A falta de médico pediatra nos sete centros regionais de saúde de Campo Grande fez com que muitas pessoas atravessassem a cidade em busca de atendimento para crianças nas unidades de Pronto Atendimento (Upa) da Vila Almeida e Coronel Antonino, que eram as únicas unidades que contavam com atendimento de pediatras. Diante da falta de especialista, quem mora nas Moreninhas, por exemplo, e procurou por atendimento no Coronel Antonino levou pelo menos meia hora para percorrer, de carro, os 17 quilômetros que separam os postos de saúde dos referidos bairros.
A escala de médicos divulgada pela prefeitura da Capital na última sexta-feira previa um pediatra no Centro Regional de Saúde do Bairro Moreninha, três no posto da Coophavilla, quatro na Vila Almeida e cinco no Coronel Antonino, sendo que apenas as unidades dos dois últimos bairros contavam com a disponibilidade do serviço.
Conforme a enfermeira chefe do posto da Moreninha, Glória Araújo Pereira, as crianças que apresentavam quadros mais graves, como febre alta, desidratação, vômito ou diarreia estavam sendo atendidas por clínicos-gerais, enquanto nos casos avaliados como ambulatoriais, como coceira no corpo ou tosse que persiste há alguns dias, os pais eram orientados a retornar à noite ou procurar atendimento nas Upas.
Absurdo
Uma mulher de 36 anos, que preferiu não se identificar, teve que se deslocar da região do Jardim Tarumã até o Coronel Antonino em busca de atendimento para três crianças. "Isso é um absurdo. Uma falta de respeito. Já bati boca duas vezes com assistente social e enfermeira porque elas acham que estão fazendo um favor", desabafou a mulher que esperava atendimento há mais de 40 minutos.
Apesar de morar no Bairro Taquaral Bosque, próximo ao Posto de Saúde do Nova Bahia, o frentista Elídio Martins da Rocha, 32 anos, teve que levar a filha de oito meses na Upa do Coronel Antonino porque era o local mais próximo que tinha pediatra disponível ontem à tarde. "Graças a Deus a gente quase não vem, mas quando precisa o atendimento é precário", classificou.
A supervisora Tatiane de Souza, 26 anos, contou que sua sobrinha de apenas dois dias teve crise de hipoglicemia e foi socorrida pelo Samu. A equipe foi para o Posto do Tiradentes e, como não havia pediatra na unidade, teve que encaminhar o bebê para o Coronel Antonino, que posteriormente foi levado para a Santa Casa. De acordo com a jovem, a família temia pela vida da criança em função da demora pelo atendimento adequado.
O jornalista Ademar Cardoso Andrade, de 49 anos, aguardou durante quatro horas para que o filho de 13 anos, que desmaiou na tarde de ontem, fosse atendido. "Como meu filho já estava acordado, eles disseram que o caso não era de emergência e que era para agendar uma consulta na Unidade Básica de Saúde. Eu tinha que chegar com meu filho desmaiado nos braços para ser atendido. O sistema é muito falho", reclamou o homem, ressaltando que a unidade não tem estrutura para fazer exames e também não encaminha os pacientes para realizar o procedimento em outro local.

