Cidades

COMBATE AO TRÁFICO

PRF encontra cinco fuzis restritos vindos da fronteira com a Bolívia em carga de cocaína

Armas de calibre 5,56 mm estavam em compartimento na carroceria de caminhão, junto de 46 kg de cloridrato de cocaína e carregadores de munições, no trecho campo-grandense da 262, BR essa que foi palco de outra apreensão da droga ocorrida em Anastácio

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Fuzis de calibre 5.56, liberados ainda no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro e proibidos novamente nessa terceira gestão de Luiz Inácio Lula, foram apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal em Campo Grande, entre um carregamento de cocaína vindo da região da fronteira com a Bolívia que passava pela BR-262 na noite dessa quinta-feira (14), rodovia que ainda foi palco de outra apreensão da droga em Anastácio.

Informações repassadas pela PRF indicam que, durante fiscalização, um caminhão Volvo/Fh 440 com destino ao Estado de São Paulo foi abordado na 262 no fim da tarde de ontem (14). Justamente o nervosismo do motorista levantou a desconfiança dos policiais. 

Suspeitando de que o veículo continha algo de errado, os policiais chamaram à ocorrência o Grupo de Operações que, mais uma vez pelo trabalho de agentes caninos, localizaram o compartimento que continha não só os tabletes da substância como o armamento logo em seguida. 

Desse compartimento na carroceria saíram cinco fuzis, calibre 5.56mm, 46 kg de cloridrato de cocaína e 10 carregadores de munições. Em resposta aos policiais, o motorista alegou que carregou seu caminhão, recém-adquirido, em Corumbá e confessou que, ao chegar ao destino, entregaria a carreta com os ilícitos para um desconhecido.

Além dessa, ainda ontem (14) a BR-262 foi palco de outra apreensão, de mais 90 kg de cocaína, que totalizaram 136 kg da substância retirados de circulação por agentes da PRF em menos de 24h. 

No trecho da rodovia em Anastácio, os policiais abordaram outro caminhão, um M.Benz/Axor, acoplado a um reboque. Sem qualquer documentação dos veículos, bastou uma vistoria para que os agentes constatassem adulterações do sinal de identificação. 

Após uma busca minuciosa, os policiais encontraram o compartimento oculto, aberto com ajuda do Corpo de Bombeiros de Aquidauana, de onde foram retirados os aproximadamente 85 tabletes, dos quais o motorista disse "não saber da existência". 

Fuzis

Durante seu primeiro ano de mandato, Jair Bolsonaro assinou um decreto regulamentando porte e posse de armas no Brasil, que acabou por flexibilizar o acesso da população a diversos tipos de armamento, quando a compra de um fuzil passou a ser possível. 

Considerado uma arma de utilização para forças táticas militares, pelo decreto de 2019 mudando a classificação para "de uso permitido", esse armamento poderia ser comprado por qualquer brasileiro. 

Se antes disso, brasileiros só tinham acesso a revólveres de calibres 32 e 38, além de pistolas 380, armamentos que atingem até 407 joules de energia cinética - liberada no momento de disparo -, depois do decreto esse limite aumentou quatro vezes mais. 

No Brasil, a empresa Taurus possui um modelo desse calibre, o T4, fuzil nacional no qual essa energia supera os mil e trezentos joules. 

Já em 1º de janeiro do ano passado, durante primeiro ano de sua terceira gestão, Lula revogou a liberação dos calibres 5.56; .308 e o popular sete meia dois.

Em 21 julho, o pacote de segurança pública nacional ainda voltou os calibres 9mm e pontos 40 e 45 para uso restrito. 

Cocaína do tráfico

Apreensões de cocaína tem se acumulado, já que os dois carregamentos encontrados ontem (15) em caminhões na BR-262 sequer foram os primeiros da semana, com os agentes caninos sendo fundamentais para a localização das substâncias ilícitas. 

Se somadas as ações da PRF aos trabalhos das demais forças locais, as polícias em Mato Grosso do Sul passaram de uma tonelada de cocaína apreendida antes mesmo do fim de fevereiro. 

Na quarta-feira (13) 105 kg foram encontrados dentro de duas rodas que estavam montadas, em uma oficina mecânica de Ponta Porã. 

Ainda que a primeira ação de apreensão a chamar atenção em 2024 tenha sido os 62 kg de cocaína encontrados em uma ambulância, em 09 de janeiro, na BR-262, outras duas apreensões realizadas na primeira semana de 2024 já somavam 76 kg, totalizando 138 kg só nos primeiros 10 dias do ano. 

Já em 19 de janeiro, a PRF localizou e apreendeu mais 238 kg de cocaína, em Rio Verde de Mato Grosso, no interior do Estado, considerada a primeira grande apreensão de 2024, superada cerca de 11 dias depois. 

Em 30 de janeiro, no município de Ivinhema, a fiscalização da PRF na BR-376 encontrou 242 kg de cocaína em um caminhão Volvo/FH12. Nessa ocasião o motorista fazia zigue-zague pela pista e, por isso, foi abordado. 

Em 02 de fevereiro, outros 107 kg da droga foram encontrados em um caminhão carregado de eucalipto. O curioso desse caso é que, após os policiais pararem o caminhão, enquanto retiravam os estepes por estranharem o peso das rodas, o motorista fugiu e não foi mais localizado. 

Em seu lugar, a mulher que viajava com ele, vinda de Chapadão do Sul com destino à Minas Gerais, foi presa em flagrante após a localização das substâncias. 

Na sequência de casos inusitados, uma caminhonete transportada em um caminhão cegonha com destino para São Paulo carregava 126 kg de cocaína nas rodas, localizada por um cão farejador da Polícia Rodoviária Federal em 10 de fevereiro. 

Antes disso, em 08 de fevereiro, equipes da PRF localizaram mais 82 kg dessa mesma substância transportada em uma S/10 pela BR-463. Os policiais só conseguiram fazer a apreensão após alcançarem o motorista de 23 anos, que não obedeceu à parada e empreendeu fuga. 

Ainda, no intervalo de cinco dias, entre 14 e 19 de fevereiro, a PRF em Corumbá apreendeu mais 33,2 kg de cocaína em três ocasiões diferentes.

Depois, uma perseguição iniciada em Brasilândia e encerrada em São Paulo resultou na apreensão de 234 kg de cocaína. Nesse caso, um comboio de três veículos iniciou fuga na divisão com o Estado paulista.

Beirando o fim de fevereiro, a quantia de 201 kg de pasta base de cocaína, encontrada na BR-262 em Terenos, garantiu que as apreensões da substância por forças policiais de Mato Grosso do Sul batessem uma tonelada até o dia 27 desse segundo mês. 

Nessa ocasião, um caminhão acoplado a dois reboques foi abordado e seu motorista se mostrava bastante nervoso, sem conseguir informar qualquer detalhe da viagem e bastou uma busca minuciosa no veículo para que os policiais encontrassem um compartimento secreto, localizado na cabine do caminhão. 

Outras apreensões

Até mesmo o Exército Brasileiro conseguiu uma grande apreensão de cocaína na fronteira da Bolívia. Na chamada parte alta de Corumbá, 163 kg foram encontrados pela 18ª brigada de Infantaria de Pantanal, em 19 de fevereiro. 

Também a Polícia Federal mostrou bons resultados de apreensões em Mato Grosso do Sul neste 2024 até então, sendo a primeira em 11 de janeiro, em Corumbá, encontrando 9,5 kg da droga em fiscalização nas rodovias. 

Depois disso, a PF em MS localizou mais 50 kg de pasta base de cocaína em Ponta Porã, em 20 de janeiro; 3,6 kg da droga em Campo Grande, com uma mulher que embarcava no aeroporto com destino à São Luiz (MA), além de outros 20 kg em Ponta Porã, na BR-463, antes mesmo do fim de janeiro. 

Ainda assim, a maior apreensão dessa força policial em Mato Grosso do Sul aconteceu quando a Polícia Federal localizou em Bataguassu quase meia tonelada de cloridrato de cocaína, que tinha como destino o porto do Santos (SP), o que indica que essa substância deixaria o País rumo ao exterior.

 

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Educação

IFMS abre 120 vagas para pós-graduação em três cidades de MS

Vagas são distribuídas entre os campi de Campo Grande, Aquidauana e Corumbá

28/05/2026 17h01

Reprodução, Alexandre Oliveira / IFMS

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O Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) está com inscrições abertas para cursos presenciais e gratuitos de pós-graduação lato sensu em três municípios do estado. Ao todo, são ofertadas 120 vagas para ingresso no segundo semestre de 2026, distribuídas entre os campi de Campo Grande, Aquidauana e Corumbá.

As oportunidades são para os cursos de especialização em Docência para a Educação Profissional, Científica e Tecnológica, ofertado nos campi de Campo Grande e Aquidauana, e Informática Aplicada à Educação, em Corumbá. Os cursos são voltados a candidatos com diploma de ensino superior reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), independentemente da área de formação.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente pela internet, entre os dias 25 de maio e 8 de junho, por meio da Central de Seleção do IFMS.

Após preencher o formulário eletrônico, o candidato deverá escolher o campus, o curso e a categoria de concorrência, podendo optar pela ampla concorrência, reserva de vagas para servidores do IFMS ou cotas de ações afirmativas.

O processo seletivo será realizado por sorteio eletrônico, previsto para ocorrer até o dia 16 de junho. Segundo o edital, não haverá aplicação de provas nem análise curricular. Todos os candidatos com inscrição deferida participarão do sorteio.

O edital prevê políticas de ações afirmativas, com reserva mínima de 20% das vagas para candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI) e 5% para pessoas com deficiência (PCD). No curso de Docência para a Educação Profissional, Científica e Tecnológica, metade das vagas de ampla concorrência será destinada a servidores permanentes ou em exercício provisório no IFMS.

Confira a distribuição das vagas:

  • Campo Grande: 40 vagas para Docência para a Educação Profissional, Científica e Tecnológica;
  • Aquidauana: 40 vagas para Docência para a Educação Profissional, Científica e Tecnológica;
  • Corumbá: 40 vagas para Informática Aplicada à Educação.

Os candidatos aprovados nas cotas raciais deverão passar por procedimento presencial de heteroidentificação. Já os indígenas precisarão apresentar documentação comprobatória, como Registro Administrativo de Nascimento Indígena (RANI) ou declaração de liderança indígena. Os candidatos inscritos como PCD deverão apresentar laudo médico detalhado no ato da matrícula.

Os cursos possuem regime modular presencial, com possibilidade de oferta de algumas disciplinas a distância.

A especialização em Docência para a Educação Profissional, Científica e Tecnológica possui carga horária de 360 horas, além de 60 horas destinadas ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com duração entre 12 e 18 meses. O objetivo é qualificar profissionais para atuação crítica em ambientes educativos integrando ciência, tecnologia e trabalho.

Em Campo Grande, as aulas ocorrerão às terças e quintas-feiras, das 19h às 22h. Em Aquidauana, as atividades serão realizadas às terças e quartas-feiras, das 18h50 às 22h44.

Já a especialização em Informática Aplicada à Educação, ofertada em Corumbá, também terá 360 horas de disciplinas e 60 horas de TCC, desenvolvidas ao longo de 18 meses. O curso busca capacitar profissionais para o uso das tecnologias da informação e comunicação como ferramentas pedagógicas. As aulas ocorrerão às segundas e terças-feiras, das 19h às 22h15.

Principais datas do processo seletivo

  • Período de Inscrições 25/05 a 08/06/2026
  • Divulgação preliminar das inscrições deferidas Até 09/06/2026
  • Divulgação das inscrições deferidas (após recursos) Até 12/06/2026
  • Sorteio Eletrônico Até 16/06/2026
  • Divulgação do resultado do Sorteio Eletrônico Até 17/06/2026
  • Procedimentos de Heteroidentificação presenciais 18, 19 e 22/06/2026
  • Publicação do Resultado Final e 1ª Chamada 29/06/2026
  • Período de Matrículas da primeira chamada 30/06 a 06/07/2026
  • Início das Aulas A partir de 03/08/2026

Serviço 

Para esclarecimento de dúvidas ou mais informações sobre o edital, os interessados podem entrar em contato com a instituição através do correio eletrônico [email protected].

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Audiência Pública

UEMS enfrenta crise com salários defasados e falta de estrutura

Professores denunciam falta de estrutura, sobrecarga de trabalho e avanço da precarização na universidade estadual

28/05/2026 16h36

Fachada da UEMS

Fachada da UEMS Divulgação / UEMS

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A crise estrutural enfrentada pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul dominou o debate realizado nesta quarta-feira (27), durante audiência pública promovida pela Comissão Permanente de Educação, Cultura e Desporto, que reuniu professores, estudantes, técnicos administrativos, aposentados e parlamentares em defesa da valorização da universidade pública.

Ao longo das discussões, representantes da Associação dos Docentes da UEMS (ADUEMS) denunciaram perdas salariais, falta de investimentos, precarização das condições de trabalho e dificuldades estruturais enfrentadas nas unidades da instituição.

A vice-presidente da ADUEMS, Erika Porceli Alaniz, afirmou que muitos docentes utilizam computadores pessoais para desenvolver atividades acadêmicas devido à ausência de equipamentos institucionais.

Ela também apontou dificuldades para realização de pesquisas por falta de financiamento e criticou o aumento da sobrecarga de trabalho.

Segundo Erika, a precarização ocorre principalmente pela intensificação das jornadas e pela carência de servidores técnicos, situação que obriga professores a acumularem funções burocráticas e administrativas. Com isso, o tempo destinado ao ensino, à pesquisa e à extensão acaba reduzido.

"A universidade funcionando nessas condições compromete sua função social de promover o desenvolvimento científico e tecnológico, formular propostas para o desenvolvimento nacional e formar profissionais qualificados, inclusive filhos da classe trabalhadora"

Perdas salariais e aposentadorias

O presidente da ADUEMS, Marcelo Bertace, cobrou a recomposição salarial dos docentes e criticou a contribuição previdenciária de 14% aplicada sobre os aposentados.

Conforme os cálculos apresentados pela entidade, os professores acumulam perdas salariais de aproximadamente 44% desde 2015.

Representantes dos técnicos administrativos também relataram dificuldades estruturais e salariais.

A presidente do Sindicato dos Profissionais Técnicos da Educação Superior, Ana Maria da Trindade, afirmou que a universidade sofre limitações desde mudanças realizadas no Plano de Cargos e Carreiras instituído pela Lei nº 2.230, de 2001.

Ela destacou ainda a ausência de autonomia financeira da UEMS como um dos principais entraves para valorização dos servidores e expansão da instituição.

Estudantes denunciam falta de sede própria

A situação enfrentada pelos estudantes também foi tema da audiência. O acadêmico de História da unidade da UEMS nas Moreninhas, Lindenberg Vidotto, denunciou que o polo funciona há quatro anos dentro de uma escola estadual, sem sede própria.

Segundo ele, estudantes e professores realizam arrecadações para custear atividades de extensão e viagens acadêmicas. Em um dos casos relatados, docentes precisaram organizar uma "vaquinha" para pagar o transporte de alunos até sítios arqueológicos em Alcinópolis.

Fachada da UEMSEscreva a legenda aqui

"Vamos fazer uma vaquinha para custear uma viagem até Alcinópolis, onde os estudantes conhecerão o sítio arqueológico existente no município. O curso realizou apenas uma viagem de extensão em quatro anos", afirmou o estudante durante a audiência.

Parlamentares criticam terceirização e falta de concursos

Durante a audiência, parlamentares também fizeram críticas ao modelo de gestão adotado no serviço público estadual.

A deputada estadual Gleice Jane (PT), vice-presidente da Comissão de Educação, afirmou que o enfraquecimento da universidade impacta diretamente o desenvolvimento do Estado e criticou os cortes salariais, a perda da autonomia financeira e a falta de investimentos em ciência e tecnologia.

Gleice Jane também destacou que fortalecer a universidade significa fortalecer o próprio Estado. Segundo a parlamentar, o objetivo agora é ampliar o diálogo com professores, estudantes, técnicos e sindicatos para encaminhar as reivindicações ao governo estadual e expor a situação em plenário.

Já o deputado estadual Pedro Kemp (PT) condenou o avanço da terceirização e das contratações temporárias no serviço público.

Segundo ele, cerca de 70% dos professores da UEMS são contratados temporariamente, situação que, além de precarizar as carreiras, também afeta a arrecadação previdenciária do Estado, já que esses profissionais contribuem para o INSS.

Renúncias fiscais entram no centro do debate

Outro ponto que gerou críticas durante a audiência foi a política de renúncia fiscal concedida ao agronegócio em Mato Grosso do Sul. Conforme os dados apresentados no debate, os incentivos fiscais ao setor chegaram a R$ 6 bilhões em 2022.

Para 2026, a previsão é de R$ 11,9 bilhões, enquanto em 2027 o valor estimado alcança R$ 27 bilhões, enquanto em 2028 a estimativa é de R$ 13 bilhões.

Em comparação, os setores sociais do orçamento estadual concentram cerca de R$ 8 bilhões.
Parlamentares e representantes sindicais defenderam que parte desses recursos poderia ser revertida para investimentos em educação, ciência, tecnologia, assistência estudantil e valorização do funcionalismo público.



 

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