Cidades

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

MS teve 7 quebras de Medidas Protetivas de Urgência por dia em 2025

Com quase três mil casos de decumprimentos das decisões que deferem as chamadas MPU, Mato Grosso do Sul bateu o terceiro pior ano da série histórica em número de feminicídios

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Dados repassados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, Mato Grosso do Sul registrou aproximadamente sete descumprimentos das chamadas Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) por dia em 2025, sendo quase três mil casos no terceiro pior ano da série histórica em números de feminicídios. 

Ferramentas da Lei Maria da Penha, na teoria as MPUs servem de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, afastando o agressor do domicílio, proibindo contatos e inclusive restringindo o acusado de fazer visitas aos filhos. 

Mantido pela Sejusp e pelo Poder Judiciário do Tribunal de Justiça, Mato Grosso do Sul conta com um "monitor da violência contra a mulher", que elenca desde os casos de feminicídio até mesmo os registros de violências domésticas e casos ligados às Medidas Protetivas de Urgência. 

Sobre o descumprimento das decisões judiciais que deferem as MPUs, a Sejusp aponta para um total de 2.828 casos de quebra dessa determinação no ano passado. A secretaria informa que os dados do painel são atualizados diariamente a partir da integração entre a Pasta e o Poder Judiciário. 

Entretanto, acesso feito durante a terceira semana de janeiro mostram números de 2025, referentes às ações preventivas (de fiscalização de MPU) e reativas (em caso de descumprimentos), bem abaixo do patamar registrado em anos anteriores. 

Reprodução/MonitorDaViolênciaContraAMulher

Na ponta do lápis, esses 2.828 descumprimentos informados pela Sejusp ao Correio do Estado representam, aproximadamente, sete casos diários de quebras de Medidas Protetivas de Urgência em Mato Grosso do Sul em 2025. 

Mulheres em risco

Apesar das mais diversas campanhas de conscientização, como por exemplo a #TodosPorElas que é promovida pelo próprio Tribunal de Justiça do MS, nota-se que os números ligados à violência contra a mulher não têm diminuído de forma tão expressiva. 

Compilados os dados do ano passado em balanço, Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com 39 feminicídios, o terceiro pior índice da série histórica, atrás apenas de 2022 e 2020, com 44 e 40 vítimas respectivamente. 

Neste 2026 Mato Grosso do Sul já registrou seu primeiro feminicídio na manhã de sexta-feira (16), manchando inclusive uma "marca positiva" do ano passado que foi a de um janeiro inteiro sem mulheres mortas por companheiros. 

Além da mulher morta em Bela Vista, próximo da fronteira com o Paraguai, no município de Três Lagoas, que fica no extremo leste do Mato Grosso do Sul, no mesmo dia um homem de 22 anos foi preso por lesão corporal qualificada e ameaça, no contexto de violência doméstica. 

Segundo a Polícia Civil, esse casal estava junto há três anos, apresentando um histórico de agressões verbais e físicas, que teriam se intensificado recentemente. Depois de lançar um copo na cabeça e empurrar a vítima, o agressor ainda pegou uma faca de serra e passou a ameaçar a mulher de morte. 

"A vítima conseguiu acionar a delegacia e por temer pela própria integridade física, solicitou medidas protetivas. O autor foi autuado em flagrante", complementa a PCMS.

Dos casos de violência contra a mulher, faltando 17 dias para "virar" o ano, até 14 de dezembro de 2025 o MS registrava 20.637 vítimas de violência doméstica.  

Apesar dos números, a Sejusp cita que, em 2025, houve uma "intensificação e aperfeiçoamento" das ações voltadas ao enfrentamento da violência doméstica e familiar: "com foco na ampliação da proteção às vítimas, maior eficiência na apuração dos crimes e fortalecimento da rede de atendimento", diz em nota. 

Entre as iniciaitivas, é citada uma reestruturação metodológica dos procedimentos, reforço do efetivo, ampliação da infraestrutura operacional e integração com instituições parceiras que teria começado a partir do primeiro trimestre de 2025. 

"Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com 12 delegacias especializadas de atendimento à mulher, 57 unidades de Sala Lilás — sendo dez inauguradas em 2025 — e dois Núcleos Integrados de Atendimento à Mulher, alcançando 86,1% dos municípios e uma cobertura de 97,3% das mulheres do Estado.

A SEJUSP destaca ainda a consolidação da medida protetiva em formato 100% digital, integrada ao sistema SIGO, garantindo comunicação imediata entre as instituições e maior efetividade no controle e cumprimento das decisões judiciais.

A nova sede da DEAM, com núcleo de cartórios digitais, possibilitou a centralização e digitalização dos serviços, ampliando a capacidade de atendimento especializado e assegurando maior privacidade às vítimas", conclui. 

É possível denunciar casos de violência contra a mulher através de contato com a Central 180 ou mesmo no 190 em emergências.

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CONDENAÇÃO

Homem que matou e sumiu com corpo de corretora em Campo Grande é condenado a 21 anos

Crime aconteceu em maio de 2024, quando o corpo da vítima foi abandonado na área do Porto Seco

10/02/2026 18h50

A corretora de imóveis Amalha Cristina Mariano Garcia tinha 43 anos

A corretora de imóveis Amalha Cristina Mariano Garcia tinha 43 anos Redes Sociais/ Divulgação

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Uma ação penal movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) levou à sentença condenatória de Fabiano Garcia Sanches pelos crimes de latrocínio e ocultação do corpo da corretora de Amalha Cristina Mariano Garcia, ocorridos em 21 de maio de 2024, em Campo Grande. A Justiça condenou o homem a 21 anos de reclusão, começando em regime fechado.

Segundo a peça de acusação da 10ª Promotoria de Justiça, assinada pela promotora Suzi D'Angelo, o crime foi premeditado com o intuito de lucro, com a venda do veículo da corretora, um Jeep Renegade. Imagens colhidas nas investigações mostram o réu usando o carro roubado durante o dia da morte, após ter ocultado o corpo.

Durante o processo, o MPMS apresentou provas técnicas contundentes, incluindo laudos periciais, imagens de monitoramento e o rastreamento do veículo, que desconstruíram a versão da defesa, de que teria ocorrido um homicídio culposo em meio a uma discussão, e comprovaram que a motivação do homicídio foi patrimonial.

Há comprovação, nos autos, de oferecimento do veículo para a venda por valores entre R$ 14 mil e R$ 18 mil.

Ao acolher a tese ministerial, o magistrado Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal em Campo Grande, destacou a clareza das provas colhidas pela acusação. Na sentença, o juiz reforçou a responsabilidade do réu pelo latrocínio:

"Sopesando todas estas provas, entendo que não há nenhuma dúvida de que o réu agrediu a vítima (agressões estas que acabaram por ceifar a vida de Amalha) para subtrair o veículo dela e, na sequência, deixou o local das agressões conduzindo o Jeep Renegade da vítima, visando vendê-lo e ficar com o valor obtido em proveito próprio, tratando-se de hipótese de condenação nas penas do art. 157, § 3º, II, do Código Penal", diz trecho do despacho.

Foi negado ao réu o direito de recorrer em liberdade, mantendo-se a prisão preventiva para garantia da ordem pública, dada a gravidade concreta do crime e a crueldade empregada.

O crime

No dia 21 de maio de 2024, a corretora de imóveis Amalha Cristina Mariano Garcia, de 43 anos, foi atraída pelo criminoso, um homem que ela já conhecia anteriormente. No dia dos fatos, a mulher encontrou o réu na casa dele. Segundo relatos da amigas durante as investigações, ela foi ao local esperando receber dinheiro que havia emprestado a Fabiano.

Chegando na casa, localizada no bairro Jardim Centenário, Amalha foi brutalmente agredida por De acordo com o que foi relatado no processo, Fabiano espancou a vítima com socos, chutes e tapas, bateu sua cabeça contra mesa de madeira e parede, fazendo com que ela perdesse a consciência. 

Em seguida, Amalha Cristina foi colocada no porta-malas do próprio veículo e levada para outro lugar, onde foi brutalmente golpeada com pedra e pedaço de madeira e, ainda, teve o corpo abandonado no local conhecido como Porto Seco, às margens da rodovia MS-145.

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legado

Professora que publicou dicionário Kaiowá-Português morre aos 67 anos

Graciela Chamorro era referência internacional nos estudos sobre os povos guarani kaiowá

10/02/2026 18h46

Graciela Chamorro foi professora na UFGD e se dedicou a valorização de causas indígenas

Graciela Chamorro foi professora na UFGD e se dedicou a valorização de causas indígenas Foto: Divulgação

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A professora Cándida Graciela Chamorro Argüello, referência internacional nos estudos sobre os povos Guarani Kaiowá e na história indígena, morreu nesta terça-feira, aos 67 anos. As causas do falecimento não foram divulgadas.

Recentemente, a professora havia lançado a terceira edição Dicionário Kaiowá-Português, com projeto aprovado pelo Fundo de Investimentos Culturais de MS.

Nascida no Paraguai, em 6 de junho de 1958, Graciela construiu uma sólida trajetória acadêmica no Brasil e no exterior, com formação em Música e Teologia, mestrado em História, doutorado em Teologia e estudos avançados em Antropologia e Romanística na Alemanha e na França.

Foi professora de História Indígena da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e, desde 2015, presidia a Associação Cultural Casulo, em Dourados.

Com várias obras publicadas, seus escritos refletem o Âmbito de suas pesquisas, especialemente a história dos povos indígenas na América, com recortes em questões de gênero e destaque aos aspectos linguísticos e religiosos.

Em nota, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul lamentou a morte da professora e destacou a importância de seu trabalho nas causas indígenas.

"Seu trabalho, baseado em décadas de convivência e pesquisa junto às comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul, deixou um legado fundamental para a valorização das culturas, línguas e saberes Guarani e Kaiowá, expresso em obras como Kurusu Ñe’ẽngatu, Terra madura e Decir el cuerpo, entre outras", diz a nota.

"A FCMS se solidariza com familiares, amigos, colegas, estudantes e comunidades indígenas, reconhecendo a importância de sua contribuição para a cultura, a educação e a memória dos povos originários", conclui a fundação.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também manifestou pesar pelo falecimento de Graciela Chamorro.

Também em nota, o Cimi destaca que a professora dedicou sua vida à defesa da vida e dos direitos dos povos indígenas.

"Aprendiz e professora junto aos povos Guarani, Graciela foi mestra na arte do conviver, do escutar e do respeitar os modos próprios de ser indígena. Sua atuação marcou de modo especial o Mato Grosso do Sul, no convívio com os Guarani Kaiowá e Ñandeva, mas estendeu-se também ao Sul do Brasil, ao Paraguai e à Argentina", ressalta o Cimi.

O Conselho afirma ainda que como escritora, linguista, antropóloga, teóloga e missionária, ela fez da palavra Guarani fundamento de educação, espiritualidade e reflexão teológica, sempre a partir do chão indígena.

"No trabalho de formação e na assessoria às comunidades, bem como a educadoras e educadores indígenas, Graciela contribuiu de maneira decisiva para o fortalecimento da autonomia, da valorização cultural e dos processos de resistência do povo Guarani", acrescenta a entidade.

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