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Presidente do Sindicato dos delegados de PF critica Bolsonaro

Presidente do Sindicato dos delegados de PF critica Bolsonaro

ESTADÃO CONTEÚDO

18/08/2019 - 02h00
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Delegados federais estão inquietos. Eles receberam com surpresa e indignação a ordem do presidente Jair Bolsonaro para mudança no comando da corporação no Rio - caiu, de repente, o delegado Ricardo Saadi, um especialista em investigações sobre crimes financeiros e recuperação de ativos da corrupção no exterior.

"A ingerência política na Polícia Federal é perigosíssima, pois coloca o órgão totalmente à disposição do governante, que passa a se sentir a vontade para usá-la conforme seus interesses", alerta Tania Prado, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Federal em São Paulo e também diretora da Associação Nacional dos Delegados da PF.

A abrupta interferência de Bolsonaro na rotina administrativa da PF ocorreu na quinta, 15, quando, em entrevista a jornalistas, anunciou a substituição na Superintendência Regional da corporação no Rio.

Seguiu-se um imbróglio com relação à escolha do novo chefe da PF no Estado. Quem iria assumir a cadeira? O superintendente em Pernambuco ou o do Amazonas?

Na sexta, 16, o presidente disse que não é 'um presidente banana'. "Cada um faz o que bem entende e tudo bem? Não!"

Tania Prado argumenta que 'os detentores dos cargos em comissão são sempre escolhidos pelo diretor-geral da PF'.

A delegada ingressou na PF em 2003, em Foz do Iguaçu. Atuou nas áreas de polícia fazendária, repressão ao tráfico de drogas, corregedoria e combate à pedopornografia.

Ela é graduada em Direito pela Universidade de São Paulo, mestre em Segurança Pública na Universidade Jean Moulin, em Lyon, na França.

Segundo Tania, 'o governo tem, no máximo, poder de veto a algum nome quando da formalização da nomeação para o cargo DAS'.

Em entrevista ao Estadão, a delegada federal sustenta que 'a fala do presidente coloca em xeque o discurso de que o governo respeita e dá autonomia tanto para o Ministro da Justiça como para a própria Polícia Federal'.

Tania adverte que 'quando um governante retira do diretor-geral a escolha dos cargos de comando do órgão, retira essa fatia de autonomia do gestor, passando por cima da hierarquia administrativa'.

Os delegados de Polícia Federal estão inquietos com a substituição do chefe da corporação no Rio. Por quê?

A classe dos delegados da PF viu com grande estranheza as declarações do presidente sobre a troca de superintendente, pois nunca ocorreu esse tipo de interferência antes, pelo menos não de maneira tão explícita. Os detentores dos cargos em comissão são sempre escolhidos pelo diretor-geral da PF. O governo tem, no máximo, poder de veto a algum nome quando da formalização da nomeação para o cargo DAS (Direção e Assessoramento Superior).

A ingerência política na Polícia Federal é perigosíssima, pois coloca o órgão totalmente à disposição do governante, que passa a se sentir a vontade para usá-la conforme seus interesses. A Polícia Federal não é um órgão que fica à disposição da agenda de interessses do governante do momento.

O presidente falou em 'produtividade' ao mandar trocar o chefe da PF Rio. A sra. imagina o que ele quis dizer?



Muito provavelmente usou o termo 'produtividade' porque buscou um motivo objetivo, porém a Superintendência do Rio de Janeiro, uma das maiores do país, como se sabe, é protagonista de fases importantes da Operação Lava Jato, portanto, notoriamente bem conduzida pelo dr. Ricardo Saadi.

A decisão do presidente viola a autonomia da PF?



A fala do presidente coloca em xeque o discurso de que o governo respeita e 'dá' autonomia tanto para o Ministro da Justiça como para a própria Polícia Federal. O cargo de diretor-geral da PF, um delegado de carreira (desde a lei de 2014), existe justamente para que haja o mínimo possível de interferência política ou de qualquer outra natureza, externa.

Nesse sentido, quando um governante retira do diretor-geral a escolha dos cargos de comando do órgão, retira essa fatia de autonomia do gestor, passando por cima da hierarquia administrativa.

Ele disse 'quem manda sou eu'. A sra concorda?



Os cargos DAS (Direção e Assessoramento Superior) são nomeados pelo presidente, é inerente ao presidencialismo. O próprio cargo do diretor-geral da PF é de livre nomeação e exoneração. Porém, ao longo dos anos, os governantes respeitaram as indicações dos diretores-gerais da PF para os cargos comissionados e funções gratificadas, por exemplo, a chefia de delegacias, com algumas situações de veto pela Casa Civil. As escolhas de diretor-geral pelos ministros da Justiça sempre foram respeitadas, também Considerando-se que dirigir a Polícia Federal é atribuição do diretor-geral, é equivocada a ideia de que outros agentes públicos posicionados hierarquicamente acima dele possam avocar seus atos e decidir no seu lugar, conforme seu interesse pessoal

Quem manda na PF?



DELEGADA TANIA PRADO: O próprio Direito Administrativo responde a questão: quem comanda a Polícia Federal é seu diretor-geral, que escolhe os superintendentes regionais e afins. Do contrário, a PF seria um apêndice da presidência ou até do Ministério da Justiça, não teria um diretor. Não é aceitável que um presidente se comporte dessa forma com a Polícia Federal, atropelando decisões que cabem ao diretor-geral e passando por cima até mesmo do ministro Sergio Moro, conforme sua agenda de interesses

A decisão do presidente frustra as expectativas dos delegados no novo governo?



Os comentários do presidente felizmente foram revistos, porém causaram bastante indignação, porque mexem com algo que é muito caro à Polícia Federal, um órgão permanente de Estado, que deve ter autonomia, ser uma instituição livre de interferências do governante. A PF já sofre com contingenciamento de recursos, falta de efetivo, carecendo de dispositivos na Constituição que prevejam sua autonomia funcional, administrativa e orçamentária, justamente para que possa cumprir sua missão sem ameaças externas.

Qual a saída para evitar ingerências políticas na corporação?



Para que a Polícia Federal fique blindada, é necessário aprovar a PEC 412/2009, que garante a sua autonomia constitucional e a PEC 101/2015 que estabelece o mandato de Diretor-Geral. É preciso garantir na Constituição a autonomia da PF. Uma proposta de emenda tramita há 10 anos e ainda não avançou. É uma questão urgente, pois está evidente que a cada governo que passa, os políticos irão buscar formas de tomar a instituição, aparelhando-a, conforme seus interesses, o que é o mesmo que implodir o órgão.

Saúde Pública

Cirurgias pelo SUS terão financiamento ampliado em até 300% em MS

Medida alcança procedimentos cardíacos, oncológicos e ortopédicos, além de cirurgias de ouvido, nariz e garganta; aumento busca ampliar capacidade de atendimento especializado no Estado.

26/07/2026 09h15

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é uma das principais referências do SUS no Estado, que terá ampliação do financiamento federal para cirurgias especializadas.

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul é uma das principais referências do SUS no Estado, que terá ampliação do financiamento federal para cirurgias especializadas. Foto: Divulgação

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Pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar cirurgias especializadas em Mato Grosso do Sul poderão ser beneficiados por uma ampliação significativa dos recursos destinados aos procedimentos.

O Estado passou a adotar complementação federal de até 300% para uma extensa relação de cirurgias, incluindo intervenções cardíacas, oncológicas e ortopédicas.

A mudança foi oficializada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) por meio da Resolução CIB/SES nº 1.329, publicada no Diário Oficial do Estado.

O ato altera os percentuais de complementação federal dos procedimentos contemplados pelo componente cirúrgico do programa de ampliação do acesso a especialistas. 

Na prática, procedimentos que anteriormente não contavam com complementação federal adicional passam de 0% para 300%. Outros, que já recebiam adicional equivalente a 100% do valor do procedimento principal, também passam a ter complementação de 300%.

A mudança não significa que o valor pago por todas as cirurgias simplesmente será quadruplicado. O percentual corresponde à complementação financeira federal, calculada sobre os procedimentos enquadrados nas regras do programa.

O objetivo é aumentar a capacidade de financiamento e tornar mais viável a realização de cirurgias consideradas estratégicas na rede pública.

A própria resolução estadual destaca que a revisão dos limites máximos amplia a capacidade de financiamento federal para a realização desses procedimentos cirúrgicos. 

Coração, câncer, quadril e joelho estão na lista

Entre os procedimentos contemplados estão cirurgias de alta complexidade e áreas que concentram demanda relevante na rede pública.

Na oncologia, por exemplo, passam de 0% para 300% de complementação procedimentos como gastrectomia videolaparoscópica, esofagogastrectomia, laparotomia exploradora, pancreatectomia parcial e colectomia, todos relacionados ao tratamento cirúrgico de pacientes com câncer. 

A ortopedia também aparece entre as áreas contempladas. A lista inclui artroplastia parcial do quadril, artroplastia total e de revisão do quadril, próteses de joelho e reconstrução ligamentar intra-articular do joelho.

Esses procedimentos não tinham complementação federal prevista na tabela apresentada pela SES e passam ao patamar de 300%. 

Também foi incluído o tratamento cirúrgico de ruptura do menisco com meniscectomia parcial ou total. 

Cirurgias cardíacas recebem reforço

Outro grupo expressivo é o dos procedimentos cardiovasculares. A nova tabela contempla desde a correção de aneurisma ou dissecção da aorta até implantes e substituições de dispositivos cardíacos.

Entram na relação diferentes modalidades de implante de marcapasso e cardioversor-desfibrilador, além de prótese valvar, plástica valvar e assistência circulatória. 

Procedimentos de revascularização do miocárdio também tiveram o percentual ampliado. Nesse caso, algumas modalidades que já possuíam complementação de 100% passam para 300%, incluindo revascularizações com e sem circulação extracorpórea. 

A lista ainda contempla troca de geradores e eletrodos de dispositivos cardíacos e troca valvar associada à revascularização.

Cirurgias mais comuns também entram

A ampliação não fica restrita aos procedimentos de maior complexidade. Cirurgias de outras especialidades também aparecem na resolução.

Entre elas estão retirada de amígdalas e adenoides, correção de desvio de septo, timpanoplastia, turbinectomia e diferentes tipos de sinusotomia. Nesses casos, a tabela publicada aponta mudança de 0% para 300% na complementação federal. 

A laqueadura tubária também consta na relação e passa de complementação de 100% para 300%. 

Com isso, o reforço financeiro alcança desde procedimentos relativamente frequentes na rede pública até operações de alta complexidade, como as realizadas nas áreas de oncologia e cirurgia cardiovascular.

Programa busca ampliar atendimento especializado

A alteração ocorre dentro da estratégia federal para expansão do acesso à atenção especializada. Conforme a resolução publicada pela SES, uma revisão normativa permitiu elevar os limites máximos de complementação federal dos procedimentos selecionados para até 300% do valor do procedimento principal. 

A Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul decidiu aderir aos novos percentuais e formalizou a alteração após deliberação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), instância que reúne representantes das gestões estadual e municipais de saúde.

O movimento cria condições financeiras para ampliar a oferta, mas não representa, por si só, a abertura imediata de novas vagas nem garante que as filas serão eliminadas.

O efeito para os pacientes dependerá da execução do programa, da capacidade dos hospitais e prestadores e da quantidade de procedimentos que efetivamente serão contratados e realizados.

A resolução entrou em vigor com sua publicação no Diário Oficial e estabelece os novos percentuais para os procedimentos relacionados no documento. 

Execução

Jovem de 19 anos é executado a tiros por dupla de motocicleta em Campo Grande

Luís Fernando Bento estava há cerca de uma semana na Capital e foi surpreendido pelos atiradores no Jardim Noroeste; polícia investiga motivação do crime.

26/07/2026 08h29

Polícia Civil e perícia realizaram os primeiros levantamentos no local onde Luís Fernando Bento, de 19 anos, foi morto a tiros no Jardim Noroeste, em Campo Grande.

Polícia Civil e perícia realizaram os primeiros levantamentos no local onde Luís Fernando Bento, de 19 anos, foi morto a tiros no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Foto: Divulgação

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A passagem de Luís Fernando Bento, de 19 anos, por Campo Grande terminou de forma violenta na noite deste sábado (25). Há cerca de uma semana na cidade, o jovem foi surpreendido por dois homens em uma motocicleta e assassinado a tiros no Jardim Noroeste.

O ataque aconteceu no cruzamento das ruas Era Atômica e Bartolomeu Mitre. Luís Fernando, que era morador de Ribas do Rio Pardo, não resistiu aos ferimentos e morreu antes de ser levado para uma unidade de saúde.

Informações levantadas pela reportagem apontam que os autores chegaram em uma motocicleta. O veículo era ocupado por dois homens e, durante a aproximação, o passageiro teria sacado uma arma e efetuado uma sequência de disparos contra a vítima.

Pelo menos cinco tiros teriam sido efetuados durante a ação. No corpo de Luís Fernando foram identificadas, inicialmente, quatro perfurações aparentes. A quantidade exata de disparos e os pontos atingidos deverão ser esclarecidos pelo trabalho pericial.

Depois do ataque, a dupla deixou o local na motocicleta. Até o momento, não há informação sobre a identificação ou prisão dos envolvidos.

Equipes da Polícia Militar foram mobilizadas após o crime e fizeram o isolamento da área. A Polícia Civil e a perícia também estiveram no endereço para realizar os primeiros levantamentos e recolher elementos que possam ajudar a reconstruir a dinâmica da execução.

Vítima estava há uma semana na Capital

Luís Fernando era morador de Ribas do Rio Pardo, e estava na Capital havia aproximadamente uma semana. As circunstâncias que o levaram ao Jardim Noroeste na noite do crime ainda deverão ser esclarecidas pela investigação.

Outro ponto que permanece em aberto é o que teria motivado a execução. Informações obtidas durante o atendimento da ocorrência indicam atuação de facção criminosa na região onde o homicídio aconteceu, mas ainda não há confirmação de que o assassinato tenha relação com grupos criminosos.

A polícia deverá apurar também se a vítima já vinha sendo acompanhada pelos autores ou se o encontro ocorreu momentos antes dos disparos. Imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades podem auxiliar na identificação da motocicleta e na reconstrução da rota utilizada na fuga.

O homicídio será investigado pela Polícia Civil. Até o fechamento da matéria, a autoria e a motivação do crime permaneciam desconhecidas, e ninguém havia sido preso.

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