Tendo a arte poética como destaque, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) dará início, nesta quinta-feira (30), às 19h30min, à sua série de Chás e Rodas Acadêmicas de 2023. Na abertura das atividades, o convidado será o poeta e acadêmico Rubenio Marcelo. A entrada é franca.
O escritor tecerá considerações sobre o tema “A Poesia como Ofício”, enfatizando relevantes aspectos desse gênero literário e expondo características da sua obra poética, bem como reflexos da poesia na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras.
Realizados no auditório da ASL (Rua 14 de Julho, nº 4.653, Altos do São Francisco), os Chás Acadêmicos e as Rodas Acadêmicas deste ano terão apresentação sempre nas últimas quintas-feiras dos meses de março a novembro.
O palestrante do Chá de março, Rubenio Marcelo, é poeta, ensaísta e compositor, sendo imortal da Cadeira nº 35 da ASL, que tem como patrono Múcio Teixeira. Antes da palestra, haverá performance de improviso poético guaicuru com o artista Ruberval Cunha.
O AUTOR
Rubenio Marcelo é autor de vários livros de poesia, destacando-se, nas suas obras autorais mais recentes: “Graal das Metáforas”, “Horizontes D’Versos”, “Voo de Polens”, “Veleiros da Essência”, “Palavras em Plenitude” e “Vias do Infinito Ser”.
Já em segunda edição, “Vias do Infinito Ser” é um dos livros indicados pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) como leitura obrigatória para os Vestibulares 2020/2021/2022 e para o triênio do Passe.
Em 2018, Rubenio esteve em Portugal, onde, a convite, lançou suas obras no Departamento de Línguas e Cultura da Universidade de Aveiro, ocasião em que também ministrou pauta explorando o mesmo tema do Chá de amanhã – “A Poesia como Ofício” – para alunos e professores daquela universidade portuguesa.
Foi conselheiro estadual de cultura de Mato Grosso do Sul e é um dos vencedores, com poema autoral, do tradicional concurso literário Noite Nacional da Poesia.
Recentemente, esteve na Argentina, onde, a convite, integrou o Festival Internacional de Poesia de Buenos Aires, juntamente com outros poetas de vários países também convidados.
A ASL
A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras comemorará, no mês de outubro, 52 anos de fundação. O evento Chá Acadêmico Cultural da ASL é realizado sempre na última quinta-feira de cada mês e é aberto ao público.
Entre as atividades da ASL estão os concursos de Contos Ulysses Serra e de Poesias Oliva Enciso, além do Chá mensal, com palestras envolvendo a arte e a literatura por meio de expoentes personalidades, e da Roda Acadêmica, igualmente abordando os trabalhos culturais dos membros.
Em 10 de novembro de 2021, a ASL comemorou o seu cinquentenário de fundação e demarcou a data com o lançamento oficial do seu hino, canção “Luz das Letras”, obra de autoria dos escritores, compositores e acadêmicos Rubenio Marcelo e Henrique de Medeiros.
Na parceria, os autores retrataram os aspectos culturais e históricos da instituição, celebrando desde nomes dos fundadores até a tradição e as metas.
Quatro poemas de Rubenio Marcelo
FALÉSIAS
Na solitude daquelas falésias
falei tantas vezes
com minhas falanges
em paz com meus dedos
meus pés, minhas mãos
falíveis...
Inda sangram naqueles rubros paredões
– beijados de sal e sol –
os talismãs do primeiro verso...
E certamente não descansa na praia
aquela jangada branca que dava ritmo
ao azul do silêncio
do meu olhar menino
[nas três pontas da sua vela
milhões de sonhos abolicionistas
apontam mares
e mitos ressurgentes]
Se o abstrato é indispensável
para o contraponto da realidade,
os sortilégios não podem
prescindir do verde cio das manhãs
nem das lágrimas do tempo faminto...
Grande parte da súmula
dos meus ais
não está gravada em litogravuras.
– litorais…
ESTAÇÃO NIRVANA
no primeiro poema
terei que partir...
mas não levo mala
nem o velho relógio
nem traje de gala
– a minha urgência já foi num trem-bala…
REFÚGIO
apenas uma maleta
numa das mãos...
o suficiente para levar
a carteira de identidade e o cartão,
a sandália antiga,
meia dúzia de vestes simples
e objetos pessoais,
o copo com prendedor de canudo
e algumas palavras cruzadas...
tudo... ou quase tudo
material dispensável
como a aspirina no bolso
e o velho termômetro
ainda colado
(por esquecimento)
na axila esquerda...
já no táxi
dormiu...
e quase chegando ao destino
sonhou
com um desbotado lençol,
cheiro de éter e penumbra
no quarto,
um camisão esverdeado,
uma bandeja metálica,
colherzinha de plástico,
copo descartável,
e uma janela
| a b e r t a |
para sonhos azuis...
acordou
e viu que somente a janela
não existe.
pegou a carteira...
regou com lento pranto
a sua desbotada identidade...
e novamente descansou.
VIAS DO INFINITO SER
sem a ordem do dia
do sobrenatural
não haveria
a natural ordem
das coisas da noite...
da noite para o dia
silentes instantes
tornam-se eternos...
do dia para a noite
palavras saltam muralhas
e viram estrelas...
instantes e estrelas
conhecem os refúgios do tempo
mas desentendem
a quietude das pedras
e a saga dos pássaros
translúcidos
do sétimo céu...
por via das dúvidas
há vias de certezas
que nos desafiam a percorrer
in/conscientemente
e em perfeita claridade
a via láctea e o infinito
do nosso ser…


Foto: Divulgação
Zaninha Palhano - Foto: Arquivo Pessoal
Ana Palotta e Filipe Tavares - Foto: André Ligeiro
Foto: Roberlânia Gonçalves
Restaurante une a carne na brasa às referências da fronteira - Foto: Roberlânia Gonçalves


