Cidades

em 2023

Multas ambientais no Estado somaram R$ 25 milhões

Relatório do Ibama indica que concessionária da Malha Oeste e Dnit sofreram as mais pesadas punições por crimes que teriam cometido contra o meio ambiente

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O Correio do Estado apurou com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) os números relativos às multas ambientais aplicadas em Mato Grosso do Sul em 2023.

O valor total alcançou a expressiva quantia de R$ 25.650.255,22, destacando-se como uma resposta rigorosa às infrações cometidas por diversas empresas e indivíduos. 

A maior das multas foi para a Rumo Logística, concessionária que controla a Malha Oeste, ferrovia que está praticamente desativada. O crime ambiental teria ocorrido no município de Corumbá, cidade sul-mato-grossense situada já na faixa de fronteira com a Bolívia.

A multa superou a casa dos R$ 15,5 milhões. A Rumo recorre da autuação, segundo informou a empresa.
Também há uma multa contra um órgão público: o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). A multa foi de R$ 9,7 milhões e decorre de problemas no licenciamento ambiental de obras na cidade de Três Lagoas.

Na cidade, o Dnit construirá um contorno rodoviário, cujas obras foram incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Também há uma autuação que desperta curiosidade, para a PH Cosmetics Global Indústria Comércio Varejista Atacadista e Editora Eireli, uma loja de cosméticos que utiliza ingredientes naturais e aposta na “beleza integrativa”. 

A multa de R$ 290 mil contra a fábrica que funciona em Campo Grande é relacionada à biopirataria. Essa infração consta na seção IV do Decreto nº 8.772, de 2016, que trata “das autorizações de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado e da remessa ao exterior”. 

Outra pesada multa foi imposta pelo Ibama foi contra a BF Serviços Agroflorestais Ltda., no valor de R$ 771.052,26. Consta no relatório que a punição foi aplicada em outubro do ano passado, na cidade de Bonito. 
Esta empresa tem sede na zona rural do município de Miranda e recebeu a multa pelo que o Ibama designou como suposta falha de “administração ambiental”. 

Consta ainda no documento que aponta as infrações ambientais uma multa de R$ 365,9 mil contra a empresa Atacado da Madeira Paraíso, que funciona em Campo Grande. Crime contra a flora motivou a punição, segundo o relatório. 

Outra empresa que explora a madeira e que também sofreu repreensão foi a Pinheirão Madeiras e Ferragens, penalizada em quase R$ 670 mil. As infrações da Pinheirão, informa o relatório do Ibama, foram contra a flora e o controle ambiental. 

Uma terceira do setor madeireiro, Madeireira Bela Vista Ltda., que opera na cidade de Terenos, levou duas multas, que atingiram a cifra que pouco superou a quantia de R$ 331,1 mil, por crime contra a flora. 

MAIOR MULTA 

A Malha Oeste, a ferrovia controlada pela Rumo Logística, foi multada em mais de R$ 15 milhões, maior punição aplicada em MS no ano passado, por lançar resíduos sólidos no Córrego Piraputanga, situado na zona rural de Corumbá.

O Correio do Estado apurou em reportagem publicada em julho de 2023 que o córrego está localizado nas proximidades do Maciço do Urucum, a aproximadamente 40 quilômetros de Corumbá, região de exploração de minério. 

A multa em questão, aplicada pelo Ibama no dia 29 de março de 2023, encontra-se no prazo para apresentação de defesa. O não pagamento da infração poderá dificultar que a empresa participe de concorrências públicas, como licitações e o processo de relicitação da Malha Oeste, além de tomar crédito em bancos públicos de fomento com juros subsidiados, conforme a publicação de julho do ano passado.

A Rumo enviou nota ao Correio do Estado sobre a multa, que foi publicada na reportagem veiculada em julho do ano passado.

“A concessionária informa que foi notificada pelo Ibama e sua equipe jurídica está acompanhando o caso, tendo apresentado defesa ao órgão. A empresa esclarece que não realizou qualquer intervenção na região do Córrego Piraputanga, em Corumbá (MS), e não reconhece qualquer dano alegado na autuação. Destaca ainda que nas cópias do procedimento administrativo se verifica que os responsáveis pelos alegados danos ambientais são outras empresas que não possuem qualquer relação com as atividades da ferrovia”, diz a nota.

SAIBA

Dos R$ 25,6 milhões de multas aplicadas em Mato Grosso do Sul pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no ano passado, mais da metade (60,4%) é referente a uma infração, a da Malha Oeste, de posse da Rumo Logística, no valor de R$ 15,5 milhões.

ESTABILIZAÇÃO

Rio Aquidauana para de subir e gera alívio em Aquidauana e Anastácio

Atualização é que nível da água do rio está em 8,32 metros nesta manhã, sete centímetros a menos que estava no início da noite de ontem

07/02/2026 08h30

Nível do Rio Aquidauana estabilizou nas últimas horas

Nível do Rio Aquidauana estabilizou nas últimas horas Foto: Luiz Maique

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Ao contrário do apresentado nos últimos dias, o Rio Aquidauana amanheceu estabilizado neste sábado (7) e indica tendência de queda após chuva dar trégua nas últimas 36 horas.

Segundo informações da Prefeitura de Aquidauana, o nível de água do rio acordou em 8,32 metros, o que significa sete centímetros a menos da atualização anterior às 19h30 desta sexta-feira (6), quando estava em 8,39 metros.

Ainda, a administração municipal disse que não tiveram novas famílias desalojadas na cidade, permanecendo a estatística de 14 famílias atendidas, sendo 10 na casa de parentes e quatro no abrigo do Salão Paroquial.

Vale destacar que, além de Aquidauana, o nível do rio é influenciado pelas chuvas de outros municípios, como São Gabriel do Oeste, que já passou do acumulado de 500 milímetros desde o dia 1º de fevereiro, Corguinho, que ultrapassou os 400 milímetros, e Coxim, que acumulou mais de 220 mm este mês e enfrentou alagamentos.

De acordo com a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é esperado que não chova em Aquidauana e Anastácio neste sábado. Contudo, de domingo (8) a quarta-feira (11), a tendência é que as chuvas reapareçam, o que pode contribuir para uma nova alta no rio.

São Gabriel do Oeste, Coxim e Corguinho também seguem a mesma previsão climática das duas cidades.

Últimos dias

Na quarta-feira (4), o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) emitiu dois avisos de evento crítico indicando emergência em decorrência da elevação dos níveis dos rios Taquari e Aquidauana. As leituras são resultados do monitoramento contínuo realizado a partir das Plataformas de Coleta de Dados (PCDs) instaladas nos dois municípios.

Na tarde de quinta-feira (5), assim que o nível do rio passou a marca dos 8 metros, alguns ribeirinhos foram retirados de suas residências devido o risco de alagamentos de maiores proporções. Até o momento, a situação levou quatro municípios de Mato Grosso do Sul a decretarem situação de emergência: Aquidauana, Coxim, Rio Negro e Corguinho.

Rio Aquidauana

O Rio Aquidauana nasce na Serra de Maracaju, no município de São Gabriel do Oeste, e conta com uma extensão de 620 quilômetros, abrangendo Anastácio, Aquidauana, Bandeirantes, Camapuã, Campo Grande, Sidrolândia e outras cidades, desaguando no encontro com o Rio Miranda, na região do Pantanal.

Sua segunda maior enchente aconteceu em fevereiro de 2018, quando chegou a registrar 10,93 metro, ficando menos de 30 centímetros abaixo do recorde, que é de 11,20 metros.

Como reportado pelo Correio do Estado há oito anos, cerca de 153 pessoas ficaram desabrigadas em Aquidauana, o que gerou tanto impacto ao município que as aulas escolares só foram retomadas uma semana depois. Além disso, comerciantes e empresários ficaram dias sem abrir seus estabelecimentos.

"Trinta e duas famílias de ribeirinhos haviam sido resgatadas e levados para abrigos. Eram 85 pessoas ocupando provisoriamente por tempo indeterminado os salões das paróquias das igrejas. Apesar do número expressivo, poucos ficavam durante o dia nestes locais improvisados", reportou o jornal na época.

Diante do ocorrido, o então governador Reinaldo Azambuja (PSDB) anunciou que R$ 800 mil seriam doados como auxílio emergencial para Aquidauana (R$ 500 mil) e Anastácio (R$ 300 mil). Em 2011, uma enchente de 10,70 metros atingiu a região e também gerou consequências semelhantes.

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SITUAÇÃO PRECÁRIA

Tribunal de Contas pode fiscalizar abandono dos conselhos tutelares de Campo Grande

MPC-MS entrou com pedido cautelar ao TCE, para que inspecione a real situação das instalações, principalmente na unidade da região Sul

06/02/2026 19h15

Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Ministério Público de Contas de Mato Grosso do Sul (MPC-MS), junto ao Tribunal de Contas (TCE), propôs representação com pedido cautelar para apurar a situação precária da estrutura dos conselhos tutelares de Campo Grande, em especial da unidade da região Sul da Capital.

Em sede cautelar, o pedido é para que seja realizada inspeção técnica pelo Tribunal de Contas, com o objetivo de verificar a real situação das instalações, analisar contratos de manutenção, limpeza e segurança, além da execução orçamentária destinada aos Conselhos Tutelares.

A medida foi adotada pelo procurador de contas substituto, Matheus Pleutim de Miranda, após repercurtir na imprensa local denúncias dos problemas graves nas instalações do Conselho Tutelar Sul, localizado no bairro Aero Rancho.

Entre os problemas apontados, estão infiltrações, falhas elétricas, ausência de segurança, falta de equipe de limpeza, extintores de incêndio fora do local, móveis deteriorados e ambientes inadequados para o atendimento da população.

De acordo com a representação, a situação não é recente. Relatórios de vistoria realizados em 2022, bem como documentos e registros posteriores, demonstram que os problemas estruturais persistem ao longo dos anos, sem que tenham sido adotadas providências eficazes para a manutenção do patrimônio público e a garantia de condições dignas de trabalho aos servidores e de atendimento às crianças, adolescentes e famílias assistidas.

A atuação se baseia em dados constantes de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Estadual (MPE), auditorias técnicas, relatórios trimestrais dos próprios conselhos tutelares e atas de reuniões realizadas com a Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS).

Na representação, também destaca que a omissão administrativa do poder público na conservação dos prédios transforma estes bens em passivos, gera degradação patrimonial e depreciação acelerada das edificações.

Além disso, os órgãos fiscalizadores apontam que, financeiramente, a situação precária dos conselhos tutelares amplia a necessidade de gastos futuros e potencializa o desperdício de recursos públicos, uma vez que intervenções tardias, após anos de inércia administrativa, tendem a ser mais caras e, em determinados casos, insuficientes para evitar a perda total dos bens.

Para o procurador de contas Matheus Pleutim de Miranda, a iniciativa busca assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e a proteção do interesse coletivo.

“A falta de manutenção adequada dos conselhos tutelares não se limita a um problema estrutural, mas revela uma omissão administrativa reiterada que compromete a prestação de um serviço essencial. A atuação do controle externo é necessária para apurar responsabilidades, prevenir a degradação do patrimônio público e assegurar condições mínimas de funcionamento para o atendimento de crianças e adolescentes”, afirmou.

Ao final, após os resultados obtidos em auditoria, a representação requer o reconhecimento das irregularidades, com a adoção das medidas cabíveis, incluindo determinações, recomendações e eventual aplicação de penalidades aos responsáveis.

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