Polícia

BATE-BOCA NA AFONSO PENA

Não pode criminalizar pobre, diz coronel da PM sobre 'racha' com Guarda

Veja o vídeo da discussão entre as corporações na principal via da Capital

RAFAEL RIBEIRO

19/09/2019 - 08h47
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Quase 12 horas após a divulgação do vídeo em que aparece batendo boca com guardas civis metropolitanos na esquina da Avenida Afonso Pena com a Rua 13 de Maio, no Centro de Campo Grande, o comandante da Polícia Militar na região, tenente-coronel Claudemir de Melo Domingos, enfim se posicionou publicamente sobre o episódio. De maneira enfática, taxou o episódio como uma " criminalização da pobreza."

"Os abusos tem que parar, não podemos mais admitir que pessoas sejam privadas da liberdade de ir e vir sem justa causa, mesmo que por um ou 15 minutos", disse Domingos, por meio de mensagem de celular divulgada em grupos para divulgação dos trabalhos da Polícia Militar.

"A PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) tem 185 anos e seus policiais são preparados para defender nosso povo e seu patrimônio, não podendo coadunar com violência e arbitrariedade, por isso criminalizar o pobre é crime contra a dignidade humana, somente assim evoluímos, doa a quem doer", completou o comandante da corporação na região central.

Uma abordagem a dois suspeitos de furto de fios das obras do Reviva Centro terminou em confusão entre Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana na noite do último sábado (14). Segundo registro da ocorrência feito na Depac do Centro, Domingos alegou que estava à paisana (com roupas civis) quando observou uma equipe da Guarda abordar dois jovens, de 37 e 21 anos, que estavam no canteiro central da Afonso Pena, de maneira troculenta.

Ainda de acordo com o relato do tenente-coronel no BO, a ação da corporação municipal durou mais de 15 minutos e foi agressiva. Ele relata que os dois abordados foram ameaçados, de que "seriam baleados na perna se fossem visto no Centro" e apanhariam, pois seria proibido pedir dinheiro a motoristas nos semáforos da via.

Segundo imagens divulgadas por integrantes da Guarda (veja abaixo) na última quarta, foi o estopim para um bate-boca entre as duas corporações na principal via da cidade. Sem saber se tratar de um tenente-coronel da PM, um superior da força municipal teria inclusive sacado sua arma, enquanto tropas de elite da força estadual, como o Batalhão de Choque, foram chamados.

O caso foi registrado como ameaça, usurpação de função pública, exercício arbitrário de atividade e abuso de autoridade. Como prova, Domingos anexou imagens gravadas de seu celular do momento da abordagem que provam a violência da Guarda no episódio. Por enquanto essas imagens são mantidas em sigilo, pois as corregedorias tanto da PM quanto da força municipal estão investigando as denúncias.

O Correio do Estado apurou com oficiais da PM que Domingos e outros policiais do serviço reservado do Batalhão do Centro, que atuam sem farda, investigavam justamente abordagens ostensivas ocorridas com moradores de rua no Centro da Capital. Há relatos de agressões em plena Afonso Pena, que chocaram pessoas que passavam pelo local. Acontece que foi a Corregedoria da PM a ser acionada, por uma confusão das pessoas.

"As fardas são parecidas, para a população em geral, PM e Guarda é tudo a mesma coisa. Precisávamos tirar essa história a limpo", disse um dos policiais ouvidos. Segundo ele, todo o material investigado será levado a Valério Azambuja, secretário municipal da Segurança e Defesa Social.

Na avaliação do Comando-Geral da PM, o fato de que fiações suterrâneas das obras de requalificação viária e urbanística do Centro terem sido alvos de furtos na última semana, levando ao reforço da segurança pela Guarda nas intermediações, provocou o efeito colateral de violência contra moradores de rua.

Na última quarta, o presidente do sindicato da Guarda Civil Metropolitana, Hudson Pereira Bonfim, falou sobre o episódio e classificou como "aberração jurídica" a atuação do tenente-coronel, que rebateu as críticas recebidas.

"Quanto ao caso da GM o que posso garantir a vocês que o dito pelo presidente do sindicato GM Bonfim é tudo uma mentira e falácia,  jamais eu faria o mau a sociedade, estou apenas defendendo justamente a democracia o respeito à Constituição Federal e a ordem pública. Os senhores me conhecem e sabem que temos que ser legalistas e respeitar os limites das instituições, mantendo o controle das ações dos órgãos para que não haja abusos contra a vida e ao patrimônio das pessoas. Não há nada pessoal contra uma ou outra instituição", disse.

VEJA O VÍDEO DIVULGADO POR GUARDAS CIVIS:

SIDROLÂNDIA (MS)

Denúncia de violência doméstica acaba com integrante do PCC morto pela PM

Claudenir Martins de Oliveira, de 43 anos, estava evadido e morreu em confronto policial

01/06/2026 08h40

Fachada Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia

Fachada Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia Governo de MS

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Claudenir Martins de Oliveira, de 43 anos, morreu em confronto com policiais militares da Força Tática da 8ª Companhia Independente de Polícia Militar (8ªCIPM), na noite deste domingo, em Sidrolândia, município localizado a 70 quilômetros de Campo Grande.

Conforme apurado pela reportagem, a Polícia Militar recebeu uma denúncia de violência doméstica, cujo nome do autor foi repassado por telefone. A polícia consultou a identidade no sistema SIGO e verificou que se tratava de um integrante do Primeiro Comando Vermelho (PCC) evadido do sistema prisional.

Em posse das informações, empenhou viaturas até o endereço. De acordo com o boletim de ocorrência, no local, os policiais visualizaram um homem correndo pelos fundos da residência, até o momento em que ele surgiu atrás de um coqueiro atirando contra os policiais.

Os militares revidaram, balearam e desarmaram o criminoso. Ele foi socorrido e levado ao hospital às 22h30min, mas, não desistiu aos ferimentos e faleceu às 23h.

O caso foi registrado como “morte decorrente de intervenção legal de agente de Estado” na Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia.

ESTATÍSTICA

Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) apontam que 41 pessoas morreram em confronto com agentes de Estado, entre 1º de janeiro e 1 de junho de 2026, em Mato Grosso do Sul.

Das 41 mortes, 8 ocorreram em janeiro, 5 em fevereiro, 9 em março, 9 em abril e 10 em maio. Em 2025, 73 pessoas morreram em confronto com a polícia.

Mortes registradas em confronto policial são classificadas como homicídio decorrente de oposição à intervenção policial.

O confronto entre forças de segurança governamentais e grupos armados ocorrem em situações de abordagem policial, roubos, flagrantes de tráfico de drogas, policiamento ostensivo em bairros, entre outras ocorrências.

CAMPO GRANDE (MS)

Criança é socorrida ao ser atingida de raspão por bala perdida na cabeça

Menina, de 7 anos, levou pontos na cabeça e não corre risco de vida

31/05/2026 12h00

Menina levou pontos na cabeça

Menina levou pontos na cabeça DIVULGAÇÃO

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Menina, de 7 anos, foi atingida de raspão por uma bala perdida na cabeça, enquanto dormia, na madrugada deste domingo (31), na rua Izolino Alves Pereira, bairro Los Angeles, em Campo Grande.

Ela levou pontos na cabeça, não corre risco de vida e seu estado de saúde é estável.

Conforme apurado pela reportagem, a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência de disparo de arma de fogo na região do Los Angeles.

Militares se deslocaram até o endereço citado e conversaram com a avó da criança, que relatou ter ouvido três estampidos.

Ela foi até o quarto da neta e percebeu que a menina estava com uma lesão na cabeça e o teto do quarto perfurado. Logo em seguida, encontrou o projétil de arma de fogo no chão.

Com isso, resolveu acionar a polícia. A equipe policial foi até o endereço e realizou diligências pela região para encontrar o autor dos disparos, mas, sem sucesso.

Polícia Civil e Polícia Científica também foram até a residência dos fatos realizar os procedimentos de praxe.

O projétil foi recolhido pelos policiais e entregue na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Especializado de Polícia Integrada (DEPAC-CEPOL)

A menina foi levada pela mãe para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Aero Rancho, onde foi socorrida e medicada. Ela levou pontos na cabeça e passa bem.

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa, disparo de arma de fogo e lesão corporal culposa na DEPAC-CEPOL.

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