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Prefeitura alega que reposição de ambulâncias é responsabilidade do Ministério da Saúde

Auditoria apontou falhas no Samu de Campo Grande; atualmente, oito ambulâncias operam na Capital, metade da frota disponível

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Uma auditoria realizada pelo Ministério da Saúde apontou falhas no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Campo Grande, como por exemplo o grande número de veículos "parados" aguardando manutenção e a falta de medicamentos e equipamentos básicos e obrigatórios para o atendimento de urgência.

Questionada pelo Correio do Estado, a Prefeitura de Campo Grande defendeu que o Município necessita da renovação da frota, que é de responsabilidade do Ministério da Saúde.

"Conforme pactuação tripartite, o Ministério da Saúde tem por obrigação a troca da frota a cada cinco anos, além dos repasses de custeio desses veículos - que está acontecendo normalmente", diz nota.

Além disso, a Prefeitura acrescenta que, em 2021, a pasta autorizou o desfazimento de oito viaturas, que já apresentavam critérios para serem enviadas a leilão.

"Com isso, é de responsabilidade do Ministério da Saúde a reposição destas, seja enviando veículos novos ou realizando o repasse para que o município faça a aquisição por conta própria. Contudo, ainda não houve retorno sobre tal situação. O último envio de viatura aconteceu em 2019". 

A Prefeitura ainda explica que como as viaturas ultrapassaram os cinco anos preconizados, acabam exigindo manutenções muito caras para que a circulação seja possível.

Conforme noticiado anteriormente, foram investidos R$ 3,6 milhões na manutenção das ambulâncias, e mesmo assim todas estavam "sucateadas", necessitando de manutenção, já que estavam com ar condicionado danificado e algumas apresentavam defeitos em sirene, giroflex, lâmpada de ré, assoalho, pneus, pedal do freio, além de possuírem compartimentos e maca soltos.

O relatório foi realizado entre janeiro de 2022 e junho de 2023, e apontava para 10 viaturas operando em Campo Grande e oito em manutenção. Pouco mais de oito meses após o levantamento, o número de ambulâncias rodando na Capital é ainda menor, de apenas oito viaturas.

"Cabe esclarecer que o quantitativo de viaturas em uso é flutuante, podendo variar para mais ou menos, de acordo com a situação momentânea", destacou a Prefeitura.

A nota ressalta ainda que em 2016 a frota era de apenas três ambulâncias. Em 2017 se deu o processo de regularização, e em 2019 a prova foi renovada, com a aquisição de 10 novas viaturas pelo município.

"Não obstante, conforme mencionado, o tempo útil de operação de cada viatura é de 5 anos, tendo, conforme portaria, o Ministério da Saúde a responsabilidade de fazer a substituição imediata deste veículo, o que não ocorreu", acrescenta nota.

Por fim, a Prefeitura afirma que o município deverá receber seis novas viaturas, através da Portaria n° 3.257 do Ministério da Saúde, publicada em 07 de março de 2024, mas disse ainda não haver previsão para a entrega.

Medicamentos

A auditoria identificou ainda a falta de seis medicamentos dos 26 obrigatórios para os veículos de Suporte Avançado: Dopamina, Lidocaína sem vasoconstritor, Ketalar, Lanatosídeo C, Meperidina e Quelecin.

Segundo a Prefeitura, grande parte deles foram descontinuados, conforme a portaria vigente, e outros foram regularizados, como a Lidocaína e Ketalar.

Quanto aos materiais e equipamentos obrigatórios faltantes, apenas os óculos e lanternas foram regularizados. Segundo a nota, os protetores para queimados, eviscerados e bandagens triangulares não são mais utilizados pelo serviço. As viaturas seguem sem estetoscópio infantil, esfigmomanômetro infantil e sondas vesicais.

"Para manter o abastecimento de insumos, o município possui processos de compras abertos rotineiramente, reiniciando-os sempre que o anterior finalizar. Neste momento, a Secretaria Municipal de Saúde aguarda a entrega de pelo menos 54 medicamentos e insumos, além de diversos outros que estão aguardando publicação em edital da data do pregão, que também deve acontecer neste mês", finaliza nota.

Denúncia ao Tribunal de Contas

Em entrevista ao Correio do Estado, o vereador Professor André Luis afirmou que denunciará o investimento de R$ 3,6 milhões na manutenção de ambulâncias ao Tribunal de Contas do Estado e ao Tribunal de Contas da União. Isso porque, segundo ele, o valor gasto não reflete as condições avaliadas pela auditoria.

"O que nos preocupa é o gasto de R$ 3,6 milhões com a manutenção de ambulâncias do SAMU, sendo que elas estão em péssima condição. Além disso, três delas estão paradas a um período bastante longo, de mais de seis meses. Então é estranho você gastar um valor dessa proporção para manutenção de ambulâncias, sendo que a ambulância está toda quebrada. Está faltando material, ela não tem estrutura boa, é muito complexo isso", declarou o vereador. 

O vereador também irá buscar explicações da Secretaria de Saúde e acionar a Organização dos Advogados do Brasil (OAB/MS).

"Eu vou fazer uma denúncia para o Tribunal de Contas do Estado e também para o Tribunal de Contas da União, porque tem dinheiro da União envolvido nessa história. Vou fazer uma comunicação à Secretaria de Saúde, para que abra uma auditoria interna para apurar o funcionamento dessa coordenação de SAMU. Tá muito esquisito isso, vou fazer essa comunicação também para a Comissão de Saúde da OAB e para o Ministério Público da Saúde, porque eu acho que isso exige acompanhamento", garantiu.

Segundo Prof. André Luis, com o valor investido em manutenção seria possível realizar a compra de novas ambulâncias.

"R$ 3,6 milhões dariam para comprar, nos preços de hoje, 10 ambulâncias. Nós estamos gastando por ano 10 ambulâncias. Tem uma coisa muito esquisita aí, né? A gente precisa apurar isso mais a fundo", concluiu.

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Fatalidade

Mulher de 32 anos morre em acidente na BR-262, em MS

Outras duas pessoas que estavam a bordo do veículo foram socorridas e encaminhadas ao hospital

11/03/2026 08h14

Crédito: Fatos Regionais

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Foi identificada como Rosemari Pereira de Souza, de 32 anos, a mulher que não resistiu após o veículo em que estava se envolver em um acidente na BR-262, em Água Clara, município localizado a 192 quilômetros de Campo Grande.

O acidente ocorreu por volta das 17 horas de terça-feira (10), a polícia não informou a dinâmica da ocorrência. O carro acabou saindo da pista. No veículo também estavam Geralmir Freire Lima, de 66 anos, e Luiza Alves, de 52 anos.

Segundo o portal local Fatos Regionais, o veículo faz parte da frota da Secretaria Municipal de Saúde do município. Os outros dois ocupantes foram resgatados e encaminhados ao Hospital Municipal Nossa Senhora Aparecida.


Informações preliminares indicam que o veículo retornava de Três Lagoas onde levou pacientes para receber atendimento médico, e retornava para Água Clara.

A prefeita do município, Gerolina, em seu perfil no Facebook, manifestou nota de pesar. Confira:


“Recebemos com profunda tristeza a notícia do falecimento de Rosemari Pereira. Neste momento de dor, manifestamos nossas mais sinceras condolências aos familiares e amigos, desejando que encontrem conforto e força para atravessar essa perda irreparável. Momento de muita tristeza para todos nós.
 

A morte de Rosenari gerou comoção nas redes sociais. Ela foi descrita como uma mulher de fé, de alto astral, acolhedora e boa mãe. Uma das pessoas lamentou o ocorrido. 

“Chorei ao saber dessa notícia. Quando me despedi dela, comentei que estaria orando para que surgisse um doador de rim, para que ela não precisasse mais ficar indo e vindo toda semana.

Me deparar com a notícia de seu falecimento me deixou profundamente triste.

Que Deus conforte o coração de todos os familiares e amigos neste momento de tanta dor”, escreveu uma usuária do Facebook.

“Não dá pra acreditar. Logo você. Que Deus conforte os corações das meninas e de toda a família. Você vai deixar saudades”, lamentou outra pessoa.

 

 

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Água Clara para um posicionamento sobre o acidente, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. Caso haja manifestação, o texto será atualizado.

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Protesto

Presídio que abriga chefões do crime tem equipe reduzida

Com 1,4 mil servidores em escala de 24 horas por 72 horas, número está abaixo do ideal e até secretaria nacional pede contratação de mais 800 policiais

11/03/2026 07h45

Presidente do sindicato dos policiais penais, Renan Fonseca, falou sobre dificuldades enfrentadas pela categoria em Campo Grande

Presidente do sindicato dos policiais penais, Renan Fonseca, falou sobre dificuldades enfrentadas pela categoria em Campo Grande Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A Penitenciária Federal em Campo Grande, de segurança máxima, tem atualmente 1,4 mil servidores, que atuam em escala de 24 horas por 72 horas de trabalho.

Esse número é o mesmo desde que o local foi inaugurado, em dezembro de 2006, e muito inferior ao indicado para manter a segurança do local, que hoje comporta 130 presos e conta com alguns nomes famosos.

Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Penais Federais em Mato Grosso do Sul (Sinppf-MS), Renan Fonseca, a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) estabeleceu que o presídio federal na Capital necessita de pelo menos mais 800 servidores, o que elevaria o número para 2,2 mil funcionários, mas a categoria acredita que seria ideal 2,5 mil servidores.

“Muitas operações são iniciadas por informações de inteligência que passamos. Ouvimos entrevistas com advogados, visitas, monitoramos cartas, então, isso demanda um servidor ficar ouvindo todas as gravações. Quase tudo que eles falam é captado aqui, e isso demanda pessoal, essa pessoa poderia estar fazendo outros trabalhos dentro da penitenciária, o que impacta quando temos um efetivo que é o mesmo de 20 anos atrás”, afirma o servidor.

Fonseca afirma que, desde que a penitenciária foi inaugurada, muita coisa mudou ao longo dos anos, mas nada se modificou em recursos humanos na unidade, que, além da falta de pessoal, ainda tem outros problemas, como falta de munição para treino de equipamentos novos e a ausência da segurança necessária para um presídio federal que recebe presos como Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, chefe do Comando Vermelho, e Rogério de Andrade, o maior bicheiro do Rio de Janeiro.

“Mudou tudo em 20 anos, mas não estamos conseguindo evoluir em recursos humanos. Temos muitos servidores sobrecarregados, muitos servidores com atestado médico psiquiátrico. A estrutura já foi mexida, mas o número de pessoal continua o mesmo. Recebemos um armamento novo, mas a maioria das pessoas não conseguiu sequer fazer o treinamento para usá-lo”, lamenta o presidente do sindicato.

O armamento novo citado são metralhadoras israelenses Negev, equipamento que tem capacidade de disparar até 1.150 tiros por minuto.

Utilizada pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) desde 1997, a arma utiliza munição 5.56 mm (NG-5) e 7.62 mm (NG-7), ambas à disposição na Penitenciária Federal em Campo Grande.

Conforme Fonseca, o equipamento chegou no ano passado, entretanto, houve treinamento apenas para uma parte dos servidores, a outra parte já deveria ter feito o curso, mas, como não havia munição específica para os treinos, uma parcela dos funcionários recebeu o equipamento sem se habituar com o armamento.

Outro problema apontado é a falta da muralha, prometida pelo governo federal, mas até hoje não construída na unidade de Campo Grande.

O projeto foi apresentado em fevereiro de 2024, pelo então ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski, quando os detentos Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento fugiram da Penitenciária Federal em Mossoró, a primeira fuga de uma unidade do governo federal.

Na época, o secretário nacional de Políticas Penais André Garcia disse que a investigação apontou que a fuga foi resultado de “falhas estruturais, tecnológicas e procedimentais”, por isso, o governo federal preparou um pacote de modernização para as penitenciárias, porém, só a de Mossoró está com obras em andamento e a de Brasília já tem o sistema.

O projeto prevê que a muralha tenha estrutura com 40 centímetros de espessura e siga um padrão técnico mínimo de altura, fixado em 9 metros.

Além disso, o projeto prevê quatro torres de vigilância, com aproximadamente 17 m de altura, estruturadas para garantir visão panorâmica de todo o perímetro e para enfrentar, inclusive, possíveis ataques aéreos.

Porém, em Campo Grande, a unidade é protegida por uma cerca, o que deixa a situação mais complicada para os servidores em caso de tentativa de fuga.

“Essas penitenciárias [federais] foram inspiradas em presídios dos Estados Unidos. A diferença é que lá eles são feitos no deserto, então, a visão deles é muito boa. Mas aqui foi feito perto da cidade e em uma área abaixo da linha do trem. São 20 anos em que nunca aconteceu nada, mas, com a muralha, a segurança seria muito maior, porque é praticamente impossível penetrar no presídio com ela”, explica.

No ano passado, o Correio do Estado mostrou que o projeto havia tido problemas na fase licitatória em Mossoró, o que atrasou as outras obras.

Em Campo Grande não há previsão, assim como em Catanduvas (SC). A estimativa é de que a construção na Capital custe cerca de R$ 42 milhões.

Segundo o sindicato, o processo da Capital estaria pronto, aguardando apenas a publicação do edital, o que ainda não aconteceu.

FUNDO

Em razão de todos esses problemas, ontem os policiais penais federais fizeram uma mobilização em frente ao presídio na Capital, em que pediam a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc). 

O fundo tem como objetivo destinar bens e dinheiro apreendidos em operações contra organizações criminosas para o combate ao crime, permitindo o uso de recursos para investimento em tecnologia, equipamentos e recursos humanos das instituições.

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