Cidades

CAOS NA SAÚDE

Santa Casa defende sequestro de R$ 40 milhões para pagar dívidas

O maior hospital de Mato Grosso do Sul está trabalhando com serviços reduzidos e parte dos médicos estão sem receber por mais de três meses

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Diante do cenário financeiro crítico que a Santa Casa de Campo Grande enfrenta desde o início do ano, o maior hospital de Mato Grosso do Sul foi a justiça para cobrar  mais de R$ 45 milhões da Prefeitura Municipal de Campo Grande para que a instituição possa realizar o pagamento de dívidas milionárias como fornecedores, funcionários terceirizados e contas de energia.

A Santa Casa entrou com ação judicial alegando que a vigência do contrato com a Prefeitura de Campo Grande acabou no fim de agosto desse ano, sem formalização de um novo convênio. Entretanto, o termo apenas foi prorrogado por mais 30 dias. 

De acordo com a presidente Alir Terra, o repasse está ‘congelado’ desde 2023, e, no período, houve inflação e aumento de custos hospitalares. Atualmente em R$ 32,7 milhões, o valor não seria suficiente para suportar a demanda da Santa Casa. Nesse cenário, o hospital pediu na justiça pedindo a renovação do convênio, corrigido para R$ 45,9 milhões, e recomposição retroativa do repasse referente aos últimos dois anos sem reajuste.

Ainda segundo ela, apesar da situação, o hospital não corre o risco de fechar, tendo em vista que, apesar do desequilíbrio financeiro, alguns serviços estão sendo priorizados. "Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem que são celetistas, além de funcionários da limpeza, cozinha e dos Centro de Terapia Intensiva (CTI) e outros funcionários que fazem a instituição funcionar estão com salários em dia, funcionando com normalidade", disse.

Sobre a ação, a justiça negou que o acordo seja no valor de R$ 45.946.359,89 mensais, mas determinou que um novo contrato seja firmado dentro de 30 dias. A decisão da juíza Paulinne Simões de Souza atendeu parcialmente o pedido do hospital “A ausência de recomposição dos valores compromete a prestação continuada dos serviços de saúde”, destacou a magistrada.

Para a imprensa, Alir Terra afirmou que o prazo de 30 dias é para que seja feita uma negociação entre o hospital, a Prefeitura e o Poder Judiciário, com o objetivo de resolver a situação do problema de saúde. "Se não chegarmos a um acordo, nós esperamos uma decisão judicial que traga o reequilíbrio do contrato o mais rápido possível", defendeu.

História longa

Em meados de março e abril desse ano, conforme informado pelo Correio do Estado, o hospital alegou níveis críticos de superlotação e que não admitiria novos pacientes, pressionando o poder público municipal e estadual.

Na época, a Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) repassava R$ 5 milhões mensais à instituição. Diante da pressão, foi acrescentado mais R$ 1 milhão por mês. Com isso, o repasse mensal da Prefeitura à Santa Casa passou a ser de R$ 6 milhões.

Além disso, ao mesmo tempo, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que repassava R$ 9 milhões mensais à instituição, cedeu mais R$ 25 milhões, que foi pago em três parcelas até o mês de junho. Porém, mesmo com os novos repasses, a Santa Casa continuou em crise.

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Operação Antidotum

Santa Casa diz que atendimento seguirá normal após operação que prendeu seis

Conselho de Administração se reuniu após a Operação e declarou solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos pelas medidas cautelares

12/09/2026 17h30

02 0826 0003 Fachada Santa Casa GO

02 0826 0003 Fachada Santa Casa GO Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande afirmou neste sábado (12) que os atendimentos no hospital seguem normalmente e não serão interrompidos após a Operação Antidotum, deflagrada na sexta-feira (11) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Em nova nota, o Conselho de Administração declarou solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos pelas medidas cautelares e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos pela Justiça. A manifestação ocorreu após reunião extraordinária realizada na sexta-feira.

A operação investiga supostas fraudes em contratos da Santa Casa e da Santa Casa Saúde, com prejuízo estimado inicialmente em R$ 4,9 milhões. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Entre os presos está a presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, além de outros integrantes da administração e pessoas ligadas às empresas investigadas.

Segundo o MPMS, um dos contratos investigados envolve a digitalização de prontuários, enquanto outro núcleo apura pagamentos feitos pela Santa Casa Saúde a empresas relacionadas ao mesmo grupo econômico.

Relembre o Caso

A crise que culminou na Operação Antidotum ganhou força em 29 de julho, quando médicos da Santa Casa suspenderam cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais em meio à crise financeira enfrentada pelo hospital. Em agosto, denúncias sobre possíveis irregularidades em contratos da instituição passaram a ser acompanhadas pelo Ministério Público. Na última sexta-feira, o MP deflagrou a operação.

Santa Casa já havia se manifestado

Logo após a operação, na sexta-feira, a Santa Casa informou que estava colaborando com as autoridades e aguardava acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações.

Na ocasião, a instituição também afirmou que os atendimentos à população seguiriam normalmente. Um dia depois, a nova nota reforçou a continuidade dos serviços e acrescentou a manifestação de solidariedade do Conselho de Administração aos integrantes da diretoria.

No interior

Mirando esquema de lavagem de dinheiro, operação da Defron prende quatro neste sábado

Um veículo foi apreendido e mais sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Dourados, Rio Brilhante e Ponta Porã

12/09/2026 17h00

Divulgação

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Quatro pessoas foram presas pela Polícia Civil na manhã deste sábado (12), durante uma operação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) contra um grupo investigado por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Mato Grosso do Sul. 

A ação também cumpriu sete mandados de busca e apreensão em três municípios do Estado. Em Dourados, onde ocorreram as quatro prisões, os policiais fazem buscas em cinco endereços. As demais ordens foram cumpridas em Rio Brilhante e Ponta Porã.

Segundo informações repassadas pela Polícia Civil, a investigação teve origem em outra ocorrência de tráfico de drogas apurada pela Defron. A partir das diligências, os investigadores identificaram a participação de diferentes pessoas no fornecimento, distribuição e comercialização de entorpecentes.

Ainda conforme a polícia, a apuração também apontou movimentações financeiras relacionadas à atividade criminosa, levando à investigação por lavagem de dinheiro.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos celulares e outros dispositivos eletrônicos. O material será submetido à análise e poderá contribuir para o aprofundamento das investigações e para a identificação de outros possíveis envolvidos.

Uma Toyota Hilux SW4, avaliada em aproximadamente R$ 200 mil, também foi apreendida durante a operação. As investigações continuam e os presos permanecem à disposição da Justiça. A operação foi coordenada pela Defron, com apoio do Setor de Investigações Gerais, o SIG de Dourados e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF).

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