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B+ Especial 70 anos Correio do Estado: Entrevista exclusiva com o apresentador Amary Jr.

"Estou muito feliz na TV Cultura, por ser uma emissora de conduta séria e por depositarem confiança em mim". Amaury Jr. estreia a segunda temporada do seu programa na Cultura no dia 15 de março.

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O apresentador Amaury Jr. (70 anos), é  jornalista formado em Direito e enveredou para a comunicação ainda na juventude. Trabalhou em veículos de imprensa, apresentou atrações de rádio e ingressou na TV como repórter na Tupi. Tornou-se popular como colunista social na televisão em 1982, com o programa Flash, na Gazeta.

"No tempo de curso ginasial, foi quando fiquei fascinado pela comunicação sim. Eu estudava num colégio estadual, o melhor da cidade, e, lá, cada classe tinha um jornal mural no pátio. Eu recortava as notícias que eu considerava as mais importantes e fazia isso semanalmente, assim como todas as outras classes. E eu fiquei muito vaidoso quando eu via um amontoado de gente na frente do meu mural, um volume muito mais representativo do que os das outras classes", relembra.

Nos anos seguintes, o Flash migrou para a Record e, depois, para a Band. Em 2001, o apresentador assinou com a Record. A partir de 2002, firmou-se na RedeTV! com o Programa Amaury Jr., exibido nas madrugadas. Teve uma nova e breve passagem pela Band entre 2017 e 2019, quando retornou para a RedeTV!.

"Comecei como repórter. Também estava lá o Juca Kfouri fazendo esporte, o Zé Milton na reportagem geral... Eles começaram a implantar a cultura de que o próprio repórter que apurava a notícia é que tinha que ir pro ar, e, assim, nascia uma nova geração de telejornalistas. Nesse momento, foi quando eu quis levar algo que eu já fazia no impresso, que era a coluna social, na televisão. Depois, fechou a emissora. Eu ainda tinha um programa na Rádio Gazeta", explica o jornalista.

Ao longo da carreira, também se dedicou a trabalhos como escritor, com o lançamento de revistas e livros relacionados ao trabalho na TV. Seu estilo se tornou um modelo seguido por vários apresentadores de coluna social na televisão, alvo também de paródias em programas como Casseta & Planeta: Urgente.
O apresentador é casado com Celina Ferreira, com quem tem dois filhos, Amaury e Maria Eduarda.

Entrevistar Amaury Jr. é uma inspiração, e tê-lo como Capa dupla, exclusiva e especial do Correio B+ em comemoração aos 70 anos do Correio do Estado é uma grande honra! Deixamos através dessa entrevista assinada pela jornalista Flávia Viana a nossa homenagem a esse ícone da televisão brasileira. 

O apresentador Amaury Jr é Capa B+  especial de 70 anos do Correio do Estado -Foto: Lan Rodrigues - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves - Por Flávia Viana

CE - Amaury, você sempre quis trabalhar com comunicação? 
AJr -
 “Eu fiz Direito porque o meu pai não acreditava na profissão de jornalista, ele surgiu uma época em que a profissão era mais uma coisa romântica, uma coisa alucinada, e os jornalistas não eram nem bem vistos, e essa época meu pai falava: ‘Você não vai ganhar dinheiro com isso’. Aí, eu fui fazer Direito, porque era o sonho dele. Advoguei em São José do Rio Preto (SP) por um ano. Nesse período, eu já estava ligado no Jornalismo, já escrevia em jornais, tinha programa no rádio etc.

CE - Foi nesse momento em que se identificou com o jornalismo de fato?
AJr -
No tempo de curso ginasial, foi quando fiquei fascinado pela comunicação sim. Eu estudava num colégio estadual, o melhor da cidade, e, lá, cada classe tinha um jornal mural no pátio. Eu recortava as notícias que eu considerava as mais importantes e fazia isso semanalmente, assim como todas as outras classes. E eu fiquei muito vaidoso quando eu via um amontoado de gente na frente do meu mural, um volume muito mais representativo do que os das outras classes.

Aquilo que eu selecionava, agradava, e foi a partir daí que eu comecei a ficar muito interessado em comunicação. Eu era bom de português, lia um livro por mês e tinha um bom texto. Aí, o colégio recebeu o convite de um jornal chamado Diário da Tarde e eu fui para fazer a coluna do estudante. Foi quando comecei no Jornalismo impresso. Depois, virou uma coluna social, e com tempo fomos para outros setores de atividade, não somente o estudantil.”

CE - Você é pioneiro e abriu o caminho para o colunismo social eletrônico no país, como foi esse processo?
AJr - 
“Eu era muito ligado em dois grandes colunistas na época, um era o Ibrahim Sued e o outro era o José Tavares de Miranda, na Folha de S. Paulo. Mal sabia eu que acabaria tendo o Ibrahim Sued fazendo temporadas dos meus programas aqui, quando eu tinha programa diário. Eu fui desperto pela comunicação e achei a parte mais agradável dela pra mim, que é a coluna social. Passei pela TV Rio Preto, que era uma subsidiária da Rede Globo.

E foi onde eu comecei, na televisão. Eu fazia um programa de auditório, de embate de faculdades, com gincana etc. Era feito todo sábado. Um dos pedidos que eu fiz na época às duas equipes que trabalhava era que quem trouxesse a mais parecida sósia da Brigitte Bardot, levaria os pontos desse quesito. Uma das equipes da Volcânio era a Ana Maria Braga, que era estudante de Filosofia, lá de Rio Preto, e ela era linda, aliás, ela é linda até hoje, e era também, na sua juventude, no frescor da juventude dela, uma coisa deslumbrante. Na hora que ela entrou, o auditório quase caiu, eu tinha júri, tinha tudo. E a contratei para ser a minha assistente de palco.

Depois, fundei um jornal em Rio Preto, junto com o Zé Amildo Ribeiro por três anos. Em seguida, fui pra São Paulo. O Zé Amildo foi chamado pelo Mauro Salles, que era então o superintendente da TV Tupi, na última fase da TV Tupi, e o Sérgio Souza era o diretor, saudosíssimo, grande jornalista. Aí, o Zé Milton me levou junto.

Comecei como repórter. Também estava lá o Juca Kfouri fazendo esporte, o Zé Milton na reportagem geral... Eles começaram a implantar a cultura de que o próprio repórter que apurava a notícia é que tinha que ir pro ar, e, assim, nascia uma nova geração de telejornalistas. Nesse momento, foi quando eu quis levar algo que eu já fazia no impresso, que era a coluna social, na televisão. Depois, fechou a emissora. Eu ainda tinha um programa na Rádio Gazeta.

O José Roberto Maluf que me deu a oportunidade de retornar à TV. Eu o convenci de que seria interessante não só falar da festa em si, como assuntos de decoração e buffet, mas com as pessoas da festa. E foi quando comecei o meu programa chamado ‘Flash’, que tinha em torno de cinco minutos com entrevistas com convidados das festas. E foi muito bem.”

Amaury Jr é Capa do Correio B+ especial 70 anos do Correio do Estado - Foto: Lan Rodrigues - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves - Por Flávia Viana

CE - E a ideia das músicas que marcaram e marcam as aberturas dos seus programas? 
AJr - 
“Eu sempre fui interessado em música e cinema. Sou da época do rock, do The Beatles. No meu programa de rádio, lembro que rodei o primeiro LP que tinha chegado dos Beatles, com A Hard Day's Night, com todas as músicas deles. Música sempre foi especial para mim. Foi quando quis criar vinhetas para o programa.

Era até usado como uma espécie de truque, porque, por ser um programa diário, nem todo o dia tava bom. Então, as vinhetas ajudavam a colocar trechinhos do programa para despertar o interesse de assistir. Eu escolhi a música ‘Keep it Comin' Love’, que virou o hino nacional do programa.

O próprio K.C., do KC & The Sunshine Band, quando ele esteve aqui no Brasil, falou que queria ser entrevistado por mim, queria saber como que uma música que já tinha desaparecido até da cabeça dele era tão forte e já tinha pegado na veia do brasileiro. Não havia festa que não se tocava ela. A gravadora Building Records me convidou e me ofereceu para comprar os direitos dessas músicas que eu estava botando no programa e fazer um CD. Acabamos fazendo oito. Só o primeiro, eu vendi 500 mil cópias. Fiz até CD de Natal, ganhei disco de ouro e tudo.”

CE - Depois veio a revista Flash e o Clube A...
AJr - 
“Eu tinha um outro sonho, que era o de ter uma revista. E aí surgiu a oportunidade com a editora Scala e veio a revista Flash, que durou três anos. Depois, veio o Clube A, que também fiquei trabalhei por mais três anos, e depois vendi a minha parte e eles deram sequência após a minha saída por mais um tempo.”

Divulgação - Reprodução Internet

CE - O sucesso do programa FLASH...
AJr -
“O programa ‘Flash’ nasceu na Gazeta, timidamente, com cinco minutos. A primeira pessoa que eu entrevistei foi o Antonio Bivar, autor de ‘Verdes Vales do Fim do Mundo’, que tinha voltado do exílio em Londres (Inglaterra). E, deu certo. Depois, me deram 10 minutos, 15 minutos, e conforme foi crescendo, a Record me convidou, que tinha alcance interestadual na época. Em seguida, a Band, para nível nacional. Lá, eu fiquei 17 anos. O programa só não tinha ainda mais audiência, porque ia muito tarde ao ar. Eu não tinha concorrentes. Se tornou um programa de celebridades.

CE - Você também começou a fazer viagens né Amaurt?
AJr -
Posteriormente, começamos a fazer viagens, Copa do Mundo etc. Eu fui o primeiro jornalista a ir pra Dubai com uma equipe fazer uma reportagem por lá que acabou virando livro. As nossas viagens faziam sucesso e tinham um ótimo respaldo comercial justamente porque eu queria mostrar o que habitualmente o turista não conhecia. Por exemplo, íamos até Veneza, na Itália, mostrar quantos filmes foram rodados por lá ou falar sobre a origem do carpaccio, ou a um café em Traben-Trarbach, na Alemanha, onde grandes escritores frequentavam, como o Honoré de Balzac, por exemplo. Ou também em Paris, mostrar o museu da guilhotina, que foi um instrumento de morte emblemático durante a Revolução Francesa. E o programa ficou interessante.”

CE - Inevitavelmente vieram os livros também...
AJr - 
“O primeiro livro que eu escrevi foi o ‘Flash Fora do Ar', que tinha trazia histórias que me contavam fora do ar, durante as gravações. Acabei escrevendo ele com um pouco de pressa e não ficou exatamente como eu queria que ficasse. Até hoje, ele é uma referência porque tem muita informação relevante. Depois, veio o ‘Bisbilhotice’, que eu gostei mais. No momento, estou aprimorando o ‘Bisbilhotice 2’, que vai ser bem mais legal. E tem o ‘A Vida É Uma Festa’, uma biografia minha feita pelo Bruno Meier, um ótimo jornalista que eu adoro. Eu também cheguei a escrever um livro sobre Dubai e outro sobre a África do Sul, que venderam bastante, e ambos foram miniaturizados, no tamanho pocket. E escrevi o ‘Alemanha: 100 Dicas de Amaury Jr.’, um livrinho de bolso, que vendeu que nem pão quente (risos).”

CE - Uma curiosidade de bastidores...
AJr -
 “Quando a rainha Sílvia, da Suécia, esteve em São Paulo, fui até o hotel que ela se hospedou, me credenciei e queria entrevistar, mas ninguém queria deixar. Acabei conseguindo meia hora com ela. O que eu mais queria saber, era sobre a história de uma menina do interior de São Paulo que acabou virando rainha da Suécia... Ela foi para a Olimpíada de Munique, trabalhar como recepcionista, e o rei Carlos Gustavo estava a dois camarotes de distância e aí começou o flerte, ela mesma me contou isso.”

CE - E pra finalizar, conta pra gente sobre a sua nova fase na TV Cultura?
AJr -
“Na nova fase do meu programa, tudo mudou. Eu sempre trabalhei na noite e não tenho mais a mesma disposição que eu tive durante 40 anos, além do que hoje em dia as festas não possuem mais o mesmo glamour, são poucas festas realizadas e a maioria é muito comercial. A primeira parte do programa é mais voltada para a temática, como, por exemplo, falando da origem do chiclete. Muita gente não sabe que ele veio de uma seiva, de uma árvore. E aí eu mostro a árvore que nem uma seringueira escorrendo, falo do papel do chiclete na guerra, que era mastigado até para aliviar a tensão durante os confrontos, bolo de chiclete, falo curiosidades em geral. A segunda parte do programa eu já falo mais de música, de viagens, de festas, um monte de coisas. Estou muito feliz na TV Cultura, por ser uma emissora de uma conduta muito séria e por depositarem confiança em mim.”

                                Foto - UOL

Comportamento Correio B+

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer

No mês da Ação contra os Transtornos Alimentares, campanha que tem como objetivo quebrar preconceitos, informar a população sobre os riscos e promover o tratamento precoce destas condições, a Dra.em psicologia Vanessa Abdo fala sobre o assunto.

07/06/2026 16h00

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizer Foto: Divulgação

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Anorexia, bulimia e compulsão alimentar costumam despertar muitas dúvidas e, infelizmente, muitos julgamentos. Ainda é comum ouvir explicações simplistas, como atribuir esses transtornos à vaidade, à influência das redes sociais ou a um único acontecimento marcante. A realidade, porém, é muito mais complexa.

Os transtornos alimentares não surgem por uma única causa. Não existe uma relação direta de causa e efeito capaz de explicar, sozinha, por que uma pessoa desenvolve anorexia, bulimia ou compulsão alimentar.

O que a ciência tem demonstrado é que esses quadros costumam resultar da soma de diversos fatores de risco, que podem incluir predisposição biológica, características de personalidade, experiências emocionais, ambiente familiar, pressões sociais e culturais relacionadas ao corpo e à aparência.

Isso significa que duas pessoas podem passar pela mesma situação e responder de formas completamente diferentes. É justamente essa complexidade que exige cautela para evitar culpabilizações. Nem famílias são as únicas responsáveis, nem redes sociais explicam tudo, nem a força de vontade resolve o problema.

Ao mesmo tempo em que existem fatores de risco, também existem fatores de proteção. Relações familiares acolhedoras, ambientes em que emoções podem ser expressas sem julgamento, autoestima construída para além da aparência física, senso de pertencimento, desenvolvimento de habilidades emocionais e acesso à informação de qualidade são alguns elementos que contribuem para a saúde mental e para uma relação mais equilibrada com a alimentação e com o próprio corpo.

Outro aspecto fundamental é compreender que transtornos alimentares não são escolhas. São condições de saúde mental que podem trazer graves consequências físicas, emocionais e sociais. Quanto mais cedo forem identificados os sinais de sofrimento, maiores são as possibilidades de recuperação.

Por isso, o tratamento multidisciplinar é tão importante. Psicólogos, psiquiatras, médicos, nutricionistas e outros profissionais atuam de forma complementar, olhando para a pessoa em sua totalidade. Não se trata apenas de mudar comportamentos alimentares, mas de compreender emoções, fortalecer recursos internos e promover saúde de forma integrada.

Vamos desatar esses nós?

@vanessaabdo7

Coluna Desatando Nós: Quando a comida fala o que as palavras não conseguem dizerVanessa Abdo - Dra. em psicologia - Colunista do Correio B+

 

Correio B+

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e aposentadoria

Especialistas explicam como a violência psicológica, patrimonial e econômica pode gerar consequências que se estendem por toda a vida da mulher

07/06/2026 14h00

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoria

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e aposentadoria Foto: Divulgação

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Quando se fala em violência contra a mulher, a agressão física costuma ser a forma mais visível e discutida. No entanto, muitas mulheres vivenciam diariamente outras formas de violência que, embora menos perceptíveis, podem causar impactos profundos e duradouros.

A violência psicológica, patrimonial e econômica afeta não apenas a autonomia da mulher durante o relacionamento, mas também sua segurança financeira após a separação e sua proteção previdenciária no futuro.

Segundo as advogadas Dra. Élide Sampaio, especialista em Direito das Famílias, e Dra. Natália Donato, especialista em Direito Previdenciário, compreender esses reflexos é fundamental para garantir a proteção integral dos direitos das mulheres.

Quando o cuidado com a família gera dependência financeira

Ainda hoje, é comum que muitas mulheres assumam a maior parte das responsabilidades relacionadas aos filhos, à organização da casa e ao cuidado de familiares. Em diversas situações, elas reduzem sua jornada de trabalho, deixam oportunidades profissionais de lado ou até interrompem suas carreiras para atender às necessidades da família.

Embora essa dedicação seja essencial para o desenvolvimento familiar, ela frequentemente resulta em menor independência financeira e menor participação na construção de patrimônio próprio.

"A divisão desigual das responsabilidades familiares pode gerar consequências importantes quando ocorre a separação. Muitas mulheres contribuíram significativamente para a família por meio do trabalho doméstico e dos cuidados com os filhos, mas chegam ao fim da relação em situação de vulnerabilidade econômica", explica a Dra. Élide Sampaio.

Violência patrimonial e econômica: formas silenciosas de controle

A violência patrimonial e econômica ocorre quando há controle excessivo dos recursos financeiros, impedimento ao exercício profissional, retenção de documentos, ocultação de patrimônio ou qualquer conduta destinada a limitar a autonomia financeira da mulher.

Em muitos casos, a dependência econômica torna-se um dos principais fatores que dificultam o rompimento de relacionamentos abusivos.

"O agressor muitas vezes utiliza o controle financeiro como instrumento de poder, fazendo com que a mulher se sinta incapaz de reconstruir sua vida fora daquela relação", destaca a Dra. Élide Sampaio.

O ordenamento jurídico brasileiro prevê mecanismos de proteção para essas situações, incluindo a correta partilha dos bens adquiridos durante a união e a aplicação das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha quando caracterizadas formas de violência patrimonial, psicológica ou econômica.

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoriaDra Élide Sampaio - Espealizada em direito das famílias e sucessões - Foto: Divulgação

A importância dos alimentos na busca pelo equilíbrio financeiro

Além da pensão destinada aos filhos, determinadas situações podem justificar a fixação de alimentos em favor do ex-cônjuge ou ex-companheiro.

Isso ocorre especialmente quando a separação evidencia um desequilíbrio econômico significativo entre as partes, decorrente da divisão de funções estabelecida durante o relacionamento.

"Existem situações em que a mulher dedicou anos ao cuidado da família e, por isso, teve sua capacidade de inserção profissional reduzida. Nesses casos, os alimentos podem exercer importante função de reequilíbrio, permitindo que ela tenha condições de reorganizar sua vida e retomar sua autonomia financeira", esclarece a Dra. Élide Sampaio.

Cada caso deve ser analisado individualmente, observando-se as necessidades de quem pede, as possibilidades de quem paga e as circunstâncias que envolveram a dinâmica familiar.

Os reflexos da maternidade e da dependência financeira na aposentadoria

As consequências da desigualdade vivenciada durante o relacionamento muitas vezes ultrapassam o momento da separação e alcançam a vida previdenciária da mulher.

Segundo a Dra. Natália Donato, a interrupção da atividade profissional para dedicação aos filhos e à família pode resultar em períodos sem contribuição ao INSS, reduzindo o tempo necessário para a aposentadoria e dificultando o acesso a benefícios previdenciários.

"Muitas mulheres chegam à fase de planejamento da aposentadoria com lacunas contributivas importantes porque passaram anos exercendo atividades essenciais dentro do ambiente familiar, mas sem remuneração e sem proteção previdenciária", explica.

Por essa razão, o planejamento previdenciário se torna uma ferramenta fundamental para identificar oportunidades de regularização das contribuições e garantir maior segurança financeira no futuro.

Dona de casa também pode construir proteção previdenciária

Uma informação que ainda é pouco conhecida é que a dona de casa pode contribuir para o INSS como segurada facultativa, mesmo sem exercer atividade remunerada.

Existem modalidades de contribuição acessíveis, inclusive para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único, permitindo acesso a benefícios previdenciários como aposentadoria, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade, desde que cumpridos os requisitos legais.

Como diferentes formas de abuso podem afetar os direitos das mulheres na separação e  aposentadoriaDra. Natália Donato - Especializada em direito previdenciário - Foto: Divulgação

Conhecimento e autonomia como formas de proteção

Para as especialistas, o enfrentamento da violência contra a mulher também passa pelo acesso à informação e pelo fortalecimento da autonomia financeira.

"Muitas mulheres desconhecem que situações aparentemente comuns podem configurar violência patrimonial ou econômica. Conhecer os próprios direitos é essencial para romper ciclos de dependência e construir um futuro com mais segurança e liberdade", concluem as advogadas.

A atuação conjunta do Direito das Famílias e do Direito Previdenciário permite uma proteção mais ampla da mulher, oferecendo instrumentos jurídicos capazes de preservar sua dignidade, sua autonomia financeira e sua segurança para o futuro.

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