Em meio às questões de mudanças climáticas e ondas de calor, o outono para Mato Grosso do Sul deve voltar a bater recordes de temperatura, superando médias históricas. Não é somente esse fator que sugere atenção para a população e setores econômicos. A distribuição de chuvas, após análise realizada, deve ficar irregular e ainda apresentar volumes abaixo da média histórica.
Com essas combinações, uma das regiões que apresenta maior risco para revés ambiental é o Pantanal, diante de um maior risco de incêndios florestais para o período de outono, que começa hoje, às 10h45min(horário de MS), além do fato de seguir sem suas cheias características.
Esse estudo de previsão climática foi desenvolvido pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) e distribuído para órgãos públicos e instituições de diferentes setores econômicos para gerar planejamento estratégico. Os dados analisados levam em consideração o sistema ensemble do programa europeu Copernicus.
Outro cenário também desenhado a partir desses indicativos climatológicos é que está afastada qualquer previsão para haver cheia no Pantanal neste ano. A última grande elevação das águas do Rio Paraguai aconteceu há 8 anos, ou seja, em 2018.
Desde então, os níveis têm oscilado muito e o maior registro de aumento da bacia ocorreu no dia 18 de julho de 2023, quando a régua da Marinha do Brasil, em Ladário, atingiu 4,24 metros. Essa mensuração, que acontece há mais de um século, é considerado o “termômetro” para cheias e estiagem no território.
Cheias
Picos de inundação no Pantanal
Fonte: Marinha do Brasil – 6º Comando do Distrito Naval, régua em LadárioComo os períodos tradicionais para chuva em Mato Grosso do Sul passaram a ficar mais instáveis, e principalmente isso ocorrendo para a Região do Pantanal, a possibilidade de aumento no índice pluviométrico durante o outono chega a ser um alento.
Essa situação foi registrada em 2025, quando um maior volume de chuvas ocorreu em abril daquele ano. O cenário para este ano não é o mesmo.
“A análise do conjunto de modelos climáticos para o trimestre abril, maio, junho de 2026 indica um cenário de atenção para Mato Grosso do Sul, caracterizado pela irregularidade na distribuição das chuvas e pela expectativa de volumes abaixo da média histórica. Esse deficit hídrico, somado a temperaturas ligeiramente acima do normal, favorece a ocorrência de períodos mais quentes – especialmente em dias de baixa nebulosidade – o que pode comprometer o desenvolvimento das culturas de inverno e reduzir os níveis de rios e reservatórios”, alertou documento do Cemtec-MS, emitido na terça-feira.
A equipe técnica do Centro do Monitoramento, ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), ainda pontuou que as condições climatológicas para os próximos três meses favorecem para aumento de problemas de saúde da população e danos ambientais.
“O calor persistente tende a agravar riscos à saúde pública, aumentando o potencial para doenças respiratórias e favorecendo o aumento da ocorrência e da propagação de incêndios florestais. Ressalta-se que já existem indícios de uma intensificação gradual para o El Niño a partir do segundo semestre de 2026, o que poderá favorecer novos episódios de ondas de calor no Estado”, completou o órgão estatal.
Termômetro
Ranking de maiores temperaturas em MS
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)SEM “ÁGUAS DE MARÇO”
O levantamento pluviométrico para Mato Grosso do Sul ao longo dos primeiros 15 dias de março mostrou que somente dois municípios registraram porcentagem de chuva com saldo positivo: São Gabriel do Oeste (224 mm, 52% do esperado) e Aquidauana (149,2 mm, 19% do esperado).
Outros municípios pantaneiros ficaram com volume de chuva abaixo da média histórica para o período da primeira quinzena de março. Como é o caso de Corumbá (que variou entre 64% e 37% abaixo do esperado, dependendo da região do município, o maior do Estado), Porto Murtinho (variação entre 67% a 24% abaixo do esperado), Miranda (28% abaixo), Coxim (30%).
Outras cidades apresentaram índices ainda mais baixos, como é o caso de Nova Andradina (93% abaixo do esperado), Ivinhema (90% abaixo), Três Lagoas (77% abaixo do esperado).
Para conseguir alcançar essa análise, foram coletados dados do Cemadem, Inmet, Embrapa Agropecuária Oeste, Agência Nacional das Águas (ANA), Semadesc e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
“Nos últimos 7 meses [agosto de 2025 a fevereiro de 2026], a chuva acumulada na bacia [do Alto Pantanal] foi 5% menor que a média histórica para o período de 1998 a 2025. Para os próximos sete dias, o acumulado médio previsto de chuva [Gefs/Noaa] é de 57 mm, com maiores contribuições na região de Cuiabá-MT [106 mm]e volumes menores em Miranda [47 mm].
Esse cenário aponta para manutenção de níveis abaixo da mediana com elevações graduais condicionadas à distribuição espacial das chuvas previstas”, identificou o Serviço Geológico do Brasil (SGB), em boletim divulgado na quarta-feira.


