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saúde indígena

ONG de MS recebeu R$ 147 milhões nos últimos 4 anos para cuidar dos yanomami

A Missão Evangélica Caiuá, que tem sede em Dourados, recebe recursos do Ministério da Saúde para atuar na região desde 2014

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A organização não governamental (ONG) sul-mato-grossense Missão Evangélica Caiuá também recebe recursos financeiros para atuar no Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI Yanomami) desde 2014. Só nos últimos quatro anos, foram R$ 147.917.816,61 de verba disponibilizada para atuar na região. 

A organização esperava aproximadamente R$ 34 milhões a mais de investimento, o que totalizaria mais de R$ 182 milhões, que deveriam ser usados para, segundo a ONG, contratação de profissionais para atuar na área da saúde. 

O valor investido na saúde indígena durante o último governo federal também foi menor. De 2014 a 2018, a Missão Caiuá recebeu o total de R$ 196.531.219,16, segundo o portal de Transparência, para atuar no DSEI Yanomami, cerca de R$ 48 milhões a mais. 

O portal informa também que a verba enviada para a ONG visa a promoção da atenção integral aos povos indígenas, por meio de ações de saneamento ambiental, projetos, implantação e acompanhamento do programa de monitoramento da qualidade da água e da política de resíduos sólidos, apoio ao fortalecimento do controle social e da educação, estruturação e acompanhamento de obras. 

No entanto, a atual realidade da Terra Indígena Yanomami é diferente do previsto pelo Ministério da Saúde, que é quem envia o recurso para as instituições de caráter assistencial de saúde que atuam nas comunidades indígenas em todo o País, entre elas, a Missão Caiuá. 

Após denúncias de que atividades ilegais de garimpeiros estariam contaminando os rios da região, o atual governo federal enviou para a Terra Indígena Yanomami técnicos do Ministério da Saúde, que comprovaram a situação crítica dos indígenas. 

Crianças e idosos desnutridos, grande parte bem abaixo do peso recomendável para as faixas etárias, aumento de casos de malária, infecção respiratória aguda e outras doenças. Os indígenas estavam sem receber nenhum tipo de assistência médica. 

A situação grave levou o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhado de alguns ministros, a visitar o local para conhecer a situação dos yanomami.

No dia 20 de janeiro, foi publicada, em edição extra do Diário Oficial da União, uma portaria que decreta emergência em saúde pública de importância nacional para combater a desassistência sanitária da região. 

AVISOS ANTERIORES 

Denúncias a respeito da situação do povo yanomami são feitas desde 2020. O Supremo Tribunal Federal (STF) informou, no dia 26 de janeiro, que há indícios de descumprimento de determinações da Corte a respeito do plano de expulsão de garimpeiros e madeireiros de sete terras indígenas em Roraima, entre elas, a Terra Indígena Yanomami. 

O STF já havia solicitado também o envio de alimentos, medicamentos, combustíveis e uso de força policial para proteger os locais. Um outro processo, também movido pela Corte, visava a proteção dos indígenas contra a Covid-19. 

Além disso, segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo, o Tribunal de Contas da União (TCU) deixou em espera, por mais de um ano, uma proposta de investigação, feita pelo ministro Vital do Rêgo e aprovada em plenário, para fiscalizar a assistência oferecida pelo governo federal ao povo yanomami. 

O pedido foi enviado no dia 24 de novembro, e apenas no dia 25 de janeiro, quando a presidência da Corte determinou a abertura imediata de uma auditoria, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), a solicitação foi retomada. 

Vital do Rêgo também determinou, em março de 2022, que a Secretaria-Geral de Controle Externo (Segecex) do TCU adotasse medidas necessárias para a inclusão da auditoria no plano de fiscalização da Corte. Essa medida também só foi retomada neste ano. 

DESMATAMENTO ILEGAL 

O desmatamento ilegal também ocorre na Terra Indígena Yanomami. De acordo com o levantamento da Hutukara Associação Yanomami, de outubro de 2018 a dezembro de 2022, a derrubada de árvores, resultante do garimpo ilegal na região, registrou um aumento de 309%. 

Além disso, o presidente da Urihi Associação Yanomami, Junior Yanomami, comenta que o problema do garimpo ultrapassa a questão ambiental e é a raiz de outras questões, como o bloqueio ao atendimento de saúde. 

Saiba: O governo federal informou, na segunda-feira, que recursos do Fundo Amazônia serão usados para apoiar a ação humanitária junto ao povo indígena yanomami, que enfrenta grave crise sanitária desencadeada pelo garimpo ilegal na região.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, fez o anúncio durante entrevista coletiva ao lado da ministra alemã de Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Svenja Schulze.

Ambas firmaram a liberação de 35 milhões de euros para o Fundo Amazônia. A doação integra um pacote de R$ 1,1 bilhão destinado a ações ambientais no Brasil, anunciado pelo governo alemão.

Criado em 2008, o Fundo Amazônia foi desativado em 2019, logo no primeiro ano da gestão passada.

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Justiça

Homem é retirado do STF após tentar entrar dizendo ser "imperador"

Ele proferia frases desconexas e não chegou a ser preso

08/10/2026 21h00

Foto: Divulgação / STF

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Um homem foi contido nesta quinta-feira (8) pela equipe de segurança do Supremo Tribunal Federal (STF) após tentar entrar no edifício-sede da Corte, onde está localizado o plenário.

O episódio ocorreu após ele se aproximar da marquise do prédio e começar a proferir frases desconexas. O homem se identificou como "imperador das Forças Armadas do Brasil".

Segundo o STF, ele não chegou a ser preso e foi conduzido para a parte externa do tribunal.

Na semana passada, o Supremo registrou uma tentativa de invasão. Um homem foi preso pela Polícia Judiciária, que realiza a segurança interna do STF, ao tentar pular as grades que fazem a proteção do edifício-sede.

O esquadrão antibomba da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) precisou ser chamado após o homem jogar uma mochila em uma parada de ônibus localizada em frente ao Supremo.

Após a realização do trabalho de varredura, a PM descartou a presença de explosivos.

Justiça

Moraes determina emissão de mandado de prisão contra Eduardo Bolsonaro

Pena foi definida no processo do tarifaço contra exportações do Brasil

08/10/2026 20h00

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes

Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes Divulgação/STF

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (8) a expedição de um mandado de prisão contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

A medida foi determinada após o ministro mandar executar a condenação de Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A pena foi definida no processo que trata do tarifaço do governo de Donald Trump contra as exportações brasileiras.

Moraes também determinou o cancelamento dos passaportes do ex-parlamentar.

Na prática, Eduardo não deve cumprir a pena enquanto estiver no exterior. O ex-deputado é aliado de Trump, e um eventual pedido de extradição dificilmente será cumprido pelo governo norte-americano.

Ao determinar as medidas, Moraes decretou o trânsito em julgado da ação penal em que Eduardo foi condenado pelo STF, ou seja, o fim da possibilidade de apresentação de recursos.

No mês passado, a Primeira Turma do Supremo rejeitou o recurso protocolado pela Defensoria Pública da União (DPU) para anular a condenação.

O ex-deputado não apresentou defesa particular e foi defendido pelo órgão.

Em junho deste ano, o colegiado concordou com a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e entendeu que há provas para concluir que o ex-deputado articulou o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras para tentar evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.

Além disso, outras medidas, como a revogação dos vistos de ministros da Corte e do governo federal e a aplicação das sanções econômicas da Lei Magnitsky, também tiveram o mesmo objetivo, conforme o entendimento da Corte. 

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

Abandono e perda do cargo de escrivão 

Em setembro deste ano, o Ministério da Justiça e Segurança Pública demitiu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal, por abandono de cargo. 

A decisão, publicada na edição de 21 de setembro do Diário Oficial da União, tem como base processo administrativo disciplinar que concluiu pela ocorrência de faltas injustificadas por período superior a 30 dias consecutivos.

Segundo a portaria, a demissão teve por base a Lei nº 15.047, de 2024, que prevê a penalidade para casos de abandono de cargo. 

Eduardo Bolsonaro integrava o quadro de pessoal da Polícia Federal e estava afastado da função para exercer mandato eletivo na Câmara dos Deputados.
 

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