Cidades

LEVANTAMENTO

Pesquisa aponta que 14% dos campo-grandenses já usaram canetas emagrecedoras

Realizada pela Fecomércio-MS, levantamento também fala que, após o uso dos injetáveis, quase 90% das pessoas diminuíram a quantidade de comida ingerida

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As canetas emagrecedoras, mesmo que ainda não liberadas à todas as camadas da população pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seguem em alta e mais de 14% dos campo-grandenses relatam usarem ou já terem usado o medicamento injetável para emagrecer ou controlar o peso.

A pesquisa “Canetas Emagrecedoras: A Revolução que Está Redesenhando o Mercado”, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS), ouviu 1.087 consumidores de alimentação fora do lar nas sete regiões urbanas de Campo Grande, entre 24 de agosto e 02 de setembro.

Deste montante, 14,1% disseram usar ou já ter usado medicamentos injetáveis para emagrecer ou controlar o peso. Ainda, destes que relataram o uso de canetas, 87,7% falaram que preferem porções menores em relação ao que costumavam consumir, o que revela uma mudança do comportamento alimentar de boa parte da população campo-grandense.

“São informações que nos ajudam a compreender um consumidor que vem se transformando e a refletir sobre como as empresas podem se adaptar ao novo cenário. Mas queremos ir além da informação”, afirmou o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer.

Ainda segundo a pesquisa, 85,6% consideram que a preocupação com alimentação saudável fora de casa representa uma mudança permanente de comportamento, enquanto apenas 6,3% a classificam como tendência passageira. Entre as 69 pessoas que já pararam de usar os medicamentos, 27,5% disseram ter mantido praticamente todas as mudanças de hábito e 36,2% preservaram parte delas.

Para se ter uma relação com isso, a mudança reflete nos critérios considerados na hora de escolher o que comer. O equilíbrio entre prazer e saúde foi citado por 47,7% dos usuários, contra 31,6% dos não usuários. Já o preço apareceu para apenas 1,3% de quem utiliza ou já utilizou os medicamentos, diante de 11,1% entre os demais consumidores.

Além disso, foi traçado um perfil das pessoas que relataram o uso das canetas. Entre as mulheres entrevistadas, 19,2% usam ou já usaram os medicamentos, mais que o dobro dos 9,1% registrados entre os homens. O uso também cresce conforme a renda, passando de 11,1% entre pessoas com renda domiciliar de até três salários mínimos para 22% entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos.

Sucesso de apreensão

Outro dado que demonstra o crescimento desenfreado na aquisição e uso das canetas emagrecedoras é de apreensões realizadas. Dados da Receita Federal mostram que R$ 5,9 milhões em medicamentos foram apreendidos no Estado até 13 de julho, enquanto durante todo o ano de 2025 o valor ficou em R$ 1,5 milhão. 

Na prática, em pouco mais de seis meses, o volume apreendido em MS já é quatro vezes maior que o registrado em todo o ano de 2025. A diferença é de R$ 4,4 milhões. 

A alta registrada acompanha um movimento que ocorre em todo o País. Segundo a Folha de São Paulo, no primeiro semestre deste ano, a Receita Federal apreendeu mais de R$ 80 milhões em canetas emagrecedoras, contra R$ 4 milhões no mesmo período de 2025. O valor cresceu mais de 20 vezes de um ano para o outro. 

A popularização desses medicamentos e a procura por versões mais baratas vendidas no Paraguai têm aumentado a preocupação das autoridades com a entrada irregular dos produtos no Brasil. 

Em MS, por exemplo, o problema ganha ainda mais peso por conta da extensa fronteira com o país vizinho. Medicamentos sem registro ou sem autorização da Anvisa não podem entrar legalmente no Brasil. 

Além das fronteiras, a Receita identificou que a venda irregular também avançou pela internet, onde as canetas podem ser encontradas em marketplaces e com vendedores não autorizados.

O crescimento pode ser observado também em Foz do Iguaçu (PR), uma das principais portas de entrada de produtos vindos do Paraguai. 

Entre maio e dezembro do ano passado, foram apreendidas 7.479 unidades de ampolas e canetas emagrecedoras na região. Neste ano, o número já chegou a 71.860 unidades, alta de 860,8%.

Com o crescimento do problema, Brasil e Paraguai decidiram reforçar o combate à venda e à entrada irregular desses medicamentos.

A Anvisa e a Dinavia, órgão de vigilância sanitária paraguaio, fecharam um acordo para aumentar a troca de informações e as ações de fiscalização na fronteira. A parceria também prevê compartilhamento de resultados de testes feitos em laboratório e cooperação no combate à falsificação e ao contrabando. 

Ao mesmo tempo em que tenta barrar os produtos irregulares, o Brasil tem aumentado o número de opções vendidas legalmente.  Em julho, a Anvisa aprovou cinco novas canetas à base de semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Também foram liberados os primeiros registros de medicamentos genéricos feitos com a substância.

Promessa

Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, durante agenda em Montes Claros (MG), que canetas emagrecedoras serão distribuídas gratuitamente para pacientes com obesidade. Lula, porém, não indicou quando a iniciativa passará a valer, nem mesmo se será neste ou em um eventual quarto mandato.

"Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar, de graça, para as pessoas que tenham obesidade. Quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de se curar", disse o petista durante uma visita ao Complexo Industrial da Eurofarma.

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MEGAFÁBRICA

Arauco ganha aval para usar ferrovia e levar celulose de MS a Santos

Registro federal reconhece empresa como usuária dependente do transporte ferroviário de cargas e prevê corredor logístico entre a megafábrica de Inocência e terminal dedicado no Porto de Santos.

07/10/2026 18h25

ANTT registrou a Arauco como usuária dependente do transporte ferroviário para atender ao Projeto Sucuriú, em Inocência.

ANTT registrou a Arauco como usuária dependente do transporte ferroviário para atender ao Projeto Sucuriú, em Inocência. Foto: Divulgação Arauco.

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A Arauco deu mais um passo para estruturar a logística do Projeto Sucuriú, megafábrica de celulose em implantação em Inocência, Mato Grosso do Sul. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registrou oficialmente a Arauco Celulose do Brasil S.A.

como usuária dependente do serviço público de transporte ferroviário de cargas, permitindo que a futura produção da unidade seja atendida pela malha ferroviária que liga o Estado ao Porto de Santos, em São Paulo.

A decisão consta na edição desta quarta-feira (7) do Diário Oficial da União (DOU) e foi formalizada pela Superintendência de Transporte Ferroviário da ANTT. O ato é direcionado especificamente ao atendimento da demanda do Projeto Sucuriú, em Inocência.

A decisão administrativa é de 17 de setembro, mas entrou em vigor com sua publicação no Diário Oficial nesta quarta-feira.

No documento, a própria agência federal classifica o empreendimento como uma unidade voltada à produção de celulose branqueada de eucalipto, conhecida pela sigla BHKP, e afirma que o projeto terá a “maior fábrica desse tipo no mundo”.

Celulose sairá de Inocência com destino a Santos

O ato também revela parte da estrutura planejada para escoar a produção sul-mato-grossense.

Segundo a ANTT, o Projeto Sucuriú contará com um sistema logístico multimodal, com origem do trecho em Inocência e destino em um Terminal de Uso Privado (TUP) dedicado, localizado na região da Alemoa, no Porto de Santos, principal complexo portuário brasileiro.

O transporte ferroviário será prestado pelas concessionárias Rumo Malha Norte S.A. e Rumo Malha Paulista S.A., responsáveis pelas ferrovias que integrarão o corredor previsto no projeto.

Com isso, a operação desenhada para a Arauco conecta a nova fronteira da indústria de celulose de Mato Grosso do Sul ao litoral paulista, criando uma rota para que a produção deixe o interior do Estado e alcance a estrutura portuária destinada à movimentação das cargas.

O registro, contudo, não significa que os trens começarão a transportar imediatamente a produção da fábrica. O ato publicado pela ANTT trata do enquadramento da Arauco como usuária dependente do serviço ferroviário para atender à demanda futura do empreendimento.

Projeto Sucuriú ganha estrutura logística

A medida é relevante porque a logística de saída da produção é uma das estruturas necessárias para viabilizar uma planta industrial do porte previsto para Inocência.

No despacho, a ANTT não detalha quantos vagões ou composições ferroviárias serão necessários para atender a Arauco, qual será o volume anual transportado pelos trilhos nem a data prevista para o início efetivo da movimentação entre Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Também não são especificados, no ato, eventuais investimentos necessários na infraestrutura ferroviária para absorver a nova demanda.

A decisão da Superintendência de Transporte Ferroviário foi tomada no âmbito do Processo Administrativo nº 50505.117478/2026-11 e assinada pelo superintendente Fernando Barbelli Feitosa.

Projeto Sucuriú

O Projeto Sucuriú representa investimento estimado em US$ 4,6 bilhões e está entre os maiores empreendimentos industriais privados em construção no País.

A fábrica está sendo implantada em Inocência e terá capacidade prevista para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano quando entrar em operação.

A dimensão do empreendimento levou à contratação de diferentes empresas para executar as diversas frentes da construção. Por isso, a paralisação de funcionários de uma contratada não significa, necessariamente, a interrupção de toda a obra.

No caso da atual mobilização, os trabalhadores identificados até o momento são contratados pela Opus Construtech. Não há confirmação oficial sobre o número total de funcionários que aderiram ao movimento.

 

rede estadual

Concurso com 2 mil vagas para professores terá edital publicado em novembro em MS

Fetems aprovou o cronograma apresentado pelo governo do Estado; provas serão realizadas em janeiro de 2027

07/10/2026 18h00

Concurso terá 2 vagas para professores

Concurso terá 2 vagas para professores Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Conselho de Presidentes da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) aprovou, em reunião nesta quarta-feira (7), o cronograma para realização do concurso público para professores, apresentado pelo Governo do Estado.

O decreto que autoriza a realização do concurso foi publicado no dia 6 de julho, no Diário Oficial do Estado. O certame prevê o preenchimento de 2 mil vagas para o cargo de professor, na função de docência, da carreira Profissional da Educação Básica da Secretaira de Estado de Educação (SED).

Conforme o cronograma aprovado, a publicação do edital está prevista para o dia 16 de novembro deste ano e a aplicação das provas objetivas para o 24 de janeiro de 2027.

De acordo com a Fetems, a realização do concurso é uma das pautas prioritárias na defesa da valorização profissional, do fortalecimento das carreiras e da ampliação do quadro de servidoras e servidores efetivos da Rede Estadual de Ensino.

“A aprovação do cronograma do concurso é resultado de uma luta permanente da Fetems e dos nossos 74 sindicatos. Vamos continuar acompanhando cada etapa e cobrando que os compromissos sejam cumpridos, ao mesmo tempo em que seguimos construindo nossas demais atividades e fortalecendo a unidade da categoria”, destacou a presidente da federação, Deumeires Morais.

Conforme tabela da Fetems, o salário inicial de um professor concursado com gradução e carga horária de 20 horas semanais é de R$ 6.751,35.

Concurso público

Conforme o decreto  nº 16.787 publicado em julho,  caberá à Secretaria de Estado de Administração (SAD), em conjunto com a Secrataria Estadual de Educação (SED), organizar e executar o concurso, definindo as normas e os procedimentos para o recrutamento e a seleção dos candidatos.

O edital a ser publicado deverá detalhar a distribuição das vagas por área de conhecimento, componente curricular ou disciplina, além da divisão por município ou localidade.

O edital também estabelecerá as etapas do concurso, os critérios para aprovação em cada fase, o formato das provas, os conteúdos que serão cobrados, os requisitos exigidos para investidura no cargo e o prazo de validade do certame.

Conforme informou o governo anteriormente, a abertura do concurso atende à necessidade de provimento de professores efetivos para a rede estadual de ensino.

“Valorizar os profissionais da educação é garantir melhores condições para quem ensina e melhores resultados para quem aprende. Nosso compromisso é com uma escola pública moderna, eficiente e capaz de preparar os estudantes para as oportunidades que Mato Grosso do Sul está construindo”, afirmou o governador, na ocasião da autorização do certame.

O último concurso público para professores da Rede Estadual ofertou inicialmente 722 vagas, com salário inicial de R$ 4.190,82 e jornada de 20 horas semanais.

Posteriormente, o concurso teve vagas ampliadas, sendo convocados mais de 1,3 mil aprovados.

Agora, com a abertura de 2 mil novas vagas, a expectativa é atender à demanda existente nas escolas.

O novo concurso terá abrangência estadual, permitindo que os candidatos concorram a vagas em todos os municípios de Mato Grosso do Sul.

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