Cidades

Dívida Milionária

Produtor de soja de Sidrolândia pede recuperação judicial de R$ 12,1 milhões

Produtor de soja e milho de Sidrolândia atribui crise à queda de produtividade, alta dos custos e do crédito rural; Justiça autorizou processamento da recuperação e proteção de máquinas consideradas essenciais à atividade.

Continue lendo...

A Justiça de Mato Grosso do Sul autorizou o processamento da recuperação judicial do produtor rural Fabiano Martins Galvão, que declarou um passivo estimado em aproximadamente R$ 12,1 milhões. Com atuação em Sidrolândia. Ele trabalha principalmente com o cultivo de soja e milho e afirma enfrentar uma grave crise econômico-financeira.

A decisão consta no Diário da Justiça Eletrônico desta quarta-feira (16) e foi proferida no processo nº 0829484-09.2026.8.12.0001.

Entre os envolvidos no processo aparecem o Banco do Brasil e o Banco CNH Industrial Capital, além da Procuradoria da Fazenda Nacional, Estado de Mato Grosso do Sul e municípios de Campo Grande e Sidrolândia. 

Segundo os argumentos apresentados pelo produtor à Justiça, a crise foi provocada por uma combinação de fatores que atingiram a atividade rural: redução da produtividade, aumento dos custos de produção, encarecimento do crédito rural, oscilações no mercado de commodities e dificuldades de comercialização. Apesar da dívida milionária, ele sustenta que a atividade continua economicamente viável. 

A situação financeira, conforme consta na ação, teria se deteriorado gradativamente. Antes de recorrer à recuperação judicial, o produtor relata que buscou alongar e renegociar obrigações bancárias.

Depois, passaram a surgir processos relacionados à prorrogação de dívidas rurais, superendividamento e busca e apreensão de máquinas agrícolas, além de execuções promovidas por fornecedores, protestos, restrições de crédito e uma execução fiscal estadual. 

Com o avanço das cobranças, Galvão recorreu à recuperação judicial na tentativa de reorganizar os R$ 12,1 milhões em compromissos e impedir, segundo os argumentos apresentados no processo, que execuções individuais provoquem a desagregação do patrimônio utilizado na produção.

O pedido incluiu a suspensão de ações e execuções, proteção de bens considerados essenciais à atividade rural, nomeação de administrador judicial e tentativa de suspensão dos efeitos de protestos e registros negativos, além de prazo para apresentação de um plano de recuperação. 

Justiça reconhece viabilidade da atividade

Antes da decisão, o processo passou por uma constatação prévia para verificar se estavam preenchidos os requisitos necessários para a recuperação judicial. O laudo complementar concluiu que as exigências legais para o processamento haviam sido atendidas. 

Ao analisar o caso, a Justiça considerou que o produtor exerce atividade agrícola há mais de dois anos e concluiu pela inexistência, naquele momento, de impedimento legal para o processamento da recuperação.

Com isso, foi deferida a recuperação judicial de Fabiano Martins Galvão, sob o fundamento, entre outros pontos, do princípio da preservação da atividade econômica. 

A decisão também chama atenção para o impacto econômico que uma eventual interrupção das atividades poderia produzir.

Ao tratar do agronegócio e da situação apresentada no processo, o juízo considerou a geração de empregos, renda, tributos e a manutenção da cadeia produtiva na análise da possibilidade de recuperação. 

Máquinas ficam protegidas

Outro ponto importante da decisão envolve os equipamentos usados na produção agrícola. A Justiça reconheceu como essenciais à continuidade da atividade os bens móveis relacionados no processo.

A decisão registra que a retirada desses equipamentos poderia provocar paralisação ou até encerramento das atividades do produtor. 

A proteção é particularmente relevante porque o processo relata a existência de ações de busca e apreensão de maquinários e inclui o Banco CNH Industrial Capital entre os terceiros interessados. 

Pela legislação de recuperação judicial citada na própria decisão, mesmo determinados bens dados em garantia não podem ser retirados do estabelecimento durante o período de suspensão quando forem considerados bens de capital essenciais ao funcionamento da atividade. 

Isso não significa, porém, que as dívidas ou garantias tenham sido automaticamente extintas. A recuperação abre um procedimento para reorganização dos compromissos financeiros e estabelece regras específicas para a cobrança pelos credores.

Nome continua sujeito a protestos e restrições

Nem todos os pedidos apresentados pelo produtor foram aceitos. A Justiça negou a retirada imediata de protestos e registros em órgãos de proteção ao crédito.

O entendimento adotado foi de que o simples processamento da recuperação judicial não provoca a novação das dívidas e, portanto, não elimina automaticamente as restrições existentes.

Segundo a decisão, a permanência dessas informações também permite que terceiros tenham conhecimento da situação econômico-financeira do devedor antes de realizar novas operações.

A eventual exclusão poderá ocorrer posteriormente, após a homologação do plano e a novação dos créditos. 

Plano terá de mostrar como dívida será paga

A abertura da recuperação judicial inicia agora uma nova etapa do processo. O produtor terá de apresentar plano de recuperação judicial em até 60 dias, contados da publicação da decisão no Diário da Justiça.

O documento deverá vir acompanhado de projeção do fluxo de caixa e detalhar recebimentos e pagamentos durante o período previsto para a reorganização financeira. 

Também deverão ser apresentadas contas mensais enquanto durar a recuperação. União, Estado e municípios onde houver estabelecimentos deverão ser comunicados para informar eventuais créditos existentes. 

A administração judicial ficará a cargo da Britto, Taveira e Simões Administração Judicial Ltda. O juízo fixou provisoriamente remuneração de R$ 10 mil mensais para a administradora, valor que posteriormente será descontado dos honorários definitivos. 

Após a publicação do edital, os credores poderão conferir os valores relacionados, apresentar divergências ou habilitações e, posteriormente, se manifestar sobre o plano apresentado para a recuperação. A relação nominal deverá indicar o valor atualizado e a classificação de cada crédito. 

O caso, portanto, ainda está em fase inicial. O deferimento do processamento não significa que a dívida de R$ 12,1 milhões foi perdoada, mas abre caminho para que o produtor negocie a reorganização do passivo sob supervisão judicial e tente manter a produção de soja e milho enquanto discute com os credores a forma de pagamento

Educação

Questões trabalhistas estão entre possíveis temas da redação do Enem

No domingo, mais de 62 mil sul-mato-grossenses participarão do exame e concorrerão a vagas no Ensino Superior público

03/11/2026 09h30

O estudante Jorge Luís Longo Mendonça, que sonha cursar Medicina, prepara-se para o Enem

O estudante Jorge Luís Longo Mendonça, que sonha cursar Medicina, prepara-se para o Enem Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma das etapas mais importantes para os estudantes que desejam ingressar no Ensino Superior público, começa neste domingo, com aplicação de 90 questões de Humanas e a tão temida redação. A aposta de especialista ouvido pela reportagem é que o tema possa abranger as questões trabalhistas, que estão em alta no País.

Com uma nota que pode variar de 0 a 1.000, o tema da redação só é descoberto na hora que o participante tem a prova em mãos e geralmente é relacionado a um assunto que está em pauta e que tenha relevância social. 

Por exemplo, na última edição, o tema foi “Perspectivas acerca do Envelhecimento na Sociedade Brasileira”, na qual apenas 10 candidatos alcançaram a nota máxima, nenhum em Mato Grosso do Sul.

Especialista na área, o professor de redação Ale Jamil explica que o Enem costuma escolher o tema com base em oito eixos temáticos básicos: Direito Civil e Cidadania; Saúde; Educação; Meio Ambiente; Tecnologia; Violência; Cultura e Diversidade; e Mobilidade Urbana. Porém, ele disse que nos últimos anos esses eixos têm se misturado em um mesmo tema, exigindo mais dos participantes.

“Nos últimos anos, o Enem vem trabalhando de dois a três eixos temáticos juntos. Com isso, vai do aluno trabalhar com várias áreas do conhecimento. E, voltando à ansiedade, adivinhar um tema é uma questão de sorte para trabalhar com a ansiedade. O interessante é o aluno ter condições de escrever sobre qualquer tema”, explica.

Mesmo assim, o professor decidiu arriscar três palpites de tema. O primeiro ele diz que pode envolver a sustentabilidade no meio ambiente, como mudanças climáticas, desmatamento, agronegócio e Justiça e racismo ambiental. Em seguida, o aumento do uso da inteligência artificial (IA) no cotidiano da população.

Por fim, ele destacou a relação econômica da saída de muitos trabalhadores da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e sua opção pelo modelo de pessoas jurídicas (PJs), tornando-se autônomos.

Vale lembrar que, há menos de um mês, houve a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que deu fim à escala 6x1 no Brasil, que também pode ser um balizador do eixo temático sugerido pelo professor.

COMO FUNCIONA?

O estudante Jorge Luís Longo Mendonça, que sonha cursar Medicina, prepara-se para o Enem

Dividida em cinco competências, das quais cada uma vale até 200 pontos, a redação é corrigida por dois corretores que, obrigatoriamente, são graduados em Letras, Língua Portuguesa ou Linguística e são selecionados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Durante a correção, eles não conversam entre si e dão notas para cada uma das competências. Caso as avaliações tenham mais de 80 pontos de diferença, um terceiro corretor é chamado para que seja “um voto de minerva”.

Cláudia Silva, professora de redação há 37 anos, disse que há três fatores que podem fazer o participante zerar a redação: caso seja escrita com menos de sete linhas, com marcas de identificação ou com fuga total do tema ou do tipo de texto (no caso do Enem, é dissertativo-argumentativo).

Quanto às competências, ela explica que são divididas em norma culta da língua portuguesa, compreensão do tema, projeto de texto e argumentação, coesão e proposta de intervenção, que finaliza a redação com uma solução ao problema. 

Vale destacar que, junto ao tema, o Inep coloca dois textos de apoio que abordam o problema, para auxiliar o aluno no pensamento crítico e na escrita.

“Mais importante é o candidato ter em mente que, seja qual for a proposta, ele deverá identificar o problema a ser discutido na redação, e isso exige muito cuidado, pois o problema pode não estar explícito. Nesse caso, é preciso problematizar”, diz a professora.

RELATO

Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), mais de 5 milhões de participantes confirmaram sua inscrição ao redor do País, dos quais 62.233 são de Mato Grosso do Sul.

O Estado obteve uma alta de 7,41% no número de candidatos em comparação com o ano passado, quando 57.941 sul-mato-grossenses participaram da prova.

Jorge Luís Longo Mendonça, de 21 anos, faz o Enem desde o segundo ano do Ensino Médio, quando começou como treineiro.

O sonho dele é passar em Medicina. Até por isso, também vai prestar outros vestibulares, como os da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

“Mesmo que eu já tenha feito muitas vezes, às vezes é difícil lidar com ansiedade e essas coisas, mas o negócio é o preparo. Quanto mais tempo você fica no cursinho, você acaba se preparando mais, se acostumando a fazer provas, ao modelo de questões, e isso ajuda a ficar mais calmo, você vai pegando o jeito de fazer a coisa”, comenta.

Comparado aos outros vestibulares, Jorge disse achar o Enem o mais complicado, justamente por exigir um esforço do participante por quase cinco horas em dois domingos seguidos.

“Eu considero mais complicado, principalmente o primeiro dia, porque o primeiro dia é redação. Você tem a primeira parte de redação e depois mais 45 questões de Linguagem, mais 45 questões de Humanas, e é muito cansativo, te deixa completamente destruído. Mas o negócio é ganhar resistência com o tempo, fazendo prova e se acostumando”, finaliza.

Vale lembrar que, depois do primeiro dia de provas, ainda há o segundo, no dia 15, com 45 questões de matemática e outras 45 de biologia, física e química (Ciências da Natureza e suas Tecnologias).

RECURSOS FEDERAIS

União autoriza repasse de R$ 204 mil para Campo Grande após temporal

Portaria publicada nesta terça-feira (3) prevê recursos para ações de Defesa Civil

03/11/2026 09h15

Governo Federal autorizou mais R$ 204 mil para ações de Defesa Civil em Campo Grande após danos provocados por temporal

Governo Federal autorizou mais R$ 204 mil para ações de Defesa Civil em Campo Grande após danos provocados por temporal Marcelo Victor

Continue Lendo...

O Governo Federal autorizou um novo repasse de R$ 204.680,00 para Campo Grande, destinado à execução de ações de resposta a desastres. A medida consta na Portaria n° 3.719, publicada nesta terça-feira (3), no Diário Oficial da União (DOU), pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

O recurso será destinado à Prefeitura de Campo Grande para a realização de ações de Proteção e Defesa Civil, conforme solicitação registrada no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres.

De acordo com a publicação, o valor será transferido em parcela única, por meio de transferência legal, e deverá ser utilizado exclusivamente nas ações previstas no pedido apresentado pelo município.

A portaria também estabelece prazo de 180 dias, contados a partir da publicação, para a execução das medidas. Após o encerramento desse período, ou do último pagamento realizado antecipadamente, a administração municipal terá até 30 dias para apresentar a prestação de contas final.

Apesar da autorização, a publicação não confirma que o dinheiro já tenha sido efetivamente depositado nos cofres municipais, tampouco informa se houve início da execução das ações previstas.

Outros repasses

Este é o terceiro repasse autorizado pelo Governo Federal para Campo Grande nas últimas semanas, após os estragos provocados pelo temporal que atingiu a Capital em setembro.  

O primeiro, no valor de R$ 496.456,89, foi autorizado pela Portaria nº 3.565, publicada em 19 de outubro, para atender ações emergenciais de resposta e Defesa Civil relacionadas aos danos causados pelas fortes chuvas.

Já o segundo repasse, de R$ 759.500,00, foi autorizado em 26 de outubro e destinado a medidas de assistência às famílias atingidas, incluindo a aquisição de materiais como telhas e kits de fixação para reparos em imóveis danificados.

Com a nova autorização publicada nesta terça-feira, os recursos federais destinados ao município por meio das três medidas ultrapassam R$ 1,3 milhão.

Entretando, os valores correspondem a autorizações de repasse, o que não significa, necessariamente, que todos os recursos já tenham sido transferidos ou utilizados pela Prefeitura.

A nova portaria, assinada pelo secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros, determina ainda que a aplicação dos recursos fique restrita às finalidades autorizadas, com posterior prestação de contas à União.

    

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).