Cidades

REGULAÇÃO

Projeto pode fechar transporte intermunicipal por 10 anos

Proposta que deve ser votada hoje modificará regras do transporte intermunicipal e proibirá corridas maiores que 10km via aplicativo entre cidades

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O Projeto de Lei (PL) nº 192/2022, enviado pelo Poder Executivo, que altera a regulação do transporte intermunicipal de passageiros, prevê fechar o mercado para operação de novas empresas por um período de 5 a 10 anos.  

A nova lei poderá restringir a 10 km o limite de distância que motoristas de aplicativo ou táxis poderão percorrer entre uma cidade e outra, sendo considerado transporte clandestino ou irregular caso ultrapassem a quilometragem instituída.

O projeto foi classificado como regime de urgência e está na ordem do dia da sessão de hoje Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).

O texto do projeto de lei especifica, no artigo 43, que “considera-se transporte clandestino qualquer modalidade de transporte rodoviário intermunicipal de pessoa, prestado por pessoa física ou jurídica, sem cadastro na Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems), de forma remunerada e sem instrumento de delegação vigente”.

Ainda conforme o documento, artigo 75, inciso 1º, as empresas que estiverem com o instrumento de delegação em vigor na data da publicação da lei poderão continuar prestando o serviço pelo prazo de até 60 meses, ação que pode ser prorrogável por mais 60.

É este o ponto que é questionado por aplicativos de transporte rodoviário interestadual e intermunicipal, como a Buser, pela associação das empresas fretadoras de ônibus e até mesmo pela Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG).  

Caso seja aprovado, as empresas que atuam nas viagens intermunicipais em MS permaneceriam em um “período transitório” de cinco anos, prorrogável por mais cinco.  

Essas empresas e esses setores da sociedade entendem que o período é muito longo e protege as atuais concessionárias. A Agems estabelece, ainda, um prazo de até 60 dias para que as empresas se adaptem às novas normas.  

Apenas após a invalidação das empresas já presentes no mercado, a agência providenciará o edital de chamamento público para que as demais operadoras possam fazer parte do sistema.  

Ou seja, o que antes era instituído por um regime de permissão ou concessão passaria a ser, caso o PL seja sancionado, um regime de autorização, em que não é necessário realizar licitação pública.

CONSIDERAÇÕES

A ACICG destacou que o governo do Estado assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em que se comprometeu a licitar o transporte rodoviário intermunicipal de passageiros até 31 de setembro deste ano e encaminhar ao Legislativo uma nova regulamentação do sistema.  

A associação ressaltou que há décadas as linhas do sistema rodoviário intermunicipal de passageiros estão sendo exploradas por empresas escolhidas sem que houvesse critérios respeitosos.

“O projeto de lei proposto busca novamente se esquivar de cumprir com a obrigação de realizar uma licitação transparente para o atendimento das necessidades da concessão do serviço público”, disse.  

A ACICG acrescentou que não há justificativa para aprovar o regime de urgência, visto que o Estado se mostrou inerte no assunto.  

“Agora pretende uma lei extremamente questionável sem que passe por crivo, análise e investigação detalhada do Poder Legislativo. É possível identificar que os únicos beneficiados com o texto são empresas que dominam o mercado há décadas com má qualidade dos serviços e alto custo para o cidadão”, declarou.

FRETAMENTO

Além das mudanças presentes no PL 192/2022, quanto ao transporte regular, a norma também alteraria o regime de fretamento colaborativo de ônibus.

O artigo 41 do documento propõe que as empresas que utilizam esse regime passem a utilizar o circuito fechado, isto significa que o transporte tem de ser realizado com o mesmo grupo de passageiros indo e voltando nas datas e nos horários previstos no contrato do fretamento.  

A Associação Brasileira dos Fretadores Colaborativos (Abrafrec) expressou rejeição ao PL e evidenciou que a regra do circuito fechado já é inválida em 12 estados no País.  

Sobre o assunto, a Buser ponderou que os estados que não restringiram o fretamento à regra do circuito fechado não tiveram problemas com empresas que utilizam o fretamento.  

“Nem por isso o sistema de fretamento passou a operar como transporte regular, havendo harmonia, coexistência dos dois tipos de transporte. Obrigar que o transporte privado ocorra em circuito fechado ou formas que limitem a autonomia é impor uma barreira de mercado”, frisou.

ESTADO

Em resposta ao Correio do Estado, a Agems pontuou que o PL não vai congelar o setor de transporte intermunicipal por até 10 anos: 

“Serão feitas avaliações anuais para aumento de qualidade dos serviços. Nesse período, serão medidos os números de passageiros entre localidades por meio do bilhete eletrônico”, disse.

Conforme a agência, o prazo maior de autorização – até 10 anos – confere ao operador a garantia de permanecer no sistema, o que viabiliza constantes investimentos na aquisição de veículos mais novos, modernos e confortáveis.

Entre os benefícios do projeto de lei, a Agems destacou que ele contribuirá com a modernização, a qualidade e a eficiência do serviço e com monitoramento da situação econômica e financeira do prestador de serviço.

Ademais, conforme a Agems, o projeto de lei promove a competitividade no setor, proporciona ao poder público os meios para a regulamentação e fiscalização do serviço, dá incentivo ao uso e desenvolvimento de novas tecnologias e atualiza as penalidades aplicáveis ao setor, como a criação da possibilidade de suspender ou cassar uma autorização, entre outros. 

SAIBA

Entre os benefícios do projeto de lei, a Agems destacou que ele contribuirá com a modernização, a qualidade e a eficiência do serviço e com o monitoramento da situação econômica e financeira do prestador de serviço, assim como garantir que novos benefícios de passagens sejam criados.

"Buraco Sem Fim"

Após escândalos, MS demite Rudi Fiorese do comando da Agesul

Rudi Fiorese atua junto ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, pelo menos, desde abril de 2023 e operação investiga esquema de desvio de recursos da manutenção de ruas

12/05/2026 10h45

"O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe", cita a Seilog em posicionamento. Arquivo/Correio do Estado/Bruno Henrique

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Após a prisão nesta terça-feira (12), por suposto envolvimento em esquema de desvio de recursos da manutenção de ruas em Campo Grande, o então chefe da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul, Rudi Fiorese, foi demitido do comando da Agesul. 

Engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ainda em 1983, Fiorese carrega em seu nome a experiência de uma atuação junto às áreas de infraestrutura rodoviária, urbana e saneamento básico. 

Rudi Fiorese atua junto ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul pelo menos desde abril de 2023, passando pela na Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), com os cargos de assessor do secretário, até diretor-executivo e de Infraestrutura Rodoviária da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul).

Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística esclareceu que, segundo a Seilog, a operação apura contratos referentes ao município de Campo Grande, portanto o órgão em questão não seria alvo da investigação. 

"O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe", cita a Seilog em posicionamento.

Em complemento, a Secretaria se diz comprometida com a "lisura" e "transparência" na administração pública e que acompanha agora o desenrolar da investigação já optando pela demissão de Rudi Fiorese do comando da Agesul. 

"A Seilog, comprometida com lisura e transparência na administração pública,  acompanha o desenrolar da investigação, e já tomou as providências necessárias, com exoneração do servidor", conclui o texto. 

Biografia

Com especialização em Tecnologia do Gás Natural pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e Região do Pantanal (Uniderp), o agora ex-secretário dedicou boa parte da atuação de sua carreira nas áreas de infraestrutura rodoviária, urbana e saneamento básico. 

No período entre 2017 até 2023 ele atuou como secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, responsável ali pela coordenação das obras de pavimentação e recapeamento a serem executadas, mas também sobre a implantação de corredores exclusivos para o transporte coletivo; construção de escolas; unidades de saúde e a gestão dos serviços de limpeza urbana e resíduos sólidos.

Já no âmbito privado a experiência acumula-se da atuação em empresas de engenharia e concessões rodoviárias, onde foi inclusive gestor de engenharia na MSVia, a concessionária que administra a BR-163, além do trabalho em funções técnicas e gerenciais em algumas "gigantes" do setor, como Engepar, Cobel, Mendes Júnior e MAPE S/A.

Fiorese foi ativo na execução e coordenação de importantes obras de infraestrutura rodoviária e urbana não somente no Mato Grosso do Sul, já que acumula mais de quatro décadas em sua carreira profissional. 

Rudi Fiorese, que desde fevereiro deste ano comanda a Agesul, ainda traz experiência técnica e administrativa no planejamento, execução e controle de grandes empreendimentos de infraestrutura, sendo peça-chave no desenvolvimento logístico e econômico do Estado. 

Entenda

Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (12), o Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS) desdobrou uma nova ofensiva contra suposta corrupção na secretaria de obras da Capital. 

Batizada de "Buraco Sem Fim", através dessa operação os promotores do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) encontraram R$429 mil em dinheiro localizado em dois dos endereços durante o cumprimento de sete mandados de prisão e 10 mandados de busca. 

"Durante o cumprimento das ordens judiciais de busca e apreensão, foram encontrados valores altos em dinheiro vivo, totalizando pelo menos R$429 mil. Só no endereço de um servidor, havia R$186 mil em espécie. No imóvel de outro alvo, havia R$233 mil, também em notas de Real", informou, em nota, o Ministério Público. 

Essa operação mira uma empresa que presta serviços de tapa-buracos que, de acordo com a nota oficial do MP, faturou entre 2018 e 2025, "contratos e aditivos que somam o montante de R$113.702.491,02".

Em complemento, é dito que a investigação constatou a existência de "uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, a execução do serviço de manutenção de vias públicas" na Cidade Morena, através inclusive da manipulação de medições e da realização de pagamentos indevidos. 

Entre os sete presos nesta terça-feira está o ex-secretário municipal de obras, Rudi Fioresi, que estava à frente da Agesul, mas além dele também foi preso o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, coordenador do serviço de tapa-buracos. 

Outro detido que teve o nome divulgado é Mehdi Talayeh, o engenheiro que ocupa cargo de chefia na secretaria de obras e era apontado como provável substituto de Marcelo Miglioli, que deixou o comando da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) no começo de abril. 
**(Colaboraram Neri Kaspary e João Pedro Flores)

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INVERNO ACOLHEDOR 2026

Procura por abrigo durante o frio cresce 58% em Campo Grande

Marmitas, agasalhos e cobertas foram distribuídos aos necessitados; pets também foram atendidos, com alimentação (ração) e suporte veterinário

12/05/2026 10h20

300 marmitas produzidas pela Associação Nova Criatura foram distribuídas

300 marmitas produzidas pela Associação Nova Criatura foram distribuídas DIVULGAÇÃO/SAS-PMCG

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Moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade social receberam cuidados especiais durante o frio, em Campo Grande.

Ao todo, 250 pessoas e vários animais foram acolhidos em três noites, de 9 a 11 de maio, primeira onda de frio de 2026, em um abrigo temporário localizado no Parque Ayrton Sena – rua Jornalista Valdir Lago, bairro Aero Racho, na Capital.

O número é 58,22% maior em comparação ao mesmo período do ano passado, quando 158 pessoas foram atendidas durante a primeira onda de frio de 2025.

O ponto de acolhimento pertence a Secretaria de Assistência Social (SAS) - Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG).

Na noite de segunda-feira (11), 80 pessoas foram acolhidas, sendo 70 homens e 10 mulheres. Na noite de domingo (10), 80 pessoas também foram amparadas, sendo 70 homens e 10 mulheres.

Na noite de sábado (9), 90 pessoas foram atendidas, sendo 80 homens e 10 mulheres.

A secretária municipal de Assistência Social e Cidadania, Camilla Nascimento, ressaltou a importância do serviço de acolhimento durante o frio.

“O volume de acolhimentos registrados é resultado do planejamento logístico e do compromisso da gestão municipal com o bem-estar das pessoas em vulnerabilidade social. A ação funciona como porta de entrada para a rede de proteção social e garante a integridade física da população durante o período de frio intenso”, destacou.

O abrigo funcionou das 18h às 6h. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) fez a segurança do local.

No local, marmitas, agasalhos e cobertas foram distribuídos aos necessitados. De acordo com a Subsecretaria de Bem-Estar Animal (Subea), os pets também foram atendidos, com alimentação (ração) e suporte veterinário.

Após o pernoite, os acolhidos eram encaminhados para a Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (Uaifa) ou para o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), onde recebiam café da manhã e continuidade no atendimento da rede de assistência social.

FRIO

Mato Grosso do Sul bateu recorde de frio e registrou os termômetros mais baixos do ano. O Estado contabilizou várias temperaturas de apenas um dígito em dezenas municípios.

De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec-MS), Iguatemi (1,7°C), Rio Brilhante (2°C), Amambai (2,1°C), Maracaju (3,7°C), Nova Alvorada do Sul (4°C), Laguna Carapã (4,1°C), Santa Rita do Pardo (4,3°C), Fátima do Sul (4,4°C), Naviraí (4,4°C) e Campo Grande (9,7°C) foram as cidades que registraram as menores temperaturas às 5 horas desta terça-feira (12).

Segundo o meteorologista Natálio Abrahão, Três Lagoas (9,2°C), Água Clara (6,9°C), Ribas do Rio Pardo (7,3°C), Anaurilândia (8,4°C), Angélica (6,6°), Itaporã (5,2°C), Dourados (5,2°C), Ponta Porã (6,5°C), Caarapó (4,8°C), Sete Quedas (5,5°C), Caracol (5,2°C), Porto Murtinho (7,5°C), Jardim (6°C), Bonito (5,5°C), Sidrolândia (5,5°C), Corumbá (11,9°C), Chapadão do Sul (11,2°C) e Cassilândia (10,5°C) também amanheceram extremamente geladas.

Os municípios que registraram geada são Santa Rita do Pardo, Fátima do Sul, Rio Brilhante, Laguna Carapã, Caarapó, Naviraí e Iguatemi.

Domingo (10), segunda-feira (11) e terça-feira (12) são dias de muito frio. Na quarta-feira (13) o clima gelado se despede e o tempo começa a esquentar. Na quinta-feira (14), o calor já volta com tudo. Logo, o fim de semana será quente no Estado, com termômetros variando entre 26 e 30°C.

Mas, na segunda-feira (18), nova frente fria avança pelo Estado e derruba novamente as temperaturas, mas, desta vez, não tão bruscamente como nessa semana.

“Amanhã temperatura sobe gradualmente mas na segunda-feira feira nova massa de ar polar derruba as temperaturas. Alerta mudança no tempo partir de domingo, vem mais frio por aí”, alertou o meteorologista Natálio Abrahão.

Confira a previsão do tempo para os próximos dias:

300 marmitas produzidas pela Associação Nova Criatura foram distribuídas

300 marmitas produzidas pela Associação Nova Criatura foram distribuídas

300 marmitas produzidas pela Associação Nova Criatura foram distribuídas

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