Cidades

ALÉM DA CHUVA

Urbanização desenfreada
é causa de alagamentos

Especialista explica que crescimento desordenado e falta de infraestrutura urbana agravam problema

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A urbanização de bairros da região Norte de Campo Grande, como o Nova Lima e a Mata do Jacinto, pode ser uma das principais causas de crescimento dos pontos de alagamentos, enchentes e inundações. 

Para o professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Enio Arriero Shinma, o crescimento desordenado e a falta de infraestutura urbana são fatores decisivos no agravamento do problema que a cada nova chuva só piora. “As pessoas olham e acham que o problema está aonde inundou e não é ali, e sim na infraestrutura como um todo. Inclusive nas casas, e é complicado falar isso para a população. Toda a falta de infiltração no solo interfere diretamente na situação. A água chega muito rápido até a rua, e no fim se converte em pontos de inundação”.

Shinma, que também é mestre em recursos hídricos e saneamento ambiental, explica que fazer o alargamento dos leitos dos córregos não deve ser uma possível solução para o problema que ocorre principalmente ao longo das avenidas Via Parque (Nelly Martins) e Ernesto Geisel. “É um somatório de fatores. Por exemplo, o Bairro Nova Lima está sendo todo asfaltado, ruas de terra sendo pavimentadas. Em seguinda as pessoas começam a construir mais ali, e água que tinha onde escoar passa a não ter mais. A impermeabilização dos terrenos causam estas inundações, não é só falta de manutenção ou descaso da Prefeitura”, afirma o professor.

O especialista diz que a urbanização da região Norte da cidade, ao longo de pelo menos três anos, pode ter influenciado no aumento dos registros de enchentes, inundações e alagamentos em locais próximos as vias mais afetadas. “A chuva é medida por altura, quando chove 70 milímetros por exemplo, quer dizer que choveu 70 litros de água em cada metro quadrado. Imagina isso na cidade inteira. E acaba que a água vai toda para as áreas mais baixas, essas regiões que estão alagando e inundando”, disse Shinma.

danos morais

Fã de Taylor Swift será indenizada após show ser adiado em cima da hora

Sul-mato-grossense já aguardava dentro no estádio, quando empresa comunicou o adiamento uma hora antes do show no Rio de Janeiro, devido a onda de calor, gerando custos extras

09/09/2026 15h02

Taylor Swift teve show adiado em 2023 no Rio de Janeiro devido a onda de calor

Taylor Swift teve show adiado em 2023 no Rio de Janeiro devido a onda de calor Foto: Reprodução

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A 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) manteve a condenação da empresa Tickets for Fun (T4F), responsável pela organização do show da cantora Taylor Swift, a pagar R$ 6 mil de indenização por danos morais a uma sul-mato-grossense que viajou ao Rio de Janeiro e foi prejudicada com o adiamento do evento, ocorrido em 2023.

A empresa também deverá ressarcir R$ 133,00 por despesas adicionais comprovadas com hospedagem.

A fã é moradora de Três Lagoas e viajou ao Rio para a apresentação da cantora, marcada para o dia 18 de novembro de 2023, no Estádio Nilton Santos. O cancelamento do show ocorreu em meio a uma forte onda de calor um dia depois da morte da sul-mato-grossense Ana Clara Benevides Machado.

Conforme os autos do processo, ela afirmou que já estava há horas dentro do estádio, quando pouco menos de uma hora para o início da apresentação, a empresa informou que o show foi adiado para o dia 20 de novembro devido às condições climáticas adversas. Na época, o país enfrentava forte onda de calor e havia também previsão de tempestades com raios para o município.

A fã afirma que o adiamento gerou custos, como dois dias a mais de estadia, alimentação e tranporte no Rio de Janeiro, sofrendo danos materiais no valor de R$ 606,98. Além disso, ela alegou que teve grande esgotamento emocional pela falha na prestação do serviço e pediu indenização de R$ 10 mil por danos morais.

Em primeira instância, a Justiça já havia condenado a Tickets for Fun a indenizar a cliente, mas a empresa recorreu, alegando que o adiamento ocorreu por força maior e sustentando que havia adotado medidas para proteger o público.

A consumidora também entrou com recurso, pois havia sido deferido apenas a indenização, e ela pediu também o ressarcimento com os gastos extras.

Ao analisar o recurso, o relator, desembargador Luiz Antônio Cavassa de Almeida, afirmou que o adiamento, diante do risco à segurança do público, não configuraria, por si só, falha na prestação do serviço.

No entanto, ele considerou que o problema foi a comunicação tardia da mudança, quando os consumidores já haviam se deslocado para o local do evento, enfrentando filas, aglomerações e o intenso calor.

Dessa forma, a situação caracterizou falha na prestação do serviço, especialmente quanto aos deveres de informação, segurança e boa-fé. A empresa alegou força maior e sustentou que havia adotado medidas para proteger o público, mas os argumentos foram rejeitados.

A 5ª Câmara Cível reconheceu o direito ao ressarcimento de R$ 133,00 pela hospedagem adicional, mas os gastos com alimentação e transporte não foram ressarcidos, porque os extratos apresentados não permitiam identificar a natureza das despesas nem comprovar sua relação direta com o adiamento do show.

Assim, por unanimidade, o recurso da empresa organizadora foi negado, enquanto o da consumidorafoi provido, sendo mantida a indenização de R$ 6 mil e acrescentando R$ 133 de danos materiais.

Morte em show

O show da cantora Taylor Swift no Brasil foi marcado também pela morte de Ana Clara Benevides, 23 anos, de Sonora, que morreu no dia 17 de novembro de 2023 após passar mal na apresentação da cantora pop.

Conforme divulgado na época, no dia do show a temperatura chegou a 40ºC no Rio de Janeiro a sensação térmica dentro do estádio do Engenhão, onde aconteceu a apresentação, era de 60ºC.

Mesmo com as temperaturas elevadas, a entrada com garrafas d'água foi proibida pela T4F e a ventilação do estádio foi comprometida pela instalação do palco e de materiais para isolar o som.

Ana passou mal no início do show e faleceu de exaustão térmica, uma condição causada pela exposição prolongada ao sol e a temperaturas extremas.

Para conseguir levar o corpo do Rio de Janeiro até Sonora, no norte de Mato Grosso do Sul, a família fez uma vaquinha para bancar os custos.

Um dia depois, no sábado, 18, Taylor Swift anunciou o adiamento do show daquele dia para esta segunda pouco antes do início da apresentação, o que gerou tumulto na saída do estádio.

Campo Grande

Publicação do Diogrande revela confusão na assinatura de contrato multimilionário

Pregão foi vencido por R$ 5,7 milhões, mas contrato saiu por R$ 28,8 milhões

09/09/2026 14h00

Ponto de acolhimento

Ponto de acolhimento Divulgação

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Uma diferença de mais de R$ 23 milhões aparece entre dois documentos oficiais da Prefeitura de Campo Grande referentes à mesma contratação da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS). O Contrato nº 220/2026, publicado no Diogrande nº 8.456, de 9 de setembro de 2026, registra valor de R$ 28.859.999,40 para a contratação da empresa Siqueira & Calado Ltda.

O documento informa que o contrato, com vigência de 12 meses, é decorrente do Pregão Eletrônico nº 110/2026, realizado no âmbito do Processo Administrativo nº 013336/2026-80, homologado pela Prefeitura em 11 de agosto de 2026.

O problema é que o resultado da própria licitação aponta outro valor. No Termo de Adjudicação e Homologação do Pregão Eletrônico nº 110/2026, a Siqueira & Calado aparece como vencedora com proposta de R$ 5.771.999,88.

A diferença entre o valor registrado no pregão e o que consta no contrato publicado no Diário Oficial chega a R$ 23.087.999,52 desta quarta-feira (09).

A reportagem também identificou que o valor de mais de R$ 28 milhões  registrado no contrato corresponde exatamente à projeção de cinco anos sobre o valor anual de R$ 5.771.999,88 indicado no resultado do pregão. Ou seja, o montante equivale à manutenção do contrato por cinco anos, sem considerar reajustes no período, o que poderia explicar a diferença elevada entre os valores dos dois documentos.

Além disso, o contrato atual chama atenção quando colocado ao lado da contratação anterior da empresa para o serviço, cujo valor foi de R$ 2.639.480,80, publicada em março do ano passado. 

O extrato publicado no Diogrande traz no registro a assinatura por Camilla Nascimento de Oliveira, secretária municipal de Assistência Social e Cidadania, e Rosangela Aparecida Alves Calado, representante da empresa.

O Contrato 

O contrato prevê o acolhimento institucional de pessoas idosas, a partir de 60 anos, em situação de vulnerabilidade social, especialmente aquelas com transtornos mentais e outros problemas de saúde que comprometem a autonomia e exigem acompanhamento contínuo e auxílio para atividades básicas. O Termo de Referência aponta que o serviço será prestado 24 horas por dia e contempla diferentes graus de dependência.

Entre os serviços previstos estão alimentação, vestuário, materiais de higiene, medicamentos, acompanhamento médico, transporte para consultas, fraldas quando necessárias e atividades socioeducativas. Conforme o grau de dependência, a estrutura também deve contar com cuidadores, fisioterapia, fonoaudiologia, técnicos de enfermagem e enfermeiro para supervisão. Nos casos de maior complexidade, estão previstos ainda cuidados com dispositivos como traqueostomia, gastrostomia, sondas e uso de oxigênio.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande e apresentou as inconsistências entre os documentos, questionando qual é o valor efetivo da contratação e se houve erro na elaboração, assinatura ou publicação do contrato, mas até o fechameto da matéria não houve retorno.

 

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