Cidades

SAÚDE

Saúde manda R$10 milhões de cirurgias cardíacas para procedimentos ortopédicos

Recurso estava destinado a cirurgias cardíacas eletivas em Três Lagoas, mas baixa demanda levou Estado a transferir verba para atender fila de procedimentos ortopédicos

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A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) decidiu remanejar R$ 10,36 milhões que estavam destinados à realização de cirurgias cardíacas eletivas no Hospital Regional de Três Lagoas Magid Thomé para ampliar a oferta de procedimentos ortopédicos no Hospital Regional de Dourados.

A mudança tem como justificativa a diferença entre a demanda pelos dois tipos de atendimento. 

Segundo a resolução, o Hospital Regional de Três Lagoas apresenta perfil predominantemente voltado aos atendimentos cardiológicos de urgência e emergência e registra baixa procura por procedimentos cardíacos eletivos. Com isso, parte da programação financeira destinada especificamente a essas cirurgias estava sendo subutilizada. 

Por essa razão, a SES apontou a existência de uma demanda reprimida por cirurgias ortopédias em Mato Grosso do Sul. O Hospital Regional de Dourados, conforme a pasta, possui capacidade operacional e assistencial para absorver e ampliar a realização desses procedimentos.

Ao todo, serão transferidos R$ 10.369.590,00 para Dourados. O dinheiro deverá ser utilizado exclusivamente na execução de procedimentos da linha de cuidado de Ortopedia.

A medida integra o componente cirúrgico do programa federal atualmente denominado Agora Tem Especialistas, anteriormente chamado de Programa Mais Acesso a Especialistas, que busca ampliar o acesso da população a consultas, exames e cirurgias especializadas.

Apesar da retirada dos recursos destinados às cirurgias cardíacas eletivas, a resolução estabelece que os atendimentos cardiológicos de urgência e emergência em Três Lagoas serão mantidos.

De acordo com a SES, o remanejamento não deverá provocar desassistência aos pacientes que necessitem desse tipo de atendimento, já que a alteração atinge especificamente a programação financeira destinada às cirurgias eletivas.

Os demais hospitais e prestadores contemplados na pactuação estadual também não serão afetados. Os tetos financeiros e os procedimentos anteriormente definidos permanecem mantidos.

Habilitação temporária

Para que o Hospital Regional de Dourados possa executar os procedimentos com os recursos transferidos, a CIB também autorizou, em caráter excepcional e temporário, sua habilitação no código 29.02, referente ao componente de cirurgias do Programa Mais Acesso a Especialistas.

A habilitação será válida exclusivamente durante o período de vigência do programa.

O Hospital Regional de Dourados já integra as Ofertas de Cuidado Integrado (OCI) da Região de Saúde Centro-Sul e está previsto no Plano de Ação Regional para a execução de procedimentos relacionados à linha de cuidado em Ortopedia.

A SES sustenta que a redistribuição dos recursos segue critérios de necessidade assistencial e capacidade de execução e busca evitar que valores destinados a procedimentos com baixa demanda permaneçam subutilizados enquanto há pacientes aguardando atendimento em outras especialidades.

Os valores utilizados nos procedimentos deverão seguir os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde para Mato Grosso do Sul, inclusive quanto aos limites máximos de complementação previstos para o Estado.

 

PONTA PORÃ

Mulher atropelada pelo marido em MS é a 27ª vítima de feminicídio

Caso foi tratado inicialmente como homicídio culposo na direção de veículo automotor

17/09/2026 08h45

Wandete Góis da Silva é a 27ª vítima de feminicídio em MS

Wandete Góis da Silva é a 27ª vítima de feminicídio em MS Reprodução

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Wandete Gois da Silva, de 58 anos, atropelada na noite do dia 2 de agosto na BR-463, em Ponta Porã, passou integrar a lista de vítimas de feminicídio em Mato Grosso do Sul. Inicialmente, o caso foi tratado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, tendo como principal suspeito o marido da mulher.

Segundo a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Ponta Porã, a mudança no registro ocorreu após novas análises nas imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas. Com isso, Mato Grosso do Sul passa a ter 27 casos de feminicídio em 2026, sendo oito em agosto, o maior número registrado em um mês.

Wandete morreu após ser atropelada por um caminhão na BR-463, na região de Santa Puitã, em Ponta Porã. O marido se apresentou na delegacia junto com seus advogados e foi preso em flagrante.

Segundo as testemunhas, o suspeito havia ingerido bebida alcoólica antes do caso e o casal participava de um encontro de caminhoneiros nas proximidades do distrito.

A delegacia responsável pelo caso mantém as investigações sob sigilo para não prejudicar no decorrer das diligências que ainda estão em andamento.

O caso

Wandete Gois da Silva, de 58 anos, morreu após ser atropelada por um caminhão na noite do dia 2 de agosto, no km 102 da BR-463, no região do trevo de Santa Puitã, município de Ponta Porã. O principal suspeito é o marido da vítima, de 49 anos.

Durante a perícia, foi encontrado ao lado do corpo um pedaço de plástico que aparentava ser parte do para-lama do veículo envolvido no atropelamento.

Diante da suspeita de que o fragmento encontrado no local pudesse pertencer ao caminhão do marido da vítima, policiais civis foram até a residência do casal. O caminhão estava estacionado na rua. Durante a verificação, os policiais perceberam que o para-lama estava quebrado, justamente a peça que encontraram na cena do crime.

A perícia foi acionada novamente e, após análise técnica, confirmou que a peça recolhida na rodovia pertencia ao caminhão conduzido pelo suspeito.

Mais tarde, o homem se apresentou na delegacia acompanhado de dois advogados e foi preso em flagrante.

Clima

Super-El Niño já contribuiu para alta de 53% nas chuvas de Campo Grande

Dados do Inmet revelam que a Capital acumulou mais de 118 milímetros de precipitação em apenas 16 dias deste mês

17/09/2026 08h05

Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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Mesmo que ainda não esteja no seu ápice, o super-El Niño já ajudou a trazer para Campo Grande mais de 118 milímetros de chuva neste mês. Os dados indicam aumento de 53% com relação ao esperado para os 30 dias de setembro, o que coloca o mês entre os mais chuvosos dos últimos 18 anos.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Capital registrou 118,4 milímetros em 16 dias, na região da Vila Popular, onde fica a estação da Embrapa.

Em outras regiões, a precipitação foi ainda maior, como no Jardim Panamá (146 mm), no Bairro Universitário (155,4 mm), na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) (158 mm) e no Córrego Anhanduizinho (172,4 mm).

Independente da área, Campo Grande passou sua própria média histórica do mês, que é de 77,6 milímetros. O cenário atual fica mais expressivo quando comparado com setembro de outros anos. Conforme o banco de dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), este já é o quarto setembro mais chuvoso da Capital desde 2008, com expectativa de entrar no “pódio” nos próximos dias.

Ontem, a Defesa Civil divulgou alerta amarelo para risco de tempestade, com base em informações do Inmet.

O aviso começa às 23h de hoje e permanece válido até as 22h59min de amanhã. O alerta diz que são esperados volumes de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros ao longo do dia, acompanhados de ventos intensos.

Em conversa com a reportagem, o meteorologista Diego Silva, do Instituto de Física da UFMS, revela que este quadro de chuvas acima do normal está relacionado com o El Niño de alta intensidade que está cada dia mais forte. A precipitação aumenta com a aproximação da primavera, que vai começar na terça-feira.

Ele explica que, especialmente na região Centro-Sul do Estado, onde está localizada a Capital, o comportamento do clima e tempo tende a ficar mais semelhante ao observado nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil, ou seja, uma situação favorável ao acontecimento de tempestades, rajadas fortes e descargas elétricas.

“O El Niño entra nesse processo como um modulador da circulação de grande escala. Ele não cria sozinho a tempestade que acontece em Campo Grande numa determinada tarde, mas pode favorecer uma configuração atmosférica mais recorrente para passagem e manutenção desses sistemas sobre o Centro-Sul do continente”, disse.

Mesmo que por enquanto as chuvas estejam caracterizando o começo do último trimestre do ano, a tendência é de que a ausência delas comece a ser sentida a partir de outubro, com estiagem e ondas de calor extremas, o que favorece o aumento de queimadas florestais e a preocupação ao redor do Pantanal.

“Com a aproximação da primavera, acrescentamos o aumento progressivo do aquecimento e da disponibilidade de energia na atmosfera. Quando esse aquecimento encontra umidade elevada e sistemas frontais ainda frequentes, cresce o potencial para convecção mais intensa”, explica o meteorologista.

TEMPORAL

Desde o dia 10, quando uma tempestade com vendaval atingiu a Capital, a Prefeitura de Campo Grande registrou 450 ocorrências, sendo 423 envolvendo quedas de árvores e galhos. Em razão dos estragos, foi decretada situação de emergência, reconhecida ontem pelo governo federal.

O prejuízo provocado pelo temporal é estimado inicialmente em, pelo menos, R$ 40 milhões, segundo a prefeita Adriane Lopes, mas o valor ainda pode aumentar à medida que avançam os levantamentos dos danos.
Entre os estragos contabilizados estão 37 escolas destelhadas, além da Esplanada Ferroviária e da Unidade de

Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Universitário. Dezenas de famílias também foram atingidas, enquanto quedas de árvores e danos à rede elétrica deixaram moradores sem energia durante o fim de semana.

A situação foi tão alarmante que a Prefeitura de Campo Grande decretou situação de emergência, sob prazo de 180 dias e alcance às áreas comprovadamente afetadas pelo fenômeno classificado como tempestade local. O decreto determina que a extensão dos prejuízos seja detalhada em levantamento da Defesa Civil.

Na prática, a declaração permite que a Prefeitura concentre e mobilize estruturas para responder aos danos. O artigo 2º autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais, sob coordenação da Defesa Civil, enquanto o artigo 3º prevê atuação integrada com órgãos estaduais e federais, Corpo de Bombeiros e concessionárias.

O texto também permite a convocação de voluntários e a realização de campanhas de arrecadação para atendimento das pessoas atingidas.

Ontem, o governo do Estado reconheceu a medida e autorizou uma série de ações excepcionais para auxiliar na recuperação da Capital.

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