Cidades

POLÍCIA

Outro advogado é preso em ação contra tráfico com conivência de policiais

Desdobramento da Operação Snow prende preventiva mais um advogado, acusado de obstrução à Justiça, apontando com o papel estratégico de "blindador" de integrantes da quadrilha

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Mesmo após quase dois anos a chamada "Operação Snow" segue rendendo desdobramentos, já que desde a última sexta-feira (09) mais um advogado foi preso acusado de "embaraçar as investigações" que buscam desmantelar uma quadrilha especializada no tráfico de drogas interestadual que contava com a conivência de policiais encarregados do "frete seguro". 

Segundo informado recentemente pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, em nota divulgada ontem (19), através do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPMS) o MPMS ofereceu denúncia contra um advogado pelo crime de obstrução à Justiça. 

Isso porque, quando o profissional foi alvo de busca e apreensão teria, inicialmente, resistido em entregar seu aparelho telefônico de uso cotidiano, questionando até mesmo a legalidade da medida judicial. 

O Ministério reforça que o advogado teve seus questionamentos rejeitados pela 3ª Vara Criminal de Campo Grande, sendo inclusive advertido sobre as consequências penais do descumprimento. Até o dia 19 de fevereiro do ano passado, quando compareceu à sede do Gaeco para entregar seu celular. 

Porém, segundo o Ministério Público, as análises técnicas reforçaram que o advogado agiu de forma deliberada para impedir o acesso da Justiça a provas fundamentais, já que o aparelho entregue em questão não tinha qualquer registros de uso cotidiano, "como fotos, vídeos ou histórico de mensagens e navegação", cita o MPMS, faltando desde o cartão de memória até o chip do celular. 

Em complemento, o Ministério frisa que, para os Promotores de Justiça do Gaeco/MPMS, a manobra foi uma clara tentativa de "dissipação probatória": "visando esconder conversas que ligariam o advogado a líderes da organização criminosa e a esquemas de corrupção de agentes públicos", diz o texto. 

"A denúncia reforça que a conduta de ocultar o aparelho real e entregar um dispositivo 'limpo' configura o crime previsto no artigo 2.º, § 1.º, da Lei n.º 12.850/13. A pena prevista é entre 3 e 8 anos de reclusão", aponta o texto do MPMS. 

Nomes na Operação Snow

Conforme levantado nas investigações, esse advogado preso há menos de duas semanas teria um "papel estratégico" na quadrilha, que ultrapassavam os limites da prestação convencional dos serviços advocatícios, já que os relatórios da inteligência apontam ele como o "blindador" de certos integrantes. 

Pelo documento, é indicado que esse profissional do direito seria responsável inclusive por intermediar o pagamento da propina paga aos policiais, para que os mesmos liberassem os diversos carregamentos contrabandeados nacionalmente. 

Até os últimos desdobramentos da Operação Snow, feitos em agosto do ano passado, os 16 réus condenados até então já somavam penas de 145 anos de reclusão, além de multas que já beiravam a casa dos duzentos mil reais. 

Essa operação, cabe lembrar, teve sua primeira fase deflagrada em 26 de março de 2024, cumprindo 21 mandados de prisão preventiva e 33 de busca e apreensão. Já na segunda etapa, desdobrada em 15 de janeiro do ano passado - como bem acompanha o Correio do Estado -, resultou em 9 mandados de prisão preventiva e 19 de busca e apreensão. 

Justamente essa segunda etapa foi responsável por identificar novos integrantes, entre eles os advogados que agiam diretamente corrompendo servidores públicos, fase em que as investigações também confirmaram a "natureza violenta" das disputas internas, resolvidas por meio de sequestros e supostas execuções. 

Para além dos 16 condenados, pelo menos 19 pessoas foram denunciadas no âmbito da Operação, sendo: 

  • Joesley da Rosa (apontado como o líder da organização criminosa)
  • Ademar Almeida Ribas (Pitoco)
  • Antônio César Jesuíno
  • Claudeir da Silva Decknes (Bidu)
  • Diego Fernandes Silva
  • Emerson Correa Monteiro
  • Felipe Henrique Adolfo
  • Gustavo Cristaldo Arantes
  • Jessika Farias da Silva
  • Lais da Silva dos Santos
  • Lucas Rineiro da Silva (Luquinhas)
  • Luiz Paulo da Silva Santos (LP ou Soneca)
  • Marcio Gimenez Acosta
  • Michael Guimarães de Bairros
  • Mikeli Miranda de Souza
  • Oscar José dos Santos Filho
  • Rodney Gonçalves Medina
  • Rodrigo de Carvalho Ribas
  • Vlandon Xavier Avelino
  • Vitor Gabriel Falcão Pinto
  • Wilson Alves Bonfim

Antônio César Jesuíno e Vlandon Xavier Avelino, ambos advogados, eram responsáveis por blindar os integrantes da quadrilha. Além do serviço jurídico, eles tinham a função de corromper servidores públicos para a obtenção de informações privilegiadas e monitoramento das cargas, e também eram conselheiros de outros assuntos sensíveis.

Gustavo Cristaldo de Arantes é escrivão de Polícia Civil e era responsável por fazer checagens em bancos de dados sigilosos, municiando a organização com informações privilegiadas, mediante o recebimento de propina.

Mikeli Miranda de Souza - esposa de Joesley, Jessika Farias da Silva e Lais da Silva dos Santos, auxiliava nas atividades recebendo e realizando, em suas contas particulares, transações bancárias de valores oriundos do tráfico de drogas.

Lucas Ribeiro da Silva exercia as atividades operacionais, como levar caminhões aos depósitos, providenciar a obtenção de veículos utilizados no transporte de drogas e participar da captação de motoristas.

Rodrigo de Carvalho Ribas era encarregado de organizar o transporte dos entorpecentes, visto que era coordenador de logística em empresa terceirizada dos Correios, que era ilicitamente utilizada pela quadrilha.

Oscar José dos Santos Filho era responsável por desativar, nos caminhões usados pelos grupos, os aparelhos das empresas de transporte que emitem sinais de geolocalização, para impedir o rastreamento durante o transporte da droga, além de instalar GPS nos caminhões para que o chefe do grupo acompanhasse a movimentação.

Emerson Correa Monteiro e Diego Fernandes Silva atuavam como facilitadores, investindo altas quantias de dinheiro para custear as cargas de drogas transportadas pelo grupo.

Claudeir da Silva Decknes , Felipe Henrique Adolfo e Michael Guimarães de Bairros tinham a função de motorista, tanto como transportadores quanto como batedores.

 

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PREVENÇÃO

Secretaria de Saúde distribui mais de 1 milhão de preservativos no Carnaval de MS

Estratégia para cuidar dos foliões inclui também gel lubrificante e reforço na testagem rápida

14/02/2026 15h30

Os preservativos externos distribuídos serão 738.400 unidades Sensi e 640.800 unidades Tex

Os preservativos externos distribuídos serão 738.400 unidades Sensi e 640.800 unidades Tex Divulgação

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Com as comemorações do Carnaval marcadas pela circulação de pessoas e das interações sociais, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) intensificou a distribuição de preservativos e outros insumos, além da oferta de testagem, para fortalecer as estratégias de enfrentamento às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em Mato Grosso do Sul.

Para este Carnaval, foram distribuídos 1.379.200 preservativos externos, sendo 738.400 unidades Sensi e 640.800 unidades Tex. Além disso, também foram ofertados 123.299 preservativos internos e 97.100 unidades de gel lubrificante.

A iniciativa, coordenada pela gerência de IST/Aids e Hepatites Virais, tem como foco garantir acesso facilitado aos métodos de proteção e fortalecer a rede de cuidado nos municípios.

Já com a testagem rápida, a SES distribuiu 14.325 testes rápidos de HIV (T1), 1.375 testes confirmatórios (T2), 15.200 testes de sífilis, 10.475 testes de hepatite B, 12.300 testes de hepatite C e 1.100 autotestes de HIV, ampliando a capacidade de diagnóstico oportuno durante o período.

Segundo a gerente de IST/Aids e Hepatites Virais da SES, Larissa Martins, o Carnaval é também um momento estratégico para ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde.

“O uso do preservativo continua sendo a principal forma de prevenção das ISTs e deve estar presente em todas as relações sexuais. Quando garantimos a distribuição adequada e fortalecemos a testagem, ampliamos a autonomia das pessoas para que vivenciem esse período com responsabilidade e segurança”, afirma.

Sistema Único de Saúde

Além dos preservativos e da testagem, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza estratégias complementares de prevenção ao HIV.

A Profilaxia Pré-Exposição, ou apenas PrEP, é indicada para pessoas com maior vulnerabilidade e reduz significativamente o risco de infecção pelo vírus.

Já a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é uma medida de urgência, que deve ser iniciada em até 72 horas após uma situação de risco, como relação sexual desprotegida.

A PEP está disponível gratuitamente na rede pública de saúde e pode ser acessada por qualquer pessoa que tenha tido exposição de risco. Em caso de dúvida ou situação de vulnerabilidade, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação, realização de testes e início das medidas indicadas.

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DENÚNCIA

Rapazes relatam agressão e prática de homofobia de guardas civis de Campo Grande

As vítimas disseram aos agentes que aguardavam um veículo de aplicativo, mas um dos guardas se irritou e desferiu um golpe no abdômen de um deles

14/02/2026 14h45

Em depoimento, o rapaz diz que durante a ação, o GCM proferiu ofensas verbais relacionadas à sua sexualidade

Em depoimento, o rapaz diz que durante a ação, o GCM proferiu ofensas verbais relacionadas à sua sexualidade Divulgação/ GCM

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Duas pessoas compareceram na Delegacia de Pronto Atendimento do Centro, em Campo Grande, para relatar um caso de lesão corporal e prática de homofobia por parte de guardas civis metropolitanos.

De acordo com o relato, por volta das 6h deste sábado, os rapazes se encontravam no bar Depieri Beer, localizado na Rua Rui Barbosa, quando uma equipe da Guarda Civil Metropolitana (GCM) chegou ao local e ordenou a dispersão de todos os presentes.

As vítimas esclareceram aos agentes que aguardavam um veículo de transporte por aplicativo e mostraram o celular para comprovar a solicitação da corrida. Segundo o relato, um dos guardas municipais demonstrou irritação e desferiu um golpe com a extremidade do cassetete contra o abdômen de um dos homens.

A vítima, que sofre de gastrite nervosa, disse ter sentido fortes dores e tentado se afastar. Contudo, o agente teria passado a persegui-la, desferindo novos golpes de cassetete que resultaram em escoriações nas costas.

Ainda de acordo com o depoimento do rapaz, durante a ação, o GCM proferiu ofensas verbais relacionadas à sexualidade dele e ordenou, de forma agressiva, que o cidadão deixasse o local imediatamente.

Por fim, a vítima declara que precisou correr para o meio da via pública para fugir das agressões. Logo depois, os dois conseguiram embarcar no veículo de aplicativo que chegou ao local.

Guardas civis demitidos

Na última terça-feira (10), dois guardas civis metropolitanos de Campo Grande foram demitidos do serviço público municipal. A decisão do desligamento de Jackson Alves Ramão e Renne Mendes foi publicada no Diário Oficial Municipal (Diogrande).  

A demissão se deu pelos motivos de “incontinência pública e conduta escandalosa” e “ofensa moral ou física” por casos ocorridos no ano passado. 

Jackson era Guarda Civil Metropolitana Classe Especial e foi demitido em razão de um caso  de agressão contra um jovem de 27 anos morador de rua em junho de 2025, no bairro Morada Verde, em Campo Grande. 

O jovem, conhecido como Bugrinho, foi detido por moradores da região após uma suspeita de furto. Quando os guardas chegaram, em vez de levar o suspeito à delegacia, Jackson e outro guarda agridem o jovem com pisões no rosto, tapas violentos e chutes na cabeça. 

Já Renne Mendes ocupava o cargo de Inspetor da Guarda Civil Municipal e foi demitido por um caso ocorrido no mês de julho do ano passado, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. 

O crime foi gravado por câmeras de segurança e mostram o agente dirigindo uma moto vermelha perseguindo um jovem de 21 anos. Em determinado momento, Renne efetua três disparos contra a vítima, guarda a arma na cintura e continua perseguindo o rapaz. 

De acordo com testemunhas, o guarda estava bebendo em uma conveniência anexa à casa da vítima e iniciou a confusão após uma discussão. 

O afastamento do guarda foi publicado no Diário Oficial na edição do dia 11 de julho de 2025. Com a conclusão do processo, Renne também foi desligado do cargo nesta terça-feira. 

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