Cidades

SAÚDE

Vacinação contra a pólio tem menor cobertura da série histórica na Capital

Campanha teve 22% de vacinados; ex-adjunta garante que este é o menor índice desde o começo da vacinação contra a doença

Continue lendo...

Campo Grande atingiu este ano o menor índice de cobertura vacinal contra a poliomielite de toda a série histórica. Com apenas 22% do público-alvo vacinado, a cidade teve o pior desempenho na imunização da doença da série histórica em que há registro na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).  

Segundo a médica infectologista Ana Lúcia Lyrio, que foi secretária-adjunta da Sesau entre 2009 e 2012, nunca, desde o início da aplicação desta vacina, a Capital teve um índice tão baixo. A campanha foi encerrada nesta sexta-feira (30).

De acordo com os dados da Sesau, nos últimos anos em que a Pasta tem registro, porque segundo a assessoria houve mudança no sistema, não foi possível atingir o índice recomendado pelo Ministério da Saúde, que é de 95%.

“É possível perceber uma queda significativa na cobertura vacinal, sendo a VIP [vacina contra poliomielite ministrada de forma injetável] a que possui a menor cobertura em 2021, com apenas 78,27% das crianças vacinadas. 

Nos anos anteriores, a cobertura também ficou abaixo da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Em 2020, a cobertura foi de 82,7%; no ano anterior, 84,6%; em 2018, 85,7% das crianças com menos de 1 ano foram vacinadas; 85,95% em 2017; e 92,8% em 2016”, relata a Sesau.

Este ano, porém, a campanha chegou ao menor índice já registrado, uma vez que apenas 22% das crianças entre 1 e 4 anos receberam uma dose de reforço da vacina. A estimativa é de que esse público seja composto de 57.428 crianças, porém, apenas 12 mil tomaram o imunizante.

“Mesmo com os esforços de conscientização da prefeitura para intensificar a vacinação, por meio da oferta das doses em todas as unidades de saúde, plantões de vacinação aos sábados e feriados e realização de ações itinerantes em shoppings e supermercados da cidade, além da divulgação constante das campanhas, os resultados obtidos ficaram aquém do esperado”, seguiu nota da Pasta.

Conforme Lyrio, Campo Grande nunca registrou um número tão baixo de adesão a esta campanha de vacinação

“Eu posso te garantir que nunca houve um número tão baixo quanto esse. Fui secretária-adjunta de 2009 a 2012 e sempre tivemos os melhores índices nacionais [mesmo antes deste período na Pasta]. O Brasil era referência na vacinação e Campo Grande sempre ultrapassava a meta”, garantiu.

O baixo índice vacinal é um alerta, segundo ela, para a possível volta da doença, que está erradicada no Brasil desde 1994. O último caso no País foi registrado em 1984. A vacinação é a única forma de prevenir a doença viral e que causou epidemias em 1910, 1930, e na década de 1950.  

Segundo dados do Ministério da Saúde, a doença contabilizou mais de 26 mil casos entre os anos de 1968 e 1989 no Brasil.

“Nós temos uma população em que grande parte está vacina, mas, com o passar do tempo, se mantivermos esses dados baixos de vacinação, todos estarão expostos. Essa doença não desapareceu, e quando entrar uma pessoa com ela a população fica exposta. Uma família deixar uma criança sem vacina, exposta, é um absurdo, as pessoas têm de ter bom senso, não misturar política com saúde”, afirmou a médica.

De acordo com Lyrio, vários fatores podem ter contribuído para essa redução tão brusca na procura pelo imunizante em Campo Grande, e uma delas é a onda antivacina, que tem afetado não só o Brasil, mas vários países.  

“São vários motivos, as unidades não oferecerem em horários em que as pessoas que trabalham poderiam procurar, o desinteresse da população, entre vários outros”, declarou.

O pediatra Alberto Jorge Flex Costa frisa também que houve um menor trabalho feito pelo Ministério da Saúde, com baixa divulgação nos meios de comunicação.

“Muitos pais estão totalmente desatentos a essas campanhas, e uma das grandes causas disso é que hoje não existe mais convocação do Ministério da Saúde, anúncio nos meios de comunicação. Antes nós tínhamos uma campanha massiva, com o Zé Gotinha indo aos supermercados, em escolas. E tem o fator da campanha antivacina”, afirma Costa.

DOENÇA

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda, causada por vírus que pode infectar crianças e adultos e, em casos graves, pode acarretar paralisia nos membros inferiores.  

É uma doença contagiosa aguda, causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca das pessoas doentes. Nos casos graves, em que acontecem as paralisias musculares, os membros inferiores são os mais atingidos.

Recentemente, uma pessoa foi diagnosticada com poliomielite em Nova York, nos Estados Unidos. O paciente adulto foi diagnosticado com a doença em julho deste ano, quase uma década depois do último caso registrado naquele país. Amostras do esgoto de três municípios no estado indicaram que a doença circulava nestes locais desde abril.

Por causa disso, a governadora do estado de Nova York, Kathy Hochul, declarou, no início de setembro deste ano, estado de emergência. A medida é válida até o dia 9 de outubro deste ano.

Com a presença da doença tão próxima do Brasil, o médico vê a possibilidade de ela voltar a entrar no País. “A partir do momento em que o vírus da pólio chega, há um grande perigo de ela se alastrar rapidamente. Como a gente faz parte de um país com baixa cobertura vacinal, essas coberturas estão decrescendo ano a ano, é terreno fértil para a chegada do vírus ao nosso país”, comenta.

“É uma doença grave, que causa sequelas irreversíveis, como a paralisia, e é totalmente prevenível. Como os pais jovens de hoje não viram essas doenças acontecerem, estão relaxados, mas não viram por conta dessas campanhas de vacinação que foram massivas”, completa o pediatra.

Segundo a Sesau, apesar de a campanha ter sido concluída nesta sexta-feira, o imunizante continuará à disposição da população nos postos de saúde de Campo Grande.  

Neste sábado (1º), os pais podem levar as crianças à Unidade Básica de Saúde (UBS) Dona Neta, UBS 26 de Agosto ou Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) Moreninha, das 7h30min às 17h, sem intervalo.

Municípios do interior atingiram a meta

Em todo Mato Grosso do Sul, 55,7% do público-alvo se vacinou contra a poliomielite. Ao todo, a estimativa era de que 173.154 crianças fossem vacinadas, no entanto, até quinta-feira (29), apenas 96.506 haviam procurado os postos de saúde. 

No interior, 19 municípios atingiram ou ultrapassaram a meta: Novo Horizonte do Sul, Eldorado, Glória de Dourados, Selvíria, Antônio João, Vicentina, Paraíso das Águas, Sete Quedas, Corumbá, Santa Rita do Pardo, Tacuru, Caracol, Naviraí, Aral Moreira, Inocência, Rio Negro, Douradina, Ivinhema e Coronel Sapucaia.

Assine o Correio do Estado

NOVA FERRAMENTA

Site criado por Movimento contra violência sexual facilita denúncias

Plataforma fornece o passo-a-passo de como acionar o Conselho Tutelar

05/09/2026 13h30

Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online

Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

Lançado pelo Movimento Violência Sexual Zero, o Mapa Nacional dos Conselhos Tutelares nasce fruto de parceria 
entre o Grupo Mulheres do Brasil, a Childhood Brasil, o Instituto Liberta e a Vibra Energia, como uma plataforma que serve de atalho para os mais de 3,5 mil conselhos tutelares existentes pelo país, contendo informações de contato atualizadas.

Batizado de Violência Sexual Zero, esse site (que você acessa CLICANDO AQUI) têm, ainda, instruções sobre como formalizar uma denúncia relacionada a esse tipo de crime. Um dos canais sugeridos é o Disque 100, mantido pelo governo federal e que pode ser acionado para solicitar a apuração de situações suspeitas. A ligação é gratuita e o denunciante pode se manter em anonimato. 

Os telefones da Polícia Militar (190) e Polícia Federal Rodoviária (191) são indicados na plataforma para quando se presencia uma violação.

Outra circunstância possível, mencionada pela plataforma, é o abuso sexual infantil cometido com o auxílio da internet e que demanda o envio de denúncia a instituições como a SaferNet (denuncia.org.br). 

O Brasil atingiu, nos últimos anos, um patamar bastante elevado de crimes sexuais envolvendo crianças, adolescentes e o ambiente online.

Em balanço recente da rede internacional InHope, o país subiu da 27ª posição para a 5ª posição, no período de 2022 para 2024, no número de denúncias de páginas de distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil. 

Empresas que desejem apoiar a causa e implementar ações e famílias e educadores que busquem materiais para saber conversar sobre o tema com crianças e adolescentes podem encontrar no site dicas de livros, ferramentas, materiais por escrito e visuais e séries de vídeos com essas finalidades. 

O Movimento Violência Sexual Zero também destaca dados estatísticos coletados por instituições de referência, como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o DataSUS. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), outro da lista, traz um número importante: apenas 8,5% dos casos registrados no país são denunciados.

 

Assine o Correio do Estado

Supermercado

Causa do colapso onde dois morreram pode nunca ser descoberta

Perícia investiga causas do desabamento de supermercado em construção em Campo Grande

05/09/2026 13h00

Estrutura de supermercado em construção desabou no bairro Aero Rancho, em Campo Grande e perícia investiga as causas do acidente

Estrutura de supermercado em construção desabou no bairro Aero Rancho, em Campo Grande e perícia investiga as causas do acidente Foto: João Pedro Zequini / Correio do Estado

Continue Lendo...

A causa do desabamento da estrutura de um supermercado em construção, que resultou na morte de dois trabalhadores e deixou outros dois feridos em Campo Grande, ainda não foi esclarecida. O acidente ocorreu na tarde de sexta-feira (4), no bairro Aero Rancho.

Peritos estiveram no local da obra na manhã deste sábado (5), acompanhados por equipes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA-MS), para analisar as possíveis causas do colapso.

A reportagem do Correio do Estado conversou com o conselheiro e engenheiro civil do CREA-MS Sidiclei Formagini sobre as hipóteses que podem ter contribuído para o acidente.

“Quando ocorre um colapso, ele pode ter origem em uma falha de projeto, em uma falha de execução ou em uma ação externa que não estava prevista no projeto.”

Segundo Formagini, somente a perícia técnica poderá indicar a provável causa do desabamento, já que diferentes fatores podem ter contribuído para o colapso.

“Quem vai apontar a causa é somente a perícia técnica. Os profissionais poderão analisar todos os detalhes e indicar a provável origem do problema. Às vezes, porém, a causa real nunca é identificada”, declarou o conselheiro do CREA-MS.

Ainda na tarde de sexta-feira (4), o CREA-MS realizou um levantamento preliminar sobre a situação da empresa responsável pela execução da obra e do responsável técnico. De acordo com a avaliação inicial, ambos estão regulares perante o conselho.

A empresa está habilitada legalmente para atuar e apresentou a documentação solicitada, que indica que os profissionais estão regulares perante o órgão.

Para chegar a uma conclusão, os peritos deverão verificar, entre outros aspectos, a intensidade das rajadas de vento no momento do acidente, os sistemas de contraventamento, a fixação das peças, a sequência de montagem e as condições de estabilidade da estrutura.

O supermercado da rede Mister Júnior estava sendo construído com peças de concreto pré-fabricado. Nesse sistema construtivo, os componentes são produzidos previamente em uma fábrica e, depois, transportados para o canteiro de obras, onde são instalados para dar continuidade à construção.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).