Cidades

Precariedade

Sem energia, escola registra desmaio de aluna e MPMS vai à Justiça

Falta de ligação de transformador deixou estudantes sem ar-condicionado por quase dois meses; casos de desmaios, tonturas e dores de cabeça motivaram ação do Ministério Público

Continue lendo...

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Bela Vista, ingressou com uma ação civil pública contra a Energisa, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica no Estado, após falhas no atendimento a uma escola estadual do município.

Segundo o órgão, a demora para a ligação de um novo transformador provocou uma crise estrutural na unidade de ensino, expondo alunos, professores e servidores a condições extremas de calor e comprometendo o funcionamento das atividades escolares.

De acordo com o Promotor de Justiça substituto Gabriel Machado de Paula Lima, a investigação teve início em março de 2026, após denúncia apresentada pela Associação de Pais e Mestres (APM) da escola.

Conforme os autos, a unidade passava por obras de ampliação quando, em 9 de março, sofreu uma sobrecarga elétrica seguida de curto-circuito, ocasionando a queima do disjuntor-geral.

Após reparos emergenciais, a direção da escola foi orientada a manter todos os aparelhos de ar-condicionado desligados para evitar risco de incêndio na rede elétrica da instituição.

A Secretaria de Estado de Educação (SED) chegou a providenciar a instalação de um transformador compatível com a nova demanda energética da escola, porém a ativação do equipamento dependia exclusivamente da concessionária de energia.

Segundo o Ministério Público, mesmo após diversos acionamentos e pedidos formais, a empresa demorou semanas para realizar a ligação do transformador, deixando a comunidade escolar submetida ao calor intenso típico da região de fronteira.

Riscos à saúde

Durante diligências e vistorias realizadas pelo MPMS na unidade escolar, foram constatadas salas lotadas, com até 40 alunos, funcionando apenas com ventiladores em meio às altas temperaturas.

Relatórios encaminhados pela direção da escola ao Ministério Público apontaram uma sequência de episódios de mal-estar entre os estudantes.

No dia 11 de março de 2026, uma aluna do 1º ano desmaiou nos corredores após passar mal devido ao calor excessivo em sala de aula, sendo socorrida às pressas. Já em 12 de março, outros dois estudantes apresentaram fortes tonturas e dores de cabeça, e um deles precisou ser liberado das atividades escolares.

Ainda conforme os registros oficiais, nos dias 23, 26 e 30 de março, novos alunos procuraram a coordenação pedagógica relatando dores de cabeça intensas e indisposição provocadas pelo abafamento térmico dentro das salas.

Na ação judicial, o promotor destacou que a falta de fornecimento adequado de energia comprometeu diretamente o rendimento escolar e colocou em risco a integridade física de crianças, adolescentes e trabalhadores da unidade.

“A falta de fornecimento pleno de energia prejudicou sobremaneira o rendimento escolar dos alunos e colocou em risco a integridade física de crianças, adolescentes e trabalhadores”, destacou o MPMS na ação.

Falhas no atendimento

Além dos problemas na escola, o Ministério Público também realizou inspeção na sala de atendimento presencial da concessionária em Bela Vista e identificou precariedade na estrutura oferecida aos consumidores.

Outro ponto levantado na ação é que o chamado referente à escola estadual teria permanecido semanas sem abertura formal no sistema da empresa. Conforme o MPMS, a justificativa apresentada pela concessionária foi de que a unidade consumidora não havia sido localizada no cadastro.

Diante da situação, o Ministério Público pediu à Justiça a condenação da empresa ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, além da reparação dos danos individuais sofridos por alunos, professores e servidores afetados pela falta de energia elétrica na escola.

A equipe de reportagem do Correio do Estado entrou em contato com a Energisa solicitando um posicionamento da empresa. No entanto, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno.

TEMPORARIAMENTE

Preso há quase dois meses por matar fiscal, Bernal tem OAB suspensa

Ex-prefeito foi preso em 24 de março por matar fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini por brigas envolvendo um imóvel luxuoso

19/05/2026 15h45

Ex-prefeito matou fiscal tributário no dia 24 de março

Ex-prefeito matou fiscal tributário no dia 24 de março Foto: Reprodução

Continue Lendo...

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal teve o registro profissional de advogado suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS). Ele está preso há quase dois meses por homicídio qualificado, após matar a tiros o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini.

A suspensão preventiva foi publicada na edição desta terça-feira (19) do Diário Oficial da OAB.

De acordo com a publicação, a decisão da suspensão preventiva foi proferida pelo Tribunal de Ética e Disciplina.

A suspensão do exercício profissional de Bernal é preventiva, pelo prazo de 90 dias, de 18 de maio a 15 de agosto.

Duranto o período do cumprimento da sanção disciplinar, Bernal não poderá praticar qualquer ato provativo no exercício da advocacia. Ele foi notificado a apresentar o cartão e carteira de advogado na OAB/MS.

Homicídio

O crime ocorreu no dia 24 de março. Alcides Bernal matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, quando em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou.

Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. Contudo, mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

No dia 24, Bernal flagrou por meio do monitoramento de segurança a vítima entrando na propriedade com a ajuda de um chaveiro.

Ao chegar no local, o ex-prefeito se desentendeu com o fiscal e efetuou dois disparos na direção do rival judicial, sendo que um dos tiros atravessou a região da costela.

Imagens de câmera de segurança da casa mostraram que o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegou de picape ao local, por volta das 13h, enquanto Roberto o esperava dentro de sua caminhonete na frente do imóvel.

Logo após a chegada do chaveiro, o fiscal passou a instrução para Maurílio tentar abrir a porta principal da casa. As imagens mostraram que, enquanto o chaveiro realizava o trabalho, o fiscal apenas observava e esperava a conclusão da abertura.

Exatos 35 minutos depois de começar os trabalhos, Maurílio conseguiu abrir o portão e avisou Roberto, que imediatamente acessou a região interna da casa. Durante os próximos cinco minutos, ambos ficaram dentro do imóvel.

Às 13h44min20s daquele dia o vídeo mostra que o ex-prefeito chegou à frente da casa, após ser avisado pela equipe de monitoramento da empresa New Line de que teriam invadido a residência.

Cerca de 17 segundos depois, Bernal entrou no imóvel e, depois de cinco passos, efetuou o primeiro disparo contra Roberto.

No momento em que Bernal vai em direção ao corpo da vítima, ele entra no ponto cego da câmera, momento em que teria dado o segundo tiro no auditor fiscal, de acordo com o laudo pericial. Após isso, é possível ver o chaveiro escapando e saindo da casa, às 13h45min10s.

O ex-prefeito voltou a aparecer na filmagem, quando guarda a arma na cintura e se dirige para fora da casa, momento em que aproveitou para chamar a equipe da New Line, que tem sua sede exatamente na frente do local do assassinato.

Depois de mexer no celular, Bernal foi embora da cena do crime. Após isso, Bernal fugiu do local do crime e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro).

Ele está preso desde o dia do crime.

Audiência

O juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPMS) contra Alcides Bernal em abril e o ex-prefeito virou réu pelos crimes de homicídio qualificado por meio cruel, motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, porte ilegal de arma de fogo e violação de domicílio.

O juiz marcou duas datas de audiência para ouvir Bernal e testemunhas, sendo os dias 26 e 27 de maio.

No dia 26, serão ouvidas apenas as testemunhas arroladas pela acusação. Na sequência, serão as oitivas da defesa e o interrogatório de Bernal.

As audiências serão realizadas presencialmente na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. O juiz também notificou a empresa New Line, responsável pelo monitoramento de vídeo da casa onde o crime ocorreu, requisitando o envio do contrato de prestação de serviço com Bernal.

Assine o Correio do Estado

CAMPO GRANDE

Comerciante fica no prejuízo após furto de cobre de ar-condicionado no centro

Neste 2026, é revelado que a Casa dos Botões recebeu cerca de três "visitas" inesperadas de criminosos em um intervalo menor que 45 dias

19/05/2026 13h03

O cobre em aparelhos de ar-condicionado está presente principalmente nas serpentinas (trocadores de calor) e na tubulação de interligação

O cobre em aparelhos de ar-condicionado está presente principalmente nas serpentinas (trocadores de calor) e na tubulação de interligação Reprodução

Continue Lendo...

Apesar das belezas da Cidade Morena, o tom de vermelho-alaranjado do cobre ainda brilha os olhos de muitos criminosos, que fazem de tudo para conseguir porções desse metal e acabam deixando moradores e comerciantes no prejuízo, inclusive na região central de Campo Grande. 

É o caso da dona Maria Carolina, comerciante da Casa dos Botões localizada na rua Rui Barbosa, 2474, no centro de Campo Grande, que recentemente foi alvo da ação de bandidos que "estouraram" o ar-condicionado do estabelecimento para furtarem porções desse metal.

Aqui cabe esclarecer que, em aparelhos de ar-condicionado, o cobre está presente principalmente nas serpentinas (trocadores de calor) e na tubulação de interligação, como bem apontam as principais fabricantes do ramo. 

O cobre está nas serpentinas que compõem tanto a unidade interna (evaporadora) quanto na unidade externa (condensadora), sendo o caminho por onde circula o gás refrigerante, com intuito de absorver o calor do ambiente interno e liberá-lo para a área externa.

No caso de dona Maria, o último flagrante aconteceu há cerca de uma semana, no dia 12 de maio, sendo o terceiro somente neste ano e com os dois primeiros furtos acontecendo no intervalo de menos de um mês. Confira: 

Furtos constantes

Ao Correio do Estado, em desabafo, é dito que "quase todos" os proprietários de comércios no centro possuem relatos infortúnios como esse, causados sempre pelas mesmas razões, o que chamam de um problema crônico. 

Como bem esclarecem os comerciantes, há uns três anos um roubo maior aconteceu no dia 31 de dezembro de 2022, em plena virada do ano, quando os criminosos teriam invadido o estabelecimento e saíram levando itens e dinheiro. 

Já neste 2026, é revelado que a Casa dos Botões recebeu cerca de três "visitas" inesperadas de criminosos em um intervalo menor que 45 dias. 

O primeiro furto de fios neste ano foi registrado em 13 de abril, com o meliante entrando através de um terreno vazio aos fundos do estabelecimento, de onde conseguiu escalar e cortar todos os cabos da instalação. 

"Fiquei dois dias sem luz, portanto com atendimento ao público super prejudicado, desembolsei em torno de $2,300.00 , prejuízo entre mão de obra e produtos", citam. 

Cerca de 23 dias depois, em 06 de maio, o local foi alvo de uma segunda invasão, esta na qual os criminosos entraram pelo portão que dá acesso ao corredor que leva aos fundos da loja e, segundo os donos, possuía três cadeados.

"Quebrou e entrou, e esse mesmo corredor possui ainda um segundo portão, com mais concertina e cadeado, ele quebrou todas as grades, com alguma ferramenta e teve acesso ao estoque, levou todas as panelas da cozinha, de ferro e alumínio, que não eram poucas. Levou mais fios,  as extensões de energia que tínhamos, eram 3 de 10 e 15m cada, levou uma luminária e quebrou um ventilador portátil", revelam.  

Para além dos fios de cobre, após os comerciantes reporem os itens levados, menos de uma semana depois foi registrado o último episódio, levando dessa vez mais panelas e até uma garrafa térmica. 

"Estamos diante de um problema crônico,  que o poder público não tem controle, e nós cidadãos comuns ficamos reféns", concluem.

Problema antigo

Há tempos o centro de Campo Grande aparece como a região que concentra mais casos de furtos de fio, sendo, por exemplo, quase mil registros (909) anotados em 2023, sem uma interrupção visível com o passar dos anos. 

No último ano houve uma operação conjunta, envolvendo o Comando de Policiamento Metropolitano da Polícia Militar (PM), agentes da Civil (PC) e da Guarda Metropolitana (GCM) de Campo Grande, simultaneamente em sete regiões da Capital. 

Pelo menos 68 pontos de venda de cobre foram alvos da "devassa" dos agentes, justamente foco no combate ao furto e à receptação de fios e outros materiais metálicos, na qual foram apreendidos 220 kg de fios de cobre e resultou em R$20 mil em multas. 
 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).