Cidades

mato grosso do sul

Pantanal já recebeu investida para exploração até de pedras preciosas

Os estudos no bioma em torno da viabilidade para se extrair ouro, somente nos municípios de Corumbá e Ladário, envolvem uma área total de mais de 6,1 mil hectares e totalizam 304 pedidos

Continue lendo...

O Pantanal não é apenas um território de riqueza cênica e natureza exuberante. O bioma é também um grande ativo econômico em termos de potencial de mineração. O ferro e o manganês são as commodities com maior projeção de exploração nesse território. 

Há retirada desses minerais desde o século 19. Já a partir dos anos 2000, outras frentes começaram a buscar outros recursos minerais.

Conforme dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), há mais de 300 requerimentos cadastrados e ativos que envolvem algum tipo de pedido envolvendo estudo ou mesmo autorização para exploração. Essa diversidade de pedidos inclui também a procura por ouro, bem como por pedras preciosas, como o quartzo.

Nessa base de dados abertos da ANM, os estudos no bioma em torno da viabilidade para se extrair ouro, somente nos municípios de Corumbá e Ladário, envolve uma área total de mais de 6,1 mil hectares. A busca por quartzo está restrita a uma região menor, de cerca de 140 hectares. 

Especificamente sobre a exploração de ouro no Pantanal, existem mais de cinco requerimentos ativos de autorização de pesquisa com proposta de uso para o setor industrial. 

A maioria deles pertence à Mineradora Concreluz Ltda., que tem sede em Ribas do Rio Pardo. Os estudos para identificar viabilidade para o negócio estão situados em seis áreas distintas, e apenas uma delas está no município de Bonito, voltada para a mineração de cobre. Os outros pedidos são voltados para atuação em Corumbá. 

Essas pesquisas vêm tramitando na Agência Nacional de Mineração desde setembro de 2021 e tiveram atualização com pedido para continuidade das avaliações em dezembro do ano passado. 
De acordo com andamento disponível para consulta na ANM, houve reabertura de processo agora em janeiro. 

A solicitação de continuidade envolveu até ofício dirigido ao então secretário-executivo do Conselho de Defesa Nacional, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. 

A pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Lisandra Pereira Lamoso, apontou no estudo “A exploração mineral no estado de Mato Grosso do Sul – Brasil” que o interesse econômico em torno de jazidas de riquezas minerais se concentram em território pantaneiro em razão de um histórico de análises.

“As jazidas sul-mato-grossenses estão situadas nos municípios de Corumbá e Ladário, próximo à linha internacional da fronteira Brasil-Bolívia, compondo a formações da Serra do Rabicho, Morro Grande, Serra de Santa Cruz, Morro da Tromba dos Macacos, Serra do Jacadigo e Morro do Urucum. Na topografia da planície do Rio Paraguai, destacam-se essas formações, que são popularmente conhecidas como Morraria do Urucum. Essa região faz parte, política e administrativamente, do estado de Mato Grosso do Sul desde a divisão do estado de Mato Grosso, em 1979, e a área de exploração está na área do Pantanal Sul-Mato-Grossense”, especificou.

QUARTZO

Com relação ao quartzo, as pesquisas para retirada dessa pedra preciosa do Pantanal estão pulverizadas entre diferentes empresas. Em um dos requerimentos ativos, a empresa envolvida ainda tenta a autorização para ampliar os estudos. 

Um desses pedidos é referente a 2022, com despacho mais recente dado em fevereiro deste ano. Nessa documentação, a ANM apontou que as análises no território deveriam ser paralisadas.

Em termos de exploração de minérios com maior atuação da iniciativa privada, as minas de ferro e manganês concentram os maiores movimentos comerciais de extração e de lucros para as empresas atualmente. 

Só em 2020, as mineradoras que estavam ativas em Mato Grosso do Sul lucraram cerca de US$ 281 milhões. Dentro desse recorte, só em Corumbá o lucro das empresas foi de US$ 184,1 milhões, conforme dados do ComexVis, divulgados pelo Movimento pela Soberania Popular na Mineração. 

Para o poder público, essa exploração no território também gera recursos. A compensação financeira da exploração de recursos naturais CFEM gera milhões de reais. 

Essa espécie de compensação existe como contraprestação paga pelo minerador à União, aos estados e aos municípios. No ranking nacional, Mato Grosso do Sul ficou em 7º na arrecadação no ano passado, subindo três posições em relação a 2021, quando estava em 10º lugar na receita, informou o governo estadual.

DIVERSIFICAÇÃO 

Ao mesmo tempo em que há uma amplitude de processos para pedir estudo e exploração de minérios no Pantanal, o setor de fiscalização e administrativo da ANM encontra sérias dificuldades.

No mês passado, a delegacia regional da Associação Nacional dos Servidores da Agência Nacional de Mineração (Asanm) em MS apontou para riscos no trabalho dos fiscais, sucateamento da estrutura local e falta de funcionários. 

“A carência de servidores compromete os trabalhos de fiscalização em campo no desenvolvimento das atividades de todo o setor da mineração, uma vez que esses trabalhos exigem relatórios circunstanciados”. 

“A ANM não tem uma estrutura condizente com o que se espera de uma agência reguladora, proporcional ao setor mineral e em patamar equivalente às demais agências, como ANP e Aneel, que são vinculadas ao mesmo Ministério de Minas e Energia [MME]”, informou Reinan Bispo Sobral, delegado regional da Asanm, ao Correio do Estado.

A autarquia federal já havia informado que vem solicitando ao Executivo a realização de concurso e de melhorias.

Saiba: Conforme dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) obtidos pelo Correio do Estado, há mais de 300 requerimentos cadastrados e ativos que envolvem algum tipo de pedido para estudo ou mesmo autorização para exploração de recursos minerais no Pantanal de MS.


 

Assine o Correio do Estado

Comércio em Espera

Shopping com 74 lojas anunciado em Campo Grande ainda não saiu do papel

Dez meses após o anúncio, empreendimento previsto para a Avenida dos Cafezais segue sem obras e sem previsão de inauguração; projeto promete 74 lojas, novos empregos e opções de lazer para a região sul da Capital.

24/10/2026 08h31

Terreno na Avenida dos Cafezais, em Campo Grande, onde está prevista a construção de um shopping com 74 lojas, permanece sem obras dez meses após o anúncio do empreendimento.

Terreno na Avenida dos Cafezais, em Campo Grande, onde está prevista a construção de um shopping com 74 lojas, permanece sem obras dez meses após o anúncio do empreendimento. Foto: Reprodução Google Street View.

Continue Lendo...

Dez meses depois de ser anunciado como uma oportunidade de impulsionar a economia e ampliar as opções de comércio e lazer para moradores da região sul de Campo Grande, o shopping de 74 lojas previsto para a Avenida dos Cafezais ainda não saiu do papel.

Apesar das expectativas de geração de empregos e fortalecimento da atividade comercial, nenhuma obra foi iniciada no terreno destinado ao empreendimento, e a população continua sem previsão de quando o investimento poderá se concretizar.

O centro comercial foi anunciado em dezembro de 2025 e deverá ocupar um terreno de aproximadamente 15,8 mil metros quadrados, localizado entre as ruas Araraquara e Caraíba, ao lado do Atacado Mister Júnior, no Bairro Centro-Oeste, região que passou por expansão residencial e comercial nos últimos anos.

A proposta prevê 74 lojas, praça de alimentação, estacionamento e espaços de convivência, com a perspectiva de criar um novo polo de consumo para famílias que atualmente dependem de estabelecimentos espalhados pela região ou precisam se deslocar para outros pontos da Capital em busca de determinados serviços.

Entretanto, quase um ano depois da divulgação do projeto, o cenário ainda é de expectativa. O terreno permanece sem obras, enquanto os empregos, a movimentação econômica e as novas opções de lazer anunciadas continuam restritos ao planejamento.

Apenas promessas, por enquanto

O que poderia representar um avanço para o desenvolvimento econômico da região sul da Capital ainda não se tornou realidade. As 74 lojas, os espaços de convivência e os mais de 100 empregos previstos para o funcionamento do empreendimento permanecem apenas nas projeções.

Para os moradores, a expectativa de contar com um novo centro comercial próximo de casa contrasta com a ausência de movimentação no terreno e, principalmente, de uma data concreta para o início da construção.

A situação ganha relevância porque o próprio Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) reconhece a necessidade de ampliar a infraestrutura comercial e as alternativas de lazer disponíveis à população do entorno.

O documento aponta o potencial do empreendimento para atender uma região em crescimento, mas os benefícios projetados ainda dependem da execução das obras.

Apesar da ausência de construção, não há informações suficientes para afirmar que o shopping tenha sido cancelado ou que exista atraso formal.

O cronograma apresentado pelo empreendedor condiciona o início dos trabalhos à aprovação do empreendimento pela Prefeitura de Campo Grande, e ainda não há confirmação sobre a conclusão dessa etapa.

Assim, enquanto não houver uma definição sobre o andamento do projeto, o shopping anunciado em 2025 continuará representando uma promessa de investimento para uma região que aguarda novas oportunidades de comércio, emprego e lazer.

Região com mais de 37 mil moradores poderia ganhar novas opções de lazer

A escolha da Avenida dos Cafezais não ocorreu por acaso. De acordo com o EIV, elaborado em novembro de 2025, o Bairro Centro-Oeste apresenta crescimento populacional e uma demanda por estabelecimentos comerciais e serviços próximos das residências.

O levantamento aponta que a região reúne aproximadamente 37,6 mil habitantes e registrou taxa média anual de crescimento populacional de 3,54% entre 2010 e 2022, indicando uma expansão superior à média municipal no período.

A transformação também é percebida na própria Avenida dos Cafezais, que passou a concentrar supermercados, estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços, consolidando-se como um dos eixos de desenvolvimento econômico de Campo Grande.

Em abril de 2025, a Prefeitura sancionou, com veto parcial, a Lei nº 7.399, que autoriza a criação de um corredor comercial em trecho da avenida. A iniciativa prevê ações de estímulo às atividades econômicas e melhorias nas condições de circulação e estacionamento.

Nesse cenário, o novo centro comercial representaria mais uma alternativa para descentralizar o comércio da Capital e aproximar serviços dos bairros residenciais.

Para a moradora da região, Francielly Riquelme, a construção do novo centro comercial representa uma oportunidade de ampliar o acesso a serviços, fortalecer o comércio local e oferecer mais opções aos consumidores, sem a necessidade de deslocamento para outras regiões de Campo Grande.

“É muito importante, porque a gente percebe que os bairros estão crescendo cada vez mais. Antigamente, tínhamos que ir até o Centro para ter acesso a farmácias, bancos e lojas. Hoje, já encontramos muitos desses serviços dentro dos próprios bairros. Um investimento como esse é muito bom, porque estimula a concorrência. A gente espera preços mais atrativos e mais opções, o que é muito importante para a comunidade”, destacou Francielly.

O próprio estudo destaca a necessidade de reduzir deslocamentos para outras regiões da cidade, oferecendo aos consumidores a possibilidade de realizar compras e frequentar espaços de convivência mais próximos de casa.

A perspectiva ganha relevância diante de outra informação apresentada no documento: a área de influência delimitada para o empreendimento não dispõe de espaços de lazer próximos, condição que poderia ser parcialmente compensada pela construção de uma praça de uso coletivo.

Por enquanto, no entanto, os benefícios previstos para a população permanecem condicionados à implantação do projeto.

Projeto prevê 74 lojas e praça aberta de 2,5 mil metros quadrados

O empreendimento foi planejado para ocupar uma área construída de aproximadamente 7,8 mil metros quadrados, distribuídos em um terreno de quase 16 mil metros quadrados.

Conforme o EIV, a estrutura deverá abrigar 74 estabelecimentos comerciais, sendo quatro lojas âncoras, 49 lojas satélites e 21 unidades voltadas à alimentação.

As lojas âncoras são estabelecimentos de maior porte, geralmente responsáveis por atrair consumidores e estimular a circulação de clientes pelos demais espaços comerciais.

Além das lojas, o projeto prevê uma praça de alimentação coberta e uma praça central aberta de 2.500 metros quadrados, destinada à convivência e integração com o entorno.

O empreendimento também contará, conforme o planejamento, com 225 vagas para automóveis, 30 para motocicletas e 15 para bicicletas.

A ideia apresentada pelos responsáveis é criar um espaço que reúna diferentes atividades em um mesmo endereço, permitindo que moradores encontrem alternativas de compras, alimentação e lazer sem precisar percorrer grandes distâncias.

O estudo sustenta que a implantação do centro comercial poderá contribuir para a valorização imobiliária do entorno e estimular o funcionamento de outros estabelecimentos comerciais.

Entretanto, até o momento, as estruturas previstas não começaram a ser construídas, e ainda não existe uma data de inauguração confirmada.

Mais de 100 empregos previstos ainda dependem da construção

A geração de empregos é outro aspecto apontado como benefício da implantação do centro comercial.

Segundo o Estudo de Impacto de Vizinhança, a fase de construção deverá mobilizar aproximadamente 100 trabalhadores, considerando a dimensão do empreendimento e a quantidade de serviços necessários para sua execução.

Depois da inauguração, a estimativa é de aproximadamente 109 funcionários atuando nos estabelecimentos comerciais.

O levantamento também projeta uma circulação de 675 visitas por dia, número calculado a partir da capacidade do estacionamento e de parâmetros técnicos utilizados na avaliação de empreendimentos semelhantes.

Essa movimentação poderá beneficiar não apenas os estabelecimentos instalados no shopping, mas também outros comerciantes das proximidades, que poderão receber parte dos consumidores atraídos pelo novo centro de compras.

Os números, contudo, representam estimativas técnicas e não garantias de contratação ou de movimentação comercial.

Sem a execução das obras, as oportunidades de emprego continuam no campo das projeções, assim como a possibilidade de ampliação da oferta de serviços à população.

Construção levaria 18 meses após início das obras

Apesar de o projeto ter sido divulgado em dezembro do ano passado, o cronograma apresentado no EIV não estabeleceu uma data fixa para a inauguração.

Na página 12 do documento, o empreendedor informa que os trabalhos deverão começar um ano após a aprovação do empreendimento, com prazo estimado de 18 meses para execução.

Isso significa que o início da construção depende diretamente do andamento e da conclusão dos procedimentos administrativos necessários para autorizar o projeto.

Em 9 de dezembro de 2025, a Prefeitura de Campo Grande publicou a convocação para uma audiência pública destinada à apresentação e discussão do Estudo de Impacto de Vizinhança.

O encontro foi marcado para 2 de fevereiro de 2026, na sede da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), com a finalidade de permitir que a população conhecesse a proposta e apresentasse sugestões sobre seus possíveis impactos.

O empreendimento consta no processo administrativo nº 64.467/2025-44 e tem como responsável a Embrascop (Empresa Brasileira de Construções e Projetos Ltda.).

A realização da etapa de participação pública, entretanto, não significa necessariamente que o empreendimento tenha recebido autorização definitiva para começar a ser construído.

Os documentos disponíveis não esclarecem se o EIV foi aprovado posteriormente, se o alvará de construção já foi emitido ou se houve alterações no cronograma apresentado inicialmente.

Shopping também exigirá atenção ao trânsito e à drenagem

Além dos impactos econômicos, o projeto apresenta possíveis mudanças na rotina de quem utiliza a Avenida dos Cafezais.

O estudo de mobilidade estima que a implantação do centro comercial poderá ampliar a circulação de veículos no trecho próximo aos acessos do empreendimento.

Em parte da avenida, o nível de serviço viário poderá passar da classificação A para B, indicando aumento da densidade de tráfego, embora ainda dentro de condições consideradas adequadas de circulação.

Para reduzir os impactos, o documento recomenda a implantação de uma faixa de acumulação com capacidade para quatro veículos, facilitando as manobras de entrada e saída do estacionamento.

Também são previstas medidas para organizar o acesso de pedestres e controlar o escoamento das águas da chuva, considerando a impermeabilização provocada pela construção.

O EIV reconhece impactos negativos sobre o sistema de drenagem e aponta a necessidade de estruturas destinadas à retenção e infiltração das águas pluviais.

Sem obras, futuro do investimento permanece indefinido

O empreendimento de 74 lojas foi apresentado em um momento de expansão comercial da região sul de Campo Grande, acompanhado da perspectiva de novos empregos e alternativas de consumo para a população.

A proposta poderia fortalecer a Avenida dos Cafezais como polo de comércio e serviços, além de oferecer um espaço de convivência para moradores dos bairros próximos.

Dez meses após o anúncio, entretanto, o cenário ainda é de expectativa. O terreno destinado ao shopping continua sem obras, enquanto os empregos, as lojas e os espaços de lazer permanecem apenas nos documentos do empreendimento.

O principal ponto a ser esclarecido agora é a situação administrativa do projeto, especialmente a aprovação do EIV, a existência de alvará de construção e a manutenção do cronograma inicialmente apresentado.

Também permanece sem confirmação o investimento financeiro total previsto e se já existem empresas interessadas em ocupar os espaços comerciais.

Sem essas definições, ainda não é possível estabelecer uma data para o início das obras ou para a inauguração.

Para a população da região, a concretização do projeto poderia representar novas oportunidades de trabalho, compras e lazer mais próximas de casa. Por enquanto, porém, o shopping anunciado em 2025 segue sem sair do papel.

Empresa e Prefeitura não respondem aos questionamentos

A reportagem do Correio do Estado procurou a Embrascop (Empresa Brasileira de Construções e Projetos Ltda.), responsável pelo empreendimento, e a Prefeitura de Campo Grande para obter esclarecimentos sobre o andamento do projeto, a situação das autorizações necessárias e a previsão para o início das obras.

Até a publicação desta matéria, não houve retorno de nenhuma das partes. O espaço permanece aberto para manifestações.

Votação

Disputa acirrada pode contribuir para reduzir abstenção no 2º turno, diz TRE

Tendência é de que disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula para a Presidência seja a mais apertada da história das eleições brasileiras

24/10/2026 08h00

Urnas eletrônicas foram entregues até sexta-feira para os presidentes de seção eleitoral

Urnas eletrônicas foram entregues até sexta-feira para os presidentes de seção eleitoral Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) acredita que a tendência de que a disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja a mais acirrada da história das eleições brasileiras pode ser crucial para diminuir a abstenção vista no primeiro turno. Na data, quando quase um a cada quatro sul-mato-grossenses faltaram, ocorreu a maior taxa de abstenção entre os estados brasileiros e o recorde estadual em eleições presidenciais.

No dia 4 deste mês, mais de 2 milhões de eleitores estavam aptos a votar em Mato Grosso do Sul. Porém, 23,87% do eleitorado estadual se ausentou do direito ao voto, gerando a maior abstenção em todo o território nacional nesse pleito. 

Para efeito de comparação, o segundo colocado neste posto foi o estado do Rio de Janeiro, que registrou 23,32%, seguido ainda por Minas Gerais, que fechou a eleição com 22,81%. No cenário nacional, 33,4 milhões não compareceram, o que corresponde a 21,08% do eleitorado total.

Ainda, em comparação com as eleições presidenciais anteriores, a deste ano também teve a maior abstenção da história. Mesmo em 2022, 2018 e 2014, a taxa de abstenção foi abaixo dos 23,87% de três semanas atrás. 

Ao comparar com eleições municipais, os 23,87% registrado neste ano ainda fica atrás do primeiro turno de 2024 e 2020, quando 23,89% (485.583 eleitores) e 25,12% (485.443), respectivamente, preferiram não tomar partido nos prefeitos de suas cidades.

Vale destacar que, desta vez, o dia do primeiro turno foi marcado por chuvas em diversos municípios sul-mato-grossenses, o que dificultou a locomoção da população e pode ter contribuído para a abstenção recorde.

Tanto que, em Campo Grande, maior colégio eleitoral do Estado, a chuva forte que atingiu desde as primeiras horas provocou alagamentos em diferentes pontos da cidade e deixou moradores sem energia elétrica. Para o TRE-MS, esse foi o principal motivo para a abstenção recorde.

“A grande dificuldade foram as condições climáticas. Registrou-se chuva forte em quase todo território do Estado, com mais de 20 cidades com falta de energia. Municípios com população considerável, como Nova Andradina e Ponta Porã, ficaram grande parte sem energia elétrica quase todo o dia, só tendo sucesso na votação graças ao fato de as urnas eletrônicas terem baterias internas”, aponta o TRE-MS, em nota.

Agora, com a previsão climática indicando volume de chuva mais controlada durante o segundo turno, o órgão acredita que neste domingo a taxa deverá ser menor. 

Além disso, há o fato da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula ser uma das mais apertadas da história, o que também deve contribuir para uma diminuição no número de faltosos.

“Não é possível antecipar com precisão qual será o porcentual de abstenção no segundo turno, contudo, como a previsão é de que não ocorram chuvas tão fortes, o esperado é um índice menor. Fora isso, não há como desconsiderar que se está diante de uma eleição acirrada, e em casos como esses é comum que os adversários passem a buscar os eleitores faltosos”, disse.

Por ter ficado atrás do candidato liberal por 1,87% (cerca de 2,2 milhões de votos), o petista adotou o convencimento sobre os faltosos como uma das principais estratégias para conseguir uma virada inédita, o que, segundo as pesquisas mais recentes, tem surtido efeito durante a campanha, visto que ambos estão basicamente empatados nos votos válidos. Diante disso, o TRE-MS reafirma que cada voto importa.

“Destaca-se que o eleitor que não compareceu no primeiro turno pode comparecer normalmente no segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular. Não é necessário justificar a ausência anterior para votar agora. Cada voto faz parte da construção do resultado de uma eleição. Por isso, a participação individual importa. Mesmo que uma pessoa acredite que seu voto não fará diferença, é importante lembrar que o resultado é formado pela soma das escolhas de cada eleitor”, disse.

O vencedor deste domingo terá que ter, pelo menos, 50% dos votos válidos mais um voto para ser declarado eleito. Até o momento, a eleição mais apertada da história brasileira aconteceu em 2022, quando Lula fechou com 50,90% (60.345.999 votos) contra Jair Bolsonaro (PL), que conquistou aproximadamente 2,1 milhões de votos a menos.

DADOS

De acordo com o TRE-MS, o eleitorado do Estado soma 2.024.884 pessoas aptas a votar espalhadas pelos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Campo Grande é o responsável pela maior parte desse eleitorado, com 640.427 pessoas, o que corresponde a 31,6% do total de eleitores, seguido por Dourados (8,2%) e Três Lagoas (4,3%).

As mulheres são maioria, representando 52,8% (1.069.380) do eleitorado sul-mato-grossense, contra 47,2% (955.504) de homens. Por faixa etária, os adultos de 35 anos a 44 anos lideram a proporção, com 19,8% (401.457). Mesmo que não sejam obrigadas, as pessoas com 70 anos ou mais representam quase 10% do eleitorado, com 202.096 aptos.

Com 8.415 eleitores, a Escola Padre Tomaz Ghirardelli, localizada no Dom Antônio Barbosa, concentra o maior número de votantes em Campo Grande. A escola está localizada na 53ª zona eleitoral, que contempla 26 seções.

Os demais locais com maior número de votantes no Estado são o Centro Universitário da Grande Dourados (Unigran), com 7.893 eleitores, além da Escola Estadual Teotônio Vilela, situada no Núcleo Habitacional Teotônio Vilela, com 7.885 eleitores.

A Capital conta com 2.242 urnas eletrônicas, uma para cada seção eleitoral. Em todo o Estado, são 7.106 urnas. A Justiça Eleitoral conta com 908 urnas de contingência, ou seja, equipamentos de reserva, disponíveis para eventuais substituições durante a votação.

ORIENTAÇÕES

A preparação do eleitor para ir votar tem que começar antes de sair de casa, com a conferência do local de votação. O endereço e a seção eleitoral podem ser consultados pelo aplicativo e-Título ou pelo portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A verificação antecipada ajuda a evitar que o eleitor se dirija ao lugar errado.

Cabe pontuar que não houve alterações nos locais de votação do Estado entre o primeiro e o segundo turno das eleições, sendo mantidas apenas as mudanças registradas antes do primeiro turno, que permanecem válidas para o segundo.

“A orientação dos tribunais eleitorais é que os eleitores se organizem com antecedência para chegar ao local de votação. Não ocorreu a alteração de nenhum local de votação em Mato Grosso do Sul, de tal sorte que os eleitores já têm plena consciência de onde devem comparecer. Os eleitores escolherão apenas o presidente da República, o que gera uma perspectiva de uma votação rápida”, comunica o órgão.

Também é necessário separar um documento oficial com foto. São aceitos carteira de identidade (RG), Carteira Nacional de Habilitação (CNH), passaporte, carteira de trabalho física, certificado de reservista e carteira de categoria profissional reconhecida por lei. Não é obrigatório apresentar o título eleitoral impresso, desde que a identidade seja comprovada.

Quem pretende utilizar o e-Título como identificação deverá conferir se o aplicativo apresenta sua fotografia. Caso esteja sem foto, será preciso mostrar outro documento oficial com a imagem. Certidões de nascimento e de casamento não são aceitas como prova de identidade para votar.

Ao chegar à seção, o eleitor deverá apresentar o documento aos mesários e seguir os procedimentos de identificação. Quem tem biometria cadastrada passará pela conferência das impressões digitais. Se o reconhecimento não funcionar, a equipe fará a verificação dos dados conforme os procedimentos da Justiça Eleitoral.

A ausência de cadastro biométrico não impede o voto. Segundo o TSE, quem estiver com o título regular poderá votar mediante a apresentação de documento oficial com foto. Antes de seguir para a cabine, o eleitor deverá deixar o celular no local indicado pelos mesários, mesmo que tenha utilizado o aparelho para apresentar o e-Título.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).