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Indiciamento

PF enquadra desembargadores por corrupção e lavagem de dinheiro

Após um ano e meio da operação que afastou parte dos membros do TJMS, polícia concluiu inquérito de mais de 700 páginas sobre o caso

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Um ano e meio após a Operação Ultima Ratio, que revelou esquema de venda de sentenças na alta cúpula da Justiça de Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito policial e sugeriu o indiciamento de sete desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.

Foram indiciados os desembargadores Sérgio Fernandes Martins, Alexandre Aguiar Bastos, Marcos José de Brito Rodrigues, Divoncir Schreiner Maran, Júlio Roberto Siqueira Cardoso e Sideni Soncini Pimentel e o conselheiro do TCE-MS Osmar Domingues Jeronymo. 

Em outubro de 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que fossem cumpridos 44 mandados de busca em quatro capitais brasileiras, incluindo Campo Grande, por grande “mercado de sentenças” de disputas agrárias, resultando no escândalo de corrupção envolvendo os desembargadores e o conselheiro.

A ação ilícita, segundo a PF, envolvia a intermediação de advogados e familiares de desembargadores – como os filhos de Sideni Pimentel, Rodrigo e Renata –, utilizando dinheiro em espécie, contratos simulados e até extorsão para garantir o controle de propriedades rurais valiosas.

Entre os casos estão a Fazenda Paulicéia, em Maracaju, avaliada em R$ 85 milhões, e a Fazenda Vai Quem Quer, em Corumbá, estimada em R$ 24 milhões.

Diante disso, foi decidido o afastamento de cinco desembargadores, além de monitoramento eletrônico dos investigados e outras medidas cautelares.

De lá para cá, Sérgio Martins foi reintegrado ao cargo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin e Sideni Soncini Pimentel se aposentou. 

Por outro lado, Alexandre Bastos, Marcos Brito Rodrigues e Vladimir Abreu continuam afastados, agora por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no qual respondem a processo disciplinar.

Dando sequência ao objeto da operação, foi finalizado o inquérito policial, que traz as conclusões da PF depois do fim da investigação, documento assinado pelo delegado Marcos André Araújo Damato no dia 20 de março.

Ao todo, a instituição indiciou sete desembargadores (entre aposentados e da ativa) ligados ao Poder Judiciário de MS, sendo cinco já investigados inicialmente na Ultima Ratio e os desembargadores Divoncir Schreiner Maran e Júlio Roberto Siqueira Cardoso.

No caso de Júlio Cardoso, que ingressou na magistratura sul-mato-grossense em 1984 e se aposentou de suas funções no TJMS em junho de 2024, foram encontrados cerca de R$ 3 milhões em espécie durante a operação. 

Há também a constatação de que ele teria utilizado o dinheiro em grandes aquisições entre 2013 e 2022, configurando-se o crime de lavagem de dinheiro.

ESQUEMA

Os desembargadores Sideni Pimentel e Vladimir de Abreu, que haviam sido eleitos presidente e vice-presidente do órgão para o biênio 2025-2026 uma semana antes da operação ser deflagrada, foram envolvidos por corrupção passiva na disputa de três áreas rurais: Santo Antônio, Vai Quem Quer e Paulicéia.

Marcos José de Brito Rodrigues, Alexandre Aguiar Bastos e Sérgio Fernandes Martins também estiveram envolvidos no esquema de grilagem de outras fazendas e foram indiciados por corrupção passiva, assim como o magistrado Divoncir Schreiner Maran, que, vale destacar, foi investigado em 2019 por ter liberado Gerson Palermo, condenado a mais de 100 anos de prisão por tráfico internacional de drogas.

Enquanto isso, no âmbito do TCE-MS, o conselheiro Osmar Domingues Jeronymo e o juiz Paulo Afonso de Oliveira também são nomes de alta influência citados no inquérito. 

Osmar não foi indiciado apenas por corrupção passiva, mas também por falsificação de documento público, extorsão e formação de organização criminosa, sendo um dos mais envolvidos no esquema.

De acordo com o documento, Osmar e mais quatro praticaram extorsão ao obrigar o produtor Gerson Pieri e seu advogado a assinarem, em julho de 2018, acordo desistindo da disputa judicial pela Fazenda Paulicéia, o que também caracteriza organização criminosa.

Sobre a falsificação de documentos públicos, o conselheiro e outros seis envolvidos falsificaram as escrituras de compra e venda de partes da Fazenda Paulicéia, assim como de hipoteca, em três oportunidades, entre 2013 e 2015, com o objetivo de transferir terras de Marta Martins de Albuquerque para empresas ligadas ao grupo de Percival Fernandes e Diego Moya Jeronymo.

O relatório final será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), onde os procuradores da República analisarão as provas e os indícios para formular uma denúncia para que os indiciados sejam acusados e, se for o caso, respondam criminalmente.

OUTROS CITADOS

Além dos desembargadores do TJMS e os dois membros do TCE-MS, o delegado Marcos André Araújo Damato também indiciou os advogados Emmanuelle Alves Ferreira da Silva, Renata Gonçalves Pimentel, Rodrigo Gonçalves Pimentel, Fábio Castro Leandro, Julio Sergio Greguer Fernandes, Bruno Terence Romero, Fábio Pinto de Figueiredo e Gabriel Affonso de Barros Marinho.

Também estão entre os indiciados Danillo Moya Jeronymo (ex-servidor comissionado do TJMS), Diego Moya Jeronymo (empresário), Everton Barcellos de Souza (empresário), Cláudio Bergmann (empresário), Darci Guilherme Bazanella Filho (herdeiro), Tatiele Toro Correia (herdeira), Nathália Poloni Ney (interessada em uma das fazendas), Paulo Ricardo Fenner (interessado em uma das fazendas), Lydio de Souza Rodrigues (beneficiado com uma fazenda em decisão), Percival Henrique de Souza Fernandes (empresário), Maycon Nogueira (tabelião), Leandro Batista dos Santos e Volmar Dalpasquale (empresário).

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ALTA NAS BOMBAS

Gasolina sobe em abril e ultrapassa os R$7 em postos de Campo Grande

A menor variação no litro do combustível (0,31%) foi registrada na região do Segredo, cujo preço médio chegou a R$ 6,49

17/04/2026 08h45

Gasolina em Campo Grande ultrapassa os R$ 7 no crédito

Gasolina em Campo Grande ultrapassa os R$ 7 no crédito Gerson Oliveira

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Uma pesquisa realizada pelo Procon Mato Grosso do Sul apontou que, em abril, houve variação de até 11,83% no preço dos combustíveis em Campo Grande. Ao todo, 35 postos de abastecimento foram monitorados, cinco estabelecimentos localizados em cada uma das sete regiões da Capital. As maiores variações foram na forma de de pagamento no crédito.

Os maiores preços da gasolina foram registrados nos postos da região do Imbirussu, onde a média ficou em R$ 6,63 no crédito e R$ 6,47 no débito. Em ambas as modalidades de pagamento, o Posto Ecológico foi responsável por apresentar os valores mais altos do combustível, sendo R$ 6,79 (débito) e R$ 7,09 (crédito). 

Contudo, considerando o menor valor praticado para um abastecimento de 50 litros, a região do Imbirussu apresenta uma economia de até R$ 37,50 na aquisição de gasolina no crédito. A menor variação registrada ocorreu na região do Segredo, no pagamento em débito ou dinheiro do litro da gasolina (0,31%), cujo preço médio chegou a R$ 6,49.

O etanol apresentou diferença de 10,74% nas bombas da região do Lagoa, 9,55% no Anhanduizinho, 7,32% no Segredo e 6,99% no Bandeira. A gasolina variou 11,83% entre os postos da região do Imbirussu e 7,95% no Prosa. Já o diesel S10 oscilou 9,53% no Centro.

Confira as tabelas de cada região acessando o link.

Comparativo com março

No comparativo entre março e abril, considerando os menores preços nos postos de combustíveis, houve aumento de 21,37% no litro do Diesel S500 na região do Bandeira.

As maiores oscilações na gasolina foram na forma de crédito e estão concentradas nas áreas do Lagoa (6,70%) e do Segredo (6,24%). No Prosa, o etanol teve diferença de 4,80%, enquanto o metro cúbico do GNV (Gás Natural Veicular) variou 4,77% na região central.

A pesquisa analisa os valores de cinco tipos de combustíveis não aditivados: gasolina, etanol, diesel S500, diesel S10 e GNV, considerando pagamentos à vista e no cartão de crédito.

A comparação no período pode ser conferido através do link.

IPCA

Após registrar uma das menores inflações do País em fevereiro, Campo Grande teve aceleração no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março, que fechou em 0,93%. O resultado representa alta de 0,75 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando o índice havia sido de 0,18%.

Com isso, a Capital ficou levemente acima da média nacional, que foi de 0,88% no período.

O principal impacto veio do grupo Transportes, que avançou 2,15% e respondeu por 0,47 ponto percentual do índice geral. Entre os itens, o destaque foi o óleo diesel, que registrou aumento de 14,05%, além da gasolina (4,59%) e do ônibus interestadual (4,45%).

Mesmo com variação menor, a gasolina teve o maior peso individual no índice, devido à sua maior participação no consumo das famílias.

INTERIOR | ELDORADO

Polícia prende três acusados de necrofilia contra mulher morta na frente da filha

Vítima do 10° feminicídio do ano em MS, Vera Lucia foi morta a tiros pelo ex-companheiro, desenterrada e caso é investigado agora como violação de sepultura e vilipêndio à cadáver

17/04/2026 08h37

Vera havia terminado um relacionamento que durou 13 anos, com Valdecir um comerciante local que não aceitava o término e tirou a própria vida após assassinar a ex-mulher. 

Vera havia terminado um relacionamento que durou 13 anos, com Valdecir um comerciante local que não aceitava o término e tirou a própria vida após assassinar a ex-mulher.  Reprodução/Redes Sociais

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Após descobrirem que o corpo da 10ª vítima de feminicídio no ano em Mato Grosso do Sul foi alvo de necrofilia, a Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (16) três indivíduos que são acusados de cometerem os atos libidinosos contra o cadáver no município de Eldorado. 

Distante aproximadamente 444 quilômetros de Campo Grande, os crimes de violação de sepultura e vilipêndio à cadáver foram descobertos pela PCMS na manhã de quarta-feira (15), a partir de quando foram iniciadas as investigações por parte da delegacia de Eldorado. 

Sob o comando do delegado titular Robilson Junior Albertoni, os trabalhos investigativos desdobraram-se em busca de identificar os responsáveis. 

Conforme repassado pela Polícia Civil do MS em nota, ainda durante as buscas os agentes perceberam um indivíduo fugir para área de mata ao notar a aproximação dos policiais, o que intensificou a "caçada" pelos criminosos. 

Com o emprego até mesmo de drones, as buscas não cessaram nem mesmo no período noturno desde quarta-feira (15), com o indivíduo finalmente localizado e preso em flagrante ontem, porém não identificado pela Polícia Civil. 

Em depoimento na unidade policial, além de confessar a prática do crime contra o corpo de Vera Lúcia da Silva, o responsável ainda indicou a participação de outros dois comparsas, que também foram identificados e levados à prisão.

Relembre o caso

Vítima do décimo feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano, Vera Lúcia da Silva foi morta no último domingo (12) no município de Eldorado. 

Vera havia terminado um relacionamento que durou 13 anos, com Valdecir Caetano dos Santos, de 56, um comerciante local que não aceitava o término e que tirou a própria vida após assassinar a ex-mulher. 

"Desse relacionamento eles tiveram uma filha, com nove anos, a qual presenciou todo esse crime bárbaro", esclareceu o titular da delegacia de Eldorado. 

As autoridades descrevem que Vera Lúcia chegava em sua residência na data em questão, na companhia da filha, quando o responsável pelos disparos chegou ao endereço. 

"O autor não morava mais com ela, veio ao encontro e efetuou dois disparos que a atingiram e causaram sua morte. Ato contínuo, ele tirou a própria vida com um tiro na cabeça... tudo isso presenciado pela criança", cita o delegado.

Nesse caso que passa a ser investigado como o 10° feminicídio do ano em Mato Grosso do Sul, o delegado esclarece ainda que, após o término do casal, foram registrados ocorrências de violência doméstica, "sendo inclusive requisitadas e estavam em vigor algumas medidas protetivas em favor da vítima", completa Robilson. 

Depois desse crime, Vera Lúcia da Silva não obteve descanso nem mesmo após a morte, já que seu corpo foi desenterrado do cemitério de Eldorado entre a noite de terça (14) e a madrugada do dia 15, segundo a polícia civil em nota. 

No extremo sul do Estado, na microrregião de Iguatemi em MS, ainda nas primeiras horas da manhã do dia 15, equipes de perícia se deslocaram até o local em que o corpo foi desenterrado, cadáver esse que, como repassado às autoridades à imprensa local, apresentava sinais de necrofilia.  

 

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