Em sessão da Câmara de Vereadores de Campo Grande, desta quinta-feira (25), vereadores reafirmaram suspeita de improbidade da prefeita Adriane Lopes com pagamentos em folha secreta, e também contestaram a justificativa de que servidora com holerite de R$ 88 mil teria recebido apenas um acerto.
Os vereadores Luiza Ribeiro (PT) e professor André Luiz (Rede) informaram que vão entregar, ainda hoje, representação ao Ministério Pública Estadual (MPMS), para que tenha inquérito civil público, em desfavor da prefeita Adriane Lopes (PP) e do ex-prefeito Marquinhos Trad (PSD), por atos de improbidade administrativa.
Segundo levantamento apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), a funcionária que recebeu R$ 88 mil, que segundo a prefeita teria recebido o supersalário apenas em decorrência de acerto de contas, recebeu, em 2022, mais de R$ 300 mil só de encargos especiais, ou seja, além do salário.
A servidora de iniciais T.F.M.N.L, do alto escalão, que trabalha muito próxima da prefeita, recebeu nada menos que R$ 88.384,67 em novembro do ano passado.
Entretanto, além desse valor que seria um “acerto”, a mesma funcionária recebeu muito mais, em jetons, encargos e outras bonificações, conforme aponta a vereadora Luiza.
“Esta servidora recebeu de jeton, no ano de 2022, R$ 102 mil reais, só de jeton, sem nenhuma comprovação. Recebeu de gratificação, sem comprovação, também considerado pelo TCE como ilegal, o valor de R$ 62 mil reais. Recebeu de gratificação de dedicação exclusiva, o que também é ilegal pelo TCE, mais R$ 62 mil reais. Recebeu como encargos especiais o valor de R$ 83 mil reais, só em 2022, o que soma mais de R$ 300 mil de verbas ilegais só pra ela, mas nós temos muito mais servidores na mesma condição”, disse a vereadora na plenária.
Ainda conforme os dados divulgados por Luiza, estima-se um valor que pode chegar a R$ 1 bilhão, apenas em “desvio de pagamento”, o qual passou a ser chamado de folha secreta.
“Nós ajuizamos uma ação, com pedido de liminar, está na mão do juiz para ele poder analisar, já foi respondido pelo município. Agora, o dinheiro público tem que ser coisa séria, não dá para ser assim não. A transparência é o princípio da honestidade, quando tivermos todos os valores gastos, aplicados, distribuídos pela prefeitura, na folha de transparência, aí sim, sem dúvidas, a gente vai poder confiar na política, enquanto a política admitir uma folha que não é transparente, é genérica, vamos ter um problema sério”, pontuou o vereador André Luiz.
Saiba mais
Os vereadores, que acompanham a investigação do TCE mais de perto, acreditam que há improbidade da prefeita atual e do prefeito anterior, no que se refere ao pagamento de funcionários da prefeitura, que são do alto escalão, entre eles secretários, secretários adjuntos, diretores, assessores diretos da prefeita, entre outros.
“Nós nos fixamos apenas nos encargos especiais e jetons e é escandalosa a sangria de recursos da folha de pagamento”, destacou Luiza, após analisar levantamento de cerca de 20 funcionários próximos à prefeita.
TCE
Conforme já adiantado ainda pelo Correio do Estado, nesta quarta (24), durante sessão ordinária do Pleno Presencial do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), os conselheiros aprovaram, por unanimidade, a proposição de averiguação prévia nas contas da Prefeitura de Campo Grande. (Leo Ribeiro colaborou).


Escreva a legenda aqui


