Cidades

Desperdício

Pesquisa revela que 60% dos brasileiros desperdiçam alimentos saudáveis

O hábito de jogar comida fora é diário para 49% dos brasileiros

Istoé

21/06/2018 - 12h32
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Uma pesquisa mostrou que diariamente 49% dos brasileiros jogam comida própria para consumo no lixo. O desperdício de alimentos é uma realidade no país, mas geralmente é feito sem consciência da gravidade desse hábito. Se analisarmos semanalmente, o número sobe para 61%, e o cenário torna-se mais crítico: esses alimentos estão em perfeito estado.

“Vivemos em uma cultura de desperdício. A gente é leviano com muita coisa, não só com comida”, afirma Luciana Quintão, presidente da ONG Banco de Alimentos, que cita ainda o desperdício de água e energia como exemplos de maus hábitos do brasileiro.

“Tem gente que desperdiça por não conhecer ou porque não procura saber. Existe uma zona de conforto que as pessoas precisam mudar. Tudo isso: hábito repetitivo, falta de conhecimento, um não querer saber, vira uma coisa cultural”, avalia.

Embora esse comportamento seja diário, as pessoas não estão cientes dele. Segundo a pesquisa, apenas 23% dos brasileiros admitem desperdiçar comida quando perguntados diretamente. Os outros 77% afirmam que raramente ou nunca jogam alimentos no lixo. Mas, quando são questionados nos detalhes, como a frequência e a quantidade de alimentos jogados fora, a realidade é outra.

Para a coordenadora estadual do Mesa Brasil Sesc São Paulo, Luciana Gonçalves, a ideia antiga de que o Brasil é um País com recursos abundantes faz com que as pessoas achem que nunca vai faltar comida. “É um traço da população. Eu gosto da relação que já ouvi de que nunca vivemos uma guerra. Nossa realidade é que uns têm o que comer e outros não. A gente não sabe o que é não ter o que comer depois de amanhã. Isso reforça o hábito de que nossa mesa sempre tem de ser farta, abundante”, analisa.

O desperdício, segundo ela, independe das condições socioeconômicas das famílias – mas acontece em escalas distintas. De acordo com a pesquisa, feita com duas mil pessoas dos Estados Unidos, mil do Brasil e mil da Argentina, os americanos desperdiçam diária e semanalmente mais do que brasileiros e argentinos. Uma hipótese para o fato, segundo as fontes ouvidas pelo reportagem, é de que, quanto maior o nível socioeconômico, maior é o desperdício e menor a importância que se dá a ele.

Por que desperdiçam? Um dos motivos que levam as pessoas ao desperdício é a cegueira da geladeira. O termo traduz o hábito de, ao abrir a geladeira, não ver “nada de bom” para comer – embora haja alguns itens ali – ou ignorar os alimentos disponíveis. Às vezes, a pessoa não sabe o que fazer com eles, como combiná-los e acaba descartando-os ou comprando mais produtos.

Outros fatores apontados pela pesquisa são: comprar mais do que o necessário, aproveitar ofertas, comprar algo novo para experimentar (que depois não gosta e joga fora), não saber armazenar corretamente, ter menos confiança em suas habilidades na cozinha e não comer tudo o que foi preparado.

No geral, 72% dos que responderam a pesquisa sentem culpa quando jogam comida fora (sendo mais prevalente no Brasil, com 80%) e 69% se sentem mal pelo dinheiro que é gasto com a comida que foi para o lixo (taxa maior nos EUA, com 74%).

Itens variados disponíveis na geladeira podem ser combinados em uma nova receita. O site do Mesa Brasil disponibiliza uma lista de receitas de acordo com o ingrediente escolhido pelo internauta.

Autoconsciência

O desperdício de comida é um problema que pode começar a ser resolvido dentro de casa, mas poucas pessoas se responsabilizam por isso. A pesquisa indica que brasileiros e americanos culpam mais os restaurantes e lojas de comida do que eles mesmos. Na Argentina, a situação é levemente inversa.

Segundo a presidente da ONG Banco de Alimentos, uma mudança agora pode impactar as futuras gerações e só acontecerá por meio de “conscientização, autoeducação e de tomar para si a responsabilidade da construção do mundo a sua volta”.

Ela considera ainda que a grade curricular das escolas deveria incluir esse tipo de ensinamento. “Primeiro, promover o desenvolvimento integral desse ser humano. Depois, como lidar com a sociedade, qual seu papel nela, promover cuidados e desenvolver nos jovens o ideal de servir, no bom sentido”, diz.

Luciana Gonçalves, do Mesa Brasil, percebe mudanças individuais. Criado em São Paulo em 1994 e, desde 2003, presente em todo o País, o programa conta com grandes doadores – como supermercados, centrais de abastecimento e restaurantes – para fornecer alimentos que seriam descartados, mas ainda em bom estado, para instituições sociais. O processo envolve conversas com os funcionários dessas empresas.

“A gente explica o que pode ser doado, em que estado o alimento tem de estar e mostra para onde ele vai. A pessoa que antes separava tudo no estabelecimento percebe o tanto de alimento bom que jogava no lixo. Segundo ela, quando é revelada uma nova significação da importância do alimento, as pessoas passam a agir de forma diferente.

Falso Roubo

Polícia descobre falso esquema de roubo de veículos em Campo Grande

Vendedor registrava boletins falsos para acionar a polícia e reaver automóveis negociados sem pagamento integral, aponta Defurv

19/05/2026 17h42

Vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes.

Vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes. Divulgação

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A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos (Defurv), identificou uma série de falsas comunicações de crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores em Campo Grande.

Segundo as investigações, um vendedor de automóveis utilizava registros falsos de roubos, furtos e apropriações indébitas para tentar recuperar veículos negociados informalmente e com pagamentos pendentes.

As apurações começaram após o registro de um boletim de ocorrência na madrugada do dia 15 de maio. Na ocasião, o vendedor identificado pelas iniciais D.W.V.Q., de 27 anos, afirmou ter sido vítima de um roubo à mão armada envolvendo uma picape Fiat Strada branca durante uma negociação de venda do veículo.

No entanto, durante as diligências, policiais civis encontraram inconsistências relevantes no relato apresentado pelo comunicante.

Conforme a Defurv, o histórico do investigado e a existência de outras ocorrências semelhantes registradas recentemente em seu nome levantaram suspeitas sobre a veracidade das denúncias.

Ao aprofundar as investigações, os policiais identificaram que, em um curto intervalo de tempo, o suspeito havia registrado pelo menos quatro boletins de ocorrência relacionados a supostos crimes patrimoniais envolvendo veículos automotores.

Segundo a Polícia Civil, as ocorrências não tinham relação com roubos ou furtos efetivamente praticados, mas sim com conflitos decorrentes de negociações informais de compra e venda de veículos.

Confrontado com as informações levantadas pela equipe policial, o investigado admitiu que os registros não correspondiam à realidade e confessou ter utilizado os boletins como forma de inserir restrições criminais nos sistemas policiais para facilitar a localização e apreensão dos veículos.

De acordo com o depoimento prestado, após entregar voluntariamente os automóveis aos compradores e enfrentar dificuldades para receber os valores combinados, ele passou a registrar falsas ocorrências para que os veículos fossem recuperados pelas forças de segurança pública.

No caso da Fiat Strada, o vendedor afirmou que o veículo havia sido negociado por cerca de R$ 45 mil, restando uma dívida aproximada de R$ 15 mil. Após uma discussão relacionada ao pagamento pendente, ele resolveu procurar a polícia e comunicar falsamente o roubo do automóvel.

Outro caso investigado envolve um veículo Hyundai i30. Conforme admitido pelo investigado, ele registrou inicialmente uma falsa ocorrência de furto após uma negociação frustrada envolvendo dívida de aproximadamente R$ 6 mil.

Dias depois, voltou a comunicar falsamente uma apropriação indébita relacionada ao mesmo carro, novamente tentando recuperá-lo por meio da atuação policial.

As investigações também identificaram o registro falso de apropriação indébita envolvendo uma motocicleta Honda CG 160 Fan, após divergências financeiras relacionadas à venda do veículo e saldo pendente de cerca de R$ 3,5 mil.

Além das falsas comunicações, a Polícia Civil informou que o investigado possui histórico de registros relacionados a crimes patrimoniais, negociações envolvendo veículos, apropriação indébita, estelionato, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e antecedentes ligados à violência doméstica.

Diante dos fatos apurados, foram instaurados Termos Circunstanciados de Ocorrência pela suposta prática do crime de falsa comunicação de crime, previsto no artigo 340 do Código Penal, cuja pena pode variar de detenção de um a seis meses ou multa.

Alerta

A Defurv alertou que falsas comunicações de crimes provocam desperdício de recursos públicos e comprometem diretamente o trabalho das forças de segurança pública.

Segundo a especializada, cada ocorrência falsa mobiliza equipes policiais, viaturas, sistemas de inteligência, análises de imagens, diligências externas e procedimentos operacionais que deixam de ser direcionados para investigações de furtos e roubos reais de veículos.

A Polícia Civil também destacou que esse tipo de conduta prejudica os dados estatísticos da criminalidade, aumenta a sobrecarga das unidades policiais e impacta diretamente vítimas reais de organizações criminosas especializadas em furto, receptação e adulteração de veículos.

Por fim, a corporação reforçou que conflitos envolvendo negociações particulares, inadimplência contratual e cobranças financeiras devem ser resolvidos pelas vias cíveis e judiciais adequadas, sem utilização indevida da estrutura policial como mecanismo de cobrança ou recuperação patrimonial privada.

CAMPO GRANDE

Vigilância Sanitária de MS autua clínica em que paciente morreu após hemodiálise

Pacientes passaram mal e um morreu após procedimento na Clínica DaVita

19/05/2026 17h40

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustração

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustração DIVULGAÇÃO

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Vigilância Sanitária, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), autuou a Clínica DaVita, localizada na rua 13 de maio, bairro São Francisco, em Campo Grande, por possíveis irregularidades.

Pacientes teriam passado mal e outro morreu, após procedimento de hemodiálise realizado no local, neste ano.

A clínica é particular, mas também recebe pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), via convênio com o Estado.

Conforme apurado pela reportagem, agentes da Vigilância Sanitária compareceram na clínica, flagraram irregularidades e autuaram o local. Em seguida, foi instaurado um processo sanitário para apuração dos fatos.

“A SES (Secretaria de Estado de Saúde) confirma que o serviço foi autuado e que será instaurado processo sanitário para apuração dos fatos, conforme previsto na legislação vigente. A SES reforça que acompanha a situação por meio das áreas técnicas competentes e que todas as medidas administrativas e sanitárias cabíveis serão adotadas”, informou a pasta de Saúde por meio de nota enviada ao Correio do Estado.

Ser humano em hemodiálise - imagem de ilustraçãoNota enviada ao Correio do Estado, na tarde desta terça-feira (19)

O relatório de autuação foi enviado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que deve apurar o fato e solicitar documentos e esclarecimentos à clínica sobre condições sanitárias e protocolos de biossegurança.

O Correio do Estado entrou em contato com a Clínica DaVita por meio de ligação, e-mail e WhatsApp para saber sua versão, mas, até o fechamento desta reportagem, não foi respondido. O espaço segue aberto para resposta.

A Vigilância Sanitária realiza visitas periódicas em clínicas de MS para fiscalizar condições sanitárias e padrões de biossegurança.

O órgão atua como agente essencial na proteção da saúde pública, atuando na prevenção de riscos decorrentes de produtos, serviços e ambientes. Além de fiscalizar e regular, integra esforços entre estados e municípios, promovendo políticas de saúde baseadas em metas e acompanhamento contínuo.

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