Condenado a sete anos e seis meses de prisão por envolvimento com o tráfico de drogas, o advogado Rubens Dariu Saldivar Cabral foi novamente alvo da Polícia Federal (PF) ontem. As forças fizeram um pente-fino na cela em que ele cumpre sua sentença.
De acordo com o pedido de busca e apreensão e novo pedido de prisão contra o investigado, os mandados têm como objetivo “colher elementos necessários à prova das infrações penais investigadas, visando encontrar qualquer elemento de convicção, tais como procurações, registro de propriedade de bens, entre outros documentos que guardem relação com os crimes investigados, e ainda computadores, aparelhos de telefone celular, mídia de armazenamento de dados, ou qualquer outros meios de suporte ou arquivos que contenham informações de interesse para a investitgação”.
O mandado também determinava a apreensão de dinheiro em espécie, jóias e outros itens que possam conter indício de ter sido adquirido com recursos obtidos pelo crime imputado a Salvidar.
Além dele, também foram presos ontem, durante a segunda fase da Operação Audácia, Alexandre Rodrigues Amaro e Renan Oliveira Freitas.
ESQUEMA
As investigações contra o grupo tiveram início após apreensão de R$ 100 mil transportado em espécie entre as cidades de Ponta Porã e de Dourados, em novembro de 2023.
Na época, segundo a PF, o advogado foi flagrado numa abordagem policial em Ponta Porã, já perto da linha de fronteira com o Paraguai, com R$ 100 mil em espécie dentro do carro e não quis revelar de onde teria saído o dinheiro.
Depois desse flagrante ele foi preso no bojo da Operação Akã 2, que investigava um esquema de tráfico internacional entre o Paraguai e grandes centros do Brasil, em seu escritório, em Dourados.
Dois anos depois, o advogado foi novamente implicado com o tráfico de drogas. Segundo a denúncia, em janeiro de 2025 Saldivar teria retirado um veículo Audi A3 que foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Nova Alvorada do Sul, após seu condutor não respeitar ordem de parada e quase atropelar um policial rodoviário.
Após a liberação do veículo, a PRF viu que o advogado entregou o carro a um outro motorista em um posto de gasolina, após saída da delegacia, mas que teria seguido em outro veículo como batedor do Audi até Dourados.
Na rodovia ainda, a PRF abordou novamente o Audi, que era conduzido por Lucinei Ribeiro de Oliveira, o qual confessou que havia recebido R$ 1 mil para levar o carro até Dourados e que o advogado e outro investigado, Marlon Barroso de Andrade Lopes, estavam atuando como batedores em outro veículo.
O carro foi novamente apreendido e, durante vistoria, a polícia identificou 21,6 quilos de pasta base de cocaína escondida nas laterais das caixas de areia do veículo Audi. Na época os três foram presos em flagrante.
Sete meses depois, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Audácia, em julho de 2025, após novas informações revelaram existência de tráfico de drogas, supostamente com envolvimento de servidores públicos.
Denunciado, o advogado foi sentenciado em outubro de 2025, pela juíza Camila de Melo Mattioli Pereira, da comarca de Nova Alvorada do Sul.
A magistrada acatou a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que disse que Salvidar “praticou o crime de tráfico de drogas ‘valendo-se de sua profissão de advogado para buscar disfarçar sua condição de criminosoe traficante’”.
Em sua decisão, a magistrada disse que o advogado “agiu com culpabilidade exacerbada” e o condenou à prisão.
Marlon foi condenado a 8 anos e 9 meses de reclusão, mesma pena de Lucinei.

