Cidades

MOBILIDADE URBANA

Obra de R$ 2,4 milhões começa a mudar trânsito na Euler com Tamandaré

Reordenamento prevê redução da rotatória, semaforização e alterações no fluxo de cruzamento por onde passam cerca de 12 mil veículos por dia

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As obras de reordenamento viário no encontro das avenidas Euler de Azevedo e Tamandaré começaram nesta quarta-feira (9), em Campo Grande. Com investimento de R$ 2,4 milhões, a intervenção vai reduzir a atual rotatória, alterar movimentos de veículos e implantar semáforos em um dos principais corredores de ligação entre as regiões do Segredo, Imbirussu e Centro.

A ordem de serviço foi assinada nesta manhã pela prefeita Adriane Lopes, autorizando o início imediato dos trabalhos. O prazo contratual é de 12 meses, embora a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) trabalhe com a possibilidade de antecipar a conclusão conforme o avanço das obras.

Segundo o diretor-presidente da Agetran, Ciro Ferreira, aproximadamente 12 mil veículos passam diariamente pelo trecho, que registra lentidão principalmente nos horários de pico. O fluxo e os conflitos existentes entre os diferentes movimentos no cruzamento foram considerados na elaboração do projeto.

“Fico feliz de estarmos aqui hoje dando ordem de reordenamento de uma avenida de grande importância, integrando três regiões: Centro, Segredo e Imbirussu. A Euler de Azevedo e a Tamandaré são avenidas que há muitos anos precisavam dessa transformação”, afirmou Adriane.

Uma das principais alterações será a redução do diâmetro da atual rotatória. Também estão previstas adequações nas calçadas e retornos, melhorias de acessibilidade, pavimentação, drenagem, nova sinalização horizontal e vertical e mudanças nos fluxos de veículos.

Já a semaforização será implantada na etapa final da intervenção.

“A intervenção traz uma diminuição da rotatória, o reordenamento aqui com relação a calçadas, acessibilidade, sinalização, escoamento de água e também mudança de alguns fluxos, alguns conflitos que nós temos hoje e nós vamos procurar reduzir com essas intervenções”, explicou Ciro.

A expectativa é que a nova configuração dê uma maior fluidez ao trânsito e reduza os pontos de conflito entre veículos. Durante o evento, o diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), Rudel Trindade, também destacou a situação atual do cruzamento.

“Realmente é perigoso, você tem que ter habilidade para cruzar essa rotatória, você tem que ter um cuidado”, afirmou.

Ciro informou que a região apresenta um volume considerável de acidentes, mas não apresentou números atualizados durante a coletiva. Segundo ele, também há subnotificação de ocorrências de menor gravidade, principalmente quando as colisões resultam apenas em danos materiais.

Interdições por etapas

Os primeiros trabalhos começaram com a retirada de elementos existentes na rotatória e a preparação de um retorno que permitirá avançar com as próximas etapas.

A Agetran também iniciou a sinalização dos desvios. Conforme a execução avançar, as interdições serão feitas gradualmente para reduzir os transtornos para quem utiliza o cruzamento.

“Conforme o andamento, nós vamos interditando por partes aqui a rotatória, desfazendo os desvios, para que a gente possa trazer o menor transtorno possível para o cidadão que usa essa região”, explicou Ciro.

Mapas indicando os desvios e as rotas alternativas deverão ser divulgados pela agência para orientar os motoristas.

O projeto prevê ainda intervenções para melhorar o escoamento da água no cruzamento. Questionado sobre os alagamentos registrados na Avenida Tamandaré, Ciro explicou que as medidas incluídas nesta obra serão pontuais.

“Nesse ponto aqui nós vamos fazer pequenas intervenções para reduzir isso, para trazer esse conforto para quem está transitando aqui no local”, afirmou.

Intervenções de maior porte no sistema de drenagem dependem de outros projetos da Prefeitura e não estão incluídas neste contrato.

A obra é resultado de parceria entre a Prefeitura de Campo Grande e o Governo de Mato Grosso do Sul, com participação técnica da Agetran e do Detran-MS.

Segundo Rudel Trindade, os R$ 2,4 milhões destinados ao reordenamento são provenientes da arrecadação com multas de trânsito. Ele explicou que esses recursos possuem destinação específica e são aplicados em ações relacionadas ao trânsito, como sinalização, fiscalização e educação.

Esta será a terceira intervenção em rotatórias realizada pelo Detran-MS em parceria com o Município, conforme Rudel. As anteriores ocorreram na Avenida Mato Grosso com a Via Parque e na região da Avenida Três Barras.

As melhorias devem beneficiar diretamente moradores da Vila Nasser, Vila Nossa Senhora das Graças, Santa Luzia, Vila Sobrinho e São Francisco, além de estudantes, comerciantes e motoristas que utilizam diariamente o corredor.

crime ambiental

Usina suspende vertimento das plantas geradas pela poluição da celulose

A empresa Pantanal Energética, alvo de uma série de ações judiciais e investigação do MPMS, diz que suspendeu o vertimento a pedido do Imasul

09/09/2026 12h00

Plantas aquáticas despachadas da usina Mimoso estão se acumulando cerca de 250 quilômetros rio abaixo, próximo a Bataguassu

Plantas aquáticas despachadas da usina Mimoso estão se acumulando cerca de 250 quilômetros rio abaixo, próximo a Bataguassu

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Depois dos protestos por conta da invasão de plantas aquáticas no lago da hidrelétrica de Porto Primavera, na região da foz do Rio Pardo, próximo a Bataguassu, a empresa Pantanal Energética, controladora da Hidrelétrica do Mimoso, suspendeu o vertimento da vegetação e prometeu retirar manualmente o excesso de macrófitas do lago de 1,5 mil hectares em Ribas do Rio Pardo.

A informação consta em um documento assinado em 26 de agosto e enviado pela Pantanal Energética ao Ministério Público em Ribas do Rio Pardo, que no dia 6 de agosto instaurou o que denomina "Notícia de Fato", na qual cobra explicações e propõe um Termo de Compromisso Ambiental para um combate mais eficaz das plantas aquáticas que desde o começo de 2025 tomam conta do lago.

Neste documento, a empresa responsável pelo lago informa que suspendeu o vertimento das plantas a pedido do Imasul, que desde 28 de outubro do ano passado havia autorizado que a empresa abrisse as comportas para despachar o excesso de plantas rio abaixo e assim evitar que o lago da Usina do Mimoso ficasse com mais de 25% da sua área coberta pelas macrófitas.

E, por conta da grande quantidade de plantas despachadas a partir de julho deste ano, elas formaram uma grande mancha verde cerca de 250 quilômetros depois da usina, já próximo a Bataguassu, numa região onde o Rio Pardo volta a ficar represado pelo Rio Paraná. Lá, por sua vez, elas seguem se desenvolvendo, já que a água poluída do Rio Pardo, com fatura de nutrientes, é a mesma.

Em um documento anexado pela Pantanal Energética à Notícia de Fato, a empresa informou que possivelmente estas plantas morreriam e seriam dissolvidas pelas corredeiras do Rio Pardo antes de chegarem ao lago de Porto Primavera. Esta teoria, porém, não se confirmou e as plantas seguem crescendo.

Após o surgimento da mancha verde em Bataguassu e da reação dos moradores da região, a promotoria de Bataguassu protocolou, no dia 27 de agosto, uma ação judicial exigindo a imediata suspensão dos vertimentos, o recolhimento das plantas e punição de R$ 10 milhões contra a Pantanal Energética por conta de suposto crime ambiental. Até agora, porém, o pedido de liminar não foi julgado.

DEMORA

A Notícia de Fato foi aberta pelo Ministério Público de Ribas do Rio Pardo um dia depois de vir a público um relatório do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) apontando que a proliferação das plantas é resultado, principalmente, do excesso de nutrientes (fósforo) despejado pela fábrica de celulose da Suzano.

Diariamente a empresa joga em torno de 206 milhões de litros de esgoto no Rio Pardo e o relatório do Imasul revela que antes do despejo destes rejeitos, a quantidade de fósforo na água é de 90 partículas por miligrama de água. Depois, esta quantidade chega a até 3.037, o que é 30 vezes acima do tolerável. O ideal, diz o relatório, é que um rio tenha apenas 10 partículas deste nutriente.

O mesmo relatório diz também que antes do despejo deste rejeitos a poluição do Rio Pardo está no nível três, considerado tolerável pela legislação ambiental. Após receber o esgoto da fábrica de celulose, o rio passa para o nível seis de poluição, o pior possível.

O estudo do Imasul foi concluído em 25 de agosto do ano passado, mas veio a público somente um ano depois para atender a uma cobrança da câmara de vereadores de Ribas do Rio Pardo, feita ainda em maio do ano passado, quando o proliferação das plantas começou surgir.

A Notícia de Fato da promotoria de Ribas do Rio Pardo anexou o relatório na investigação, mas cobrou explicações somente à Pantanal Energética. Até agora, apesar das evidências apontando que o responsável pela poluição do lago e a consequente proliferação das plantas é a indústria de celulose, a promotoria não solicitou explicações à Suzano nesta investigação.

O mesmo ocorreu com a ação judicial proposta pela promotoria de Bataguassu. O relatório do Imasul era de conhecimento público desde o dia 5 de agosto, mas na ação judicial proposta em 27 de agosto o promotor se ateve somente a exigir punição à responsável pelo vertimento das plantas, embora ela não tenha influência sobre a qualidade da água que represa.

O lago do Mimoso existe desde 1971 e o drama das plantas aquáticas ocorre desde março do ano passado, um pouco mais de seis meses depois da ativação da fábrica de celulose, que opera desde julho de 2024 e recebeu investimentos da ordem de R$ 22 bilhões. Maior fábrica de circuito único do mundo, ela produz 2,55 milhões de toneladas por ano.

METEÓRICO

No documento enviado pela Pantanal Energética ao MP, a empresa informa que as plantas crescem de forma meteórica. “O crescimento expressivo teve início em março de 2025, com rápida expansão em abril daquele ano. O monitoramento por sensoriamento remoto registrou cobertura de aproximadamente 2% do reservatório em 07/04/2025: 10,31% em 30/04/2025;  e 23,59% em 02/06/2025, seguida de redução para 12,77% em 08/06/2025”, diz o documento da empresa.

Esta redução no começo de junho do ano passado ocorreu porque a empresa começou a retirar manualmente as plantas, utilizando para isso uma retroescavadeira e dois barcos. Neste período, informa a concessionária, foram retirados 351 metros cúbicos de plantas, que foram transformadas em fertilizante natural, informa a empresa.

Mais adiante, porém, o Imasul autorizou que a controladora da usina despachasse as plantas rio abaixo, o que acabou provocando agora o desequilíbrio constatado na região de Bataguassu, já que em julho deste ano ocorreram vários vertimentos. Cerca de 18% do lago estavam tomados pelas plantas. No começo de agosto, este percentual caiu para 12%, segundo informação da Pantanal Energética.

Assim como o MPE, a própria Pantanal Energética, que tem licença para operar a hidrelétrica somente até 14 de feveriro do próximo ano, faz questão de manter a política da boa vizinhança com a gigante da celulose e não faz referência explícita à Suzano como provável causadora da poluição e do crescimento da vegetação flutuante. Porém, recorta uma série de trechos do relatório do Imasul que citam a Suzano e anexa em sua defesa enviada ao MPE.

Novo lar

TJMS oferece curso para adoção tardia

Iniciativa busca ampliar as possibilidades de adoção e oferece preparação para pessoas interessadas em acolher crianças e grupos de irmãos

09/09/2026 11h40

FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Encontrar uma família para crianças maiores, adolescentes e grupos de irmãos é um dos desafios da adoção. Para ampliar essas possibilidades, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) mantém o Programa Aproximando Vidas, que apresenta, por meio de uma plataforma on-line, perfis de crianças e adolescentes aptos para adoção a pessoas interessadas em formar uma família.

A iniciativa também oferece preparação aos pretendentes. Entre 1º de outubro e 30 de novembro, será realizado o curso remoto “Preparação à Adoção: Nasce uma Família”, promovido pela Escola Judicial de Mato Grosso do Sul (Ejud-MS), em parceria com a Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJMS.

As inscrições estarão abertas de 16 a 27 de setembro. Com duração de 60 dias, o curso terá oito turmas e será dividido em sete módulos, com videoaulas, materiais de leitura, atividades interativas, fóruns de discussão e questionários avaliativos. Magistrados e servidores do Judiciário sul-mato-grossense atuarão como formadores e tutores.

A importância da preparação e da abertura para a adoção tardia aparece na história de Ana Beatriz, de 33 anos, e Marcos, de 30. Em abril de 2024, o casal passou a viver com duas irmãs de Paranaíba, então com 11 e 12 anos. Hoje, as meninas moram com eles no Pará.

Inicialmente, o casal havia indicado preferência por crianças de até sete anos, mas também demonstrou disposição para acolher uma criança maior. 

As irmãs estavam na chamada busca ativa, estratégia usada para encontrar famílias para crianças e adolescentes que enfrentam mais dificuldades de adoção, especialmente por causa da idade ou por pertencerem a um grupo de irmãos.

A aproximação começou por chamadas de vídeo e durou cerca de um mês, até o primeiro encontro presencial. Depois, veio a adaptação a uma nova casa, estado, escola, rotina e regras. As meninas também apresentavam dificuldades para dormir e acordavam várias 
vezes durante a madrugada.

“A gente teve que ir passinho por passinho, evoluindo junto com elas”, relata Ana Beatriz.

Para o casal, o vínculo foi construído gradualmente. “Quando a gente entende que a adoção não é sobre o que eu quero, mas sobre o que eles precisam, a visão muda”, afirma.

A família também descobriu que a adoção tardia não significa perder as primeiras experiências. As irmãs tiveram, ao lado dos pais, a primeira ida à praia, o primeiro passeio a um parque aquático, a primeira reunião escolar e o primeiro Dia das Mães e dos Pais na escola.

“Muitas pessoas têm medo porque não vivem as primeiras vezes, mas nós vivemos muitas primeiras vezes com elas”, diz Ana Beatriz.

A experiência ajudou a desconstruir o mito de que crianças maiores não conseguem criar vínculos. Para Ana Beatriz, elas desejam amar e ser amadas, mas precisam de tempo, segurança e adultos dispostos a permanecer.

“O amor na adoção nasce de fora para dentro. Você decide amar, depois você sente. Então você ama por decisão, depois você ama por sentimento”, explica.

A história das irmãs mostra que a adoção tardia não apaga o passado nem elimina os desafios, mas pode abrir espaço para uma nova trajetória, construída com cuidado, presença e afeto.

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