Cidades

Inacabado

Obra de asfalto em 23 ruas são paralisadas em três bairros de Campo Grande

Contrato de R$ 9,8 milhões previa pavimentação no Ramez Tebet, Jardim das Macaúbas e Campo Nobre; serviço já teve prazo ampliado e Prefeitura ainda não informou no ato oficial o motivo da interrupção.

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Moradores de três bairros de Campo Grande que aguardam melhorias na infraestrutura terão de esperar mais pela conclusão das obras. A Prefeitura determinou a paralisação dos serviços de pavimentação e infraestrutura previstos para 23 ruas do Complexo Centro-Oeste, que abrange áreas do Ramez Tebet, Jardim das Macaúbas e Jardim Campo Nobre.

A interrupção atinge um contrato de aproximadamente R$ 9,8 milhões, firmado ainda em 2024, e acrescenta um novo capítulo a uma obra que já passou por ampliação de prazo antes de ser oficialmente paralisada.

A decisão consta na edição desta quinta-feira (17) do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande). A Ordem de Paralisação nº 09/2026, da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), foi formalizada em 28 de agosto e determinou que os trabalhos fossem interrompidos a partir de 1º de setembro.

A empresa responsável é a HF Engenharia e Construções Ltda., contratada para executar obras de infraestrutura para pavimentação do Complexo Centro-Oeste , Ramez Tebet, Etapa C, Jardim das Macaúbas e Jardim Campo Nobre. A determinação está vinculada ao Contrato nº 340/2024. 

Um dos principais pontos ainda sem resposta é justamente o motivo da paralisação. O ato publicado pela administração municipal determina a interrupção, mas não apresenta, no próprio extrato, justificativa para a medida.

Também não informa o percentual atualmente executado nem estabelece uma data para que as máquinas retornem às ruas. 

Quem passa atualmente pela região encontra sinais de que os serviços previstos ainda não foram totalmente concluídos.

Em algumas vias, apesar da presença de pavimentação, é possível observar trechos sem meio-fio e outros acabamentos de infraestrutura, cenário que reforça os questionamentos sobre o estágio em que a obra se encontrava quando foi determinada a paralisação. 

Obra começou com contrato milionário

O projeto remonta a 2024. A HF Engenharia venceu a concorrência realizada pelo município com proposta de aproximadamente R$ 9,8 milhões, abaixo do orçamento estimado para a contratação, que estava na casa dos R$ 10,8 milhões.

O pacote foi planejado para levar infraestrutura e pavimentação a 23 vias localizadas nos três bairros, na Região sul da Capital.

Entre as vias contempladas pelo projeto aparecem as ruas Alberto Teixeira, Almiro Nunes da Rocha, Antônio Nelson de Souza, dos Canutos, Martinez, Tamanduateí e Wanda.

A relação também inclui as travessas Benedito Gardial Filho, Geraldo Pereira de Oliveira, Jovita Pedroso da Cunha, Lúcio Alexandre, Ladislau Antunes da Rosa, Manoel Pedro da Cunha, Severino José de Souza, Rachid Abes, Abdon Bunazar, Francisco Bucker e Aristidia Ennes Bucker, além das vias Fidélis Bucker, Francisco da Gama Ennes, Eneas Francisco Bello, Olivério Rodrigues da Luz e Castorina Rodrigues da Luz.

A expectativa, quando o contrato foi celebrado, era de que os trabalhos fossem realizados em 270 dias. O projeto também tem participação de recursos federais destinados às intervenções na região.

A pavimentação desses bairros integra uma demanda antiga de moradores, principalmente em áreas onde a falta de asfalto interfere no deslocamento e se torna ainda mais sentida durante os períodos de chuva e seca.

Prazo já havia sido ampliado

A paralisação não é a primeira alteração no cronograma original. Em 2025, a administração municipal autorizou um termo aditivo que prorrogou por mais 120 dias o prazo de execução.

Com isso, o período estabelecido naquela alteração contratual passou de 20 de julho a 16 de novembro de 2025.

A extensão correspondia a aproximadamente quatro meses adicionais para a realização dos serviços. Mesmo depois desse período, porém, o contrato permaneceu em andamento administrativamente.

Em 2026, houve inclusive mudança na fiscalização responsável pelo acompanhamento dos trabalhos.

Agora, quase dois anos depois da contratação, a Prefeitura publica uma ordem determinando a paralisação da execução.

A sequência coloca no centro da apuração a situação atual do empreendimento: quanto efetivamente foi executado, quanto já saiu dos cofres públicos e quanto ainda falta para que todas as ruas previstas recebam as intervenções contratadas.

Moradores ainda aguardam conclusão

Além do tamanho do investimento, a quantidade de vias incluídas torna a paralisação relevante para quem vive na região.

O projeto alcança bairros localizados na região sul de Campo Grande e envolve não apenas a colocação de asfalto, mas serviços de infraestrutura necessários à urbanização das vias.

No caso do Ramez Tebet, o contrato contempla a chamada Etapa C. Outras etapas de infraestrutura do bairro já haviam sido executadas anteriormente.

No Jardim das Macaúbas, a reivindicação por pavimentação é ainda mais antiga. A melhoria de vias da região já apareceu entre demandas apresentadas pela população ao poder público municipal em anos anteriores.

Com a nova decisão, entretanto, o Diário Oficial não estabelece quando os serviços deverão ser retomados.

 Prefeitura movimenta recursos para infraestrutura

A paralisação também ocorre no momento em que a Prefeitura promove alterações no orçamento da área de infraestrutura.

Na mesma edição do Diogrande, o Executivo abriu R$ 5,68 milhões em crédito suplementar, por meio de remanejamento de dotações. Desse total, aproximadamente R$ 2,65 milhões são movimentados entre ações da Sisep e cerca de R$ 3,03 milhões envolvem dotações da Agetran.  

A publicação, porém, não estabelece relação direta entre esse remanejamento e a obra paralisada nos três bairros.

Motivo da paralisação ainda precisa ser esclarecido

A ordem publicada pela Sisep deixa uma série de questões em aberto. Entre elas estão o motivo que levou à interrupção, o percentual físico já executado, o montante efetivamente pago à HF Engenharia, quais das 23 vias tiveram os trabalhos concluídos e quantas permanecem pendentes.

Também falta esclarecer se a decisão decorre de questões financeiras, técnicas ou administrativas, se houve algum problema no cumprimento do cronograma e se haverá necessidade de novo aditivo contratual.

Outro ponto é saber quando as obras serão retomadas e qual é a nova previsão para conclusão.

O Correio do Estado procurou a Prefeitura de Campo Grande para obter esclarecimentos sobre os motivos da paralisação e a situação atual do contrato.  Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

temporal em IVINHEMA

"Mais louco" volta a usar caos para faturar views e atacar rivais

Dezenas de casas foram danificadas por temporal e logo cedo o prefeito Juliano Ferro gravou vídeo em uma delas. Em 2024 ganhou 190 mil seguidores nas cheias do RS

09/10/2026 13h15

Rajadas de vento chegaram a 79 km/h, segundo o CEMTEC, e provocaram série de estrados no sul de MS

Rajadas de vento chegaram a 79 km/h, segundo o CEMTEC, e provocaram série de estrados no sul de MS

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Um temporal danificou dezenas de imóveis na cidade de Ivinhema, cidade a 190 quilômetros ao sul de Campo Grande, e no distrito de Amandina na madrugada desta sexta-feira (9). E o prefeito Juliano Ferro (PL), que se identifica como “o mais louco do Brasil”, rapidamente aproveitou o cenário de caos para garantir adesão em suas redes sociais e para criticar rivais políticos.

Em 2024, durante as cheias no Rio Grande do Sul, o prefeito conquistou dezenas de novos seguidores após publicar dezenas de vídeos durante a catástrofe climática.

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (CEMTEC), a velocidade das rajadas de vento em Ivinhema atingiu 79 quilômetros por hora e a chuva durante a madrugada somou 31 milímetros. Ao longo da manhã, porém, a chuva voltou a cair.

E, logo nas primeiras horas do dia o prefeito youtuber, que tem mais dois milhões de seguidores nas redes sociais, gravou um vídeo em uma das casas destelhadas para informar que estava começando a tomar providências para socorrer as famílias.

Em meio às promessas de socorro, aproveitou para alfinetar a administração petista do Governo Federal. Dizendo ter certeza que receberia ajuda do governador Eduardo Riedel (PP), seu aliado político, disse que recentemente pediu ajuda ao Governo Federal e “infelizmente não nos atendeu”.

Antes de concluir o vídeo, que foi gravado sob chuva por sua equipe de assessoria, aproveitou o cenário para atacar aqueles que chama de seus críticos. “Não tô vendo nenhum crítico, nenhum filho da peste que fica falando tá aqui. Enquanto isso a gente tá aqui fazendo o movimento. Só sabem falar”. Confira: 

Logo nas primeiras duas horas o vídeo já estava com 137 mil visualizações, cerca de 9 mil curtidas, mais de 700 comentários, 300 compartilhamentos e mais de 50 salvamentos.

Embora em sua grande maioria elogiosos ao prefeito Juliano Ferro, os comentários seguiram o tom do discurso do prefeito. Dezenas deles criticando aqueles que ousam questionar o estilo administrativo do prefeito, ataques ao Governo Federal e discursos em defesa de Flávio Bolsonaro. As vítimas do temporal foram praticamente ignoradas pela maior parte dos seguidores do “mais louco”.

A estimativa inicial era de que pelo menos 40 casas tenham sido danificadas pelo temporal, sendo três delas, na zona rural, praticamente destruídas. A casa simples que serviu de cenário para mostrar que ele estava “no movimento” em meio à chuva teve o telhado completamente arrancado.

Esta não foi a primeira vez em que Juliano Ferro utiliza o caos para “faturar” nas redes sociais. Em 2024, em meio à catástrofe das cheias no Rio Grande do Sul, deixou a administração municipal e se juntou a um comboio de caminhonetes rebocando jet skis e foi a Porto Alegre ajudar nos resgates.

Lá, ficou hospedado em um salão de festas de um condomínio de alto padrão e aproveitou a comoção mundial para fazer dezenas de vídeos. A iniciativa turbinou ainda mais suas redes sociais. Antes da viagem, tinha 582 mil seguidores no instagran. Depois da iniciativa, obteve 190 mil novos “fãs”.

Na época, tinha em torno de 900 mil fãs em todas as redes sociais. Hoje, são mais de dois milhões. Em seu perfil, alimentado com ajuda de assessores, publica desde anúncio para rifas de veículos, vídeos motivacionais, detalhes de sua vida familiar e ações da prefeitura. 


 

HOSPITAL REGIONAL

Hospital adia sessões de quimioterapia e vira alvo de MP

Ministério Público encontrou estoque de medicamento zerado e tratamento oncológico suspenso por falta de medicamento

09/10/2026 12h21

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) virou alvo do Ministério Público do Estado (MPE) após adiar, e até suspender, sessões de quimioterapia de seus pacientes, devido a falta de medicamentos e insumos necessários para o tratamento.

A investigação iniciou com uma denúncia que indicou a falha nos atendimentos oncológicos. Com a apuração, o MPE realizou vistorias técnicas na unidade hospitalar, com o apoio do Núcleo de Apoio Especial à Saúde (Naes/MPE), para apontar o que causava a alteração no cronograma dos pacientes e encontrou estoques zerados.

Conforme os autos, além dos medicamentos que não possuíam estoque, alguns que ainda tinham era de cobertura reduzida, ou seja, durariam poucos dias a depender da quantidade de pacientes necessitados. E quanto aos processos para aquisição ou reposição foi constatado a existência, mas ainda estaria em andamento.

Apesar das supostas medidas adotadas, o MPE instaurou o Inquérito Civil para acompanhar a efetividade do abastecimento, por meio da 32ª Promotoria de Justiça.

O objetivo é prevenir que novos desabastecimentos aconteçam, de modo a não comprometer a continuidade do tratamento oncológico, uma vez que a constância nas sessões é crucial para a melhora dos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O MPE ainda solicitou no inquérito que o hospital preste novas informações sobre o status dos estoques, bem como o andamento dos processos de aquisição dos medicamentos e medidas implementadas para evitar ocorrências parecidas.

Também foi solicitado o detalhamento de possíveis impactos nos atendimentos para os pacientes. O órgão agendou ainda uma reunião com representantes do HRMS e da Secretaria de Estado de Saúde (SES) para discutir as soluções e evolução do caso.

O órgão ministerial reforça o direito constitucional da população a saúde, com o acompanhamento dos serviços públicos e adoção de medidas necessárias que garantam assistência aos pacientes na luta contra o câncer.

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