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Prefeitura quer que PAC ajude a renovar ambulâncias do Samu

A frota de urgência e emergência foi renovada em 2020, mesmo assim, alguns carros já estão estragados; no mês passado, apenas seis estavam funcionando

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A Prefeitura de Campo Grande solicitou, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), ajuda para expansão e renovação da frota do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ao todo, foram requeridas seis ambulâncias novas, com o objetivo de agilizar o atendimento de urgência e emergência na Capital.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), em 2020, toda a frota de ambulâncias do Samu foi renovada, contando com 11 veículos. No entanto, alguns já estão fora de circulação, em função de estarem em manutenção. A Sesau afirma que são necessárias 14 ambulâncias operacionais para o atendimento de qualidade e com agilidade na Capital. 

Além do pedido por meio do Novo PAC, a Sesau também solicitou ao Ministério da Saúde, por meio da Portaria n° 544/2023, a renovação da frota, com cadastro de mais cinco ambulâncias. 

No entanto, até o momento, a prefeitura não obteve resposta do Ministério e, em razão disso, iniciou processo para alugar 10 ambulâncias, para a ampliação da frota e a troca dos veículos que estão fora de operação. 

Sendo assim, se o pedido ao Novo PAC for atendido e o processo de aluguel finalizado, a prefeitura terá a frota de ambulâncias do Samu completa e renovada, com dois veículos reservas. 

A Sesau relata que a vida útil das viaturas é de no máximo seis anos, por conta da rodagem, então, precisam ser renovadas de forma constante. Como a última renovação ocorreu em 2020, os veículos teriam metade da vida útil, mas já há algumas ambulâncias paradas para manutenção. 

Essa renovação auxiliaria “na manutenção do serviço de maneira efetiva e na melhoria do tempo resposta”, alega a Sesau. 

Caso o Ministério da Saúde responda à solicitação feita por meio da Portaria n° 544/2023, a Sesau relata que, como o processo de aluguel das 10 ambulâncias já foi iniciado, é provável a manutenção desses veículos, podendo diminuir o número de viaturas alugadas.

AMBULÂNCIAS PARADAS 

Em outubro deste ano, os impactos da falta de ambulâncias foram notados pela população, com denúncias enviadas ao Correio do Estado de que apenas seis viaturas do Samu estariam operando nas bases que ficam nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). 

Na época, a Sesau operava apenas com 10 unidades, sendo seis ambulâncias bravo, equipadas com suporte básico de vida terrestre, e quatro alfa, equipadas com suporte avançado de vida terrestre, mas apenas seis estavam funcionando deste total.

A denúncia foi feita por um servidor que não quis se identificar, que relatou que as ambulâncias dos Bombeiros também estavam tendo problemas, com apenas 6, das 14 viaturas, atuando. 

PAC 

Além das novas ambulâncias, a prefeitura da Capital fez mais 17 pedidos para o Novo PAC Saúde, que envolvem principalmente a construção de unidades. 

A prefeitura solicitou a construção de seis novas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSFs), nos bairros Serraville, Lar do Trabalhador, Vila Corumbá, São Conrado, Cidade Morena e Rio Grande do Sul. 

Foram solicitadas, por meio do Novo PAC Saúde, a construção de seis Unidades de Saúde da Família (USFs), nos bairros Jardim das Meninas, Indubrasil, Popular, Jardim Columbia, Vivendas do Parque e 26 de Agosto. 

Também foram solicitadas a construção de centros de atendimento psicossocial (Caps), para atender crianças e jovens, pessoas adultas com transtornos mentais graves e persistentes e pessoas adultas com transtornos mentais graves e persistentes provenientes do uso abusivo de álcool e drogas. 

Uma Unidade Odontológica Móvel (UOM), para atendimento em região de área rural no distrito de Anhanduí, também está no pacote de pedidos.

Ao todo, a Prefeitura de Campo Grande enviou ao governo federal 39 projetos por meio do Novo PAC. Desses pedidos, 37 foram feitos antes da prorrogação da data-limite e totalizam R$ 506,8 milhões. Além disso, há outras duas propostas em parceria com o governo do Estado, no valor de R$ 4 milhões.

Bets

Apostas digitais não garantem retorno; veja como identificar plataformas autorizadas

Especialistas explicam que jogos caça-níqueis e bets utilizam estratégias de persuasão e algoritmos para manter o apostador jogando, sem a certeza de obtenção do lucro

11/08/2026 15h15

Bruno Peres

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Conteúdo analisado: Conteúdos viralizados nas redes sociais incentivam a prática de apostas em casas virtuais e divulgam cursos para orientar novos apostadores. O Comprova identificou influenciadores relatando supostas experiências de sucesso com plataformas de jogos, ensinando a apostar e dando dicas aos jogadores. Muitos desses conteúdos são divulgados em transmissões ao vivo que reúnem milhares de espectadores e mostram o passo a passo para apostar.

Comprova Explica: As casas de apostas lucram com o grande volume de apostas e usam estratégias para estimular a permanência dos usuários nos aplicativos. Um estudo recente, com base em dados do Banco Central, aponta que essas plataformas provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025.

A seguir, esta seção do Comprova Explica mostra como essas plataformas operam no país, como evitar sites clandestinos, como se proteger das bets e como procurar ajuda em caso de vício em jogos.

Como funcionam as casas de apostas?

Há diferentes jogos na modalidade virtual, sendo os mais comuns os caça-níqueis, conhecidos como “’tigrinho”, e as apostas em esportes, as “bets”.

Augusto Vargas, doutorando em Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que, em qualquer um desses casos, as plataformas operam com a “vantagem matemática da casa”, ou seja, o dinheiro do apostador garante o lucro de quem oferece o jogo.

Se imaginarmos, por exemplo, um cassino físico, o clássico jogo da roleta possui números divididos entre vermelho e preto, e o zero é representado pela cor verde. Quem aposta em uma das cores não tem exatamente 50% de chance de ganhar. O zero garante uma espécie de taxa ou comissão que a casa recebe.

Essa vantagem matemática é explicada pela Lei dos Grandes Números. Ela determina que, se uma moeda for lançada três vezes, por exemplo, qualquer sequência de ‘cara ou coroa’ é possível, mas, se for lançada dez mil vezes, a proporção entre caras e coroas ficará muito próxima de 50%.

“Uma diferença pequena em cada aposta, multiplicada por milhões de apostas, gera um lucro elevado para a plataforma. Em outras palavras, o volume de apostas é muito mais importante do que o tamanho exato da vantagem matemática”, afirma Vargas. A lógica na aposta virtual é a mesma e as chances do apostador são sempre menores que 50%.

Nas apostas em caça-níqueis, os números ou símbolos caem aleatoriamente por sorteio. No caso das bets, os apostadores se guiam pelas “odds”, isto é, as cotações que indicam o retorno potencial e a probabilidade de um resultado. Quanto menor for esse número, maior é a probabilidade atribuída àquele resultado pela casa. A margem das casas está inserida nas cotações.

Ahmed El Khatib, professor de Finanças da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que as odds são estimadas por algoritmos que utilizam modelos estatísticos altamente sofisticados. “Quando uma odd aponta que vai pagar 1,2 ou 1,5 caso Neymar faça um gol, é porque eles analisaram dezenas de milhares, senão milhões, de probabilidades de história daquele jogador”, detalha.

Existe jogo sem riscos?

Em teoria, explica Vargas, seria possível ganhar dinheiro com riscos reduzidos com as bets caso fosse viável reunir todas as apostas realizadas, todos os valores pagos e recebidos pelos apostadores, o que na prática não acontece. “Essas informações normalmente não estão disponíveis ao público de forma completa”.

Sem acesso aos dados internos da empresa ou sem auditorias independentes e abrangentes, é extremamente difícil estimar com precisão a taxa de acerto.

“Toda aposta, como o nome já diz, é uma aposta, é um jogo de azar, envolve incerteza”.

Quais são os truques das casas para lucrar?

As propagandas financiadas por casas de apostas – inclusive com influenciadores digitais – passam a impressão de que ganhar nesses jogos é fácil, o que, como afirmado, é mentira.

El Khatib observa que muito da sensação de vitória se baseia em um viés de sobrevivência, ou seja, um erro estatístico que ocorre quando se olha apenas para os casos que passaram por um processo de seleção ou que “sobreviveram”, ignorando aqueles que falharam ou desapareceram.

As sequências de acertos exibidas em vídeos, por exemplo, podem acontecer naturalmente, mas muitas pessoas começam a achar que “é uma dádiva de Deus” ou que “a sorte virou”, até perderem na próxima jogada e tentarem recuperar essa perda.

No caso das bets, diz o professor, as odds são variáveis e podem mudar inclusive próximo de um jogo. “Imagine que 90% dos apostadores apostem dinheiro na vitória do Flamengo. Antes do jogo começar, a casa toma medidas para reduzir a odd do time. Ela aumenta a odd do adversário para atrair apostas do outro lado. Ela limita apostas muito grandes”.

O envio de notificações e a oferta de bônus ou promoções a usuários que passam algum tempo sem apostar também são comuns. “Mas raramente é dinheiro grátis. A plataforma oferece R$ 200, mas exige que se aposte 10 vezes esse valor para sacar”, exemplifica.

Outro artifício é oferecer rodadas de poucos segundos para reter a atenção do usuário. Eles trabalham, ainda, com a “psicologia de quase vitória”, ou seja, a sensação de que faltou pouco e que aumenta a motivação para continuar jogando.

Vargas acrescenta que as plataformas aplicam estímulos visuais e sonoros durante o uso dos aplicativos, o que pode manter a pessoa atenta e transmitir a sensação de vitória mesmo em caso de perda. “Imagine uma pessoa que aposta R$ 100 e recebe R$ 25 de volta. Financeiramente, perdeu R$ 75, mas o aplicativo apresenta esse resultado com animações e sons de comemoração, e o cérebro pode interpretá-lo como uma recompensa parcial”.

Em resumo, para os especialistas, o maior truque das casas de apostas não é a manipulação de resultados, mas a construção de um ecossistema em que a vantagem matemática da casa, por meio de técnicas de ciência comportamental, aumenta o tempo de permanência do jogador na plataforma.

Regulamentação e alertas sobre plataformas clandestinas

A legislação brasileira estabelece que a aposta nunca deve ser tratada como investimento.

A Lei das Bets proíbe publicidades que contenham afirmações infundadas sobre as probabilidades de vitória ou sobre ganhos que os apostadores podem esperar. Além disso, portarias do Ministério da Fazenda vedam a apresentação da aposta como “fonte de renda adicional” ou como meio de recuperar valores perdidos.

Operadores legalizados são obrigados a informar que o Retorno Teórico ao Jogador (RTP) é uma medida teórica do sistema e não pode ser interpretado como uma expectativa de ganho individual.

Humberto Ribeiro, diretor jurídico do Sleeping Giants Brasil, explica que a veiculação de promessa enganosa constitui, por si só, publicidade ilícita, pois viola o dever de informação previsto no Código de Defesa do Consumidor.

A plataforma de rede social que permite a veiculação dessa publicidade também comete conduta ilícita, o que, afirma, foi definido no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet.

Pontos de atenção

Bets autorizadas (veja aqui) devem utilizar o endereço terminado em bet.br. Elas também devem oferecer ferramentas de jogo responsável, como pausas e autoexclusão, e advertir sobre os riscos de dependência.

As plataformas clandestinas não garantem o pagamento de prêmios. Se um site oferece bônus de boas-vindas condicionado a depósito ou não apresenta identificação completa, ele é ilegal.

Em caso de dúvidas ou denúncias relacionadas à legalização das casas de apostas, os canais oficiais são o Fala.BR e o consumidor.gov.br.

Impacto das bets sobre a economia

Com base em informações do Banco Central, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) e o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef) estimam que os brasileiros gastaram com bets, entre outubro de 2024 e março de 2026, um valor líquido médio mensal de R$ 4,7 bilhões. Considerando apenas o ano passado, o montante transferido às plataformas alcançou R$ 62,5 bilhões.

Desse volume, parte retorna aos apostadores na forma de prêmios. O que fica com as empresas é medido por outro indicador: a receita bruta das casas de apostas, que em 2025 somou R$ 36,96 bilhões, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, do Ministério da Fazenda. Foram identificados 25,2 milhões de indivíduos apostando (contabilizados por CPF) em 100,7 milhões de contas nas marcas. Do lado público, o governo recolheu R$ 9 bilhões em tributos sobre as bets no mesmo ano. Entre janeiro e abril de 2026, foram mais R$ 3,1 bilhões.

Onde encontrar ajuda e tratamento gratuito

Segundo a psicóloga Aline Batista, durante o jogo ocorre a liberação de dopamina, o neurotransmissor responsável por regular o sistema de recompensa cerebral e transmitir a sensação de bem-estar.

A partir dessa liberação, um comportamento repetitivo pode surgir, e isso é a principal evidência de dependência. “Não saber parar o comportamento quando está jogando; ficar irritado ou ansioso para jogar; negligenciar tarefas do dia a dia para continuar jogando. É importante procurar canais de atendimento ao notar esses sinais”, orienta.

O Procon-SP lançou, em 2025, um documento que orienta os consumidores sobre os primeiros sinais do vício em bets.

Já o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece teleatendimentos a pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas. Os atendimentos são feitos pelo aplicativo Meu SUS Digital, no qual o usuário poderá agendar a consulta e receber automaticamente a confirmação do atendimento.

Também existe o site Jogadores Anônimos, uma entidade que auxilia gratuitamente apostadores compulsivos por meio de uma metodologia de 12 passos.

Fontes consultadas: Consultamos a lista de casas de apostas regularizadas e pesquisamos as obrigações legais das plataformas de apostas e de redes sociais na Lei das Bets, no Código de Defesa do Consumidor, no Marco Civil da Internet e no Tema 987 ( STF).

Foram ouvidos os seguintes especialistas: o advogado Humberto Ribeiro, diretor jurídico do Sleeping Giants Brasil; Augusto Vargas, doutorando em Matemática pela UFMG; Ahmed El Khatib, professor de Finanças da Unifesp; e a psicóloga Aline Batista. Recorremos, por fim, às orientações sobre vício em jogos do Procon-SP, do SUS e da rede Jogadores Anônimos.

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições e golpes digitais. Quando detecta, nesse monitoramento, um tema que gera muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: A Agência Lupa mostrou que empresas promoveram, na Copa do Mundo, a venda de sites de apostas ilegais. O Aos Fatos constatou que sete em cada dez anúncios nativos de bets em portais de notícias prometem benefícios exagerados ou irregulares.

Este texto foi produzido por jornalistas que participam do programa de Residência no Comprova e conta com o apoio do TikTok.

Projeto de Lei

Barracas de Anhanduí ganham proteção cultural, mas duplicação da BR-163 segue com futuro incerto

Projeto aprovado pela Câmara reconhece tradição, mas não impede mudanças causadas pela obra

11/08/2026 14h00

Prefeitura de Anhanduí

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As tradicionais barracas às margens da BR-163, no distrito de Anhanduí, ganharam uma proteção legal com a aprovação de um projeto que prevê o tombamento das estruturas como patrimônio cultural de Campo Grande. A medida reconhece a importância histórica, social e econômica do comércio mantido há décadas por famílias da região, mas ainda não define como os estabelecimentos serão afetados pela duplicação da rodovia.

De autoria do vereador André Salineiro, o projeto aprovado nesta terça-feira (11), na Câmara Municipal de Campo Grande, prevê  a inscrição das barracas no Livro de Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico do município. A proposta considera o comércio de produtos como doces caseiros, conservas, pimentas e artesanatos uma expressão da cultura popular e da economia local.

Na prática, o tombamento busca preservar as características essenciais do bem cultural. O texto, porém, deixa claro que a medida não implica transferência de propriedade, desapropriação ou indenização automática. Também prevê que o município possa desenvolver ações de valorização cultural, turística e econômica e oferecer apoio aos trabalhadores locais, conforme a disponibilidade orçamentária.

A preocupação dos comerciantes está ligada principalmente às obras de duplicação da BR-163. As barracas ficam às margens da rodovia e garantem renda para diversas famílias de Anhanduí. Em audiência pública realizada pela Câmara em fevereiro, moradores e comerciantes manifestaram receio de que as estruturas sejam retiradas durante a execução das obras.

Com a aprovação do projeto, a questão agora passa a envolver dois interesses: a necessidade de adequação da rodovia e a preservação de uma atividade reconhecida pelo município como patrimônio cultural.

O tombamento, portanto, representa um reconhecimento formal da importância das barracas, mas não resolve sozinho o impasse. Os próximos passos serão a conclusão do processo legislativo e a definição de como a proteção cultural será aplicada diante das intervenções previstas para a BR-163.

 

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