Abertura de novos empreendimentos habitacionais, execução de grandes obras de urbanização, expansão da pavimentação asfáltica e as particularidades do solo de cada região vêm contribuindo para tornar cada vez mais visível e acentuado em Campo Grande o assoreamento de rios, córregos e lagos, fenômeno que já atinge há décadas grandes centros urbanos como São Paulo (caso do Rio Tietê).
Na capital sul-mato-grossense, os exemplos mais notórios são o lago do Parque das Nações Indígenas, abastecido pelo córrego Prosa, e o córrego Sóter, no trecho situado dentro do parque de mesmo nome.
No entanto, o problema já vem atingindo em escala crescente outros cursos d’água da cidade — é o caso do Rio Anhanduí, que corre por toda a extensão da Avenida Ernesto Geisel, e onde já é possível encontrar alguns trechos quase que totalmente tomados por bancos de areia.
Na avaliação de ambientalistas e especialistas do setor, o depósito de sedimentos no Rio Anhanduí e nos demais cursos d’água do município cresce ano a ano e só tende a aumentar, dado o adensamento populacional da cidade.
Atualmente com 33 córregos e um rio identificados, que integram 10 microbacias espalhadas por todo o município, Campo Grande ostenta uma população 15,7% maior que há 10 anos atrás e densidade demográfica de 97,22 habitantes por quilômetro quadrado.
Agravamento
“Não se sabe quando, mas chegará a um ponto em que será preciso fazer a limpeza do leito (dos córregos da Capital), tal como se faz hoje com frequência no Rio Tietê”, prevê o engenheiro civil e mestre em hidráulica e saneamento Jorge Gonda, que também preside a Fundação Francisco Ancelmo para Conservação da Natureza em Mato Grosso do Sul (Fuconams).
O ambientalista ressalta ainda que na verdade, a concentração de sedimentos nos cursos d’água de Campo Grande não é resultado de uma única chuva - que carregou material para o leito dos córregos - mas sim do acumulado de vários anos. “Obras em geral, construção de prédios, despejo de entulhos pela própria população, tudo isso causa um impacto. A cada ano vai ter mais sedimentos no fundo. Alguma coisa pode até ir embora com a enxurrada, mas a maior parte fica e naqueles pontos em que a velocidade da água é menor, o problema piora”, comentou.
No caso do Parque Sóter, a área é rodeada por terras frágeis e mesmo que tenha passado por urbanização de fundo de vale, o solo do entorno é bastante arenoso.
O presidente da Fuconams alerta ainda para outra região da cidade considerada em risco. “O Nova Lima ainda não está muito urbanizado, mas os terrenos estão desprotegidos, já não tem quase que vegetação nenhuma e o solo é bastante frágil. Tem que se tomar muito cuidado com o sistema de lançamento das águas da chuva que foi feito no local, porque há o risco de causar erosão nas regiões situadas mais abaixo”, pontuou.

