Correio B

ENTREVISTA

Bi Ribeiro, dos Paralamas do Sucesso, fala sobre a parceria e a amizade com os companheiros

Diretamente de Salvador, onde mora atualmente, Bi Ribeiro, baixista d'Os Paralamas do Sucesso, fala sobre a parceria e a amizade com os companheiros de banda e sobre a influência do reggae em sua formação

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Já são quase quatro anos sem tocar em Mato Grosso do Sul. A última vez foi em 2019, pelo Festival América do Sul Pantanal, em Corumbá. Como será o show desta sexta-feira em Campo Grande?

A gente não volta para Campo Grande há um tempão mesmo, talvez uns 10 anos. Também teve a pandemia, né? Logo depois da última vez que a gente foi. A gente deixou de gravar disco por muito tempo, mas a banda nunca parou. Me lembro bem sim do festival em Corumbá. Ali era outro show, de lançamento do disco anterior (“Sentidos do Sim”, de 2017).

Essa turnê que a gente está fazendo, a “Paralamas Clássicos”, tem sido um reconhecimento muito grande em todo lugar que a gente tem ido. É um roteiro que passa por toda a nossa carreira, desde o primeiro disco até o último, e é um show grande, hein? 

Foi difícil tirar as músicas e conseguir fazer um roteiro mais enxuto para ser uma coisa que tivesse um fim. São umas 30 músicas, basicamente só Paralamas. A única cover que tem, pode-se dizer que é quase uma música nossa, que é “Você”, do Tim Maia, que a gente regravou em 1986 e nos apropriamos dela como se fosse nossa. Não chega a ser um cover, é uma regravação, uma interpretação nossa.

É difícil acreditar nisso, mas em 1986, quando lançou essa música, pouca gente ouvia Tim Maia. Na verdade, era off, ele estava por baixo. Não tinha ainda recebido essa consagração que lhe é de direito. 

Não estou dizendo que foi a gente que fez esse revival, mas nós fomos uma das pessoas que levantaram ele. A gente regravou “Você”, começou a tocar muito no rádio e aí começou a se ouvir mais Tim Maia, e hoje em dia ele é essa referência que é. Então, a gente é quase parceiro.

Como é compor, ensaiar, gravar e se apresentar por tanto tempo?

O que era para a gente uma conquista, um sonho, quando gravamos o primeiro disco, há quarenta anos, se apresentar no Circo Voador, fazer show com o Lulu Santos… Era um sonho e acabou virando o nosso modo de vida mesmo. A gente nunca planejou o passo seguinte. Ou melhor, a gente só planejou o passo seguinte. Nunca imaginamos que dois anos depois estaríamos fazendo isso, ou quarenta anos depois, como agora estamos comemorando essa data. Foi muito passo a passo. 

No começo, a gente queria tocar no Circo Voador, tocar na Rádio Fluminense, que era uma rádio que tocava música independente. Esse foi o primeiro passo. E tivemos tanta sorte também, a gente nem procurou uma gravadora.

Naquela época, depois que a Blitz estourou, as gravadoras estavam catando as bandas que poderiam dar uma sequência àquilo ali e começaram a nos assediar. A gente escolheu uma gravadora e conseguiu gravar um disco muito rápido. 

Em agosto de 1983, estávamos lançando o primeiro disco (“Cinema Mudo”), e o passo seguinte foi… Não ficamos felizes com esse disco, não gostamos da experiência e partimos para gravar outro disco (“O Passo do Lui”, 1984), e aí veio o Rock in Rio (1985). Sempre assim, com passos muitos breves.

Quando vimos, já tinha passado 10 anos, depois 20, e a gente na nossa rotina do que a gente mais gosta, que é tocar no palco. Tudo que a gente faz, gravar disco, tocar na televisão, fazer entrevista, enfim, tudo com o objetivo sempre de estar no palco, tocando o que a gente gosta. Tem sido uma realização mesmo, algo impensável no tempo de adolescentes.

Ter uma banda com 40 anos de estrada, não existia um paralelo assim no Brasil. Mas estamos nós aqui. Não que a gente tenha influenciado, mas apontamos para uma direção que depois outras bandas seguiram, como Nação Zumbi e Skank. 

Em “Bora Bora” (quarto álbum, de 1988, lançado após “Selvagem?”), entraram os metais, era uma coisa muito diferente para banda, a forma de comunicação. E a gente nunca mais largou.

Já pensou em “pendurar” o contrabaixo?

Não. Naquela época do acidente do Herbert, em 2001, que foi um baque na nossa vida e na carreira, perguntavam: “Vocês ainda vão tocar?”. Primeiro, eu nunca deixei de ter esperança de que o Herbert voltaria. Era uma coisa impensável os Paralamas não voltarem à ativa, sempre foi uma coisa que eu tive como norma, apesar de, naquela época, ser uma coisa muito arriscada, ninguém tinha certeza de nada, mas a gente não conseguia aceitar. 

Eu dizia: “Eu não sou músico, eu sou um Paralama”. É o que me considero. Com o tempo você vai vendo que você depende mesmo. Da banda, da música. Nunca pensei em largar os Paralamas. Tive uma banda de reggae, que chamava Reggae B, há uns 20 anos atrás. A gente seguiu com ela até quando deu. Porque era muita gente, cada um tinha seu trabalho. Nunca mais a gente conseguiu reeditar.

Como se descobriu em relação ao instrumento? Quais baixistas curte ouvir?

Começou por uma sugestão do Herbert. Porque nós morávamos em Brasília, ele foi no ano de 1977 morar no Rio e eu fui no ano seguinte. A gente fez vestibular em 1978 e, nessa ida para lá, nos vimos muito isolados. Em Brasília, tínhamos uma turma grande, um monte de amigos, andávamos de skate e tal. Todos adolescentes com uns 16 anos, e a gente custou a engrenar uma turma de amizade, a gente ficava muito unido. 

Ele já tocava guitarra muito bem e eu tocava violão muito mal (risos). Ele falou: “Arranja um baixo para a gente tocar junto, pelo menos a gente fica trocando ideia”, então comprei um baixo e comecei a tocar. Ele me ensinava umas coisas, eu tirava as músicas que gostava. Foi mais para socializar que veio a música para mim, e acabou que me encontrei.

Comecei a gostar de reggae, onde o baixo manda, e aí eu fui me encontrando e me realizando, e acho que realmente é meu instrumento. Tenho um baixo acústico, mas nunca toquei à vera, só em casa, de brincadeira. É um instrumento muito bacana, muito bom. Mas nunca experimentei tocar nem nos Paralamas nem em outras situações. Não ousei ainda me apresentar.

Quase não estudo em casa, sabe? Não fico tocando horas em casa, porque acho que vai tirar a espontaneidade, sei lá. Se eu vou com as poucas armas que tenho, acho que me viro bem.

Temos grandes baixistas, como por exemplo o Liminha, que produziu alguns de nossos álbuns. O Lee Marcucci, que era do Tutti-Frutti. O Jamil Joanes. O Arthur Maia (1962-2018). São até contemporâneos meus. Mas o que me influencia mais como baixista são os baixistas de reggae. Baixistas jamaicanos, principalmente o que se chama Robbie Shakespeare (1953-2021).

Que fazia dupla com o Sly Dunbar…
Exatamente. Esse aí. Esse cara é quem lê a música do modo mais interessante. Durante muito tempo, é claro que você vai pegando a sua forma de se manifestar e de interpretar, mas eu pensava assim na hora de compor: “Como é que Robbie Shakespeare tocaria essa música?”. É uma referência e uma influência muito grande. Mas você vai pegando a sua própria linguagem e acaba tendo a sua personalidade.

Por que usa o mesmo instrumento há tanto tempo?

É um baixo americano que se chama Factor, uma fábrica pequena. Achei ele em 1986 e é o que eu tenho usado. Passei por outros, voltei e não abro mão mais. Eu trouxe muita coisa do reggae para o Paralamas, o meu jeito de tocar, que é muito inspirado nisso, e acaba que puxo um pouquinho para esse lado. Nós todos gostamos. É uma forma boa de dar roupa às composições.

O que mais gosta de fazer?

Tem meu lado rural (risos). Eu fazia Zootecnia na faculdade quando comecei a banda e larguei antes da formatura. Mas eu tenho um sítio (em Mendes, no estado do Rio) e gosto de criar ovelha, tenho uma plantação de cacau. Coisa pequena, mas gosto desse lado rural.

O que mais aprecia nos companheiros de banda?

O Herbert e o João são extremamente virtuosos. Eles tocam muito, sabem muita música. Eu aprendi muito com eles e agradeço muito a paciência que eles tiveram de me assistir aprendendo ali e errando, tentando acompanhar. 


Somos muito amigos, e a amizade nesses 40 anos trabalhando juntos vai se transformando em uma irmandade, em uma coisa maior, em um universo. Sempre que a gente toca com outras pessoas, acho estranho. A mágica só acontece mesmo quando juntamos nós três (continua na página B4).

“Tenho boas ideias graças ao reggae”

A banda mantém a estampa de trio, mas a “família” Paralamas costuma ser mais numerosa no palco... O João Fera (tecladista), por exemplo, pode ser visto como um quarto Paralamas.

Ele vestiu a camisa há muito tempo. Ele era músico de banda de baile que toca covers. O João Barone conhecia ele desde pequeno e ensinava os colegas a tocar violão e tal. Ele não conhecia nada das coisas que a gente ouvia, as músicas e bandas da África, da Jamaica, e fui mostrando para ele entender como era o nosso modo musical. 

E ele pegou isso de uma forma única e virou uma referência. Dos anos 1980, quando o reggae cresceu muito no Brasil, ele é uma referência. Ninguém toca como ele toca. O jeito e a visão que ele tem do reggae e da parte dele no reggae viraram referência. É nosso irmão. Um Paralama honorário.

O músico que está há menos tempo com a gente é o trombonista João Bidu, que está há 26, 27 anos. O João Fera está há 36, 37 anos. Então, todo mundo entra aqui e não sai. Vira família, e a gente toca muito, toda semana. É uma convivência muito intensa. Tem aquelas brincadeiras, parece turma de escola.

O que os levou a prosseguir com a banda após o acidente do Herbert?

Nunca passou pela nossa cabeça outra possibilidade. Tínhamos certeza de que o Herbert e o Paralamas voltariam. Tudo foi relativamente muito breve. O Herbert ficou 40 dias em coma. Dois meses depois, a gente já estava no estúdio tocando juntos (“Um Longo Caminho”, de 2002, é o primeiro disco lançado após o acidente de ultraleve, em fevereiro de 2001, que deixou Vianna paraplégico e com perda parcial de memória). 

A gente viu isso como uma forma de ajudá-lo naquela volta. Você não sabe quem é você, o que está falando ali. E vai voltando, vai voltando. E ele voltou tocando logo. Queria tocar, queria tocar, e, tocando juntos, ajudaria a memória a voltar.

O projeto que a gente tinha antes de o acidente acontecer era fazer um disco de trio. As músicas que estavam em andamento foram pensadas com arranjos simples, básicos, de trio. Mas o acidente mudou tudo, e a gente fez questão que todo mundo participasse. Estava todo mundo naquela onda de tocar o barco para frente, todo mundo junto, e acabou que fizemos essas músicas depois com arranjos para todos. Mas a ideia original era essa.

Graças a Deus, ele está ótimo. Foi bem branda essa pneumonia recente. Quando fui visitá-lo no hospital, ele estava superbem já, louco para sair para a gente tocar. Os primeiros shows foram em Curitiba e no Rio, no Festival de Inverno, no fim de semana agora. O festival do Rio foi maravilhoso, um daqueles especiais. Mostrou que a banda está em plena forma, com vontade.

Ele tem comorbidade, está na cadeira de rodas, sofreu um acidente muito grave. Então, o médico, o mesmo que cuidou dele na época do acidente, dr. Pantoja, pneumologista, achou que era mais interessante ele receber um antibiótico na veia, com horário certo e tal. Uma coisa mais confiável, e dar alta com a plena certeza de que estaria curado.

“Os Sentidos do Sim”, último álbum de estúdio, foi lançado em 2017. Vem disco novo por aí ou outras novidades?

Não tem nada que nos obrigue a gravar. A gente quer gravar porque é uma necessidade artística. A vontade de entrar no estúdio e fazer coisas novas, mostrar coisas que a gente está compondo. Daqui para o fim do ano a gente vai se encontrar, trocar ideias, e acho que no próximo ano a gente vai apresentar alguma coisa. Não é promessa, não é compromisso.

Conta um pouco mais da tua ligação com o reggae.

O reggae me pegou quando eu estava aprendendo a tocar, ouvindo coisas diferentes. Tinha a geração dos pós-punk inglês, que estava começando a misturar o reggae com o punk, e aquilo pegou a gente de jeito. Eu já conhecia reggae desde os anos 1970. 

O irmão do Herbert, o (antropólogo) Hermano (Vianna), tinha mostrado para a gente Bob Marley e tal. Eu até, em uma primeira prospecção, não gostei. Porque eu gostava de rock e achei aquilo devagar. Não curti não (risos).

Já nos anos 1980, principalmente conhecendo os toasters, que seriam os rappers do reggae, como Yellowman, esses caras, fui me encantando. E eu levava as coisas que ia conseguindo escutar para eles (Barone e Herbert). 

Ao mesmo tempo, meu pai morava no Chile e, não sei porque, lá tem uma frequência de discos da África muito grande. Tinha um selo francês. Nessa época, no Brasil, não chegavam coisas diferentes assim. Só as bandas grandes. Do reggae, tinha Bob Marley.

Eu era muito curioso e me apaixonei. No reggae, a base do negócio é o baixo. A linha do baixo dá uma personalidade à música muito grande. A cara da música no reggae é o que o baixo está fazendo ali junto com a voz. Sei que não sou um grande instrumentista, mas sei que tenho boas ideias. E muito graças ao reggae e às melodias que o baixo segura.

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 17 e 23 de agosto. É hora de aprender e aperfeiçoar talentos

Sob a regência do Oito de Ouros, a semana nos convida a transformar potencial em realização.

16/08/2026 12h00

Sob a regência do Oito de Ouros, a semana nos convida a transformar potencial em realização.

Sob a regência do Oito de Ouros, a semana nos convida a transformar potencial em realização. Foto: Divulgação

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Oito de Ouros: o poder de transformar talento em realização

Há semanas em que o céu parece nos convidar a sonhar, experimentar, arriscar. Outras nos pedem silêncio, recolhimento ou coragem para atravessar mudanças que não controlamos. Esta semana que se inicia pertence a uma categoria particularmente interessante: é um período de transformação da inspiração em matéria.

Depois da intensidade criativa do Sol em Leão, começamos a entrar em um território mais concreto, em que aquilo que desejamos precisa ganhar forma, método, consistência e continuidade. É por isso que o Oito de Ouros surge como a carta dos Arcanos Menores que melhor traduz o momento.

O Oito de Ouros é uma carta de construção. Em uma de suas imagens mais tradicionais, vemos uma pessoa concentrada diante de seu trabalho, produzindo, aperfeiçoando, repetindo gestos, aprendendo com a própria prática. Não há pressa nem espetáculo.

O que existe é dedicação. A carta nos lembra que talento é apenas o ponto de partida. Para que uma habilidade se transforme em realização, é preciso exercitá-la, aprimorá-la e, sobretudo, permanecer presente durante o processo.

Essa mensagem ganha ainda mais força quando observamos a passagem astrológica desta semana. A Lua chega ao Quarto Crescente em Escorpião na quarta (19), trazendo intensidade, profundidade e uma necessidade maior de agir sobre aquilo que foi percebido desde a Lua Nova em Leão.

Poucos dias depois, o Sol deixa Leão e entra em Virgem. Mercúrio também ingressa em Virgem no dia 25, reforçando uma atmosfera de organização, análise, discernimento e atenção aos detalhes.

É quase como se o céu dissesse: agora que você sabe o que quer, o que vai fazer com isso?

O signo de Leão nos lembra da importância de criar, desejar, ocupar nosso espaço e reconhecer aquilo que nos faz especiais. Virgem pergunta o que podemos fazer concretamente com esse potencial. O primeiro signo de fogo quer expressão; o segundo, de terra, quer utilidade.

Um acende a chama. O outro transforma a chama em trabalho. E o Oito de Ouros ocupa exatamente esse lugar de passagem: ele representa a pessoa que percebe que não basta ter inspiração — é preciso desenvolver a habilidade necessária para sustentá-la.

Existe uma diferença importante entre trabalhar muito e trabalhar com consciência. O Oito de Ouros não é simplesmente uma carta de esforço. É uma carta de aperfeiçoamento. Seu ensinamento não é “faça mais”, mas “faça melhor”. Existe uma inteligência na repetição representada por esse arcano.

Cada tentativa permite corrigir um detalhe, compreender um erro, ganhar segurança e descobrir uma maneira mais eficiente de realizar aquilo que se deseja. Por isso, esta pode ser uma semana especialmente favorável para estudar, organizar, revisar, editar, treinar, planejar e colocar em ordem aquilo que vinha sendo feito de maneira improvisada.

E isso também significa aceitar que nem todo crescimento é imediatamente visível.

Vivemos em uma cultura que valoriza muito o resultado final. Queremos saber quando algo vai acontecer, quanto vamos ganhar, qual será o reconhecimento, quando virá a promoção, quando encontraremos alguém, quando finalmente teremos certeza de que estamos no caminho certo.

O Oito de Ouros oferece uma perspectiva diferente. Ele fala do valor do processo. Algumas das transformações mais importantes acontecem enquanto ainda estamos trabalhando nos bastidores, sem aplausos e sem garantias.

Essa talvez seja uma das grandes lições da carta para os próximos dias: não desprezar aquilo que ainda está em construção.

A entrada do Sol em Virgem reforça justamente essa disposição para olhar para as pequenas partes que compõem um todo. O período virginiano favorece organização, trabalho cuidadoso, atenção aos detalhes e o aperfeiçoamento de habilidades.

O Oito de Ouros traduz isso perfeitamente porque sua força está na capacidade de transformar uma tarefa aparentemente pequena em parte de uma construção maior.

O desafio, porém, é não transformar aperfeiçoamento em perfeccionismo.

A sombra do Oito de Ouros aparece quando a busca por fazer melhor se transforma na sensação de que nunca está bom o suficiente. Podemos ficar presas à correção de detalhes e perder de vista o sentido do que estamos construindo.

Podemos trabalhar demais, revisar infinitamente, adiar uma entrega porque ainda não consideramos tudo perfeito.

Virgem, quando desequilibrado, pode acreditar que só merece reconhecimento depois de eliminar todas as imperfeições. O Oito de Ouros nos lembra justamente o contrário: é fazendo que aprendemos a fazer melhor.

Nesse sentido, a semana pode trazer uma pergunta bastante poderosa: o que você está disposto a aperfeiçoar porque realmente acredita que vale a pena?

A resposta é importante porque o Oito de Ouros não recomenda esforço indiscriminado. Ele fala de investimento. De escolher uma habilidade, uma relação, um projeto, uma profissão, uma direção e decidir que aquilo merece tempo e dedicação.

A carta não promete resultados instantâneos. Ela oferece algo talvez mais sólido: a possibilidade de construir competência e, a partir dela, autonomia.

No amor, essa mensagem é especialmente interessante. O Oito de Ouros não é uma carta de grandes declarações românticas, mas pode ser uma carta muito significativa para relações que desejam durar. Ele nos lembra que um relacionamento também é uma construção diária.

Não basta existir atração, sentimento ou encantamento. É preciso aprender a conversar, escutar, negociar diferenças, respeitar limites, reparar erros e criar pequenos gestos de cuidado que sustentem a relação no cotidiano.

Para quem está em uma relação, a semana pode favorecer uma atitude mais madura diante do amor. Em vez de perguntar apenas “o que eu sinto?”, talvez seja importante perguntar “o que estou fazendo para que esse sentimento tenha espaço para existir?”.

Amor também é presença. É atenção. É disponibilidade. É disposição para aprender a amar aquela pessoa específica, com sua personalidade, suas necessidades e suas diferenças.

Ao mesmo tempo, o Oito de Ouros pede cuidado com relações que parecem exigir esforço unilateral. Construção não significa carregar tudo sozinho. Se apenas uma pessoa trabalha para manter o vínculo, existe um problema. O aprendizado da carta está na reciprocidade: duas pessoas precisam estar dispostas a participar da construção.

Para quem está solteiro(a), o período pode favorecer uma percepção mais realista do amor. Talvez seja menos importante encontrar alguém que provoque uma explosão imediata de emoções e mais importante observar quem demonstra consistência. Quem aparece?

Quem procura? Quem presta atenção? Quem cumpre o que promete? Quem está disposto a construir? O Oito de Ouros prefere atitudes a discursos. Ele nos ensina que, no amor, a repetição dos pequenos gestos costuma dizer mais do que uma grande declaração isolada.

A passagem de Leão para Virgem também pode mudar a maneira como enxergamos o desejo. Depois de um período mais voltado à paixão, ao brilho e à expressão individual, começamos a perceber se existe compatibilidade entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos viver.

O amor precisa caber na realidade. Precisa encontrar espaço na rotina, nos compromissos, nas escolhas e na vida concreta.

No trabalho, o Oito de Ouros encontra um de seus territórios naturais. É uma carta extremamente favorável para produtividade, aprendizado e desenvolvimento profissional. Mas sua mensagem não é simplesmente trabalhar mais horas.

É desenvolver aquilo que sabemos fazer, identificar onde ainda podemos melhorar e compreender que excelência é uma construção.

Esta pode ser uma semana excelente para revisar projetos, corrigir processos, organizar pendências, atualizar conhecimentos, aprender uma ferramenta nova ou finalmente dedicar atenção a uma habilidade que vinha sendo deixada de lado.

Também pode ser um bom momento para observar o próprio método de trabalho. O que está funcionando? O que desperdiça tempo? Onde existe retrabalho? O que poderia ser simplificado?

Na carreira, o Oito de Ouros fala de reputação construída por competência.

Nem sempre o reconhecimento chega primeiro. Muitas vezes, ele é consequência de uma série de pequenas entregas bem-feitas. A pessoa que se torna referência em determinada área geralmente não chegou ali por acaso: existe um acúmulo de experiência, estudo, prática e aperfeiçoamento. A carta nos convida a olhar para esse acúmulo.

Se você está buscando uma mudança profissional, talvez esta não seja uma semana para esperar uma resposta definitiva do universo, mas para perguntar: o que posso fazer hoje para me tornar mais preparado para a oportunidade que quero amanhã?

Pode ser atualizar o currículo, estudar, ampliar contatos, organizar um portfólio, retomar um projeto, aperfeiçoar uma habilidade ou simplesmente voltar a fazer algo que você sabe que faz bem.

O Oito de Ouros é uma carta muito poderosa para quem está construindo uma nova etapa profissional porque ela mostra que competência também é uma forma de poder.

E há algo especialmente bonito nessa perspectiva: ninguém pode tirar de você aquilo que você realmente aprendeu a fazer.

Reconhecimento externo pode desaparecer. Um cargo pode mudar. Uma empresa pode deixar de existir. Um projeto pode ser interrompido. Mas a experiência acumulada permanece. O conhecimento incorporado ao corpo, à inteligência e à prática continua sendo seu. É por isso que o Oito de Ouros também pode representar investimento em si mesmo.

No dinheiro, a carta pede uma relação mais consciente com os recursos. Não é uma energia de enriquecimento rápido ou de ganhos inesperados. É muito mais ligada à construção gradual de segurança. Dinheiro que vem do trabalho, da competência, da constância e da capacidade de transformar conhecimento em valor.

É um bom momento para olhar para as próprias finanças com objetividade. Rever gastos, organizar contas, pensar em prioridades e avaliar se os recursos estão sendo direcionados para aquilo que realmente importa. Mais do que cortar por cortar, a carta pergunta: onde vale a pena investir?

E essa pergunta pode ser aplicada também ao investimento em si mesmo. Um curso, uma formação, uma ferramenta de trabalho ou uma experiência que aumente sua capacidade profissional pode ter mais valor do que uma compra impulsiva. O Oito de Ouros entende dinheiro como energia que pode ser transformada em estrutura.

Sua sombra financeira aparece quando confundimos produtividade com valor pessoal. Trabalhar incessantemente não significa necessariamente prosperar. Às vezes, a verdadeira evolução consiste em aprender a cobrar melhor pelo que fazemos, reconhecer nossa experiência ou encontrar uma maneira mais inteligente de usar nosso tempo.

Essa é uma distinção importante: o Oito de Ouros não pede que você prove seu valor pelo excesso de esforço. Ele pede que você reconheça o valor daquilo que sabe fazer.

A proximidade do eclipse lunar de 28 de agosto acrescenta uma sensação de fechamento de ciclo à semana. O eclipse acontece com a Lua Cheia em Peixes, diante do Sol em Virgem, criando um eixo simbólico entre organização e entrega, controle e confiança, matéria e sensibilidade.

Por isso, os dias que antecedem o eclipse podem funcionar como uma espécie de preparação: aquilo que precisa ser colocado em ordem começa a pedir atenção, enquanto aquilo que já cumpriu sua função pode começar a perder sentido.

O Oito de Ouros é particularmente sábio nesse contexto porque sabe diferenciar persistência de insistência.

Persistir é continuar aperfeiçoando algo que tem potencial. Insistir é continuar fazendo a mesma coisa mesmo quando ela já não produz vida. Às vezes, a maior maturidade não está em trabalhar mais, mas em perceber que determinado trabalho terminou.

Por isso, a carta não fala apenas de fazer. Ela fala de aprender. E aprender inclui descobrir quando continuar, quando corrigir e quando mudar de direção.

Talvez seja essa a principal mensagem da configuração astrológica da semana: estamos entrando em uma fase em que pequenas escolhas podem ganhar consequências maiores. A energia não está necessariamente voltada para grandes gestos, mas para aquilo que se repete.

Um hábito. Uma conversa. Uma decisão. Uma tarefa concluída. Uma habilidade desenvolvida. Um limite estabelecido. Uma conta organizada. Um projeto retomado. Um cuidado oferecido.

Oito de Ouros é a carta que nos ensina a respeitar o tempo das coisas.

Existe um momento para desejar e existe um momento para construir. Existe um momento para imaginar quem queremos ser e outro para começar a praticar essa pessoa.

Existe um momento para mostrar nosso brilho e outro para sentar diante da bancada, pegar as ferramentas e trabalhar silenciosamente.

E talvez seja justamente aí que esteja a beleza dessa carta. Ela não promete atalhos. Promete consistência. Não diz que tudo ficará pronto rapidamente.

Diz que cada etapa importa. Não garante reconhecimento imediato. Garante que aquilo que é feito com atenção, consciência e dedicação pode adquirir uma qualidade que não depende do acaso.

Na passagem de Leão para Virgem, podemos levar conosco a chama da criatividade, mas precisamos aprender a dar forma a ela. O Sol em Leão nos lembra que temos algo único para oferecer.

O Sol em Virgem pergunta como podemos transformar esse potencial em algo útil, concreto e duradouro. O Oito de Ouros responde: praticando.

Então, nesta semana, talvez valha menos perguntar “quando vai acontecer?” e mais perguntar “o que posso aperfeiçoar hoje?”.

Porque nem todo avanço chega como uma grande virada.

Às vezes, ele chega como uma pequena correção.

Uma escolha mais consciente.

Uma habilidade que finalmente começa a amadurecer.

Uma relação que aprende a se comunicar melhor.

Um trabalho que ganha qualidade.

Um dinheiro que começa a ser administrado com mais inteligência.

Um projeto que deixa de ser apenas uma ideia e ganha forma.

E, quando percebemos, aquilo que parecia apenas repetição era, na verdade, construção.

Oito de Ouros é a arte de transformar potencial em competência, competência em confiança e confiança em realização.

Nesta semana, não tenha pressa de colher. Observe o que está sendo construído. Escolha onde vale colocar sua energia. Faça com presença. Corrija sem se punir. Aprenda sem exigir perfeição.

E lembre-se: algumas das coisas mais importantes que estamos criando para o futuro começam justamente quando ninguém ainda está olhando.

O trabalho invisível também é trabalho. E, muitas vezes, é ele que prepara o próximo grande salto.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Gastronomia Correio B+

Aprenda a fazer um Cookie de Frigideira

Uma sobremesa fácil e deliciosa para fazer em casa

16/08/2026 10h30

Aprenda a fazer um Cookie de Frigideira

Aprenda a fazer um Cookie de Frigideira Foto: Divulgação

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Essa semana a Água Doce Sabores do Brasil nos presenteou com uma receita fácil e deliciosa de fazer em casa, Cookie de Frigideira Individual. Anota tudo ai...


Ingredientes:

  • 1 colher de sopa de manteiga
  • 1 colher de sopa de açúcar mascavo
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 1 gema
  • 3 colheres de sopa de farinha de trigo
  • 2 colheres de sopa de chocolate picado
  • 1 pitada de sal
  • 1 bola de sorvete de creme para finalizar

Modo de preparo:

Comece misturando a manteiga com os açúcares. Acrescente a gema, a farinha, o sal e o chocolate e misture até obter uma massa homogênea.

Transfira para uma frigideira pequena untada e cozinhe em fogo bem baixo, com a frigideira tampada, até as bordas ficarem firmes e o centro permanecer macio. Finalize ainda quente com uma bola de sorvete.

Dica: o segredo da apresentação é servir o cookie na própria frigideira, ainda quente, com o chocolate derretido e o sorvete começando a escorrer.

 

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