Uma organização criminosa transnacional especializada em contrabando de cigarros, importação ilegal de agrotóxicos, falsificação de documentos e de placas veiculares, lavagem de dinheiro e corrupção de servidores, que agia em Mato Grosso do Sul e outros seis estados, foi alvo das Operações Sicarius I e Sicarius II, deflagrada nesta terça-feira (9) pela Polícia Federal e Receita Federal.
Os servidores envolvidos no esquema eram policiais rodoviários federais do Paraná, que foram presos durante a operação. Em nota, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que houve apuração prévia da Corregedoria-Geral da PRF, que identificou elementos relacionados a possíveis desvio de condutas de três policiais e os encaminhou às autoridades competentes.
No total, foram cumpridos 44 mandados de prisão preventiva, 14 de prisão temporária, 62 de busca e apreensão, 45 de sequestro e bloqueio de contas bancárias, cinco ordens judiciais de cancelamento de CPFs, sete ordens judiciais de cancelamento de CNPJs e 67 ordens judiciais para instauração de procedimentos administrativos.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Guaíra (PR).
Em Mato Grosso do Sul, os mandados foram cumpridos em Nova Andradina, Maracaju, Mundo Novo e Eldorado.
Esquema criminoso
De acordo com a Receita Federal, as investigações que culminaram nas operações tiveram início a partir da constatação do envolvimento da organização criminosa em diversos delitos que resultaram em prisões em flagrante, principalmente enquanto transportavam cigarros contrabandeados do Paraguai.
A partir de análises, foram identificadas infrações penais que poderiam ser enquadradas como antecedentes do crime de lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, a quadrilha atuava principalmente na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, com o contrabando de cigarros provenientes do país vizinho e a posterior ocultação ou dissimulação dos recursos obtidos com a atividade ilegal.
O grupo criminisos tinha uma estrutura com divisão de funções e com atuação em diversos estados, mediante empresas de fachada, laranjas e mecanismos de ocultação patrimonial para dissimular a origem ilícita dos recursos obtidos com as atividades criminosas.
Os investigados ocultavam os bens adquiridos em transações utilizando laranjas e empresas de fachada, sendo que as movimentações financeiras seriam realizadas por meio de um doleiro.
O doleiro, que não teve a identidade divulgada, teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024, sendo mais de R$ 114 milhões movimentado apenas em suas contas bancárias pessoais.
Ele é apontado como figura central nas operações de lavagem de dinheiro da organização criminosa em ainda segundo as investigações, o doleiro controlava contas em nome de laranjas e de empresas de fachada.
Operação
Além de Mato Grosso do Sul, a operação cumpriu mandados nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Pará, nos seguintes municípios:
- Guaíra (PR)
- Mandirituba (PR)
- Piraquara (PR)
- Fazenda Rio Grande (PR)
- Cascavel (PR)
- Ubiratã (PR)
- Londrina (PR)
- Maringá (PR)
- Cianorte (PR)
- Umuarama (PR)
- Praia Grande (SP)
- Canelinha (SC)
- Imaruí (SC)
- Não-Me-Toque (RS)
- Jandaia (GO)
- Belém (PA).
A justiça também determinou a realização de procedimentos fiscais em empresas que receberam aportes financeiros provenientes do doleiro investigado e o cancelamento de CPF e CNPJ de pessoas físicas e jurídicas envolvidos nos esquemas fraudulentos.
Participam da ação 220 policiais federais, sete auditores-fiscais e dois analistas-tributários da Receita Federal.
Também foram autorizadas medidas voltadas à cooperação jurídica internacional, destinadas ao aprofundamento das investigações e à identificação de ativos, de pessoas e de estruturas criminosas eventualmente localizadas no exterior.


Reprodução Inmet

