Cidades

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Palco de encontros e despedidas por 37 anos

Palco de encontros e despedidas por 37 anos

VÂNYA SANTOS

31/01/2010 - 07h30
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Às 23h40min de hoje sai o último ônibus do Terminal Rodoviário Heitor Eduardo Laburu, no centro da cidade, encerrando assim os 37 anos de atividades, já que ao primeiro minuto de fevereiro entra em funcionamento a Estação Rodoviária Antônio Mendes Canale, na Avenida Gury Marques, região da saída para São Paulo. De acordo com o administrador da antiga rodoviária, Carlos Alberto Laburu, com a saída deste carro as luzes da plataforma de embarque e desembarque de ônibus intermunicipais e interestaduais serão apagadas, o espaço será isolado, a concessão também será encerrada e a área passará a ser de responsabilidade da Prefeitura de Campo Grande, assim como a plataforma de ônibus urbano. “A hora do encontro É também de despedida A plataforma dessa estação É a vida desse meu lugar É a vida desse meu lugar É a vida”. Assim são os versos da composição de Milton Nascimento e Fernando Brant “Encontros e despedidas”. E é assim que a antiga rodoviária marcou a vida de pessoas nessas quase quatro décadas. A construção da rodoviária foi marcada por três momentos importantes antes de sua inauguração, às 20h do dia 16 de outubro de 1976. O primeiro deles ocorreu em 14 de janeiro de 1973 quando o então prefeito Antônio Mendes Canale autorizou o funcionamento da plataforma interurbana, embora menos de um terço de toda a obra tivesse sido concluída. O segundo momento aconteceu em 15 de maio de 1975 quando foi inaugurada a plataforma urbana, na administração do prefeito Levy Dias. A terceira e última fase foi marcada pela entrega dos terminais e condomínio. Durante o lançamento da primeira fase, o professor e jornalista José Barbosa Rodrigues discursou sobre a importância das “velhas, sujas e improvisadas” rodoviárias serem substituídas por uma obra como aquela que ainda estava em construção. Na década de 1940, sem opção, os ônibus de viações como Motta e Baleia, se reuniam para embarque e desembarque em frente ao Hotel Gaspar, localizado no cruzamento da Avenida Calógeras com a Mato Grosso e, as passagens eram vendidas no mesmo espaço onde funcionava a lavanderia do hotel. Obra A construção de todo o complexo durou quase 9 anos – de dezembro de 1967 a outubro de 1976 – e foi então avaliada em aproximadamente 1,5 milhão de cruzeiros. Projeto do arquiteto Adyr de Moura Ferreira, professor da Faculdade de Lins, teve como base construções feitas em São Paulo e Rio de Janeiro e, na ocasião, foi considerado arrojado e moderno. No entanto, posteriormente o prédio precisou ser submetido a reformas para minimizar certos desconfortos que surgiram com o passar dos anos, conforme explicou Carlos Laburu. Nesta época, o local onde atualmente é a região central de Campo Grande era considerado afastado e desvalorizado. O acesso à rodoviária, que foi construída numa chácara, era possível apenas pela Rua Y Juca Pirama, atual Cândido Mariano. Sem a informação precisa de quantas pessoas passaram pela rodoviária desde a inauguração das plataformas, o administrador Carlos disse que somente no período de 1994 a 2008, mais de 11,5 milhões de passageiros utilizaram o serviço de transporte. Hoje, diariamente, cerca de 500 ônibus passam pela rodoviária e o fluxo de pessoas fica em torno de duas mil. Sentimento “É uma sensação estranha de vazio, mas ao mesmo tempo de dever cumprido”, descreveu Carlos Laburu explicando que a rodoviária foi construída para determinada época com divisão do terminal em três pistas e parada ônibus em fila indiana, quando o ideal seria parada em baías. Segundo o administrador, um projeto de revitalização da estação no valor de R$ 1 milhão foi apresentado para autoridades locais, mas “não houve interesse político”. Carlos acredita que se a reforma fosse executada, a rodoviária teria pelo menos mais 15 anos de sobrevida. “Esse sentimento de tristeza e angústia é natural do ser humano. Campo Grande merecia a revitalização dessa ou a construção de uma nova rodoviária porque não é fácil trabalhar assim, mas o prefeito Nelsinho Trad cumpriu seu papel”, ressaltou.

QUEDA

Dengue segue tendência de queda e registra somente dois casos confirmados no ano

Outros 132 casos estão sob investigações, segundo boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES)

17/01/2026 14h00

Mosquito da dengue

Mosquito da dengue Reprodução, Fiocruz

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Seguindo a tendência de queda apresentada a partir de 2023, Mato Grosso do Sul registrou somente dois casos confirmados e 132 em investigação de dengue no primeiro boletim epidemiológico do ano.

Conforme o documento disponibilizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), ambos os casos diagnosticados ocorreram no interior, mais especificamente nos municípios de Chapadão do Sul e Cassilândia.

Enquanto isso, os casos prováveis se concentraram na região central do Estado, principalmente em Sidrolândia (22) e Maracaju (15). Até o momento, Campo Grande está com um caso em investigação.

A cidade com maior taxa de incidência é Sete Quedas, com 81,9, que mesmo com uma pequena população de 10.994 habitantes, registrou nove casos prováveis.

Na distribuição por sexo, os casos prováveis seguem atingindo mais a população feminina, com 53% do total. Já por faixa etária, os adultos de 20 a 29 anos foram os mais afetados, com 29,85% dos casos, seguido pela idade dos 30 a 39 anos (17,16%).

Anos anteriores

Mato Grosso do Sul encerrou o ano de 2025 com 8.461 casos confirmados e 20 mortes por dengue. Boletim epidemiológico foi divulgado nesta segunda-feira (5) pela Secretaria Municipal de Saúde (SES).

Os dados representam uma queda de 47,86% em relação ao número de casos do ano anterior, quando foram confirmados 16.229. As mortes também tiveram queda, passando de 32 em 2024 para 20 no ano passado.

Com relação aos óbitos, oito vítimas eram mulheres e 12 homens, com idades entre 12 e 88 anos. As mortes ocorreram nos municípios de Antônio João, Aparecida do Taboado, Iguatemi, Inocência, Três Lagoas, Nova Andradina, Aquidauana, Dourados, Ponta Porã, Coxim, Paranhos, Itaquiraí, Água Clara, Miranda, Ribas do Rio Pardo e Campo Grande.

Entre as vítimas, nove delas possuíam algum tipo de comorbidade.

Em comparação com anos anteriores, a dengue está seguindo uma tendência de queda, tanto no número de casos quanto nas mortes. Confira:

Mosquito da dengueFonte: SES

Vacinação

Ainda conforme o boletim, 201.633 doses da vacina contra a dengue foram aplicadas na população alvo até o fim do ano.

Ao todo, Mato Grosso do Sul já recebeu do Ministério da Saúde 241.030 doses do imunizante. O esquema vacinal é composto por duas doses com intervalo de três meses entre as doses.

A vacinação contra a dengue é recomendada para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade, faixa etária que concentra o maior número de hospitalização por dengue, dentro do quadro de crianças e adolescentes de 6 a 16 anos de idade.

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LICITAÇÃO

Quatro empreiteiras disputam obra da reforma da ponte no Rio Paraguai

Envelopes foram abertos pela Agesul nesta sexta-feira (16) e, neste momento, leilão está suspenso para análise de documentos de habilitação das empresas

17/01/2026 12h30

Ponte sobre o Rio Paraguai em Corumbá tem graves anomalias, segundo Defesa Civil

Ponte sobre o Rio Paraguai em Corumbá tem graves anomalias, segundo Defesa Civil Foto: Divulgação/Agesul

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Quatro empresas se mostraram interessadas em assumir a reforma da ponte sobre o Rio Paraguai, licitação milionária reaberta pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) nesta sexta-feira (16).

Segundo a ata da licitação, as empreiteiras participantes são: 2SS Construções Ltda, Águia Construtora Ltda, ENGR Engenharia e Consultoria Ltda e Andrade Construções Ltda. Dessas quatro, apenas uma não é sul-mato-grossense, que é a 2SS Construções Ltda, sediada em Barueri (SP).

Após a confirmação do interesse das construtoras, o certame foi suspenso para “análise minuciosa dos documentos de habilitação apresentados pelas empresas participantes”, conforme disse a própria Agesul.

Ainda, a agência reiterou que a presença de todas elas é obrigatória na próxima sessão, que deverá ter sua data publicada no Diário Oficial do Estado (DOE).

Vale destacar que outra empreiteira, chamada Edro Engenharia Ltda, não foi apta a participar do certame, pois não submeteu sua proposta inicial. Com isso, seguindo as regras do edital, “não terá seus documentos de habilitação analisados”.

A licitação está orçada no valor de R$ 11.728.608,10 e tem como objeto “execução de obras de recuperação estruturais da Ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262/MS, no município de Corumbá”. Vai assumir a reforma a empresa que oferecer o menor preço no leilão.

Histórico

No dia 26 de novembro, a Agesul lançou a licitação  para a execução de obras de recuperação estrutural. Os envelopes com as propostas feitas pelas empreiteiras seriam abertos na segunda-feira (15).

No entanto, três dias antes da abertura dos envelopes, foi determinada a suspensão do certame após a equipe técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) identificar “inconsistências e lacunas” em informações como:

  • Caderno de desenhos;
  • Relatório de critérios e especificações técnicas;
  • Verificação estrutural;
  • Projeto de recuperação estrutural;
  • Projeto de sinalização temporária;
  • Plano de execução.

A justificativa para suspender o processo licitatório da reforma da ponte foram inconsistências no Projeto Básico, que podem gerar gastos acima do necessário. Para isso, foi apontada a necessidade de atualização dos dados técnicos.

“Tais inconsistências podem acarretar riscos de sobrepreço, aditivos contratuais futuros e execução inadequada da obra, comprometendo a economicidade e a eficiência, em desacordo com a Lei nº 14.133/2021. Embora o projeto tenha avançado em sua conformidade com a nova Lei de Licitações, as lacunas técnicas e a necessidade de atualização são significativas. Para uma decisão embasada e para mitigar risos futuros, é crucial que as informações complementares e as atualizações necessárias sejam providenciadas e analisadas”, consta no ato.

Diante dos indícios de irregularidades no Estudo Técnico Preliminar (ETP) e no Projeto Básico, o relator, conselheiro Sérgio de Paula, determinou a aplicação de medida cautelar para suspender o processo licitatório até a regularização dos pontos apontados.

Onze dias depois do TCE determinar a suspensão da licitação, a Agesul divulgou a retomada do certame e a abertura dos envelopes da disputa no dia 16 de janeiro, como ocorreu nesta sexta-feira.

Novela

Inicialmente o Governo do Estado previa gastar em torno de R$ 6 milhões na recuperação da estrutura da ponte, que durante mais de um ano ficou parcialmente interditada, com sistema de pare-siga, devido às más condições da pista.

Até setembro de 2022, havia cobrança de pedágio na ponte. Uma pequena fatia da receita era repassada ao Estado e a única obrigação da empresa era fazer a manutenção da estrutura, que tem dois quilômetros e foi inaugurada em 2001.

Porém, em 15 de maio de 2023, a empresa Porto Morrinho encerrou o contrato e devolveu a ponte Poeta Manoel de Barros sem condições plenas de uso, embora tivesse faturamento milionário.

Em 2022, com tarifa de R$ 14,10 para carro de passeio ou eixo de veículo de carga, a cobrança rendeu R$ 2,6 milhões por mês, ou R$ 21 milhões nos oito primeiros meses daquele ano.

No ano anterior, o faturamento médio mensal ficou em R$ 2,3 milhões. Conforme os dados oficiais, 622 mil veículos pagaram pedágio naquele ano. Grande parte deste fluxo é de caminhões transportando minério. A maioria destes veículos têm nove eixos e por isso deixavam R$ 126,9 na ida e o mesmo valor na volta.

Esse contrato durou 14 anos, com início em dezembro de 2008, e rendeu em torno de R$ 430 milhões, levando em consideração o faturamento do último ano de concessão. 

E, mesmo após parar de cobrar pedágio, a Porto Morrinho continuou cuidando da ponte, entre setembro de 2022 até maio de 2023.  Neste período, recebeu indenização milionária, de pouco mais de R$ 6 milhões. 

O pedágio acabou devido ao fim do acordo do governo estadual, que construiu a ponte, com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), já que a rodovia é federal. Porém, o governo federal só aceita receber a ponte depois que estiver em boas condições de uso.

Movimento em alta

Se a licitação finalmente avançar, as obras de reforma da ponte vão coincidir com o provável aumento no tráfego de caminhões pesados sobre a estrutura. É que em primeiro de dezembro foi desativado o transporte ferroviário de minérios entre o distrito de Antônio Maria Coelho e terminal de embarque hidroviário de Porto Esperança. 

Somente nos nove primeiros meses de 2024 a LHG Mining - MRC- Mineração Corumbaense, empresa dos irmãos Joesley e Wesley Batista, despachou 4,2 milhões de toneladas de minério a partir deste terminal.

Praticamente todo o material era levado pela ferrovia. Agora, porém, estes minérios terão de passar pela ponte para chegar ao porto. Se for mantida a média de exportações deste ano, serão em torno de 310 caminhões de 50 toneladas cada diariamente. Além disso, todos eles terão de voltar, ou seja, serão mais de 600 caminhões a mais por dia utilizando a ponte.

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