Cidades

prognóstico

Primavera terá tempestades severas e risco de onda de calor em MS

Estação começa na próxima semana e deve ser marcada por fortes chuvas acompanhadas de vendavais, além do calorão

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A primavera terá início às 20h05 (de MS) do dia 22 de setembro e, neste ano, deve ser marcada por chuvas acima da média histórica, acompanhada por temperaturas elevadas e risco de ondas de calor em Mato Grosso do Sul.

É o que aponta prognóstico da estação divulgado nesta terça-feira (15) pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), com projeções climáticas para os meses de outubro, novembro e dezembro, quando se encerra a primavera e começa o verão.

A primavera representa um período de transição entre o regime predominantemente seco do inverno e o estabelecimento gradual do período chuvoso de verão na região central do Brasil.

Nessa transição, a estação combina o forte aquecimento diurno ao retorno gradual da umidade amazônica, gerando instabilidade e favorecendo tempestades severas de curta duração, mas com chuvas intensas, vendavais, descargas elétricas e granizo.

"A ocorrência desses eventos representa riscos imediatos à segurança da população, podendo provocar alagamentos, enxurradas bruscas, destelhamentos, quedas de árvores, interrupções e comprometimento da mobilidade urbana e rodoviária, danos à infraestrutura urbana e rural, além de prejuízos às atividades econômicas e ao setor agropecuário. Dessa forma, a possibilidade de ocorrência de tempestades severas deve ser considerada como um importante fator de risco durante o período de primavera", alerta o Cemtec.

A média climatológica ,conforme dados históricos do órgão baseados nos últimos 30 anos, é de chuvas entre 400 a 500 mm em grande parte do Estado. Por outro lado, nas regiões nordeste e extremo sul as chuvas variam entre 500 a 600 mm e, na região noroeste, as chuvas variam entre 300 a 400 mm.

O órgão ressalta que, apesar da tendência de precipitações acima da média, essa condição não deverá ocorrer de forma homogênea em todo o Estado.

"Mato Grosso do Sul está inserido em uma zona de transição climática, apresentando elevada variabilidade espacial e temporal das condições atmosféricas. Dessa forma, mesmo em um trimestre com tendência de chuvas acima da média, podem ocorrer períodos de estiagem entre eventos de chuva, além de distribuição irregular das precipitações, com diferenças significativas entre regiões e municípios", diz o prognóstico.

Neste ano, há probabilidade de 98% da atuação de um El Niño de intensidade muito forte, que deve atuar como potencializador desses fenômenos extremos ao interagir com os sistemas regionais. Esse cenário eleva a severidade das tempestades e o risco de incêndios florestais.

Na primavera também há aumento da disponibilidade de radiação solar, que associado às condições ainda relativamente secas no início da estação, favorece o rápido aquecimento da superfície e da atmosfera, contribuindo para a elevação das temperaturas em todo o Estado, com períodos de calor intenso.

Conforme o Cemtec, em Mato Grosso do Sul, os meses de primavera estão entre os mais quentes do ano, sendo outubro, historicamente, o mês com as maiores temperaturas em diversos municípios do Estado.

As temperaturas devem se elevar gradativamente nos próximos meses, com o prognóstico indicando um trimestre mais quente que o normal para o período, com dias de calor intenso e episódios de onda de calor.    

"A tendência de temperaturas acima da média não impede, contudo, a ocorrência de episódios pontuais de temperaturas mais amenas associados à passagem de frentes frias e à atuação de sistemas atmosféricos que favoreçam o aumento da nebulosidade e das precipitações", diz o Cemtec.

Saneamento

MS chega a 80% de cobertura de esgoto e pode antecipar meta nacional

36 dos 68 municípios atendidos pela Sanesul já alcançaram a universalização

15/09/2026 16h00

Reprodução/Sanesul

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Mato Grosso do Sul chegou a 80,36% de cobertura de esgotamento sanitário nos 68 municípios atendidos pela Sanesul e avança para atingir antes de 2033 a meta prevista no Novo Marco Legal do Saneamento. Atualmente, 36 dessas cidades já são consideradas universalizadas, enquanto outras registram cobertura próxima de 100%.

A legislação nacional estabelece que, até 2033, 90% da população brasileira tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. Em Mato Grosso do Sul, a expansão da rede ocorre por meio dos investimentos da Sanesul e da parceria com a Ambiental MS Pantanal, responsável pela operação da concessão em parte do sistema.

O abastecimento de água tratada já alcança 100% da população nos 68 municípios atendidos pela Sanesul, segundo os dados apresentados pela empresa.

Entre as cidades que chegaram a 99% de cobertura estão Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Caracol, Japorã, Laguna Carapã, Paranhos, Ponta Porã, Anaurilândia, Jateí, Inocência e Paranaíba.

Outros municípios também se aproximam da universalização. Aral Moreira tem 98,92% de cobertura; Bonito, 98,76%; Batayporã, 97,92%; Antônio João, 97,52%; Itaquiraí, 97,46%; Dois Irmãos do Buriti, 97,16%; Chapadão do Sul, 96,86%; Angélica, 96,52%; Tacuru, 96,21%; Figueirão, 95,12%; e Ivinhema, 94,88%.

Um dos maiores avanços ocorreu em Itaquiraí, onde a cobertura de esgoto passou de zero para 97,46%. O sistema recebeu R$ 59,2 milhões em investimentos específicos para o esgotamento sanitário. Considerando também obras de infraestrutura e melhorias no abastecimento de água, o volume aplicado no município chega a R$ 66 milhões.

A nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi projetada para atender ao crescimento da cidade e conta com estrutura para controle de odores e tratamento dos resíduos gerados no processo.

O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, afirma que a expansão ocorre de forma gradual nos municípios atendidos pela empresa. “Estamos avançando município por município, com investimentos que permitem ampliar a cobertura e antecipar uma meta que o Brasil estabeleceu para 2033. O compromisso da Sanesul é transformar esses investimentos em qualidade de vida para a população”, disse.

Levantamento 

Além da ampliação da infraestrutura, os investimentos em saneamento têm impacto econômico. Estudo do Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a Ex Ante Consultoria, estima que Mato Grosso do Sul poderá acumular R$ 25,9 bilhões em benefícios líquidos até 2040 com a expansão dos serviços.

O cálculo considera efeitos em diferentes áreas, como saúde, produtividade, turismo e valorização imobiliária. Entre 2025 e 2040, a projeção aponta R$ 14,8 bilhões em ganhos de produtividade, R$ 2,25 bilhões relacionados ao turismo e R$ 1,7 bilhão em valorização imobiliária. Na saúde, a estimativa é de R$ 258,8 milhões em economia no período.

Segundo o ITB, cada R$ 1 investido em saneamento no Estado pode resultar em R$ 5,90 em ganhos sociais.

A presidente-executiva do instituto, Luana Pretto, afirma que a expansão da rede já produziu efeitos econômicos relevantes. Segundo ela, a evolução do saneamento em Mato Grosso do Sul gerou quase R$ 20 bilhões em ganhos nas últimas décadas.

Média nacional

O avanço de Mato Grosso do Sul ocorre em um cenário em que cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, segundo dados do Instituto Trata Brasil apresentados no material.

Entre 2000 e 2022, mais de 1 milhão de pessoas passaram a ter acesso à coleta de esgoto no Estado. No mesmo período, cerca de 870 mil foram incorporadas ao atendimento com água tratada.

A ampliação da rede também reduz a quantidade de esgoto lançado sem tratamento nos corpos hídricos, com reflexos ambientais para rios e áreas como o Pantanal.

 

Desdobramento

Após interdição, Defensoria obtém decisão judicial contra clínica em Três Lagoas

Unidade já havia sido interditada pela Vigilância Sanitária após fiscalização noticiada pelo Correio do Estado

15/09/2026 15h30

Vitor Ilis/Defensoria Pública/MS

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A Estância Terapêutica Efésios 6, em Três Lagoas, voltou a ser alvo de medidas após a fiscalização realizada pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. A unidade, que já havia sido interditada administrativamente pela Vigilância Sanitária após uma inspeção noticiada pelo Correio do Estado na semana passada, agora foi alvo de uma ação civil pública que resultou em uma decisão judicial com novas restrições para o funcionamento do local.

A fiscalização ocorreu nos dias 9 e 10 de setembro, coordenada pela Defensoria Pública por meio do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS) e do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh). A ação também contou com Auditoria Fiscal do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, Vigilâncias Sanitárias Estadual e Municipal e Conselho Regional de Farmácia.

Na inspeção, a Defensoria identificou relatos e situações relacionadas à restrição da liberdade dos internos, contenção química e falta de atendimento médico adequado. Segundo o órgão, havia 42 pessoas na unidade, que funcionava sem autorização sanitária para atuar como clínica especializada.

“Há uma série de irregularidades como contenção química, pacientes dopados, sem suporte de vida, sem cuidado adequado, sem cuidado médico e um tratamento completamente desvirtuado do que deveria ser praticado”, afirmou a defensora Eni Maria Sezerino Diniz.

Justiça impede novas internações

A partir das irregularidades encontradas, a Defensoria ingressou com uma ação civil pública e obteve uma liminar contra a Estância Terapêutica Efésios 6.

A decisão determina que a unidade não receba novos moradores e proíbe a transferência de internos sem autorização judicial. Caso alguém seja retirado do local sem autorização, foi estabelecida multa de R$ 20 mil por pessoa.

A decisão também garante aos adultos que não possuem ordem de internação o direito de deixar a unidade voluntariamente, além do acesso aos próprios documentos e pertences. Em caso de descumprimento das determinações, a multa diária é de R$ 10 mil.

Segundo a Defensoria, os moradores deverão ser direcionados para serviços de saúde adequados, enquanto o Município foi acionado para organizar, por meio da assistência social, o contato com familiares e a saída daqueles que permanecerem no local.

“Aliás, vale dizer que pessoas com morbidades e doenças graves não deveriam estar em local sem o cuidado de que precisam”, afirmou a defensora Thaisa Raquel Medeiros de Albuquerque Defante.

A operação também alcançou outra comunidade terapêutica de Três Lagoas, onde estavam 15 internos. O local foi interditado pela Vigilância Sanitária por não possuir autorização sanitária e apresentar problemas relacionados às condições básicas de higiene.

Durante a fiscalização, a Auditoria Fiscal do Trabalho também identificou intermediação ilícita de mão de obra e retenção de 50% da remuneração recebida por internos que trabalhavam para terceiros. Segundo a Defensoria, a situação apresentou indícios do crime de redução à condição análoga à de escravo. O trabalho foi interrompido e determinada a restituição dos valores.

Uma terceira comunidade vistoriada apresentou irregularidades consideradas passíveis de correção e recebeu recomendação da Defensoria para adequações.

Para a Defensoria, a fiscalização também identificou problemas relacionados à liberdade religiosa. O órgão ressaltou que comunidades terapêuticas não podem impor determinada religião como condição para o tratamento ou impedir o acesso a medicamentos sob a justificativa de que a fé seria suficiente para a recuperação.

“É importante ter em mente que um local que se propõe ao tratamento e recebimento de pessoas não pode impor religião, uma vez que toda pessoa é livre no seu pensamento, nas suas crenças ou não crenças”, afirmou Thaisa.

A saída dos internos deverá ser acompanhada pelo poder público, com articulação entre assistência social, famílias e serviços de saúde. Segundo a defensora, a medida é necessária para evitar que pessoas em situação de vulnerabilidade deixem a unidade sem qualquer retaguarda.

“O acionamento do Município para, por meio da assistência social, coordenar e organizar a saída, o retorno e o contato com as famílias, daqueles que ainda permanecerem, foi realizado judicialmente”, disse.

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