Cidades

"Maior da História"

Receita quer 2º laudo para liberar carga de madeira que teria cocaína

Apesar de perícia da Polícia Federal não ter encontrado vestígio de entorpecentes no produto, órgão espera nova avaliação

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Mesmo após laudo da Polícia Federal (PF) dizer que a carga de madeira apreendida em junho, por supostamente estar impregnada de cocaína, não tem a presença de drogas, a Receita Federal afirmou que ainda aguarda um segundo parecer, do Instituto Nacional de Criminalística, para liberar as toras de madeira.
Segundo a Receita Federal em Mato Grosso do Sul, a apuração ainda não foi concluída.

“Permanecem pendentes laudos periciais do Instituto Nacional de Criminalística, e a Polícia Federal determinou a instauração de inquérito policial para o prosseguimento das diligências e o esclarecimento integral dos fatos, com ciência ao Ministério Público Federal e à Receita Federal”.

“Por essa razão, a carga permanece retida. A investigação tem como objeto exclusivamente a carga, que permanecerá sob retenção até a conclusão dos trabalhos. Os veículos já foram liberados e não houve prisões. A Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e definir as providências cabíveis, respeitadas as atribuições de cada instituição”, explicou a Receita Federal ao Correio do Estado.

Essa carga foi apreendida no dia 21 de junho deste ano, em Corumbá, durante a Operação Timber Shield, feita pela Receita Federal em parceria com a Polícia Federal, o Exército Brasileiro e as forças de segurança boliviana e dos Estados Unidos.

Foram apreendidas oito carretas, quatro em Corumbá, na fronteira com a Bolívia, e outras quatro em Cáceres (MT). Ao todo, as cargas somaram 260 toneladas de madeira e nota divulgada na época pela Receita Federal dizia que a estimativa era de que havia entre 20 toneladas e 50 toneladas de cocaína líquida na madeira.

Após a apreensão, o material coletado em Corumbá seguiu para análise em Mato Grosso do Sul, que foi concluída na semana passada pela Polícia Federal e entregue essa semana para a Receita.

De acordo com a Receita Federal, porém, a liberação da mercadoria “dependerá da conclusão das análises e dos procedimentos ainda pendentes, bem como da verificação de que não existem outras irregularidades que impeçam o regular prosseguimento da operação aduaneira”.

Outra questão apontada pela defesa das transportadoras e das importadoras da carga, representada pelo advogado Leandro Lobo, é referente ao custo da armazenagem da madeira que estaria a cargo das empresas. Segundo a Receita Federal, “eventual pedido de ressarcimento poderá ser apresentado pelos meios administrativos próprios”. 

“O requerimento estará sujeito à análise do caso concreto, à comprovação dos valores e prejuízos alegados e à verificação dos pressupostos jurídicos aplicáveis, não havendo reconhecimento automático do direito ao ressarcimento”, disse em nota.

“A Receita Federal esclarece que a retenção teve natureza cautelar e foi adotada diante de informações de inteligência fornecidas por organismos internacionais especializados e de resultados obtidos em testes preliminares. A atuação observou os procedimentos de controle e segurança aplicáveis, com o imediato acionamento da Polícia Federal para a realização das investigações e perícias necessárias”, completou a Receita.

A defesa das empresas, no entanto, busca que o mais rápido possível essa carga seja liberada. Segundo o advogado Leandro Lobo, que representa duas transportadores e quatro importadoras de Mato Grosso do Sul, a intenção é de que o material seja liberado para ser entregue ao comprador.

RELATÓRIO DA PF

Na semana passada, a Polícia Federal concluiu a análise dos fragmentos da madeira que foi coletada em Corumbá. No material que estava nas quatro carretas retidas não foi encontrada nenhuma substância relacionada com entorpecentes.

Matéria do Correio do Estado desta semana mostrou que o laudo foi produzido nos laboratórios do Setor Técnico-Científico da PF em Mato Grosso do Sul e concluído no dia 17.

“Todos os testes e exames instrumentais descritos resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de madeira encaminhadas a exame pericial”, diz o documento.

Inicialmente, eles submeteram a reagentes químicos três fragmentos sólidos de madeira comercial secos, com formato irregular e características anatômicas macroscópicas semelhantes – cor, textura e linhas de crescimento.

Os retalhos das madeiras foram encaminhados como amostras da carga de madeira que estava nos quatro caminhões. 

O laudo pericial destaca que os fragmentos de madeira foram observados atentamente, buscando-se verificar suas principais características naturais e indícios macroscópicos que pudessem indicar a adsorção de substâncias em seu interior ou em sua superfície.

Esse resultado, no entanto, refere-se apenas à carga apreendida em Mato Grosso do Sul e não a de Mato Grosso.

Os exames foram realizados no Laboratório de Química Forense do Setor Técnico-Científico e no laboratório do Instituto de Análises Laboratoriais Forense (Ialf) da Coordenadoria-Geral de Perícias para análises instrumentais complementares.

* Saiba 

As primeiras amostras chegaram para análise no dia 23 de junho, dois dias após a apreensão, e nos dias 1º e 2 deste mês foram feitas novas coletas de material para verificação.

Justiça

Fachin dá 24h para Mendonça levantar sigilo de todo caso Master

Ele atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República

11/09/2026 19h00

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos relacionados à Operação Compliance Zero, que apura corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias ligadas ao antigo Banco Master. 

Fachin atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), para quem a divulgação de apenas parte do material passa uma "ideia equivocada” de que a transparência do caso pode estar comprometida. 

A divulgação de todo o material já havia sido requerida na noite de quinta-feira (9) por Fachin. Mendonça atendeu ao pedido horas depois, divulgando 15 procedimentos de investigação derivados da Compliance Zero. 

Relator do caso no Supremo, Mendonça manteve, contudo, o sigilo sobre algumas linhas de investigação, o que motivou a PGR a pedir acesso à integralidade dos documentos. 

Pela decisão de Fachin desta sexta-feira (11), todos os documentos devem ser disponibilizados, “ressalvadas exclusivamente as diligências em andamento ou a serem realizadas, para os quais se pudesse antever possíveis prejuízos à sua efetividade”, escreveu o presidente do Supremo. 

A ordem de Fachin para a retirada do sigilo sobre a investigação ocorre na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos de investigação mútuos protagonizados pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. 

Fachin determinou a remessa de todo o material para os gabinetes dos demais ministros, para que possam analisar os documentos e provas antes de julgar, na próxima terça-feira (15), outro pedido da PGR, dessa vez para que um relatório da PF ligando Vorcaro a Moraes seja anulado. 

Neste relatório, cujo sigilo foi levantado por Mendonça, constam dezenas de mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes. Nelas, o ex-banqueiro demonstra ter relação de proximidade com o ministro. 

Mendonça pediu ao plenário que decida sobre investigar ou não Moraes. A PGR, contudo, alega que o ministro já avançou irregularmente nas investigações, sem a autorização do plenário, o que tornaria nulo o material. 

Sigilo

Entre as apurações mantidas sob sigilo por Mendonça está a que diz respeito ao suposto repasse de R$ 61 milhões para financiar a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a PF, há suspeita de que o dinheiro tenha sido entregue por Daniel Vorcaro, dono do Master, a pedido do senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

Outra investigação mantida sob segredo de Justiça envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o advogado Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. 

Cultura & Lazer

Grupo de 14 bailarinas de Campo Grande participa de festival de flamenco em SP

Programação inclui aulas e apresentação em São José dos Campos

11/09/2026 18h15

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Quatorze bailarinas do Grupo Embrujos de España, de Campo Grande, embarcam nesta sexta-feira (11) para São José dos Campos (SP), onde participam do 21º Festival Internacional de Flamenco. O evento reúne bailarinos, professores e grupos de diferentes regiões do país entre os dias 11 e 13 de setembro.

A programação inclui a participação das bailarinas campo-grandenses nos Workshops Nacionais, voltados à formação e ao aprimoramento na dança flamenca. O grupo também estará no palco da Mostra Aberta Nacional de Dança Flamenca, marcada para sábado (12), no Teatro Municipal de São José dos Campos.

Além das bailarinas, a delegação de Mato Grosso do Sul terá a participação da coreógrafa e professora Maria Helena Pettengill, que integra a programação dos workshops. Ela ministrará uma aula sobre Tango, um dos palos do flamenco, caracterizado por ritmo e formas de expressão próprias.

Segundo Maria Helena, a participação no festival permite que as bailarinas tenham contato com profissionais e grupos de outras regiões e também apresentem o trabalho desenvolvido em Campo Grande.

“Participar de um festival dessa dimensão é uma oportunidade muito importante para nossas bailarinas. Elas estarão ali para aprender, trocar experiências e também mostrar que em Campo Grande existe um trabalho sério e apaixonado de formação e divulgação do flamenco”, afirmou.

Na Mostra Aberta, o Embrujos de España apresentará o trabalho desenvolvido pelo grupo na Capital. A participação coloca as bailarinas sul-mato-grossenses em contato com artistas de diferentes localidades e amplia a presença do grupo em eventos nacionais da modalidade.

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