Presidente do STF particou da 20ª Jornada Lei Maria da Penha, em Campo Grande, e reforçou que enfrentamento à violência contra a mulher exige atenção permanente

28/08/2026 18h01

Presidente do STF, Edson Fachin, participou da  20ª Jornada Lei Maria da Penha em Campo Grande

Presidente do STF, Edson Fachin, participou da 20ª Jornada Lei Maria da Penha em Campo Grande Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, defendeu, na tarde desta sexta-feira (28), uma atuação preventiva do Estado no enfrentamento à violência contra mulheres. Durante a 20ª Jornada Lei Maria da Penha, realizada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), ele destacou que é dever do Poder Público agir antes que a violência resulte em mortes.

"O Estado tem o dever de evitar que as mulheres morram, que as mulheres e meninas sofram violência, tem o dever de garantir que vivam com dignidade, autonomia e liberdade. O Estado precisa chegar antes que o luto se instale. Este é o dever número um e, portanto, esta é a nossa missão mais elevada", disse.

Fachin ressaltou que a Lei Maria da Penha, criada há 20 anos, promoveu profundas transformações jurídicas e culturais no Brasil, mas destacou que o enfrentamento à violência contra as mulheres ainda exige atenção permanente e atuação efetiva do Estado.

Ao final da jornada, foi elaborada uma carta com várias proposições, ao que o ministro afirma que podem se extrair, ao menos, três diretrizes, sendo a evidência, a interseccionalidade e a escuta e diálogo.

Segundo ele, a evidência é importante para medir o que está sendo enfrentado, através de dados, e para um dimensionamento interno do sistema de Justiça, indo além dos prazos processuais, com integração entre os dados e a inteligência institucional para acompanhar a vida real de cada mulher que busca auxílio.

No caso da interseccionalidade, Fachi cita que a violência atinge de formas diferentes mulheres negras e indígenas.

"É fundamental que também estejamos atentos, inclusive, para desagregar dados por etnias, raça e território. Na verdade, é dar rosto e voz à luz dessa interseccionalidade", explicou.

Já sobre a escuta e diálogo, o ministro destaca é fundamental ouvir com as diferentes formas a realidade d violênci contra a mulher.

Ele ressaltou a jornada foi realizada em Mato Grosso do Sul devido ao estado ser "um mosaico antropológico, sociológico e relevante", citando o fato de ser um estado fronteiriço, com uma das maiores populações indígenas do País.

Com relação aos debates e propostas levantadas para o enfrentamento da violência contra a mulher, o ministro concluiu que não há uma resposta fácil.

"Os problemas precisam ser olhados na sua complexidade para que as respostas sejam reais e concretas e não respostas simplistas, epidélicas a questões estruturais da sociedade brasileira", concluiu.

Realizada nos dias 27 e 28 de agosto, em Campo Grande, a 20ª Jornada Lei Maria da Penha celebrou os 20 anos da iniciativa e promoveu reflexões sobre os desafios contemporâneos para a efetivação da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.

Ao longo dos dois dias, os participantes debateram temas relacionados à proteção das vítimas, ao aprimoramento da atuação judicial, à prevenção da violência e ao fortalecimento da rede de atendimento.

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