Cidades

CONCURSO PÚBLICO

Prefeitura esclarece questionamento do MPMS e mantém convocação de 487 professores

PMCG afirmou que o concurso foi homologado, conforme o Diário Oficial nº 7.488, antes do prazo de 05/07/2024, sendo, portanto, legal a convocação dos servidores durante qualquer época do ano

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Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) desconsiderou o questionamento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e vai manter a convocação de mais 487 professores aprovados no Concurso Público para profissionais da Rede Municipal de Ensino (REME).

MPMS publicou, neste sábado (24), uma recomendação à PMCG sobre o chamamento de novos professores em pleno período eleitoral.

De acordo com a carta de recomendação, é vedada a nomeação ou contratação de servidor público, bem como a readaptação de vantagens em período eleitoral, conforme redige o artigo 73, Lei 9.504/97, da Constituição Federal.

“Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:

(...) V - nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade de pleno direito”.

No entanto, nesse caso a legislação estabelece algumas ressalvas, que devem ser comprovadas:

  • a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança;
  • a nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais ou Conselhos de Contas e dos órgãos da Presidência da República;
  • a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo;
  • a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo;
  • a transferência ou remoção ex officio de militares, policiais civis e de agentes penitenciários.

Com isso, o MPMS exige que a prefeitura comprove, em até 5 dias, a contar da data de sábado (24), que a homologação do concurso público em questão ocorreu até 6 de julho de 2024.

Caso a ação não seja cumprida, poderá ser aplicada multa no valor de R$ 5.320,50 a R$ 106.410,00.

Alerta-se ainda que quando comprovada a gravidade do fato para comprometer a legitimidade do pleito, o responsável poderá ter o mandato cassado e ser considerado inelegível pelo período de oito anos, a contar da data da eleição.

"Acrescenta-se que, o desvirtuamento da publicidade institucional (art. 37, § 1º, da CF), caracteriza o abuso de poder de autoridade, impondo também a cassação do registro do ou diploma (art. 74 da Lei n. 9.504/97)".

Em nota enviada ao Correio do Estado, a prefeitura afirmou que o concurso foi homologado, conforme o Diário Oficial nº 7.488, antes do prazo de 05/07/2024, sendo, portanto, legal a convocação dos servidores durante qualquer época do ano.

“A Prefeitura Municipal de Campo Grande informa que as nomeações dos aprovados no concurso público para professores ocorrem em conformidade com a legislação eleitoral vigente. A Secretaria Municipal de Educação (SEMED) informa que o edital foi homologado em 5 de julho de 2024. Conforme disposição expressa na Lei das Eleições, é lícita a nomeação de aprovados em concurso público homologado até o dia 05/07/2024: Art. 73. De acordo com o Art. 73, inciso V, alínea "c" da Lei das Eleições, é permitida a nomeação de aprovados em concursos públicos homologados até três meses antes do início do período eleitoral. Neste caso, o concurso foi homologado, conforme o Diário Oficial nº 7.488, antes do prazo de 05/07/2024, sendo, portanto, legal a convocação dos servidores durante qualquer época do ano. A Prefeitura Municipal ressalta que as exceções previstas na Lei das Eleições, em conjunto com a Lei de Responsabilidade Fiscal, são seguidas para garantir transparência e equidade na administração pública”.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, o presidente do Sindicato dos Professores da rede pública de Campo Grande (ACP), Gilvano Bronzoni, a prefeitura está dentro do prazo e

“Entenda o quadro que nós temos em Campo Grande: 1- o concurso foi homologado antes do período eleitoral como manda a legislação. 2- Nós temos professores aprovados, aptos a assumirem o cargo. 3- Nós temos as vagas, inclusive apresentadas pela própria prefeitura. 4- Não incide na lei de responsabilidade fiscal, porque você está substituindo o professor que está em sala de aula na condição de temporário, pelo professor efetivo, como inclusive preconiza a legislação, a Constituição Federal. O ingresso do serviço público será através de concursos. Então, se vocês juntarem esses quatro pontos, não existe hoje razão ou o porquê de ser barrado esse processo”, explicou Bronzoni.

CONCURSO REME - 2024

Concurso Público para professor da Rede Municipal de Ensino (Reme) iniciou em 11 de dezembro de 2023 e encerrou em 23 de agosto de 2024.

No início, eram 323 vagas disponíveis, mas o número foi expandido para 810. O salário é de R$ 3.671,07 e a carga horária é de 20 horas semanais.

Ao todo, 20.861 candidatos se inscreveram no concurso, sendo que 18.764 (89,9%) compareceram as provas. A concorrência foi de 58 candidatos/vaga.

O período de inscrições foi de 11 de dezembro de 2023 a 15 de janeiro de 2024. O exame foi aplicado em 4 de fevereiro de 2024 na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Uniderp, Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado e Escola Estadual Prof. Emygdio Campos Vidal.

O gabarito foi compartilhado em 5 de fevereiro. Já o resultado da prova objetiva foi divulgado em 1º de março e a redação em 26 de março. O resultado final foi divulgado em 24 de abril e a convocação em 23 de agosto. O concurso público foi aplicado pelo Instituto Avalia.

No início, eram 323 vagas, sendo 82 para professor de Educação Infantil; 120 para professor de anos iniciais do Ensino Fundamental; 84 para professor de Artes; 10 para professor de Educação Física; 5 para professor de Língua Inglesa; 5 para professor de Língua Portuguesa, 5 para professor de Matemática, 4 para professor de Geografia; 4 para professor de História e 4 para professor de Ciências.

Mas, a prefeitura resolver chamar mais 487, sendo que grande parte dos profissionais irá atuar nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Atualmente, a Rede Municipal de Ensino (Reme) tem aproximadamente 109 mil alunos matriculados em 206 unidades de ensino, 7,5 mil professores e 12 mil servidores (incluindo administrativos, pessoal da limpeza, merenda, monitor de aluno e etc).

Transporte Coletivo

Linha de ônibus de Campo Grande ganha 4 novos horários e terá trajeto ampliado

Mudanças começam neste domingo (1º), com quatro novas partidas durante a semana e ampliação do itinerário; alterações serão testadas por 30 dias.

30/10/2026 15h56

Linha de ônibus de Campo Grande terá quatro novos horários e trajeto ampliado a partir deste domingo (1º).

Linha de ônibus de Campo Grande terá quatro novos horários e trajeto ampliado a partir deste domingo (1º). Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande.

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Os moradores do Distrito de Rochedinho, em Campo Grande, terão novas opções de transporte coletivo a partir deste domingo (1º de novembro). A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) anunciou a ampliação do itinerário e a inclusão de quatro novos horários na linha 601 - Rochedinho/Campo Grande, que liga a região rural ao Centro da Capital.

As mudanças serão implantadas inicialmente em caráter experimental, durante 30 dias, e têm como objetivo facilitar o deslocamento de moradores e trabalhadores que dependem do transporte público para realizar atividades na cidade.

Conforme a Agetran, os novos horários serão acrescentados à programação já existente, sem a retirada das viagens atualmente oferecidas aos passageiros.

A principal alteração no itinerário ocorrerá no sentido Campo Grande/Rochedinho. Com a ampliação, os ônibus passarão a atender também a Rua Guia Lopes da Laguna, nº 4, no distrito, aumentando a cobertura do transporte coletivo na localidade.

A medida busca facilitar o acesso de passageiros que atualmente precisam se deslocar até outros pontos para utilizar o serviço, além de melhorar a ligação entre a área rural e a região central de Campo Grande.

Confira os quatro novos horários

A programação terá duas novas partidas de Campo Grande e outras duas saídas de Rochedinho, de segunda a sexta-feira.

Saídas de Campo Grande - Praça Ary Coelho:

  • 6h05

  • 14h55

Saídas de Rochedinho:

  • 6h

  • 7h10

As novas viagens serão incorporadas à tabela atual da linha 601. Dessa forma, os passageiros continuarão contando com todos os horários anteriormente disponíveis, além das quatro opções adicionais durante a semana.

A inclusão das partidas busca atender à demanda por transporte principalmente nos períodos da manhã e da tarde, quando moradores e trabalhadores precisam se deslocar entre o distrito e a Capital.

Mudanças serão avaliadas durante 30 dias

Apesar de anunciadas para entrar em vigor neste domingo, as alterações ainda não são definitivas. A Agetran estabeleceu um período experimental de 30 dias para avaliar os resultados da ampliação.

Durante esse prazo, equipes técnicas deverão acompanhar o número de passageiros transportados, a pontualidade dos ônibus e as condições de atendimento ao longo do percurso.

Os dados coletados servirão de base para decidir se a nova programação será mantida após o encerramento do período de testes.

Caso os resultados confirmem a viabilidade operacional e a aceitação dos usuários, os novos horários poderão ser incorporados definitivamente à linha 601, sem prazo determinado para encerramento.

Segundo a agência, a iniciativa faz parte das ações de adequação do transporte coletivo às necessidades dos moradores dos distritos de Campo Grande, especialmente das comunidades que dependem das linhas de ligação com a região central.

pós-eleição

Funai aciona PF e pede apuração de casos de ataques contra indígenas em MS

Indígenas denunciam mais de 30 ataques pós-eleição em Mato Grosso do Sul

30/10/2026 15h31

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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Indígenas do Mato Grosso do Sul seguem denunciando a escalada das ameaças e da violência contra suas comunidades após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25).

Entre os ataques está o incêndio da casa da rezadeira de 90 anos Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande, na manhã de quinta-feira (29).

De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o incêndio foi criminoso e, além da casa da idosa, destruiu instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani, “representando uma grave violação não só aos direitos indígenas, mas também à liberdade religiosa”.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta sexta-feira (30), Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, afirma que os ataques e as ameaças contra as comunidades Guarani Kaiowá se intensificaram nos últimos dias.

“Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, disse Voninho.

Diante da gravidade dos relatos, o Ministério dos Povos Indígenas e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informaram que acionaram a Polícia Federal (PF) e estão acompanhando as denúncias de violência e ameaça contra os Guarani Kaiowá.

Nesta quinta-feira, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para receber as denúncias de ataques e ameaças. 

“O Ministério da Justiça também requisitou, de todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal, todas as denúncias que estão chegando, para a gente centralizar aqui, no âmbito do governo federal”, declarou o ministro.

Envenenamento

A Apib afirma já ter contabilizado, em Mato Grosso do Sul, mais de 30 casos de violência contra povos indígenas relacionados ao processo eleitoral deste ano. 

Segundo Voninho, as ocorrências envolvem ataques, ameaças e atropelamentos que já resultaram em mortes

Um desses casos ocorreu em Tacuru, na noite de domingo (25).

Pouco após a divulgação do resultado do segundo turno da disputa presidencial, mensagens de áudio atribuindo ao voto indígena a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva começaram a circular nas redes sociais. Em uma delas, um homem não identificado sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena da cidade.

“Cê tá doido, rapaz. [Nós - ou como] que ajuda essas praga. E essas praga do demônio. Mas fazer o quê, né? A gente não pode fazer nada. Já falei. Tinha que ponhar [sic] veneno na água”, diz o homem cujo nome não foi divulgado, mas que o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) já confirmou ser um servidor público municipal.

Em um vídeo postado em seu perfil no Instagram, Torquetti se refere à repercussão pública ao áudio como um “assunto chato demais da conta” e diz que o autor da mensagem é um “excelente servidor” e destaca que, em nenhum momento, o homem mencionou os indígenas.

“O servidor diz que teria que pôr veneno na água e matar todo mundo, sem citar nenhum tipo de gente”, acrescentou o prefeito, explicando que, ainda assim, a prefeitura afastou temporariamente o servidor de suas funções e instaurou um processo administrativo disciplinar a fim de apurar a conduta do servidor.

Ainda de acordo com o prefeito, o autor da mensagem não trabalha no setor de abastecimento, nem dirige carros-pipas da prefeitura, conforme algumas postagens em redes sociais sugeriram.

Em outro áudio, um segundo servidor municipal ofende os indígenas por, segundo ele, terem votado no candidato petista. Em seguida, o homem, cuja identidade também não foi divulgada, passa a ameaçar um suposto interlocutor a quem chama de Índio. 

“Vou te dar um recado bem duro e bem claro. Cê sabe onde eu moro. Eu tô aqui em casa. Quer resolver na pancada, você pode vir aqui. Na pancada, na bala, do jeito que você quiser”, escreveu o servidor.

Apuração

Em nota, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) informou que, com base nas denúncias que a Apib encaminhou a órgãos federais, instaurou procedimentos para “apurar a veracidade das acusações” e garantir a proteção dos territórios indígenas.

O órgão, contudo, descartou a existência de crimes em ao menos um dos casos já apurados. 

Em Naviraí, a cerca de 350 quilômetros de Campo Grande, o procurador responsável pelo inquérito, Marco Antonio Delfino Rufino, concluiu que as denúncias de supostos homicídios por conflitos políticos não passavam de “boatos” e que imagens fora de contexto foram “falsamente associadas a um suposto ataque contra indígenas”.

Se em Naviraí o MPF deu por esclarecidas as denúncias, que classificou como desinformação, no caso de Tacuru o órgão estabeleceu um prazo de 48 horas para que a prefeitura preste informações sobre a atuação dos servidores municipais, recomendando a instauração de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar dos envolvidos.

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