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Relicitação da BR-163 pode ser dividida em dois trechos, com junção da BR-262

Dois leilões serão feitos com trechos da rodovia entre Mato Grosso e Paraná; certames poderão incluir BR-262 e BR-267

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Novos estudos sobre a relicitação da BR-163, feitos após vistoria na rodovia no mês passado pela Agência Nacional de Transportes (ANTT), apontam que, além da BR-267, já prevista, a BR-262 pode entrar na nova concessão, que deve ocorrer até o fim deste ano.  

Para isso, devem ser feitos dois leilões. Um envolvendo o Trecho Norte da BR-163, de Campo Grande até a divisa de Mato Grosso, mais a BR-262, com extensão de 690 km. Outro, com extensão de 730 km, vai incluir a BR-163, de Campo Grande até a divisa com o Paraná, mais a BR-267.

O resultado deste levantamento foi apresentado no dia 10, apontando que existem problemas no processo de relicitação que devem ser sanados até a privatização dessas rodovias.  

O documento apresenta o risco de a “rodovia ficar sem cobrança de pedágios enquanto a nova concessionária não assume a operação; riscos de obras de contornos (licenças ambientais, desapropriações, etc.); risco de demanda potencializado pelos projetos de ferrovias; postos de pesagem inoperantes (o que pode acelerar a degradação do pavimento)”.  

Além de citar que a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), vinculada ao Ministério da Infraestrutura, não fez ainda contagem de tráfego nas rodovias BR-262 e BR-267, dado que são importantes para saber o valor dos leilões, os projetos de ferrovia devem estar alinhados com a ferramenta de compartilhamento de risco de demanda das rodovias.

RECOMENDAÇÃO

Para a relicitação, a ANTT recomenda que seja usada uma nova metodologia, com dois leilões, agora englobando também a BR-262. Até o mês passado, a proposta era só incluir 247 km da BR-267.

Um leilão seria do Trecho Norte, que englobaria a BR-163, de Campo Grande até a divisa com Mato Grosso, e a BR-262, da BR-163 até a divisa com São Paulo, totalizando 690 km.

 O outro seria o Trecho Sul, envolvendo a BR-163, entre Campo Grande até a divisa com o Paraná, mais a BR-267, entre BR-163 até a divisa com São Paulo, com 730 km.

Entre as constatações da vistoria está que os processos licitatórios cobrem dos vencedores dos leilões obras de melhorias logo após a nova concessão, que sejam priorizadas obras paralisadas e concedidos incentivos contratuais para obras de contornos dos municípios e que sejam substituídas obras previstas, como diamantes por rotatórias alongadas.

Antes do certame é necessário fazer o “mapeamento de rotas de fugas (MS-040/MS-156/MS-158)” e avaliar se “os projetos de concessões estaduais podem ser positivos para o projeto (leilões da BR-163)”. Para tanto, recomenda que o Ministério da Infraestrutura veja planos, verifique projetos e se alinhe com o governo de Mato Grosso do Sul.  

Também deve buscar ajustar estudo com a ferrovia Malha Oeste, que, “dependendo da configuração, pode ser positivo para a BR-163” e ver o “potencial de parcerias para implantação de fibra óptica”.

Foi constatado um potencial de demanda de madeiras para fábricas de celulose, de usinas de etanol de cana e milho e de armazéns e processadores de grãos (fábricas de rações, óleos e alimentos processados), bem como potencial de demanda de frigoríficos no Trecho Sul.

TRECHO NORTE

Já no Trecho Norte a constatação foi de que houve perda de tráfego para o terminal da Rumo (ferrovia) em Rondonópolis e que há tráfego de caminhões de fertilizantes no sentido norte. A privatização estadual Way-306 (MS-306) aumentou o fluxo na BR-163, em virtude de “provável redução de fugas” dos pedágios que são cobrados na rodovia.

A ANTT vai fazer os estudos técnicos de viabilidade, investimentos e custos operacionais para privatizar a BR-163. Não foi definida ainda qual metodologia será adotada pelo governo federal.  

Se a opção pela ideia inicial de só privatizar 1.094 quilômetros, envolvendo toda a extensão da BR-163 e os 247 km da BR-267, pelo fato de ela integrar a Rota Bioceânica (que vai ligar portos dos oceanos Pacífico e Atlântico), ou esta nova proposta, que inclui a BR-262 em um lote separado, dividindo em duas novas licitações os 847 km da BR-163.

Ainda vai ser preciso realizar audiência pública e ter o parecer do Tribunal de Contas da União para depois ser publicado o edital, previsto para o 3º trimestre deste ano. No 4º trimestre deve ocorrer o leilão, e o contrato deve ser assinado até março do ano que vem.

Até agora não foi definido o prazo de concessão, os novos valores de pedágio e o valor de investimentos que serão necessários.  

No contrato assinado em 2014, a CCR MSVia assumiu o compromisso de investir R$ 5,69 bilhões em 30 anos, com previsão de arrecadar R$ 18,8 bilhões, segundo estimativas do governo federal à época.

Já deveriam estar duplicados 806,3 km da rodovia e ter sido realizadas diversas obras nos primeiros cinco anos da privatização, mas a pista dupla ficou em pouco mais de 150 km, o mínimo exigido para que o pedágio pudesse ser cobrado.

Vistoria aponta problemas em 847 km da BR-163

A vistoria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), realizada entre os dias 25 e 28 do mês passado, apontou vários problemas nos 847 quilômetros da BR-163, que atualmente é administrada pela CCR MSVia.  

Entre eles, que a concessionária priorizou “trechos ‘fáceis’ para a duplicação e sem correlação com a demanda” e que “boa parte” da rodovia está sem acostamento e existem áreas com grande risco de acidente e pontos com necessidade de terceira faixa para ultrapassagem.  

No Trecho Norte, proposto para leilão nesse novo estudo, os técnicos da autarquia afirmam que existem muitos pontos da pista com duplicações fracionadas, sem conexão entre elas, que as duplicações foram paralisadas em razão da ausência de construções de pontes e que a MSVia priorizou obras de duplicação sem considerar a alta demanda de tráfego.

No Trecho Sul, as constatações são de que há “necessidade urgente de contornos urbanos em três cidades ao sul (Mundo Novo, Eldorado e Itaquiraí)”, boa parte da rodovia está sem acostamento, existem áreas com grande risco de acidente, “efeito funil”, e há necessidade de pontos com terceira faixa para ultrapassagem.

Também aferiu que existe um tráfego interno de caminhões de cana-de-açúcar que “não pagam pedágio, mas causam transtornos aos usuários da via, e tráfego intenso de caminhões em direção ao Porto de Paranaguá”.

SAIBA

A CCR MSVia alega em seus balanços contábeis que arrecadou R$ 1,8 bilhão com pedágio nos últimos sete anos de atuação em Mato Grosso do Sul, valor muito próximo ao que afirma ter gasto na manutenção e na duplicação de apenas 18% dos 845 quilômetros da rodovia BR-163. 

POLÊMICA NAS REDES

"Aqui pra você petista" diz campo-grandense ao 'beber' detergente Ypê

Gravação repercutiu em páginas nacionais após decisão da Anvisa de recolher lotes de produtos da marca por risco de contaminação microbiológica

12/05/2026 09h45

Campo-grandense aparece em vídeo segurando embalagem da marca Ypê e fazendo gesto obsceno ao final da gravação

Campo-grandense aparece em vídeo segurando embalagem da marca Ypê e fazendo gesto obsceno ao final da gravação Reprodução: Redes Sociais

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Um vídeo gravado por um morador de Campo Grande viralizou nas redes sociais nos últimos dias após mostrar o homem aparentemente ingerindo um líquido dentro de uma embalagem de detergente da marca Ypê enquanto faz provocações políticas.

Na gravação, o campo-grandense aparece dentro de um carro segurando um frasco da marca e simulando beber o conteúdo. Ao final do vídeo, ele mostra o dedo do meio para a câmera e diz: “Aqui pra você, petista”.

Ainda não há confirmação se o conteúdo ingerido era realmente detergente ou outro líquido colocado na embalagem.

O vídeo passou a circular em páginas nacionais e ganhou repercussão em meio à polêmica envolvendo a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de determinar o recolhimento de lotes de produtos da Ypê fabricados pela empresa Química Amparo.

Conforme publicado pelo Correio do Estado na última semana, a Anvisa suspendeu a fabricação, comercialização, distribuição e uso de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes da marca após identificar falhas consideradas graves no processo de produção da unidade localizada em Amparo (SP).

Segundo a agência, inspeções realizadas em conjunto com órgãos de vigilância sanitária identificaram irregularidades em etapas críticas da fabricação, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade. A Anvisa afirmou que as falhas podem representar risco sanitário, incluindo possibilidade de contaminação microbiológica.

A medida atingiu produtos de diferentes linhas da marca, entre eles detergentes lava-louças Ypê, lava-roupas líquidos Tixan Ypê e desinfetantes Bak Ypê e Atol. O recolhimento vale para lotes com numeração final 1.

A decisão acabou gerando forte repercussão política nas redes sociais. Isso porque integrantes da família ligada ao controle da empresa fizeram doações para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022.

Com isso, apoiadores do ex-presidente passaram a alegar, sem apresentar provas, que a medida da Anvisa teria motivação política. Em resposta, vídeos de pessoas exibindo produtos da marca e até simulando o consumo dos detergentes começaram a circular nas redes sociais.

Outro caso semelhante foi registrado em Goiás. Conforme o portal Tribuna do Planalto , um suposto pré-candidato ligado ao PL em Catalão gravou um vídeo fingindo ingerir detergente Ypê enquanto minimizava os alertas sanitários envolvendo os produtos.

Segundo a CNN Brasil o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta segunda-feira (11) que a Anvisa recebeu vídeos de pessoas bebendo detergente da marca e que o órgão está analisando quais medidas jurídicas podem ser adotadas.

“O que aconteceu foi uma decisão técnica da Anvisa. A Anvisa não tem lado partidário”, declarou o ministro ao comentar a repercussão dos vídeos publicados por apoiadores da direita em defesa da marca.

Padilha também afirmou que a circulação dos conteúdos começou após ganhar repercussão a informação de que donos da empresa fizeram doações à campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

Apesar da repercussão nas redes sociais, a recomendação oficial da Anvisa continua sendo para que consumidores evitem utilizar os produtos pertencentes aos lotes afetados até a conclusão definitiva das análises técnicas.

Veja o vídeo completo:

 

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sete presos

MPMS faz nova ofensiva contra corrupção na secretaria de obras da Capital

Conforme informações iniciais, o ex-secretário Rudi Fioresi e o engenheiro Mehdi Talayeh, que ainda segue na Sisep, teriam sido presos

12/05/2026 09h37

Investigadores do Ministério Público apreenderam cédulas de dinheiro em um dos endereços que foram alvo de busca e apreensão nesta terça-feira (12)

Investigadores do Ministério Público apreenderam cédulas de dinheiro em um dos endereços que foram alvo de busca e apreensão nesta terça-feira (12)

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Quase três anos depois da primeira fase da operação Cascalhos de Areia, realizada em 15 de junho de 2023, promotores do Ministério Público Estadual e policiais chegaram à conclusão que o suposto esquema de corrupção segue ativo e desencadearam nesta terça-feira (12) uma nova etapa das investigações. Sete pessoas teriam sido presas. Desta vez, porém, o alvo principal seriam os serviços de tapa-buracos. 

Conforme informação inicial, o ex-secretário de obras, Rudi Fioresi, que desde fevereiro deste ano comanda a Agesul, do Governo do Estado, teria sido preso na operação. Os policiais foram cedo ao seu apartamento, na Rua das Garças, na região central de Campo Grande. Ele comandou a secretaria municipal de obras entre 2017 e 2023, mas antes disso já atuava como adjunto. Na Agesul, ele é o resposável por contratos de obras que beiram os R$ 2 bilhões.

Além do apartamento do ex-secretário, outro endereço visitado pelos investigadores  é a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Público, que desde o começo de abril está sem secretário. Conforme as informações iniciais, o engenheiro Mehdi Talayeh, um dos superintendentes da pasta, teria sido preso.

Após a saída de Marcelo Miglioli, no começo de abril, ele chegou a ser apontado como seu substituto. Porém, no dia 30 de abril a prefeita Adriane Lopes anunciou que Paulo Eduardo Cançado Soares assumiria a pasta. Até está terça-feira (12), contudo, ele não foi nomeado oficialmente. 

O engenheeiro Mehdi Talayeh já fora alvo das investigações na primeira etapa da Cascalhos de Areia, quando o Ministério Público apontou suposto esquema de superfaturamento de contratos da ordem de R$ 300 milhões para aluguel de máquinas e cascalhamento de ruas sem asfalto. 

À época, os principais alvos da investigação foram os empreiteiros André Luiz dos Santos (André Patrola) e Edcarlos Jesus Silva, que seria uma espécie de "laranja" do próprio André Patrola. Ambos viraram réus.

Porém, como ainda não foram julgados, seguem prestando serviços à Secretaria de Obras. O mais recente contrato assinado com André Patrola, na semana passada, é para serviços de recapeamento. Patrola é dono da empresa André L. dos Santos Ltda, que receberá R$ 6.153.797,28 para recapeamentos na região do Prosa. 

Além da devassa na Secretaria de Obras, investigadores do Ministério Público, que até 09:35 não haviam divulgado informações oficiais, também amanheceram em uma residência na região do Tiradentes. 

No imóvel, próximo da Lagoa Itatiaia, reside o engenheiro Edivaldo Pereira Aquino, que também teria sido preso e seria um dos responsáveis pelos serviços de tapa-buracos. No local eles encontraram um veículo oficial da Sisep,apreenderam documentos e encontraram dinheiro. A quantidade apreendida ainda não foi informada. 
 

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