Um homem de 63 anos foi preso em flagrante pela Polícia Civil, no último domingo (28), suspeito de matar Maria do Carmo de Sousa, de 66 anos, em uma propriedade rural de Naviraí, município localizado a 365 quilômetros de Campo Grande.
A prisão foi realizada pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Naviraí, após diligências no local do crime e análise de imagens de videomonitoramento. Segundo a polícia, o suspeito foi identificado como P.L.M., ex-convivente da vítima.
Maria do Carmo foi encontrada morta na manhã de domingo por vizinhos e familiares. Conforme informações apuradas, moradores da região relataram ter ouvido, por volta das 23h30 de sábado (27), a chegada de um homem de motocicleta à residência da vítima. Em seguida, teriam escutado uma discussão entre os dois.
Ainda segundo o boletim de ocorrência, os vizinhos também ouviram barulho no portão lateral da casa e tentaram contato com Maria do Carmo por mensagem, mas não obtiveram resposta. Pela manhã, foram até o imóvel e encontraram a vítima caída no chão, com grande quantidade de sangue ao redor do corpo.
Os filhos da vítima foram acionados e chamaram a Polícia Militar pelo telefone 190. Ao chegarem ao local, os militares constataram indícios de crime e acionaram a Polícia Civil e a Polícia Científica.
De acordo com a Polícia Civil, assim que a DAM tomou conhecimento da ocorrência, uma equipe foi até a propriedade rural, que já estava preservada pela Polícia Militar. No local, foram iniciados os primeiros levantamentos periciais e investigativos pela equipe plantonista.
Inicialmente, o suspeito se apresentou como testemunha, mas, durante a apuração, passou a apresentar versões consideradas contraditórias pelos investigadores. A polícia informou que ele e a vítima haviam mantido relacionamento por aproximadamente dois meses e não tinham filhos em comum.
O principal elemento que levou à prisão em flagrante foi a análise das imagens do sistema de videomonitoramento. Conforme a Polícia Civil, as gravações mostram o homem indo até a residência de Maria do Carmo durante a madrugada portando um facão. Logo depois, ele aparece retornando com a arma branca e uma grande quantidade de sangue na lâmina.
Diante das evidências, P.L.M. recebeu voz de prisão e foi conduzido à delegacia, onde foi autuado em flagrante pelo crime de feminicídio. Ele permanece à disposição da Justiça.
Durante os trabalhos no imóvel, a polícia também encontrou e apreendeu uma espingarda calibre 22. O caso segue sob investigação da Delegacia de Atendimento à Mulher de Naviraí.
13º feminicídio em MS
A morte de Maria do Carmo de Sousa é tratada como o 13º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026. Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) apontam que 13 mulheres foram mortas no Estado entre 1º de janeiro e 28 de junho deste ano.
O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher em razão da condição de gênero, geralmente em contexto de violência doméstica, familiar ou de relação íntima de afeto. O crime é hediondo e pode resultar em pena de 20 a 40 anos de reclusão.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelos telefones 180, da Central de Atendimento à Mulher, 190, da Polícia Militar, e 153, da Guarda Civil Metropolitana, nos municípios onde houver o serviço.
Também é possível pedir ajuda por meio do sinal “X” vermelho desenhado na mão, usado para indicar que a vítima está em situação de violência doméstica e precisa de auxílio.
Escala de feminicídios em MS
Em Mato Grosso do Sul, até o início de junho, foram contabilizados 13 feminicídios em todo o Estado.
O primeiro feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul ocorreu em 16 de janeiro, na aldeia Damakue, em Bela Vista. A vítima, Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta a tiros pelo marido, que em seguida tirou a própria vida.
Em 24 de janeiro, a aposentada Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi assassinada a pauladas pelo marido em Corumbá.
Em 22 de fevereiro, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi morta a facadas em Coxim. O principal suspeito é o próprio filho da vítima, de 22 anos.
No dia 25 de fevereiro, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi assassinada em Três Lagoas. O autor do crime foi o namorado da jovem, Wellington Patrezi, que procurou a polícia e confessou o feminicídio.
No dia 6 de março morreu Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, que estava internada após ser brutalmente agredida pelo marido em Três Lagoas.
Ela foi atacada com golpes de marreta no dia 3 de março. Após o crime, foi socorrida e transferida para o Hospital da Vida, em Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.
No dia 7 de março, em Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi encontrada morta em casa, na Rua Professora Cleusa Batista. O principal suspeito é o marido da vítima, Edson Campos Delgado, que acabou preso.
No dia 8 de março, a indígena Ereni Benites, de 44 anos, morreu carbonizada após a casa onde morava pegar fogo durante a madrugada, em uma aldeia no interior do estado, no município de Paranhos.
O principal suspeito do crime é o ex-companheiro da vítima, de 52 anos, que foi preso em flagrante pela polícia.
Em 23 de março, quebrando um jejum de 15 dias sem feminicídios, Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos, foi encontrada morta em Selvíria, interior do Estado, a menos de 400 quilômetros de Campo Grande. O suspeito, conhecido por "Maurição" é apontado como sobrinho da mulher.
Uma semana depois, no dia 06 de abril, a subtenente da Polícia Militar, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, foi encontrada morta dentro de casa, no bairro Estrela D’alva, em Campo Grande.
A policial estava fardada e o principal suspeito é o namorado da vítima, Gilberto Jarson, de 50 anos. A polícia confirmou o feminicídio.
No dia 13 de abril, Vera Lúcia da Silva, de 41 anos, foi encontrada morta próxima ao portão de sua casa, localizada no município de Eldorado, com o corpo de Valdeci Caetano dos Santos caído ao lado. Além disso, três suspeitos foram presos por praticar necrofilia contra o corpo da vítima.
Na tarde do dia 30 de abril, Vicente Asuncion Vidal Gonzalez, de 41 anos, foi preso em flagrante por ser suspeito de matar a esposa, Zelita Rodrigues de Souza, de 48 anos, na região do Porto Isabel, zona rural de Mundo Novo.
A fisioterapeuta Fabíola Marcotti foi encontrada morta a tiro, no início da tarde do dia 18 de maio, em Campo Grande. A vítima estava em uma propriedade rural na Chácara dos Poderes e foi encontrada já em óbito pelo marido, o médico cardiologista João Jazbik, 42 anos. O homem foi detido por suspeita de feminicídio e as investigações estão em andamento.
Rua Caiçara, no Bairro Piratininga, está cheia de crateras e faz parte da região Anhanduizinho - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

