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Prisão

Projeto quer extinguir idade mínima para aplicação do Código Penal

Projeto quer extinguir idade mínima para aplicação do Código Penal

Folha

07/03/2011 - 18h09
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O artigo 228 da Constituição afirma que menores de 18 anos não podem ser presos nem receber penas previstas no Código Penal.

Para os chamados menores delinquentes, existem regras especiais, incluídas no Estatuto da Criança e do Adolescente. A punição mais grave --geralmente aplicada aos menores envolvidos em homicídios-- é a internação pelo prazo máximo de três anos.

Em qualquer situação, a lei manda soltar o autor da infração ou crime aos 21 anos de idade.

Nas últimas duas décadas, o Congresso recebeu cerca de 150 projetos e propostas de emenda à Constituição para reduzir a maioridade penal ou aumentar a punição aos menores, mas nenhum chegou a ser votado em plenário.

No Senado, há uma proposta que pretende reduzir para 13 anos a maioridade penal, apresentada pelo senador Magno Malta (PR-ES).

O projeto chegou a ser aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), mas acabou arquivado no início desse ano, na virada da Legislatura.

O político afirma que não desistirá da ideia e promete viajar pelo Brasil, depois do Carnaval, em campanha pela redução da maioridade penal. Dessa vez, Malta quer extinguir o limite de idade.

"O país não pode conviver com a violência que convive, que de cada dez assassinatos, oito tem um menor no meio. Menor não, um homem de 17, 15, 16 anos que mata, que estupra, que sequestra, e depois, quando a polícia põe a mão, e ele diz tira a mão de mim, que sou menor e conheço meus direitos", afirma.

Para mudar a Constituição e permitir penas comuns a menores de 18 anos é necessário o apoio de pelo menos três quintos dos votos da Câmara e do Senado, ou seja, 308 deputados e 49 senadores. Além disso, a proposta deve passar por dois turnos de votação em cada Casa. As informações são da Rádio Senado.

Articulação

Brasil e Bolívia articulam proteção binacional contra incêndios na fronteira de MS

Encontro realizado na sede do Instituto Homem Pantaneiro, em Corumbá

14/09/2026 18h15

Fotos: Divulgação

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Corumbá  recebeu, na manhã desta segunda-feira (14) uma reunião decisiva para uma articulação binacional inédita entre Brasil e Bolívia voltada à prevenção de incêndios florestais no Pantanal e no Chaco boliviano.

O encontro realizado na sede do Instituto Homem Pantaneiro (IHP) serviu para fechar a logística de uma expedição de reconhecimento que vai passar por território boliviano até a região da Baía Gaíva, que fica além da Serra do Amolar.

Do lado brasileiro, o acesso a essa região só é feito por embarcação, Rio Paraguai acima, a partir de Corumbá. Porém, do lado da Bolívia, há uma estrada de acesso que depende de manutenção.

O debate reuniu representantes da instituição, do Prevfogo/Ibama, da Armada Boliviana, da Defesa Civil boliviana e da Sub-governação da Província de Germán Busch, composta pelos municípios de Puerto Suárez, Puerto Quijarro e Carmen Rivero Tórrez, órgão vinculado ao Departamento de Santa Cruz.

A operação segue até 18 e contará com veículos e equipes da Defesa Civil da Bolívia, Armada Boliviana, Prevfogo/Ibama e IHP, por meio da Brigada Alto Pantanal.

O trajeto terrestre parte da região de Puerto Quijarro, na Bolívia, e segue em direção à Baía Gaíva, viabilizando o acesso das equipes a pontos de atuação já em território brasileiro, no Pantanal.

A articulação começou a ganhar corpo após atuação conjunta envolvendo a Armada Boliviana, o IHP, o Prevfogo/Ibama e o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul. Depois disso, a Sub-governação da Província de Germán Busch somou-se aos esforços de estreitar atividades coordenadas.

“Temos como prioridade trabalhar com a prevenção dos incêndios florestais. Essa condição nos fez avançar nas tratativas para haver essa ação conjunta entre instituições de Brasil e Bolívia. Isso envolve também uma articulação entre departamentos. Em épocas anteriores, não tínhamos essa articulação direta, mas hoje isso está mudado, as normativas das autoridades estão caminhando para um trabalho coordenado conjuntamente. Precisamos compartilhar informações, compartilhar tarefas e avançarmos para conseguir realizarmos trabalho conjuntos em maior escala”, detalhou o sub-governador da Província Germán Busch, Luis Delgadillo.

Na Bolívia, o 5º Distrito Naval “Santa Cruz” da Armada Boliviana, que fica em Puerto Quijarro, abriga também o Centro Nacional de Formação para Especialistas em Eventos Adversos, que tem formado brigadistas militares e civis para todo o território boliviano. Por conta da importância dessas unidades para prevenção e combate a incêndios florestais, o tema de atuação transfronteiriça ganhou ainda mais peso na região.

“Essa reunião só reforça a importância de se manter um compromisso de amizade e coordenação entre países vizinhos. Estamos empenhados em abrir caminhos, manter acesso a vias para permitir que localidades remotas possam ser alcançadas e garantir um atendimento para ambos os países e a suas populações que vivem nessas áreas. A Armada Boliviana está preparada, vem realizando capacitações e treinamentos, incluindo atividades com as instituições brasileiras”, disse o comandante do 5º Distrito Naval da Armada Boliviana em Santa Cruz, Capitão de Navio Cadmiel Mouzon Terán.

Em paralelo, o Ministério de Defesa da Bolívia, por meio do VIDECI, formalizou apoio a uma frente complementar da cooperação: o ingresso e deslocamento de brigadistas do Ibama entre a localidade de El Carmen e a fronteira com o Brasil, na região da Serra do Amolar, entre os dias 13 e 15 de setembro.

Para isso, a Bolívia designou o Tenente-Coronel Alexis Paredes Ferrufino, responsável departamental do Viceministerio de Defensa Civil da Bolívia como ponto focal encarregado de articular as ações com o Prevfogo/Ibama, o 5º Distrito Naval da Armada Boliviana e demais instituições envolvidas.

“Esta coordenação interinstitucional tanto da Bolívia, como do Brasil é para tratar de forma mais efetiva a prevenção de incêndios que são fronteiriços. Com esta expedição, vamos realizar um importante reconhecimento de pontos fronteiriços mais sensíveis e permitir que possamos agir mais efetivamente na proteção de populações de ambos os lados”, comentou o Tenente-Coronel diplomado Estado Mayor Alexis Paredes Ferrufino.

Juntas, as duas frentes formam a construção de uma resposta binacional coordenada a um dos maiores desafios ambientais da região transfronteiriça, os incêndios florestais que ameaçam, ao mesmo tempo, o Pantanal (reconhecido pela Unesco como Reserva da Biosfera e Patrimônio Natural da Humanidade) e a floresta chiquitana, no Chaco boliviano.

“Essa mobilização fortalece uma ação coordenada internacional para proteger um patrimônio natural da humanidade como o Pantanal, além da floresta chiquitana. É um passo inédito de cooperação entre instituições brasileiras e bolivianas que atuam na região transfronteiriça, e a colaboração da Armada Boliviana é fundamental para dar segurança e viabilizar o acesso das equipes durante toda a operação”, afirma o presidente do IHP, Ângelo Rabelo.

A expedição tem caráter estritamente preventivo e busca fortalecer os canais de comunicação, os pontos de contato e os protocolos de apoio mútuo entre os dois países diante da temporada de incêndios florestais transfronteiriços.

Operação Gutenberg

TJMS mantém presa Rossana Jafar, apontada como líder de esquema com livros em MS

Operação Gutenberg apura suposto esquema de mais de R$ 27 milhões; desembargadores negaram habeas corpus da empresária por unanimidade.

14/09/2026 18h05

Rossana Paroschi Jafar é apontada como uma das líderes do suposto esquema investigado na Operação Gutenberg.

Rossana Paroschi Jafar é apontada como uma das líderes do suposto esquema investigado na Operação Gutenberg. Foto: Reprodução Rede Social.

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) manteve a prisão preventiva da empresária Rosana Paroschi Jafar, apontada como uma das líderes da organização criminosa investigada na Operação Gutenberg, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em contratações públicas para aquisição de livros paradidáticos por municípios sul-mato-grossenses.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça desta segunda-feira (14) e representa uma nova derrota da defesa na tentativa de colocar a empresária em liberdade.

Por unanimidade, os desembargadores da 2ª Câmara Criminal, seguindo o entendimento do relator, desembargador Waldir Marques, negaram o habeas corpus e mantiveram a prisão preventiva.

O recurso é originário da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, onde tramitam os desdobramentos judiciais da investigação.

A defesa sustentou que a prisão não teria fundamentação concreta, questionou a atualidade dos motivos utilizados para manter a custódia e argumentou que Rossana poderia responder ao processo submetida a outras medidas cautelares. Os argumentos, entretanto, foram rejeitados.

Para o entendimento dos desembargadores, a gravidade do caso não decorre apenas dos crimes atribuídos aos envolvidos, mas também da maneira como a suposta organização teria atuado, do alcance das atividades investigadas e da posição de comando atribuída a Rossana.

A decisão do TJMS aponta a empresária como uma das líderes de uma organização supostamente voltada à prática de corrupção ativa, lavagem de capitais e fraudes em contratações públicas de livros paradidáticos junto a municípios de Mato Grosso do Sul.

Quebras de sigilo reforçaram investigação

Um dos principais pontos revelados pela decisão do Tribunal está na origem dos elementos utilizados para sustentar a investigação e a necessidade da prisão.

Segundo o TJMS, os indícios de materialidade e autoria decorrem de informações reunidas durante o procedimento investigatório criminal e de medidas cautelares que permitiram o afastamento dos sigilos telemático, bancário e fiscal.

Na avaliação dos desembargadores, o material obtido reforça os indícios da participação de Rossana como uma das lideranças da organização criminosa.

Outro ponto que pesou no julgamento foi a dimensão atribuída às atividades investigadas. A decisão menciona uma “expressiva movimentação de recursos públicos”, além da extensão temporal e territorial da suposta atuação do grupo.

Para o Tribunal, esses elementos, associados ao papel de liderança atribuído a Rossana, demonstram a gravidade concreta dos fatos e a necessidade de desarticulação da organização investigada.

A decisão do TJMS também considera o poder de articulação atribuído ao grupo. Na avaliação da Corte, as circunstâncias apontadas pela investigação demonstrariam que medidas menos rigorosas do que a prisão não seriam suficientes para impedir a continuidade das atividades.

Atuação teria continuado até a operação

Outro argumento apresentado pela defesa foi o de que faltaria contemporaneidade à prisão, ou seja, que não haveria proximidade suficiente entre os fatos investigados e a necessidade atual de manter Rossana presa. A tese não convenceu os desembargadores.

Segundo a decisão do Tribunal, as condutas investigadas teriam se prolongado até a deflagração da operação. O TJMS também levou em consideração a natureza permanente atribuída ao crime de organização criminosa.

No entendimento dos desembargadores, haveria risco concreto de continuidade das atividades caso a empresária fosse colocada em liberdade.

A extensão temporal e territorial dos fatos, o poder de articulação atribuído ao grupo e a posição ocupada por Rossana foram considerados na análise.

Por isso, medidas cautelares diferentes da prisão foram consideradas insuficientes. Condições pessoais favoráveis da empresária também não foram suficientes para afastar a preventiva.

Ao final do julgamento, os integrantes da 2ª Câmara Criminal decidiram por unanimidade negar o habeas corpus e manter Rossana presa.

Outros nomes da Gutenberg aparecem no processo

O julgamento de Rossana está ligado a outros personagens já conhecidos desde a deflagração da Operação Gutenberg.

Entre eles estão a médica Olívia Paroschi Jafar; Giovanni Paroschi Jafar; Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul); Rhayane Souza Fanaia; Francisco Anizio dos Santos; Ed Carlo Britto Burgatt; Gabriel Taquino de Paula; Matheus Oliveira Peixoto; Douglas Henrique de Melo; Paulo Rogério de Melo; e Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Junior Vasconcelos.

Parte deles chegou a ser presa durante os primeiros desdobramentos da operação. Com o avanço das investigações, decisões judiciais modificaram a situação individual de alguns envolvidos, enquanto outros permaneceram presos.

A Gutenberg posteriormente avançou da fase investigativa para uma ação penal, na qual 17 acusados se tornaram réus.

Giovanni Jafar também tentou deixar a prisão

A mesma edição do Diário da Justiça traz outro julgamento relacionado ao caso, desta vez envolvendo Giovanni Paroschi Jafar.

Rossana Paroschi Jafar é apontada como uma das líderes do suposto esquema investigado na Operação Gutenberg.

Giovanni Paroschi Jafar também teve pedido de habeas corpus analisado pelo TJMS no âmbito da Operação Gutenberg. Foto: Reprodução Rede Social.

Segundo a decisão, Giovanni foi denunciado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais.

A defesa tentou derrubar a prisão preventiva e questionou a distribuição da ação penal para a 2ª Vara Criminal de Campo Grande, além de alegar impedimento da magistrada responsável pela decretação da prisão.

A defesa também sustentou que não estariam presentes os requisitos necessários para a manutenção da custódia. Os argumentos, porém, não prosperaram.

No entendimento dos desembargadores, os elementos reunidos apontam para a existência de uma organização criminosa estruturada e para a gravidade concreta dos fatos. O Tribunal também considerou inadequada a substituição da prisão por outras medidas cautelares.

Com isso, Giovanni também não conseguiu reverter a prisão no TJMS.

Relembre a Operação Gutenberg

Deflagrada em 7 de julho, a Operação Gutenberg é uma das maiores ofensivas recentes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) contra um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos em Mato Grosso do Sul.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), as investigações apontam a existência de uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações, direcionar contratos públicos, praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.

No centro da investigação estão contratos para o fornecimento de livros paradidáticos. Conforme o Ministério Público, o esquema teria utilizado até mesmo a oferta de vagas para consultas, exames, cirurgias e internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como forma de favorecer municípios que contratavam a Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda.) e a Gráfica Alvorada.

As apurações apontam que o grupo teria movimentado mais de R$ 27 milhões. Na deflagração da operação, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

Entre os presos estiveram Rossana Paroschi Jafar; a médica Olívia Paroschi Jafar; Felipe Paroschi Jafar, ex-comissionado da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul); Giovanni Paroschi Jafar; Rhayane Souza Fanaia; Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Junior Vasconcelos, ex-prefeito de Fátima do Sul; Ed Carlo Britto Burgatt; Francisco Anizio dos Santos; Matheus Oliveira Peixoto; Paulo Rogério de Melo; Douglas Henrique de Melo; e Gabriel Taquino de Paula.

As investigações do Gaeco indicam ainda que a atuação da Editora Avante teria alcançado pelo menos 29 prefeituras de Mato Grosso do Sul.

Miranda, Ivinhema e Ladário aparecem entre os municípios que firmaram contratos para aquisição de livros paradidáticos, enquanto outras administrações municipais são mencionadas em documentos, planilhas, movimentações financeiras e propostas comerciais analisadas durante a investigação.

A presença de um município na investigação, entretanto, não significa necessariamente que a prefeitura ou seus gestores sejam investigados por irregularidades. As referências aparecem em contextos diferentes dentro do material reunido pelo Gaeco.

Com o avanço das investigações, o caso chegou à Justiça e 17 acusados se tornaram réus. Rossana é apontada como uma das personagens centrais da suposta organização, posição que voltou a pesar no julgamento do habeas corpus.

Na nova decisão do TJMS, os desembargadores destacaram os elementos obtidos durante a investigação, a “expressiva movimentação de recursos públicos”, a extensão temporal e territorial das atividades atribuídas ao grupo, seu poder de articulação e o suposto papel de liderança exercido pela empresária.

Para a 2ª Câmara Criminal, esses fatores demonstram que a prisão preventiva continua necessária.

Por unanimidade, o colegiado rejeitou o pedido da defesa e, com isso, Rossana Paroschi Jafar permanece presa enquanto responde ao processo decorrente da Operação Gutenberg.

 

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